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Livre, de Jean-Marc Vallée

Desde quando o trailer foi lançado já era possível deduzir que Livre seria uma versão 2.0 (no sentido negativo) do inspirador Na Natureza Selvagem. A impressão se confirma mesmo com o filme, que, apesar de comandado por um competente diretor, nunca chega a ter reflexões tão interessantes quanto as da história comandada por Sean Penn em 2007. Serve mais, no final das contas, para reposicionar Reese Witherspoon como uma atriz a ser apreciada além de suas comédias românticas – o que só aconteceu anos atrás com Johnny & June, que, inclusive, chegou a lhe render um injusto Oscar de melhor atriz. E, mesmo assim, nada de tão espetacular ou muito desafiador a ponto de Reese já ser cotada para novas estatuetas.

Não que Livre seja um filme desinteressante, mas sempre tem um sabor requentado em praticamente todas as instâncias. O que existe de diferente neste novo trabalho do canadense Jean-Marc Vallée é o fato de ele ser protagonizado por uma mulher – algo que, inclusive, é acertadamente explorado pelo roteiro de Nick Hornby, baseado no livro homônimo da própria protagonista Cheryl Strayed, que sempre coloca no caminho da aventureira pessoas que duvidam de sua capacidade de cair sozinha na estrada ou que questionam o fato de ela andar por tantas cidades sem um homem ao seu lado. É uma reflexão sempre pertinente sobre a igualdade de todo e qualquer ser humano que o filme pontua de forma eficiente.

Cheryl (Witherspoon) já começa Livre em uma paisagem inóspita e, ao longo de sua jornada, vamos conhecendo, por meio de flashbacks, as razões para ela ter colocado uma gigantesca mochila nas costas e saído a pé sozinha para percorrer centenas de quilômetros. Curiosamente, porém, é no passado da protagonista que se concentram os melhores momentos do filme de Vallée. Se a princípio a escolha parece quase manjada, aos poucos se revela um grande acerto, já que a parte de sobrevivência de Livre está sempre no lugar-comum. Enquanto em Na Natureza Selvagem Christopher McCandless (Emile Hirsch) encontrava pessoas fundamentais para sua mudança ao longo da estrada, em Livre  os dias da protagonista na estrada são completamente lineares e sem grande consistência dramática.

Não só Reese Witherspoon tem mais desafios como o próprio filme envolve mais o espectador nas partes encenadas no passado. O casamento repleto de traições, o envolvimento com as drogas e  a relação com a mãe (Laura Dern, aproveitando cada minuto), além de, claro, serem fundamentais para explicar a atual situação de Cheryl, se sustentam perfeitamente bem sozinhos. Mas o que falta mesmo em Livre é alguma inovação – o que deve ser resultado da carreira corrida que Jean-Marc Vallée parece estar disposto a abraçar após o Oscarizado Clube de Compras Dallas. Com Demolition, marcado para ser lançado ano que vem, o diretor chega a uma média de um filme por ano. Vamos ver se lá a teoria de que seu talento se diluiu em projetos tão rápidos se confirma.

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Acima das Nuvens, de Oliver Assayas

Foi a própria Juliette Binoche que propôs a história de Acima das Nuvens para o diretor Oliver Assayas. Ele comprou a ideia, escreveu o roteiro, escalou Binoche e o filme chegou a concorrer este ano em Cannes. Gosto muito de Julianne Moore em Mapa Para as Estrelas, mas confesso que não teria ficado nada chateado se Binoche tivesse levado mais uma vez o prêmio de interpretação feminina (ela ganhou merecidamente pela primeira vez em 2010 com Cópia Fiel) por sua composição como Maria Enders, uma atriz que é convidada a participar do remake de um espetáculo que a revelou anos atrás – só que, dessa vez, no papel da mulher madura que é manipulada por garota mais jovem, representada por Enders originalmentemente.

Ao contrário de Cópia Fiel, um filme excessivamente dialogado, teatral e quase pretensioso, este Acima das Nuvens é amplamente bem sucedido em todos os seus aspectos cinematográficos. É de tirar o chapeu como o francês Assayas fala praticamente o tempo inteiro sobre interpretação, escolha de papeis e preparação de elenco sem nunca entregar o seu filme à teatralidade. As longas cenas de ensaios e bastidores entre as personagem de Binoche e Kristen Stewart são bastante envolventes porque, além de filmadas com bastante fluidez, discorrem dinamicamente sobre outros temas pertinentes às figuras em cena e também ao mundo artístico no geral, como o conflito de gerações, os limites de envolvimento de um ator com um papel e os caminhos cada vez mais distorcidos da relação entre obra e público.

Acima das Nuvens já sai na frente porque a Maria Enders de Binoche é uma figura incrivelmente rica e aberta a interpretações. Ela conquista não só porque Assayas consegue de fato convencer o espectador de que Maria é uma estrela de quinta grandeza (e Binoche só se torna mais linda com a idade, principalmente quando tem joias, maquiagens e roupas da Chanel a sua disposição como aqui), mas porque sua profundidade no filme está longe de se resumir a questões profissionais: ela é envolvente em toda sua personalidade. Binoche, claro, tem sua grande parcela de contribuição, entregando mais uma performance intensa e completa. Quem não fica atrás é a também interessante Valentine de Kristen Stewart, aqui surpreendendo ao provar que, quando bem dirigida, responde à altura e pode ser um grande ponto positivo. Com Binoche, forma uma das melhores duplas do ano.

Aspectos pontuais de Acima das Nuvens estendem o filme além do necessário. É tardia, por exemplo, a entrada de Chloe Grace Moretz na trama, especialmente depois de tanto tempo sendo mencionada ao longo da história. Ela também não é necessariamente bem aproveitada, uma vez que o contraste de sua personagem com a de Binoche poderia ter rendido bem mais do que apenas uma ou duas cenas no terço final do filme. Mesmo com este desfecho um tanto arrastado, Acima das Nuvens não chega a se abalar como uma obra complexa e que, sem dúvida, deve melhorar em futuras revisões.

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Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo, de Bennett Miller

Com Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo (esta vai ser a primeira e a última vez que citareu este subtítulo brasileiro horroroso), o diretor Bennett Miller volta ao que sabe fazer de melhor. Depois de O Homem Que Mudou o Jogo, um filme que me parece, de certa forma, um desvio temático de sua carreira, Miller retoma o estilo que lhe consagrou com o ótimo Capote. Tanto o filme que consagrou o saudoso Philip Seymour Hoffman quanto Foxcatcher são sobre homicídios reais, mas obras infinitamente mais preocupadas em esmiuçar as conexões psicológicas que desencadeiam ou sucedem tais desgraças. Para quem está embarcando no universo de Miller pela primeira vez, vale o aviso: o ritmo é pausado e bastante sóbrio, sendo o assassinato em questão apenas um detalhe – e não algo a ser esperado ou adivinhado.

Toda esta fórmula diferente e imersiva se repete em Foxcatcher. Protagonizado por Channing Tatum e Steve Carell, o longa acompanha os meses em que o lutador profissional Mark Schultz (Tatum) entrega sua carreira ao rico treinador John Du Pont (Carell). O que de início era apenas uma parceria profissional aos poucos se torna uma relação dependente, invasiva e, como a própria sinopse já anuncia, responsável por eventuais tragédias. Esta dinâmica tão suscetível a tons mais elevados é conduzida com plena sobriedade por Miller que, mesmo nos mínimos detalhes, age discretamente para envolver o espectador, como no espetacular uso da trilha sonora de Rob Simonsen. Isto não anula, entretanto, a tensão que existe no ar: sempre algo parece prestes a explodir – o que é mérito justamente do diretor de nunca pesar a mão nas cenas. O descontrole e os erros dos personagens não são projetáveis, e é aí que reside o suspense intrínseco de Foxcatcher.

Dentro das lutas olímpicas, os personagens medem forças e controle – inclusive o próprio Du Pont de Carell, que chega a entrar em uma competição para tentar provar algo para sua mãe (Vanessa Redgrave, em uma ponta de luxo) -, mas a verdadeira queda de braço está fora dos ringues. Disfarçada e praticamente silenciosa, mas está lá. Ciente disso, Miller concentra pouco de seu filme nas lutas e, quando as encena, concentra toda sua verdadeira ação nos olhos de quem está de fora ou de quem está dentro do ringue tentando comunicar algo para quem observa. Não é um filme de esporte, portanto, o que se revela um grande acerto também do roteiro escrito pela dupla E. Max Frye e Dan Futterman.

Praticamente irreconhecível como Du Pont, Carell consegue se esquivar de qualquer efeito colateral de sua marcante carreira cômica no cinema e na TV. Ele está realmente submerso neste personagem imprevisível e de poucas palavras, onde a maquiagem, aliada aos excelente trabalho corporal do ator, constrói uma figura impossível de ser lida. Ponto para a angústia. Bem escalados também estão os outros atores, em especial – e por incrível que pareça – Channing Tatum. Normalmente inexpressivo, o ator aqui, além da aptidão física que atende com naturalidade as exigências do papel, consegue direcionar com segurança seu personagem calado e eventualmente impulsivo, mas sem nunca transformá-lo em um tolo brutamonte. Desde já cotado para o próximo Oscar, Foxcatcher é um legítimo Bennett Miller (vale lembrar que o diretor chegou a ganhar prêmio em Cannes por seu trabalho aqui) e, caso realmente chegue nas premiações, será uma conquista das mais merecidas da temporada.

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Infância, de Domingos Oliveira

Já não é novidade para ninguém que Domingos Oliveira há anos não realiza um filme realmente relevante. Hoje, o veterano parece cada vez mais apegado a uma fórmula e a antigos maneirismos. Era quase desesperançoso o último filme dele: Primeiro Dia de Um Ano Qualquer, reciclagem que ele realizou na casa de sua amiga Maitê Proença. Por isso, quando surgiu a notícia desse Infância, as atenções eram todas voltadas para Fernanda Montenegro vivendo a matriarca desta história sobre uma nobre família carioca nos anos 1950. Existem pelo menos duas boas notícias: Fernanda, claro, atende todas as expectativas e o filme em si até que chega a ser inspirado para o padrão quase preguiçoso estabelecido por Domingos em seus últimos trabalhos.

O início não é lá muito atraente, pois o diretor continua querendo aparecer demais, com a insistência em narrar seus filmes (o que, com todo respeito, é incômodo, já que Domingos, com a idade, não está com a melhor das dicções) e em sempre dar um jeito de estar em cena. Mas aqui não é tão grave e o diretor.está particularmente inspirado no trabalho com os atores. Se Fernanda não deve precisar de maiores orientações, grande parte dos atores se mostra bem conduzida por seu Domingos.

Eles dão o tom para toda a bem humorada comédia de Infância, estruturada pelo roteiro como um clássico relato familiar comum a todos nós. Aqui, encontramos a matriarca que acha que tem o direito de se intrometer na vida de todos, a filha que sempre quer agradá-la, o genro um tanto trambiqueiro e a criança prodígia. Não deixam de ser figuras estereotipadas, mas Domingos sabe administrá-las com leveza e descontração – o que faz toda a diferença para que os atores se sintam à vontade em cena. O resultado é percebido, pois Infância tem na dinâmica de seus intérpretes um de seus pontos mais interessantes.

Para quem não gosta de filmes com veia teatral, é bom, portanto, não ir com muitas expectativas. Não tenho maiores restrições ao estilo (quando não é extremado, claro, como no destrambelhado Deus da Carnificina), mas os leigos devem se preparar para uma longa cena na mesa de jantar e várias outras centradas exclusivamente no texto e nas atuação. Muitas vezes, Infância, por não querer desenvolver muito além do mero relato cotidiano de uma família, soa sem assunto e repetitivo. Mas é difícil se importar com isso quando a grande Fernanda Montenegro ganha um destaque à altura e nos lembra – mais uma vez – o porquê de ser merecidamente considerada a melhor atriz do Brasil.

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Começou hoje minha maratona na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. É a primeira vez que o Cinema e Argumento cobre o evento, então, vamos ver como como nos saímos a partir de agora! Cheguei em São Paulo já perdendo um dos longas que mais queria ver (Dois Dias, Uma Noite, dos irmãos Dardenne e com Marion Cotillard), mas para este existem outras sessões até o final da Mostra. Devido ao cansaço da viagem, dois momentos de turbulência durante o voo e as etapas de acomodação na cidade, comecei apenas com um filme, mas já aproveito para rememorar outro que foi exibido hoje pela primeira vez e que já havia conferido este ano no Festival de Cinema de Gramado. Vamos aos longas!

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Muitos Homens Num Só, de Mini Kerti

Desde que conferi A Coleção Invisível ano passado em Gramado passei a aguardar com curiosidade as próximas incursões dramáticas de Vladimir Brichta no cinema. Ele, que no início da carreira participou de várias montagens dramáticas no teatro, acabou fazendo sucesso na TV com as comédias – e até hoje está no ar com a divertida minissérie Tapas & Beijos. Em A Coleção Invisível, ele entregava um belo desempenho como um jovem que, após um trágico acidente de carro, decide mudar de vida viajar pelo interior da Bahia em busca de uma valiosa coleção que é a chave para um negócio. O filme também ajudava bastante, o que fez daquela uma grande oportunidade para o ator. O mesmo não se repete neste Muitos Homens Num Só, que misteriosamente faturou 10 prêmios no Festival de Pernambuco deste ano, incluindo melhor filme e uma estatueta de melhor ator para o próprio Vladimir.

Narrando a história verídica de Artur Antunes Maciel, um assaltante profissional que, no século XX, roubou vários hoteis do Rio de Janeiro, o filme de Mini Kerti acerta na reconstituição de época (os figurinos e a direção de arte são exemplares), mas é frágil narrativamente e também na sua própria encenação. Existe uma clara falta de força em todas as propostas do roteiro. De um lado, a insossa vida bandida do protagonista, que não consegue causar maiores tensões ou tramas mais complexas. A prova disto é a total falta de aproveitamento de dois ótimos atores: César Troncoso e Caio Blat, reduzidos a coadjuvantes previsíveis, apáticos e até mesmo beirando a canastrice (neste terceiro caso, é Charlone quem se enquadra).

Paralelo a isso está o envolvimento amoroso de Artur com a bela Eva (Alice Braga), uma mulher casada e bem de vida. Brichta e Braga bem que tentam, mas o roteiro é raso demais para desenvolver qualquer conexão com o espectador além da boa presença dos dois atores. Ela está, como de praxe, esbanja naturalidade e tem a grata (mas indireta) função de iluminar a tela toda vez que entra em cena. Neste sentido, se Brichta por si só não tem muito o que fazer com o personagem (seja pelo texto que lhe é entregue ou até mesmo por seu empenho aqui), a situação piora para ele quando Braga surge tão natural e humana na história. Ela, sem pensar duas vezes, é o que existe de melhor no filme.

Muitos Homens Num Só, além de tudo, parece muito fake na forma como entrega diálogos com frases prontas ou situações desenvolvidas mecanicamente. É complicado se conectar com este filme, que nunca é o exemplar suspense envolvendo assaltos ou o emotivo romance envolvendo uma relação proibida. O resultado está longe de ser um desastre, mas, dado o investimento na parte técnica, o potencial de uma trama aberta a várias abordagens e o próprio talento de seus dois atores, o resultado merecia pelo menos ser um pouco mais além de uma sessão completamente esquecível. A competição no Festival de Pernambuco devia estar realmente fraca para uma celebração exacerbada como esta.

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A Despedida, de Marcelo Galvão

Em certo ponto de A Despedida, Almirante (Nelson Xavier) diz que se a aparência explicasse a essência, o sabor não seria necessário. E esta é uma afirmação que sintetiza com perfeição toda a proposta deste belo filme do carioca Marcelo Galvão, que aqui está em sua melhor forma. Nada é o que aparece nesta história baseada em uma memórias familiares do próprio diretor. Galvão aqui abre para o público o dia em que seu avô, com mais de 90 anos, decide se despedir de tudo o que é mais importante em sua vida e ter uma última noite de amor com a sua amante 50 anos mais nova.

A aparência não explica a essência em A Despedida porque Almirante, um homem que, nos 10 primeiros minutos de filme, passa por praticamente uma via crucis para conseguir se levantar da cama, tomar banho e se vestir, tem fragilidades somente em sua forma física. No espírito, o personagem interpretado magistralmente por Nelson Xavier (coroado em Gramado com o Kikito de melhor ator este ano) ainda vive com completa paixão, como se fosse um jovem (re)descobrindo os pequenos – e grandes – prazeres da vida. Tanto que a própria amante vivida por Juliana Paes brinca que este seu homem de mais de 90 anos é muito mais macho do que todos os outros homens que ela conheceu.

Um dos pontos mais fascinantes deste longa é justamente isso: a virilidade, a “macheza” e a integridade de um homem está longe de ser ligada a sua idade ou a sua condição física. Para Almirante, acordar e ver que sua fralda não está suja é uma vitória. Já para Fátima, sua amante, este e outros detalhes estão longe de falar qualquer coisa sobre o que seu companheiro realmente representa. Por isso, é muito tocante a forma como ela, percebendo as dificuldades de locomoção de Almirante, faz questão de ajudá-lo sem que o mesmo perceba, como no momento em que ela coloca uma toalha em uma posição estratégica para que ele consiga agarrar o tecido e se levantar da banheira após várias tentativas mal sucedidas.

A Despedida é ainda mais belo e tocante porque se utiliza acertadamente de uma estrutura extremamente eficaz (quando trabalhada da maneira correta, claro): a de mostrar a vida inteira de um personagem em um único dia. Isso mesmo, o protagonista encontra sua amante apenas na meia hora final (quando o filme ganha novas cores e emoções), mas cada conhecido que ele encontra em um bar, cada momento que ele compartilha com um estranho na rua e, principalmente, cada confissão ou pedido de desculpas que ele profere revelam tudo o que precisamos saber sobre sua personalidade sem o filme ter que nos apresentar seu histórico completo.

Um ponto que desperta bastante preocupação ao longo da história é como Marcelo Galvão tornará crível emocionalmente a relação daquele homem que parece sempre às vésperas de se desmanchar fisicamente com uma mulher 50 anos mais nova. E não qualquer mulher: Juliana Paes! Felizmente, não só o encontro dos dois não se revela falho como também proporciona a melhor parte de A Despedida. Xavier, que dispensa comentários com uma entrega física e uma sensibilidade como há anos não víamos no cinema brasileiro, faz uma dupla brilhante com Paes, aqui desglamourizada e surpreendente em cada minuto de sua interpretação. Eles e Galvão conseguiram fazer um filme sensível, maduro e triste – mas também esperançoso.

It was all done for a reason.

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Direção: Wes Ball

Roteiro: Grant Pierce Myers, Noah Oppenheim e T.S. Nowlin, baseado no livro “The Maze Runner”, de James Dashner

Elenco: Dylan O’Brien, Thomas Brodie-Sangster, Ki Hong Lee, Will Poulter, Aml Ameen, Dexter Darden, Blake Cooper, Kaya Scodelario, Patricia Clarkson, Chris Sheffield, Joe Adler, Jacob Latimore, Randall D. Cunningham

The Maze Runner, EUA, 2014, Aventura, 113 minutos

Sinopse: Em um mundo pós-apocalíptico, o jovem Thomas (Dylan O’Brien) é abandonado em uma comunidade isolada formada por garotos após toda sua memória ter sido apagada. Logo ele se vê preso em um labirinto, onde será preciso unir forças com outros jovens para que consiga escapar. (Adoro Cinema)

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Fora o público-alvo, é difícil entender quem ainda aguenta esta febre de aventuras jovens baseadas em best sellers que invadiu o cinema desde Jogos Vorazes. Particularmente, tenho filtrado muita coisa desde então – e até onde sei não perdi grandes filmes. De qualquer forma, este Maze Runner – Correr ou Morrer conseguiu fisgar a minha atenção neste balaio de semelhantes adaptações infanto-juvenis, principalmente porque a proposta parece ser a junção de dois filmes que gosto bastante: A Vila (no sentido de mostrar uma comunidade que não ultrapassa determinadas fronteiras em função de um perigo real) e Cubo (o labirinto e o quebra-cabeça cheio de ameaças mortais). A ideia por si só já é instigante – claro que com suas devidas proporções de violência e coragem, já que este é um filme para jovens -, mas o diretor Wes Ball pode se considerar bem sucedido ao levar para as telas o livro The Maze Runner, de James Dashner.

Para embarcar em Maze Runner é necessário, claro, abstrair eventuais cafonices e o fato de que nem todos os jovens atores são bons ou convincentes. Só que existe algo a ser comemorado: não espere aqui um manjado triângulo amoroso ou sequer um flerte meloso, muito menos grandes estrelas liderando um elenco repleto de rostos bonitinhos. Não, praticamente todos os intérpretes deste filme são desconhecidos e – repetindo – mesmo que nem todos sejam bons, é interessante ver de vez em quando uma história mais próxima da realidade neste sentido de trazer pessoas que parecem comuns, da vida real mesmo. Quem mais vai puxar sua memória no filme é Thomas Brodie-Sangster, o garotinho de Simplesmente Amor que segura bem as pontas ao lado do protagonista Dylan O’Brien.

Voltando ao filme em si, Wes Ball acertou em uma parte fundamental: a tensão. Se Maze Runner tem suas didáticas introduções e patina bastante para desenvolver a personalidade de seus personagens, a aventura compensa a certa falta de consistência do lado dramático. As cenas ambientadas no labirinto são o ponto alto da produção por duas razões bem claras: a) os efeitos cumprem as expectativas e ajudam a conduzir a adrenalina com bastante firmeza, e b) o  perigo é um só, e não um Sítio do Pica-Pau Amarelo cheio de criaturas folclóricas que conduziriam a ação a uma histeria. O labirinto supre a falta de força da convivência entre os jovens, que é pontuada inclusive por alguns clichês, como o personagem do contra que se acha líder e resolve virar arqui-inimigo do mocinho recém chegado que inevitavelmente será o profeta do grupo. Ou seja, Maze Runner se sustenta por sua aura de mistério, por sua premissa intrigante, não por seus conflitos dramáticos.

Obviamente existe toda uma expectativa em relação ao final deste longa. A boa notícia é que ele funciona muito bem, trazendo realismo e um eficiente clima apocalíptico para a trama. A má é que Maze Runner não acaba aqui, já que a saga, em sua versão literária, tem nada menos que cinco livros – o que significa que o cinema vai tentar explorá-la ao máximo, claro. Mas é por ter uma história que supostamente se estende por tantos capítulos que fica a dúvida: afinal, quais são os rumos que serão tomados por Maze Runner? As expectativas são muito mais em função da curiosidade (não necessariamente positiva) em relação ao que será criado daqui para frente do que necessariamente por causa do gancho final. Como espectador leigo, não projeto grandes alcances para Maze Runner, já que a ideia em si do filme está praticamente esgotada neste primeiro volume.

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Direção: Fernando Coimbra

Roteiro: Fernando Coimbra

Elenco: Leandra Leal, Milhem Cortaz, Fabiula Nascimento, Juliano Cazarré, Thalita Carauta, Karine Teles, Emiliano Queiroz, Antonio Saboia, Isabelle Ribas, Gustavo Novaes, Paulo Thiefenthaler, Tamara Taxman

Brasil, 2014, Suspense/Drama, 95 minutos

Sinopse: O desaparecimento de uma criança faz com que seus pais, Bernardo (Milhem Cortaz) e Sylvia (Fabiula Nascimento), vão até uma delegacia. O caso fica a cargo do delegado (Juliano Cazarré), que resolve interrogá-los separadamente. Logo descobre que Bernardo mantinha uma amante, Rosa (Leandra Leal), que é levada à delegacia para averiguações. A partir de depoimentos do trio, o delegado descobre uma rede de mentiras, amor, vingança e ciúmes envolvendo o trio. (Adoro Cinema)

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Muito mais do que estar vivendo uma excelente fase repleta de filmes ricos em conteúdo e inovações, o cinema brasileiro também tem sido brindado nos últimos anos com a revelação de vários profissionais na direção de longas-metragens. São deles os melhores filmes que vimos nos últimos tempos aqui no Brasil. Do grito libertador de Tatuagem (debut na direção de ficção do exímio roteirista Hilton Lacerda) ao charme irresistível do bem sucedido Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (dirigido por Daniel Ribeiro, adaptando seu segundo curta-metragem), a filmografia brasileira ganhou grandes filmes em um curto espaço de tempo nos últimos meses com diretores estreantes. A coroação desta bela escalada acontece, no entanto, com o surpreendente O Lobo Atrás da Porta, que é, facilmente, o mais intenso e surpreendente de todos os exemplares desta safra.

Um dos longas mais consistentes de 2014 em qualquer geografia, o filme marca a iniciação do paulista Fernando Coimbra na direção de longas-metragens – e a estreia já começou com brilho: no Festival do Rio, O Lobo Atrás da Porta faturou os prêmios de melhor filme e melhor atriz para Leandra Leal em 2013. É um merecido reconhecimento e incentivo a este diretor que mostra plena segurança ao construir uma história que, mesmo classificada como suspense, transita perfeitamente bem entre diversos gêneros. Se, nos primeiros minutos, anuncia ser quase um policial envolvendo a investigação do desaparecimento de uma garotinha, logo Coimbra mostra, pouco a pouco, que as resoluções e consequências deste mistério se darão a partir de um roteiro mais interessado em uma análise psicológica e comportamental de seus personagens do que em fatos ou revelações propriamente ditas.

A partir do momento que começa a estabelecer conexões entre cada uma das figuras a partir de flashbacks, dá até para esquecer que existe um mistério a ser resolvido de tão envolvente a construção de cada situação e desenvolvimento. Este resultado é mérito da segura direção de Coimbra e do eficiente roteiro escrito por ele próprio, mas também do excepcional elenco reunido, que merece todos os elogios possíveis. Como há bastante tempo não víamos no cinema nacional, temos aqui um grupo de atores em plena forma. Falar do magnífico desempenho de Leandra Leal (mais uma vez!) é cair no lugar comum, até porque todos que a acompanham também são perfeitos em suas devidas proporções e abordagens, do protagonismo de Milhem Cortaz aos dois ou três momentos em que Thalita Carauta rouba a cena.

Em O Lobo Atrás da Porta há espaço espaço para comédia, drama e tensão. De tudo um pouco, mas sem perder a forte personalidade impressa pelo diretor. As resoluções, que lembram os extremos que o ser humano sente frente à dor e à vingança ao estilo mais recente de A Pele Que Habito, são desconcertantes pela falta de qualquer concessão. Coimbra não quer agradar. Mais do que isso, é um final muito honesto na forma como dá puro realismo a seus personagens, em especial à personagem de Leandra Leal. Não existem respostas ou julgamentos certos para tudo o que acontece em O Lobo Atrás da Porta. É apenas o retrato franco do quanto o ser humano faz o que bem entende para não se prejudicar ou simplesmente apenas para curar mágoas e injustiças. E falar mais do que isso é estragar as pequenas grandiosidades desse que é, sem dúvida, um dos melhores filmes do ano.

Na-na-na-na! Hey-hey-hey! Goodbye! Sing it!

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Direção: David Cronenberg

Roteiro: Bruce Wagner

Elenco: Julianne Moore, Mia Wasikowska, Evan Bird, John Cusack, Olivia Williams, Robert Pattinson, Niamh Wilson, Emilia McCarthy, Sarah Gadon, Amanda Brugel, Jayne Heitmeyer, Clara Pasieka

Maps to the Stars, EUA/Canadá/Alemanha/França, 2014, Drama, 111 minutos

Sinopse: Agatha Weiss (Mia Wasikowska) acabou de chegar a Los Angeles e logo conhece Jerome Fontana (Robert Pattinson), um jovem motorista de limusine que sonha se tornar ator. Eles começam a sair juntos e flertar um com o outro, por mais que Agatha mantenha segredo sobre seu passado. Não demora muito para que ela comece a trabalhar para Havana Segrand (Julianne Moore), uma atriz decadente que está desesperada para conseguir o papel principal da refilmagem de um sucesso estrelado por sua mãe, décadas atrás. Paralelamente, o garoto Benjie Weiss (Evan Bird) enfrenta problemas ao lidar com seu novo colega de elenco, já que é a estrela principal de uma série de TV de relativo sucesso. Entretanto, como esteve internado recentemente, está sob a atenção especial de sua mãe (Olivia Williams) e dos produtores da série, que temem um escândalo.

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Recentemente exibido no Festival do Rio, Mapa Para as Estrelas começou sua repercussão ainda lá na metade do ano, em Cannes, quando ganhou o prêmio de interpretação feminina para Julianne Moore. Mas caso você tenha a chance de conferi-lo, não pense duas vezes, pois, pelo menos nos Estados Unidos, este novo filme de David Cronenberg será lançado somente em 2015 – e possivelmente apenas em home video. Já aqui no Brasil, ainda não existe nem previsão de seu lançamento comercial. É no mínimo estranha a decisão da Focus Features em escantear o longa, já que este é o trabalho mais irônico, ácido e crítico de Cronenberg em anos – e também o mais acessível (o que está longe de ser um demérito).

Bastante polêmico como sempre, o diretor, com Mapa Para as Estrelas, fez um filme realmente envolvente, distanciando-se bastante da proposta do esquisito – e quase pretensioso – Cosmópolis, estrelado por Robert Pattinson. O jovem ator, aliás, repete a parceria com Cronenberg agora, mas em um papel bem menor, como o motorista de uma limusine (claramente uma referência ao seu trabalho anterior com o diretor). Só que é todo o restante do elenco que brilha por completo, deixando difícil que ele tenha algo a fazer aqui tanto em termos de interpretação quanto em relação a seu limitado papel.

Mapa Para as Estrelas encontra em seu elenco uma de suas maiores forças, mas vai muito além desta mera definição: tudo está bem posto e desenvolvido aqui e o que obviamente chama mais a atenção tematicamente é a questão dos complicados cotidianos de pessoas que tiveram suas personalidades construídas a partir de uma vida repleta de fama – seja uma atriz veterana que está vendo sua carreira despencar ou um jovem, que, aos 13 anos, já administra uma fortuna de milhões. São obviamente relatos e críticas pertinentes em tempos que o cinema é cada vez mais voltado para o público jovem e onde grandes talentos que fizeram história se vêem sem papeis e reduzidos a chances bobocas em comédias até mesmo grosseiras.

É genial este contraste proposto por Cronenberg porque ele foge de panoramas fáceis. Outro diretor mais simplista certamente faria a cronologia óbvia de celebridades que descobrem a fama e são corrompidas por ela. O que Mapa Para as Estrelas mostra é bem diferente: figuras que já provaram da fama e que hoje enfrentam vários problemas por causa dela dela. São todos personagens que não sabem muito bem o que fazer para seguir em diante. A Havana de Julianne Moore, por exemplo, faz de tudo para conquistar um desejado papel e de certa forma vive sob a sombra da falecida mãe, indicada ao Oscar e que agora terá este seu consagrado papel refilmado – e ela precisa lidar com o fato de que, mesmo sendo uma famosa atriz, não é a mais cotada para incorporar o papel da sua própria finada matriarca.

É interessante também a vida desestruturada do jovem Benjie (Evan Bird). Ele foi criado em um ambiente problemático, onde a irmã – descobre-se pouco a pouco – ateou fogo na casa da família, o pai desde sempre viveu no mundo artístico administrando a carreira de estrelas e o próprio Benjie, hoje estrelando uma série de TV, já teve que passar por um processo de desintoxicação envolvendo uso abusivo de drogas antes dos 13 anos. Porém, na realidade, a questão da fama aqui é mero detalhe para que o filme destrinche grandes problemas familiares e psicológicos em pessoa ricas em conflitos dramáticos.

O elenco segue tudo com total entrega e intensidade. Se Bird tem força e desenvoltura de sobra para dar vida a Benjie (um personagem difícil e intenso para alguém de sua idade), Julianne Moore dá um verdadeiro show como a ensandecida Havana, nunca tornando-a histérica ou caricata – o que seria fácil demais, visto que sua personagem é descontrolada e frequentemente vítima de azar e injustiças. E quanto à desenvoltura, naturalidade e capacidade de se transformar… Bom, neste sentido, Moore dispensa comentários. Mia Wasikowska também tem seus momentos como a garota que volta a Hollywood e vira assistente de Moore, até mesmo se distanciando de um certo tipo de garota difícil que tanto lhe marcou.

Obviamente, porém, Mapa Para as Estrelas não é para qualquer um. Além do final que transborda pessimismo, este é um longa de personagens difíceis inseridos em situações e vidas sufocantes. Assombrados por expectativas e alucinações, tentam colocar suas vidas nos trilhos. Mas tudo isso não impede que o resultado seja uma viagem gratificante, reflexiva e subversiva. Mais do que isso, uma investida bastante completa, como há tempos Cronenberg não fazia. Os ares estadunidenses (esta foi a primeira filmagem do diretor nos EUA em quase 50 anos de carreira) parecem ter feito muito bem ao autor.

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Direção: Vicente Amorim, Guillermo Arriaga, Stephan Elliott, Sang-Soo Im, Nadine Labaki, Fernando Meirelles, José Padilha, Carlos Saldanha, Paolo Sorrentino, John Turturro, Andrucha Waddington e César Charlone

Roteiro: Andrucha Waddington, Mauricio Zacharias, Paolo Sorrentino, Antonio Prata, Chico Mattoso, Stephan Elliott, John Turturro, Guillermo Arriaga, Sang-soo Im, Elena Soarez, Otavio Leonidio, Nadine Labaki, Rodney El Haddad, Khaled Mouzannar, Fellipe Barbosa

Elenco: Fernanda Montenegro, Eduardo Sterblitch, Emily Mortimer, Basil Hoffman, Vincent Cassel, Ryan Kwanten, Marcelo Serrado, John Turturro, Vanessa Paradis, Jason Isaacs, Laura Neiva, Rodrigo Santoro, Tonico Pereira, Wagner Moura, Bruna Linzmeyer, Cláudia Abreu, Cleo Pires, Harvey Keitel

Brasil/EUA, 2014, Drama/Comédia, 110 minutos

Sinopse: Novo episódio da série de filmes Cidades do Amor, Rio, Eu Te Amo reúne dez curtas de dez diretores brasileiros e internacionais. Cada uma das histórias revela um bairro e uma característica marcante da cidade maravilhosa. (Adoro Cinema)

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De todos os curta-metragens realizados para a série Cities of Love, o que melhor sintetiza a proposta desta iniciativa cinematográfica que homenageia cidades apaixonantes do mundo é aquele de Alexander Payne para Paris, Te Amo. Em 14e Arrondissement, ele dirige Margo Martindale como uma solitária turista que, ao visitar Paris, encontra nas belas paisagens, monumentos e arquiteturas da cidade uma inspiração para esquecer sua solidão e voltar a amar a vida. Além do belo desempenho de Margo, o que mais encanta neste curta é justamente a sua capacidade de conectar a personagem à cidade e usar a geografia como fator fundamental para falar sobre sentimentos e descobertas.

É óbvio que, em um longa que reúne diversos curtas dos mais variados diretores, a falta de harmonia entre cada um deles seja o principal defeito. É difícil manter o nível. Mesmo Paris, o mais bem sucedido da série, tinha curtas bobos e irregulares, mas também os mais belos vistos até agora. Na sequência, veio a versão de Nova York, que conseguiu transformar a capital estadunidense em um completo tédio. Agora nós brasileiros temos o orgulho de ver nossa mais emblemática cidade turística ganhando o protagonismo deste projeto internacional.

Só que o orgulho, infelizmente, não se estende ao que é de fato visto na tela. Rio, Eu Te Amo é, sem dúvida, melhor que a versão novaiorquina, mas está longe de ter um curta sequer que se equipare ao que Alexander Payne ou até mesmo o Isabel Coixet fizeram no universo parisiense. E o exemplar brasileiro até que começa de forma respeitosa, trazendo a grande Fernanda Montenegro como uma moradora de rua que resolveu viver sem lar, contas e obrigações familiares – o que, segundo ela, é libertador. E a cena final dela com o filho é, sem dúvida, o momento mais bonito de Rio, Eu Te Amo.

Aos poucos, no entanto, o formato começa a cansar e, apesar das válidas e novas tentativas (como a de não mostrar os curtas de forma independente e sim adiantar a aparição de alguns personagens nas transições), Rio, Eu Te Amo se torna mais do mesmo e ainda comete o pecado de não explorar devidamente as paisagens e encantamentos da cidade-título. Frustra, por exemplo, ver o excesso de efeitos visuais para colocar Wagner Moura perto do Cristo Redentor no curta de José Padilha ou, então, a cafonice estética do momento em que Ryan Kwanten e Marcelo Serrado chegam encantados ao topo do Pão de Açúcar em determinado segmento.

Só que a relação dos personagens com o Rio de Janeiro se estabelece única e exclusivamente a partir de fracas tomadas que os colocam em cenários emblemáticos da cidade, e não a partir de sentimentos ou situações especiais na cidade. Outros elementos de ambientação como a trilha sonora também surgem óbvios e sem invenção. Por isto, é no mínimo bonita a cena em que Cláudia Abreu (a única que não tem um curta propriamente dito, mas que aparece em diferentes pontos do longa) reencontra um antigo amor ao som de um empolgante samba na lapa carioca. Ali, está a conexão como ela genuinamente deve ser: simples, sincera e relacionada com o clima da cidade.

Se for para destacar um curta especial, este certamente seria o dirigido por Nadine Labaki, que mostra como um casal, ao encontrar um menino morador de rua, resolve realizar um grande sonho do jovem. Texto, empatia dos atores (o garotinho é sensacional!) e a mensagem desta passagem revelam um carinho muito grande que falta ao filme como um todo. Preferindo esquecer completas bobagens como o curta protagonizado por Tonico Pereira ou o irritante texto comandado por John Turturro, saí da sessão com a impressão que vi apenas um conjunto de curtas genéricos sobre pessoas e circunstâncias – e não uma homenagem a uma cidade. Tomara que a próxima parada (Xangai) seja mais inspirada.

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