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I cannot tell you how thankful I am for our little infinity.

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Direção: Josh Boone

Roteiro: Michael H. Weber e Scott Neustadter, baseado no romance homônimo de John Green

Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Laura Dern, Sam Trammell, Willem Dafoe, Nat Wolff, Lotte Verbeek, Ana Dela Cruz, Randy Kovitz, David Whalen, Milica Govich, Emily Peachey, Tim Hartman, Jean Brassard

The Fault in Our Stars, EUA, 2014, Drama, 126 minutos

Sinopse: Diagnosticada com câncer, a adolescente Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) se mantém viva graças a uma droga experimental. Após passar anos lutando com a doença, ela é forçada pelos pais a participar de um grupo de apoio cristão. Lá, conhece Augustus Waters (Ansel Elgort), um rapaz que também sofre com câncer. Os dois possuem visões muito diferentes de suas doenças: Hazel preocupa-se apenas com a dor que poderá causar aos outros, já Augustus sonha em deixar a sua própria marca no mundo. Apesar das diferenças, eles se apaixonam. Juntos, atravessam os principais conflitos da adolescência e do primeiro amor, enquanto lutam para se manter otimistas e fortes um para o outro. (Adoro Cinema)

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Logo no primeiro momento de A Culpa é das Estrelas, a protagonista Hazel Grace (Shailene Woodley) afirma que existem várias maneiras de contar uma história triste – e que, na maioria das vezes, o esquema é sempre o mesmo: pessoas bonitas aprendendo lições de vida. Hazel, no entanto, faz questão de se desculpar e avisa que a sua história não será óbvia assim. Pouco eu sabia do bestseller que deu origem ao filme, a não ser que a história era um romance teen e que a menina tinha câncer. Por isso, fui fisgado por essa promessa inicial do filme que apontava para algo diferente e franco – o que muito me interessa. Mas, infelizmente, não é o que ocorre: A Culpa das Estrelas não cumpre a sua promessa e, mesmo sendo um sucesso literário e cinematográfico perfeitamente compreensível, fica bem perto de só entregar banalidades.

Não existe nada de muito novo nesse segundo longa-metragem de Josh Boone, especialmente porque a produção é um filme de viés mais comercial e em parte dirigido a adolescentes, o que faz com que diminuam as chances do diretor fazer algo realmente ousado. Também é por isso que, neste sentido, A Culpa é das Estrelas tem uma repercussão aceitável: existe emoção no filme; simplista, mas existe – e isto é o suficiente para agradar o grande público. Outro problema é que a história fala de câncer, mas o usa apenas como o grande empecilho na vida do casal. A doença não traz reflexões individuais ou sofrimentos relativos à vida em si, por exemplo; é unica e exclusivamente o que impede que o casal fique junto.

Voltando à promessa feita pela protagonista do filme, a teoria de que histórias tristes sempre são encenadas por pessoas bonitas é contraditoriamente aplicada aqui. Vejam o Gus de Ansel Elgort, que, se não é é o clássico galã teen de romances colegiais da Disney, é pelo menos o namorado idealizado, educado, romântico e de frases prontas. Já a Hazel Grade de Shailene Woodley de fato escapa de belezas fáceis, mas, novamente, é quase uma personagem sem defeitos, cujo único olhar dramático que paira em sua personalidade é o fato de não ser feliz com o seu mais novo amor em função do câncer. São pessoas gentis e sonhadoras, que não chegam nem a ter personalidades mais complexas ou difíceis, sendo ainda questionavelmente jovens demais para palavras e reflexões tão “bonitas”.

Todos têm suas vontades realizadas em A Culpa é das Estrelas (até mesmo uma viagem internacional em tempos de dificuldades financeiras na família!), os pais não têm outra função a não ser cuidar dos filhos (e que desperdício de Laura Dern!) e até mesmo o apartamento que simboliza o horror nazista da vida de Anne Frank vira palco para um beijo romântico que é misteriosamente aplaudido por todos os visitantes do local. A trilha indie ajuda a dar o clima, e algumas coisas realmente se sobressaem, com destaque para Shailene Woodley, a atriz mais interessante de sua geração, que se diferencia totalmente do papel que desempenhou em Os Descendentes, tirando tudo de letra. Só que no geral A Culpa das Estrelas é mais do mesmo. Não é que o romance tivesse que ser a depressão de Uma Lição de Vida (estrelado por Emma Thompson e possivelmente o filme mais doloroso já realizado sobre câncer), mas que então fosse pelo menos franco e não prometesse logo na abertura algo que não seria capaz de cumprir. É feio mentir – ou simplesmente não conseguir julgar de longe a sua própria história.

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Sou muito fã da Stella Daudt, a autora do By Star Filmes. Admiro essa sensibilidade dela ao assistir a filmes e ao escrever sobre eles. Tenho para mim que a Stella é uma cinéfila que mede a grandeza de um filme por seus significados e pela forma como ele toca o espectador, muito antes de sua técnica ou do nome do diretor, por exemplo. Penso e assisto a filmes da mesma maneira, e talvez venha daí o meu apreço cinematográfico por ela. Conversando com a Stella, descobri que escolher três interpretações para esta seção não foi uma tarefa nada fácil para essa convidada. E o resultado foge de qualquer escolha óbvia ou previsível, trazendo escolhas que, sem dúvida, podem servir de guia para que cinéfilos descubram outras pequenas grandes interpretações que não foram necessariamente tão celebradas. Mais do que tudo, é uma lista que é a cara da Stella. Confiram:

Maggie Smith (Assassinato em Gosford Park)
A irônica Constance Trentham é uma precursora de Lady Violet Crawley, a condessa viúva em “Downton Abbey”.  Ambas destilam ironia e comentários sarcásticos em abundância, não respeitando criatura alguma. No papel de Violet, embora evite criancinhas, Maggie ainda mostra empatia e humanidade por seus semelhantes. Já como Constance Trentham, ela não perde a chance de fazer uma piada maldosa e só se importa com ela mesma. Que diferença de Charlotte Bartlett, a aborrecida prima pobre que Maggie interpretou em “Uma Janela para o Amor”! Maggie Smith é uma das mais brilhantes e completas atrizes inglesas vivas, uma versão feminina do talentoso Sir John Gielgud. Deus lhe dê saúde e memória para seguir atuando até o fim de seus dias!

Leila Diniz (Todas as Mulheres do Mundo)
No filme de Domingos de Oliveira, a Maria Alice criada pela Leila consegue ser modesta, responsável, uma companheira afetuosa e, ao mesmo tempo, sensual e divertida. Em alguns momentos ilumina a tela com um sorriso contagiante, para depois nos entristecer com um semblante reflexivo ou melancólico. Seu desempenho torna fácil perceber o que o mulherengo Paulo sente: para estar só com ela, valeria a pena deixar todas as outras. Maria Alice era “todas as mulheres do mundo”. A história é uma belíssima declaração de amor de Domingos de Oliveira a Leila Diniz. Para quem ainda não viu o filme, vale a pena assistir e conhecer o desempenho primoroso de uma atriz natural, sensível e inteligente.

Jacques Tati (Mon Oncle)
Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1958. A criação de Tati como Monsieur Hulot, o tio distraído do menino Gérard Arpel, e um senhor socialmente desajeitado e totalmente adorável – toca o coração e fica na memoria.  Os Arpel, os pais de Gérard, são gente moderna, muito ocupada e um tanto impessoal; tudo o que Hulot não é. Sua simplicidade conquista o sobrinho e a nós. Graças à terna interpretação de Jacques Tati, Hulot foi um dos personagens que permaneceu comigo desde a infância.

O suspense Isolados é o filme de abertura do 42º Festival de Cinema de Gramado. Foto: Dan Behr

O suspense Isolados é o filme de abertura do 42º Festival de Cinema de Gramado.

Em dia que os paulistas começam a celebrar o retorno do Festival de Paulínia, a serra gaúcha também manda lembranças ao circuito de festivais com novidades para a 42ª edição de seu Festival de Cinema de Gramado, que acontece de 8 a 16 de agosto. Se os eventos tem dois filmes em comum em suas mostras competitivas (Infância, de Domingos Oliveira, e Sinfonia da Necrópole, de Juliana Rojas), as propostas de cada um se mostram bem distintas.

Gramado anunciou hoje (22) que abre sua programação com o suspense Isolados. Protagonizado por Bruno Gagliasso e Regiane Alves, o filme marca o último trabalho no cinema do agora saudoso José Wilker, que desde 2012 era curador do Festival e anos antes tinha sido apresentador do evento em diversas edições. É um agradecimento do Festival a Wilker – e, certamente, um carinho que falará mais do que qualquer resultado do filme. O quarteto de homenagens desta edição também foi divulgado. A força das distinções entregues por Gramado é um diferencial (mesmo com a sentida falta de uma dama entre os homenageados deste ano), e em 2014 a multiplicidade de perfis é uma marca.

Recebendo o Troféu Oscarito (destinando a grandes atores) está o paulista Flávio Migliaccio, que em muito se assemelha a vários nomes do cinema estadunidense como Margo Martindale e Richard Jenkins. Ou seja, é aquele ator que tem uma extensa filmografia, mas cujo nome não está na ponta da língua do público – seja por nunca ter tido um grande papel ou um sucesso estrondoso de público. Isso é ruim? Longe disso. É até raro encontrar uma homenagem como essa, que celebra um ator talentoso, trabalhador e que já atuou com as mais variadas gerações de profissionais e que sempre se manteve em cena.

Responsável pela fotografia de clássicos do cinema nacional como Central do Brasil e Lavoura Arcaica, Walter Carvalho é um dos homenageados

Responsável pela fotografia de clássicos do cinema nacional como Central do Brasil e Lavoura Arcaica, Walter Carvalho é um dos homenageados desta edição

Quem recebe o Troféu Eduardo Abelin (homenagem para cineastas) é Walter Carvalho. A filmografia fala por si só: são mais de 100 trabalhos como fotógrafo no cinema brasileiro, incluindo clássicos como Central do Brasil Lavoura Arcaica. E ainda vale lembrar que Carvalho é diretor: fez Cazuza – O Tempo Não Para ao lado de Sandra Werneck, adaptou o livro Budapeste, de Chico Buarque, e fez um documentário sobre Raul Seixas, entre outros. Homenagem mais do que merecida.

Já o Troféu Cidade de Gramado, que tem se revelado muito mais um agradecimento da cidade a importantes nomes do cinema do que propriamente um prêmio para artistas ligados à cidade e ao evento, fica com Rodrigo Santoro. É certo que sua carreira lá fora não deu muito certo (ficou no limbo: não estourou como galã e também não deu certo nas produções alternativas), mas o que ele fez aqui no brasil merece muitos aplausos, da sua contundente atuação no impressionante Bicho de Sete Cabeças ao seu mais recente retrato do jogador de futebol Heleno de Freitas em Heleno, ele é, sem dúvida, um dos nomes mais importantes de sua geração.

Fechando o quarteto de homenagens vem o ator franco-argentino Jean Pierre Noher, muito famoso nas telenovelas argentinas, mas também com uma boa filmografia lá fora. Tanto que despontou no Brasil (atualmente está no remake de O Rebu) e chegou a ser recomendado por ninguém menos que Fernanda Montenegro (atuaram juntos em Redentor) a Walter Salles para o elenco de Diários de Motocicleta. Em Gramado, Noher já ganhou um Kikito especial do júri em 2001 por sua atuação em Um Amor de Borges. Todos têm presença confirmada em Gramado.

 There are still faint glimmers of civilization left in this barbaric slaughterhouse that was once known as humanity.

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Direção: Wes Anderson

Roteiro: Wes Anderson, baseado em história própria com Hugo Guinness e nos contos de Stefan Zweig

Elenco: Ralph Fiennes, Tony Revolori, Saoirse Ronan, Jude Law, Mathieu Amalric, Adrien Brody, Willem Dafoe, Harvey Keitel, Bill Murray, Edward Norton, Jason Schwartzman, Léa Seydoux, Tilda Swinton, Tom Wilkinson, Owen Wilson, Bob Balaban

The Grand Budapest Hotel, EUA/Alemanha/Reino Unido, 2014, Aventura, 100 minutos

Sinopse: No período entre as duas guerras mundiais, o famoso gerente de um hotel europeu conhece um jovem empregado e os dois tornam-se melhores amigos. Entre as aventuras vividas pelos dois, constam o roubo de um famoso quadro do Renascimento, a batalha pela grande fortuna de uma família e as transformações históricas durante a primeira metade do século XX. (Adoro Cinema)

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Particularmente, nunca pensei que fosse dizer que Wes Anderson se tornaria um dos meus diretores favoritos em atividade. Isso porque, anos atrás, seus trabalhos em nada me comoviam: Os Excêntricos Tenenbaums é a obra mais superestimada e tanto A Vida Marinha Com Steve Zissou quanto Viagem a Darjeeling beiram o insuportável. Mas eis que ele veio com o originalíssimo O Fantástico Sr. Raposo, o irresistível Moonrise Kingdom e, agora, O Grande Hotel Budapeste, filme que é facilmente o ponto alto de sua carreira até agora. Não dá para esconder o entusiasmo com essa escalada que ele vem fazendo nos últimos anos, especialmente quando o mais novo longa não tem um ingrediente novo sequer: é simplesmente o aperfeiçoamento de várias escolhas recentes. Ao contrário de outros realizadores que erram ao repetir estilos, Anderson só se aprimora – e o resultado em momento algum descamba para a reciclagem.

Falar sobre como o diretor aprendeu de uma vez por todas a controlar os maneirismos que tanto prejudicavam seus filmes antes da era Raposo ou sobre como eles passaram a ser tão encantadores que só sendo muito de mal com a vida para odiá-los é cair no lugar-comum. O Grande Hotel Budapeste é o auge da criatividade desse profissional que aqui expande inúmeros talentos e ainda faz o seu trabalho mais ambicioso do ponto de vista técnico. Se você pensava que Moonrise Kingdom trazia o que existia de melhor em direção de arte e figurinos em prol do encantamento de uma história, esperem por Budapeste, que tem um design de produção realmente imponente, inventivo e de acordo com tudo o que a história e seus personagens simbolizam. Cores e cenários saltam aos olhos, fazendo com que o espectador compreenda o porquê do protagonista vivido por Ralph Fiennes e todos os outros personagens terem um carinho e respeito imenso por este refinado hotel que dá título ao filme.

Muito bem ambientando por uma das trilhas mais inspiradas da carreira do francês Alexandre Desplat (e seria perfeito se alguma celebração finalmente viesse por esse trabalho), O Grande Hotel Budapeste tem uma história extremamente fluente e ágil, que, muito além do roubo de um quadro e dea saga de alguém tentando provar sua inocência diante de um crime, fala também sobre memórias, amores, aprendizados e lealdades, além de reflexões que volta e meia se revelam atuais para nossa época (“ainda existem resquícios de civilização nesse matadouro que um dia conhecemos como humanidade!”).  Este filme é outra prova de como Wes Anderson tem cada vez mais se distanciado do mero apuro técnico e do total controle de tom de suas histórias. Ele ainda se mostra mais criativo nos movimentos de câmera, na forma como enquadra seus personagens e em tantos outros detalhes que colaboram para a funcionalidade do filme.

Encabeçando um elenco inspiradíssimo e estelar, Ralph Fiennes (que há anos merecia um destaque e um papel com desafios como esse) está perfeito como o emblemático Gustave, tendo como suporte atores em pontas de luxo e participações que roubam a cena (como a irreconhecível Tilda Swinton, que até merecia mais espaço em cena, mas está sempre presente no imaginário do espectador). São vários personagens, situações e cenários que o filme sabe administrar com total equilíbrio, especialmente porque a história tem resoluções convincentes, um clímax com direito até a  ação empolgante e singela dose de afetividade e emoção. Irresistível, O Grande Hotel Budapeste merece facilmente estar na lista de melhores do ano – e, caso estreasse mais para o final do ano, seria  favorito a ocupar várias vagas na temporada de premiações. Se Wes Anderson continuar nesta escala de evolução, é bem provável que o seu próximo filme alcance a perfeição.

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Nunca tive qualquer dúvida, quando 2013 chegou ao fim, que Gravidade seria o meu filme favorito do ano – pelas mais diversas razões, que já foram explicadas em diversas ocasiões aqui no blog. O complicado mesmo foi montar este top 10, que certamente sofreria alterações se eu resolvesse revisitá-lo futuramente. Isso porque poucas vezes nos últimos anos tivemos uma média tão boa de lançamentos – o que acarreta muitas ausências, como a de O Som ao RedorO Que Se MoveBlue JasmineDjango LivreAlém da Escuridão – Star Trek (que também foram pontos altos do ano que passou). Mas o que consegui reunir abaixo representa fielmente tudo aquilo que mais me tocou em 2013, dos digníssimos dramas franceses ao retorno de grandes diretores, bem como dramas bastante tradicionais mas repletos de acertos. Ilustrando cada um dos longas, trechos dos textos que publicamos sobre eles. Nos vemos em 2015 com mais uma lista de melhores do ano!

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2. O MESTRE

Nunca prejudicado pela sua duração, o novo trabalho de Anderson, em contramão,  faz um estudo temático fascinante e ainda tem a seu serviço elenco simplesmente extraordinário. O tempo deve fazer justiça a O Mestre“. +

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3. OS SUSPEITOS

Não é o policial de tiroteios, a investigação de resoluções desnecessariamente mirabolantes ou o drama de respostas fáceis. É melhor e mais envolvente do que isso, mas com a devida dose de sobriedade. Simples e completo, como há muito não víamos no gênero“. +

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4. OS MISERÁVEIS

Os detratores de Tom Hooper que me desculpem, mas não é qualquer um que consegue segurar um filme como esse. E, bem como o último grande musical que vimos (Moulin Rouge!), Os Miseráveis é assim: para se abraçar completamente ou para se renegar com todo o fervor”. +

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5. O LUGAR ONDE TUDO TERMINA

Frequentemente inesperado, O Lugar Onde Tudo Termina foge do convencional e consegue entrar na cabeça do espectador, que não consegue deixar de se sentir envolvido por cada personagem e cada avanço do roteiro“. +

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6. AZUL É A COR MAIS QUENTE

Crescer acontece mais rápido do que a gente imagina, diz Emma (Seydoux) em certo ponto. Adèle (Exarchopoulos) aprenderá isso. E nós, se ainda não chegamos a esse estágio, teremos esse mesmo aprendizado com a sua jornada“. +

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7. FERRUGEM E OSSO

Ferrugem e Osso nunca deixa de demonstrar plena sutileza no roteiro, nas atuações e na direção – o que certamente vai surpreender quem, por tantas razões e pelo lindíssimo trailer britânico, esperava algo mais lacrimoso“. +

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8. ANTES DA MEIA-NOITE

Não existem julgamentos ou respostas certas em Antes da Meia-Noite. O que o filme quer realmente mostrar é muito simples: nada dura para sempre. E não é porque uma história começou cheia de encantamento que ela vai brilhar até o último de seus dias“. +

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9. ÁLBUM DE FAMÍLIA

Alguns estereótipos perfeitamente admissíveis, segredos familiares envolventes, ressentimentos previsíveis mas bem explorados, cenas dramáticas eficientes e até mesmo alívios cômicos divertidos. Inovador? Não, mas como uma (boa) trama novelesca deve ser, com histórias sobre a vida mesmo, facilmente identificáveis por todos nós“. +

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10. AS SESSÕES

Um pequeno filme que coloca todos no mesmo patamar, onde a condição do protagonista é apenas pretexto para que se fale sobre sentimentos, frustrações e esperanças. Especial em sua humildade, As Sessões merece reconhecimento pela forma humana com que lida com questões tão delicadas“. +

A Marvada Carne, de André Klotzel, ostenta o título de filme mais celebrado na história do Festival de Cinema de Gramado com 12 prêmios

A Marvada Carne, de André Klotzel, ostenta o título de filme mais celebrado na história do Festival de Cinema de Gramado com 12 prêmios

COMO TREINAR O SEU DRAGÃO 2 (How to Train Your Dragon 2, 2014, de Dean DeBlois): O primeiro Como Treinar o Seu Dragão foi ofuscado na temporada de premiações pelo sentimental Toy Story 3, mas conquistou o coração de várias plateias com a sua proposta diferenciada e de resoluções até mesmo corajosa. Por isso, tinha um certo receio com essa continuação, já que o primeiro filme parecia tão bem resolvido isoladamente. A boa notícia é que o diretor Dean DeBlois (agora sem a parceria de Chris Sanders) continua acertando na emoção, nas mensagens e na maturidade com que desenvolve seus personagens. Por outro lado, falta frescor nesta sequência e é fácil sair do cinema já com a cabeça em outro lugar – o que não acontecia com o anterior, uma experiência nada esquecível. Pode ser a falta de uma história mais consistente que trabalhe outros pontos além do crescimento físico e emocional dos personagens que prejudique o resultado, especialmente quando Como Treinar o Seu Dragão 2 se dedica demais a mostrar batalhas, voos e ação (com direito a um dragão que tem o poder de controlar todos os outros e que misteriosamente nunca tinha aparecido ou sequer sido citado até agora!). Levemente decepcionante, a sequência cumpre sua função de entretenimento com um inegável coração, mas fica devendo em termos de uma trama melhor elaborada.

A MARVADA CARNE (idem, 1985, de André Klotzel): Para quem conhece somente as comédias brasileiras realizadas nos dias de hoje, A Marvada Carne causará estranhamento. É diferente e quase bizarra a proposta do filme, que mostra a saga de Nhô Quim (Adilson Barros) para realizar o seu sonho de finalmente comer carne. No caminho, ele conhece a sonhadora Carula (Fernanda Torres), que deseja se casar a todos custo e que, para fisgar Nhô Quim, mente que no seu casório a família dará uma grande festa com muita comilança de carne. O universo caipira, bem como figuras mitológicas como o Curupira e o Diabo, são apresentados no filme de estreia de André Klotzel com a devida irreverência. A Marvada Carne acerta em suas hipérboles cômicas, o que é no mínimo admirável para um diretor iniciante na época. No Festival de Cinema de Gramado, conquistou 12 prêmios entre Kikitos e menções especiais, incluindo melhor filme e melhor atriz para Fernanda Torres – que aqui está em um dos seus melhores momentos de transformação, com um sotaque simplesmente perfeito. Divertido e objetivo (são rápidos e suficientes 75 minutos de duração), o filme foi celebrado como uma atualização dos clássicos de Mazzaropi – e, sem dúvida, o faz com a devida competência e fidelidade.

MENINOS DE KICHUTE (idem, 2009, de Luca Amberg): É mergulhado na nostalgia de uma infância já extinta que o diretor catarinense Luca Amberg constrói Meninos de Kichute. O filme, realizado em 2009, só agora consegue entrar em cartaz, levantando mais uma vez a eterna discussão sobre as dificuldades de fazer cinema no Brasil. Baseado no livro homônimo de Márcio Américo e nas próprias lembranças do diretor, Meninos de Kichute celebra os anos em que o mais importante para uma criança era sair correndo da aula para brincar na rua com os amigos. Do cantar o hino nacional na frente da escola às eternas disputas por figurinhas, o longa captura bem o clima dos anos 1970, trazendo também a rígida educação, as professoras irredutíveis e o pai machista e autoritário. Nostálgico e quase ingênuo, conquista por sua simplicidade, especialmente porque o elenco infantil está bastante à vontade e outras participações são pelo menos bastante afetivas, a exemplo de Arlete Salles como a vizinha legal e apaixonada por cachaça (e o melhor de tudo é que a atriz não cai na caricatura!). Até mesmo Werner Schünemann, com um papel unidimensional, se sai bem como o grande obstáculo na vida do protagonista Beto (Lucas Alexandre). Mas tudo para por aí, já que Meninos de Kichute não parece ser nada além de um retrato desta saudosa infância. Conflitos de verdade são quase ausentes e, não fosse essa adorável viagem no tempo, o resultado poderia ser desinteressante.

WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS (Saving Mr. Banks, de John Lee Hancock): Aos que conferiram Um Sonho Possível (aquele filme insosso que deu um Oscar injusto para Sandra Bullock), fica a dica: Walt Nos Bastidores de Mary Poppins (o título brasileiro dispensa comentários) tem exatamente a mesma essência. Ou seja, uma história completamente rasa contada em uma duração excessiva com direito a clichês pontuais. O trailer já entregava tudo, mas não é preciso ser um gênio para, em 15 minutos, adivinhar todo o desenrolar da trama. Basicamente o relato de uma megera que aos poucos vai baixando a guarda até se tornar uma “boa” pessoa, Walt nos Bastidores de Mary Poppins se sai bem ao falar com o grande público, já que seu tom é assumidamente simplista e até mesmo pensado para causar emoções fáceis. Mas, se exigimos algo a mais, o filme não se sustenta, até porque John Lee Hancock não tem estofo para isso – o que está bem exemplificado nas suas tentativas pífias de criar mensagens subliminares (a cena em que a protagonista dorme abraçada com um Mickey de pelúcia é a pior). Também não ajuda o fato do filme contar duas histórias paralelas – uma no passado, outra no presente – e muito menos sua protagonista, que transborda arrogância e antipatia mas que, ao contrário de Blue Jasmine, não tem um diretor que saiba esmiuçar as razões de tal comportamento. Quem perde? Emma Thompson, quase caricata, e Tom Hanks, com pouco a fazer com seu Walt Disney retratado unilateralmente como um ser humano sábio, puro e integro (sendo que até mesmo sua sobrinha na vida real já confessou que ele estava muito longe de ser um anjo).

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O que o mexicano Alfonso Cuarón faz em Gravidade é algo sobrenatural. Muito mais do que provar que filmes de orçamentos estratosféricos podem sim alcançar as mais variadas plateias com a devida dose de inteligência e boa realização, o diretor também revolucionou a técnica aplicada neste filme. Difícil lembrar a última vez que o espaço foi tão crível e com uma história tão cheia de fluidez e emoção. Cuarón anos atrás já dava dicas de que sabia lidar com a ficção (Filhos da Esperança, mesmo não sendo um filme propriamente sonhador quanto ao futuro do planeta, subvertia muito neste sentido) e não é surpresa que um trabalho de direção tão inteligente como o de Gravidade venha justamente dele. A perfeita sintonia entre todos os setores do filme (da ótima trilha de Steven Price ao desempenho de Sandra Bullock) é responsável por imergir a plateia em uma viagem que certamente não veremos repetida com a mesma excelência  tão cedo. Cuarón definitivamente, depois de tantos trabalhos exemplares, alcançou a indefectibilidade atrás das câmeras.

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OUTROS INDICADOS:

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DENIS VILLENEUVE (Os Suspeitos)

Derrubando a tão corriqueira decepção que se instala em diretores estrangeiros que vão filmar nos Estados Unidos, Denis Villeneuve manteve a sua tradicional disciplina e intensidade ao realizar Os Suspeitos. Equilibrando com a devida inteligência uma história tensa e realista, ele surpreende com uma história que nunca subestima a inteligência do espectador ou que tenta parecer mais complexa do que realmente é. Pena que o filme não recebeu a atenção que merecia.

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PAUL THOMAS ANDERSON (O Mestre)

Realizando aquele que é possivelmente o filme menos acessível de sua carreira, Paul Thomas Anderson novamente mostra o porquê é um dos realizadores mais interessantes de sua geração. Não existem concessões em O Mestre, e isto é uma grande qualidade que deve ser creditada inteiramente a Anderson. Fora o elenco excepcional, o diretor fala com firme segurança sobre assuntos complicadíssimos sem escancarar críticas ou tornar o filme didático ao fazer alusões à criação da Cientologia.

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DEREK CIANFRANCE (O Lugar Onde Tudo Termina)

Não é muito complicado encontrar quem critique as transições e os saltos temporais de O Lugar Onde Tudo Termina, mas acho particularmente corajosa a direção de Derek Ciafrance ao contar uma história tão cheia de mudanças e longe de fáceis definições. Ele já havia provado ser um excelente diretor de elenco em Namorados Para Sempre – talento que se repete aqui – mas aqui ainda administra bem uma ambição narrativa que está totalmente de acordo com sua excelência como realizador.

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JACQUES AUDIARD (Ferrugem e Osso)

Jacques Audiard seguiu o caminho contrário ao que muitos diretores escolheriam se tivessem o texto de Ferrugem e Osso em mãos.Nada de choros incontroláveis, melodramas ou uso exagerado de trilha. Ao narrar o relacionamento de um homem bruto que cria sozinho o filho com uma mulher que acaba de perder as pernas em um acidente, o diretor prezou pela sutileza e acertou ao inteligentemente adotar a lógica de que menos é mais.

EM ANOS ANTERIORES: 2012 – Leos Carax (Holy Motors) | 2011 – Darren Aronofsky (Cisne Negro| 2010 – Christopher Nolan (A Origem| 2009 – Danny Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?| 2008 – Paul Thomas Anderson (Sangue Negro| 2007 – Alejandro González Iñárritu (Babel)

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