Filmes em DVD
Janeiro 1, 2008 de Matheus

Bonecas Russas, de Cédric Klapish
Com Romain Duris, Kelly Reilly e Audrey Tautou.

Não sou um daqueles que amou Albergue Espanhol, achei um filme simpático e divertido, nada mais. Portanto, não esperava muita coisa dessa continuação chamada Bonecas Russas, que é totalmente independente do filme anterior. Achei a continuação muito mais madura e adulta: os personagens têm dimensões maiores, os diálogos são ótimos e a história envolvente. O protagonista Romain Duris está muito mais confortável no papel e os coadjuvantes receberam maior espaço, como Audrey Tautou (que tem grande presença e está radiante) e Kelly Reilly (que apesar do papel chato consegue tirar o melhor de suas cenas), que antes eram apenas figuras em segundo plano. Bonecas Russas é sobre a busca do verdadeiro amor, mas não daquela forma melosa que estamos acostumados a ver em filmes americanos; tudo é contido, na medida exata. O humor é usado de forma refinada, funcionando praticamente em todos os momentos. Se o filme é um bom acerto, tem um erro quase que debilitante em sua estrutura. As duas horas de duração parecem durar três. Em certo ponto, é tanta história contada que já nem sabemos mais onde tudo começou. O roteirista devia ter diminuido as diversas histórias de amor do protagonista, que tem mais de quatro namoradas durante a história e cortado algumas cenas desnecessárias, que são inúteis para a trama. Tirando esse defeito que me incomodou bastante, Bonecas Russas é uma das mais deliciosas comédias francesas já feita, principalmente pelo fato de ser madura e evoluída.
FILME: 8.0

Jackie Brown, de Quentin Tarantino
Com Pam Grier, Samuel L. Jackson e Robert De Niro

De todos os filmes que já tive a oportunidade de conferir da carreira de Tarantino, esse é o que considero mais fraco. Mas nem por isso menos divertido e agradável. Certamente é a produção mais leve e acessível do inovador diretor, pois trabalha uma simples história de golpe sem maiores complexidades ou tramas difíceis. O elenco está bem a vontade, principalmente Pam Grier, perfeita como a enigmática protagonista. Samuel L. Jackson realiza um trabalho satisfatório, mas longe de lembrar o brilhantismo apresentado em Pulp Fiction - Tempo de Violência. A história se mantém firme durante as duas horas e meia de filme que passam muito rápido, e tem ótima sintonia com a direção e atores. Jackie Brown só não é melhor porque tem uma estrutura muito convencional e até mesmo previsível, se tratando de Tarantino. De qualquer forma, é interessante e bem divertido de se acompanhar.
FILME: 8.0

Amores Brutos, de Alejandro González Iñárritu
Com Gael García Bernal, Goya Toledo e Emilio Echevarría.

Primeiro volume da trilogia criada pelo diretor Alejandro González Iñárritu. Enquanto os volumes seguintes falavam sobre vingança (21 Gramas) e incomunicabilidade (Babel), Amores Brutos gravita em torno de paixões trágicas. Sem dúvida alguma é o mais interessante dos três: o mais contudente, o mais pesado e o mais dramático. Utilizando a velha fórmula dos personagens que se cruzam em algum ponto da história, Iñárritu realizou o melhor filme da sua carreira, que acerta em particamente tudo. O único conhecido do elenco é Gael García Bernal, que apresenta o melhor desempenho de sua carreira. Amores Brutos é o filme mais acessível da trilogia e com certeza é uma experiência recompensadora. No final das contas, os 150 minutos de duração são completamente aceitáveis. Um trabalho brilhante.
FILME: 8.5

Hilary e Jackie, de Anand Tucker
Com Emily Watson, Rachel Griffiths e David Morrissey.

Podia ser apenas mais uma história sobre duas irmãs que tomaram rumos diferentes na vida, mas não é. Jackie (Emily Watson, muito mais digna de Oscar do que a infeliz da Gwyneth Paltrow) é um gênio do violoncelo e acaba trilhando uma estrada de fama e muito sucesso com seu talento. Hilary (Rachel Griffiths, mais merecedora de premiações do que Judi Dench) é um talentosa flautista, porém, não alcançou reconhecimento, principalmente por ser preterida na família. A princípio, as duas irmãs são muito diferentes, mas elas são ligadas por um forte laço afetivo de carência. Apesar de ter alguns fatos estranhos (como a parte em que Hilary “empresta” o marido para Jackie para transar), o filme é muito competente, não só no setor das brilhantes atrizes, mas também na excelente direção de Anand Tucker, assim como a belíssima trilha sonora. Não é sobre decadência ou inveja, mas sobre duas irmãs que compartilhavam a mesma paixão, o mesmo homem e a mesma loucura. O filme só não é melhor por causa do roteiro, parado, calmo e linear demais.
FILME: 8.0

Elizabeth, de Shekhar Kapur
Com Cate Blanchett, Geoffrey Rush e Joseph Fiennes.

Tenho certa aversão por filmes de época, nunca acho que eles são interessantes ou emocionantes. Existem algumas excessões, como o brilhante Ligações Perigosas, de Stephen Frears, mas normalmente tenho tendência a não gostar de filmes desse tipo. Até que simpatizei com Elizabeth, ainda que eu não tenha gostado muito. Sem dúvida alguma é um trabalho impecável na parte técnica, principalmente figurinos e direção de arte, e seu Oscar de maquiagem também foi merecido. Falta um pouco de ousadia no roteiro, que se contenta em apenas relatar fatos, sem dar dimensão dramática aos personages (pouco foi mostrado dos verdadeiros sentimentos da rainha), muito frio. Cate Blanchett está ótima (outr atriz que merecia muito mais o Oscar que Gwyneth Paltrow), totalmente soberana e cheia de classe, ainda que não seja o melhor desempenho de sua carreira; ainda fico com sua Katherine Hepburn, de O Aviador, por mais que eu deteste o filme. Elizabeth é competente mas, como já mencionei, não é meu estilo de filme, o que afeta a minha aceitação. A continuação está prevista para janeiro de 2008.
FILME: 7.5

Gênio Indomável, de Gus Van Sant
Com Matt Damon, Robin Williams e Minnie Driver.

Na minha opinião, Gênio Indomável não merecia indicação nenhuma, mas o Oscar viu algo nesse filme que o levou à vitória em duas categorias: ator coadjuvante (de consolação para Robin Williams) e roteiro original (para Matt Damon e Ben Affleck). O filme é tão linear, sem graça e correto, que conseguiu me irritar. Gus Van Sant, que já provou que pode ser excelente - no caso do ótimo Elefante - fez um filme pretensioso e que tinha justamente a intenção ganhar Oscar. Não vi nada de muito bom na trama, tudo morno e pouco interessante. As atuações são boas e talvez sejam a única coisa forte do longa. Gênio Indomável não é uma produção ruim, mas a história saturada e repetitiva não ajudou em nada na minha aceitação do filme.
FILME: 6.0

Verdade Nua, de Atom Egoyan
Com Alison Lohman, Kevin Bacon e Colin Firth

Desde quando conferi Deixe-Me Viver e Os Vigaristas, acreditei muito no potencial de Alison Lohman. Aqui nesse Verdade Nua, ela continua demonstrando grande talento e simpatia, ainda que o filme não ajude muito. De princípio não gostei do estilo de contar a história, com diversas narrações demonstrando os pontos de vista dos personagens. A história também não é muito atraente, o que deveria ser, já que estamos falando da história de um assassinato. O filme acaba se sustentando nas interpretações que são boas, e apenas nisso. Apesar da curta duração (um pouco mais de uma hora e quarenta), o filme parece ter mais de duas horas, por causa de seu ritmo lento. Nem interessante chega a ser, é apenas um bom filme que é descartável.
FILME: 6.5


Amores Brutos: Um soberbo trabalho de um cineasta de grosso calibre. O filme, porém, é extremamente triste.
Nota 9,5 [*****]
Elizabeth: Acho um belo filme. Foi drigido meticulosamente, possui excelente fotografia e performances exemplares, principalmente de Blanchett. É, também, uma história fascinante.
Nota 9,0 [****]
Genio Indomável: Outro filme que acho muito bom. O roteiro é excelente e o elenco ta iqualmente estupendo. Toca em temas relevantes e possui sensibilidade e genialidade de sobra.
[****] preciso rever para decidir a nota.
Verdade Nua: Gosto também, mas bem menos. Gostei do clima, do visual, dos atores (excelentes) e de algumas cenas. No todo, achei um pouco arrastado e falhado, faltando maior conexão com a audiencia.
Nota 7,0 [***]
Puxa, dessa vez vi apenas quatro de sua lista, sendo que dois faz tanto tempo que nem prefiro comentar - são eles: “Jackie Brown” e “Elizabeth” (lembro que gostei de ambos, acho que minha nota seria 8.0 para cada). Ah, vi “Albergue Espanhol” semana passada e gostei muito, quero ver essa continuação. Os outros dois que vi são:
8.0 [****] AMORES BRUTOS: Sem dúvida um belo trabalho de direção e roteiro, que alcança a perfeição no segundo ato - contudo, acho que a longa duração prejudica um pouco sim, até porque o último segmento não foi muito interessante.
8.0 [****] GÊNIO INDOMÁVEL: Gosto mais da nova fase do Gus Van Sant, mas sem dúvida esse também é um ótimo filme e até acho que mereceu muitas das indicações que teve ao Oscar - mas concordo que premiá-lo foi um exagero, especialmente o Robin Williams.
Abraço!
Nossa que vergonha, não vi nenhum filme da sua lista =O
Pra não falar nenhum, acho que já vi Gênio Indomável, mas há muito tempo…
Muito bom o blog ^^