
Sessão nova aqui no blog. O objetivo de “Opinião” é, a cada post, trazer um tema interessante a ser debatido sobre um filme em questão. Resolvi abrir essa série de discussões com a polêmica temática de Dúvida: o padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) abusou ou não de seu aluno? Vale ressaltar que, quem não viu o filme, NÃO continue a ler o texto, já que pode ter spoilers.
Não é fácil digerir Dúvida. Quase não tem história, a ação do filme ocorre inteiramente nos diálogos e parece que estamos assistindo uma peça de teatro filmada. Mas eu sou fã de filmes que o poder dele se encontra nas palavras. Por isso mesmo, não pude resistir ao longa. A história todo mundo já sabe – uma freira chamada Aloysius (Meryl Streep) acusa o padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) de estar molestando um jovem numa escola católica. O problema é que ele é o único aluno negro da instituição. Além disso, numa emocionante cena da atriz Viola Davis, descobrimos que ele apanha do pai (por razões que não ficam muito explícitas, mas que incita uma provável homossexualidade da criança) e que sofria nas mãos de garotos em outra escola. A irmã Aloysius, ao saber que o garoto bebeu o vinho do altar e que teve alguns momentos a sós com o padre, começa uma jornada para provar as suas certezas. A certeza dela é que o padre Flynn é culpado e que deu propositalmente o vinho para o garoto e o molestou. Certeza essa que não sabemos de onde vem, nem porque surgiu. Só sabemos que ela existe.
Quando Alysius confronta Flynn ele nega firmemente, acusa a irmã de louca e diz que não vai aceitar uma acusação absurda dessas. A irmã James (Amy Adams), que a princípio apoiava Aloysius vai observando melhor a situação e começa a moldar sua verdadeira opinião. O problema é que, quanto mais o padre tenta provar o contrário, mais a situação se agrava. Aloysius chama a mãe do garoto, relata o acontecido e passa a confrontar o padre cada vez mais. O filme inteiro é basicamente isso. Aloysius diz que sim, Flynn diz que não e James não sabe bem o que faz. O espectador fica no meio da confusão, tentando procurar situações que evidenciem a verdade. Mas é difícil. O filme confunde, mesmo que eu tenha achado claramente que o roteiro quer tomar o partido de que o padre é culpado. Confunde mais ainda na cena final, onde somos surpreendidos com uma reação da irmã que passou o filme inteiro fazendo acusações.
Por mais que dê pra sair do filme defendendo determinado personagem, ninguém sai de lá com plena certeza. Você pode até dizer que o padre é culpado, mas existem teorias que contradizem isso. O mesmo se aplica para a inocência dele. Eu, particularmente, acredito que ele tenha molestado sim a criança. Por várias razões. A primeira, obviamente, é o padre ter ido embora da escola. Ele podia ter ficado e lutado, mesmo que a fofoca tomasse proporções devastadoras. Acho que ele aceitou muito facilmente o fato de que ele não poderia lutar com a freira. Como diz a própria Aloysius: “A sua renúncia foi a sua confissão.” Quem não deve não teme, e se fosse eu teria ficado lá até aquela velha desistir da confusão. Depois ele parecia muito irritadinho com as acusações dela, fingia que não ouvia, que não se importava. Mas, quando pressionado demais, levantava a voz, fazia sermões dando indiretas para a freira e convencia os outros de sua inocência às escondidas. Mas só o fato de ele ter saído da escola, pra mim, já assina o atestado de sua culpa.
Eu, sinceramente, não vejo tantos motivos para ele ser inocente. O que induz o espectador a acreditar que, possivelmente, ele seja inocente é a figura da irmã Aloysius. Ela é chata, antipática, faz acusações sem prova alguma e sempre dá um jeitinho de infernizar a vida de qualquer um. O grande problema é que o padre não reage bem diante dela. Para piorar mais ainda a sensação de dúvida que paira durante o filme inteiro, a história culmina em um final totalmente desconcertante, que vai fazer muita gente detestar o resultado. Mas, além disso, não é só pelo final em si, mas por causa do que acontece nele. Não esperávamos aquilo, em momento algum. Não daquela maneira. Dúvida, então, faz pensar. Pensar muito. Nem lembro a última vez que fiquei tão intrigado com um filme.
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E você? Acha que o padre Flynn é culpado? Acredita que é paranóia da irmã Aloysius? Por quê? Dê a sua opinião =)
Para a maioria dos visitantes do Cinema e Argumento, o Padre Flynn é culpado. Abaixo, o resultado da votação:
é culpado (“I have my certainty!”) 42% (10 votes)
não sei, tenho dúvidas (“Oh, sister James, I have such doubts!”) 38% (9 votes)
é inocente (“I have not touched a child!”) 21% (5 votes)

Assisti Dúvida em duas ocasiões, e não consigo afirmar com certeza. Por um lado, acho que pela Meryl tratar a Sister como uma personagem tão maniqueísta, que está mais interessada em dominar o colégio sem alguém para refreá-la e menos em descobrir a verdade pelo bem do garoto, fico pendendo a considerá-lo inocente. Mas, bem, aquele final dá a deixa: todo mundo tem alguma coisa a esconder. Né?
Abraço!
Ainda tenho certas dúvidas, mas aqui marquei a opinião “inocente”, afinal essa desconfiança toda da irmã Aloysius vem muito mais de sua paranóia pessoal do que qualquer outra coisa.
Não assisti “Dúvida” ainda, Matheus! :(
Também tenho dúvidas quanto à inocência ou culpabilidade do Padre Flynn. Durante todo o filme, tanto aparecem indícios de que Flynn abusara sexualmente do garoto, quanto o contrário. Ele poderia ter saído porque a irmã acusara Flynn de ter relações com uma mulher na paróquia anterior e poderia acabar com a imagem dele ao dizer que agora estavam mantendo relações com um garoto. Sua reputação iria para baixo. Então ele decidiu sair. Ou pode ser o contrário também. Por isso pairam essas dúvidas.
Até hoje aquela camisola me intriga. Eu votei na culpa do Padre Flynn, sua atitude de sair do colégio foi muito suspeita também, e nem mesmo o ótimo desfecho (que mostra a fragilidade da Irmã Aloysius com seus próprios princípios) foi impactante o suficente para eu enxergar o Padre Flynn como mera vítima.
Mas claro, não posso afirmar com certeza. Queria ver esse caso nas maõs do júri de 12 Homens em Uma Sentença! Duvido que o Henry Fonda saísse dessa!
Abraço, Matheus!
Como eu não assisti “Dúvida” ainda, vou me eximir de ler o texto ou de fazer um comentário mais completo. :-)
Para mim “Dúvida” já é o filme do ano. Como você disse, é um filme onde as suas forças em cada uma das palavras de seu roteiro e para mim isto é uma das melhores coisas que um longa poderia contar. Sobre o padre Flynn eu também tenho as minhas dúvidas. As certezas de Aloysius estão, na minha opinião, muito voltadas em relação ao seu próprio passado. Algo que diz que ela passou por um episódio similar que a fez ter tantas certezas em relação do seu julgamento contra o Padre Flynn. Afinal, como em determinado momento do filme, ela mesmo assume já ter cometido os seus pecados do seu passado que nunca é muito claro nem para os personagens da ação e muito menos para o público. É um filme que não quer deixar de forma alguma que uma conclusão acertada seja estabelecida.
Inocente, ninguém pode ser tão noiado assim como a irmã sem carregar algo também hehe!
Tenho dúvidas. Alias, acho que o forte do filme é não simplificar a situação e realmente nos enviar para fora cheios de dúvidas. Portanto…realmente não sei.
Ciao!
Aí que reside a grande maestria das duas atuações de Hoffman e Meryl. Eles agem de tal forma que não somos capazes de dizer quem está certo ou errado e o nome do filme cai como uma luva. Hora nós achamos que o padre tem culpa e em outra, devido a atitudes, enxergamos que ele não passa mais do que uma vítima da freira rígida. Eu, ainda acho, que ele é culpado! =)
esse filme gerol muitos comentários aki em fortal, pois emos a comunida de cinencontros, são varias pessoas desconhecidas q gostam de cinema e marcam uma sessão para se ver uma vez por mês, e tiveram 3 encontros nesse filme. no final de cada uma era aquela confusão, uns defendiam q o padre era inocente, outros falavam ser iguais a Meryl , ainda rolará muita duvida nessa história, eu achoq ele era inocente, o menino é q gostava.
Boa questão esta em relação a “Dúvida”. È um filme que mostra que qualquer pessoa pode ter vários tipos de dúvidas. E achei estranho o Padre Flynn ter ido embora e nem ter se manifestado sobre isso. No mais, I have such doubts too! rsrsrs
Louis, como eu disse no meu texto, acho que essa história da irmã Aloysius ser maluca deixa o espectador com a pulga atrás da orelha!
Vinícius, já que acho que ele é culpado, e mais pelas atitudes dele do que pelas desconfianças da Aloysius.
Rafael Moreira, procure assistir, é muito bom!
Ibertson, é terrível se decidir entre culpado e inocente, não?
Weiner, bem lembrado! Aquela camisola é muito suspeita…
Kamila, espero que você possa participar do próximo post, que acabou de ser publicado =)
Alex, não sabia que “Dúvida” era o teu filme favorito do ano até agora!
Pedro, eu já não afirmo a minha opinião com tanta certeza =P
Wally, mesmo que eu ache que ele seja culpado, o filme trabalha perfeitamente essa indecisão sobre a culpabilidade do padre Flynn.
Robson, eu também acho que ele é culpado! E olha que eu simpatizei muito com a atuação do Philip Seymour Hoffman. Mas não acredito na inocência dele não.
John, esse filme causa muita polêmica quando discutido!
Mayara, é justamente isso que me intriga quanto a inocência dele! Ele ter ido embora…
O filme é ótimo, e eu também fiquei na dúvida. Mas a resposta é: Não existe resposta. Tal como a possível traição de Bentinho…
Corrigindo: A possível traição de Capitú.
Então Matheus, me surgiu uma dúvida.
Não poderia ser a hesitação do padre em dialogar francamente com a freira, o fato de o menino ter demonstrado tendencias homossexuais e o padre querer, quem sabe, esconder isso de todos para proteger o rapaz, enquanto que não sabia do conteúdo da conversa da irmã com a mãe do garoto? O que você acha?
Gostei do filme. O enredo em si comprova o título.
imagine você, que viu os dois lados da “estória” ficou na dúvida, e na ótica individual dos personagens, qual seria o resultado se não “dúvida”.
O ponto do filme é justamente esse, de deixar a duvida em aberto. A historia original provem de uma peça de teatro, por isso a força tao grande nas palavras, maior do que nas ações. Primeiramente o autor havia chamado a peça de “A duvida” e mais tarde a renomeou ” Duvida – uma parodia”. Ou seja, a intenção da historia é nos fazer pensar no quanto a duvida em nossa vidas pode nos fazer amadurecer e que diferentemente de como a igreja catolica pensa, ter duvidas a respeito de algo nao é uma coisa ruim. Todas as pessoas tem sua fé abalada em diversas situações, e o ideal é se aproveitar dessa duvida para crescer e aprender algo com ela. ( Já dizia o Padre Flynn no seu primeiro sermão)
Ninguem é 100% culpado ou inocente na historia, assim como na vida ;)