If you can love your enemy, you already have victory.

Direção: Tate Taylor
Elenco: Emma Stone, Viola Davis, Bryce Dallas Howard, Octavia Spencer, Sissy Spacek, Allison Janney, Jessica Chastain, Chris Lowell, Cicely Tyson
The Help, EUA, 2011, Drama, 146 minutos
Sinopse: Jackson, pequena cidade no estado do Mississipi, anos 60. Skeeter (Emma Stone) é uma garota da sociedade que retorna determinada a se tornar escritora. Ela começa a entrevistar as mulheres negras da cidade, que deixaram suas vidas para trabalhar na criação dos filhos da elite branca, da qual a própria Skeeter faz parte. Aibileen Clark (Viola Davis), a emprega da melhor amiga de Skeeter, é a primeira a conceder uma entrevista, o que desagrada a sociedade como um todo. Apesar das críticas, Skeeter e Aibileen continuam trabalhando juntas e, aos poucos, conseguem novas adesões.

Sucesso nas bilheterias estado-unidenses, ficando durante quatro meses na primeira colocação, superando filmes como Planeta dos Macacos: A Origem, Histórias Cruzadas chegou surpreendendo a todos com sua positiva recepção de público (e que, agora, consegue se refletir na temporada de premiações). Em uma primeira análise, tal sucesso pode parecer incompreensível, mas basta assistir a esse filme de Tate Taylor para compreender o porquê de tanta badalação: Histórias Cruzadas traz uma história motivacional e esperançosa sobre a luta contra o racismo (ainda que o filme em si não seja tão liberal assim), em um formato bem tradicional. Ou seja, o típico drama agradável que o público tanto adora.
O que existe de diferente em Histórias Cruzadas é a moderação de lágrimas: o filme, apesar de ter vários elementos para se tornar uma novela enjoativa, nunca abusa da paciência do espectador. Primeiro porque quem estiver disposto a assistir a um filme desses já deve saber o que esperar. E segundo porque Histórias Cruzadas tem muita descontração. Não é um filme que se propõe a ser um novo A Cor Púrpura (mesmo que apresente claras semelhanças e cópias) ou muito menos ser uma marcante história sobre a batalha das empregadas domésticas negras da década de 1960 por melhorias de vida. Claro que tais mensagens estão ali, mas o filme, que é até comercial, não quer tirar apenas melodramas delas.
Essa boa sensação que Histórias Cruzadas passa também se deve muito ótimo elenco, que faz um ótimo trabalho ao construir de forma divertida os seus personagens baseados em estereótipos e caricaturas. Se Emma Stone não tem muito o que fazer como a protagonista que não tem outra grande função além de conduzir a história, todas as outras atrizes possuem momentos de destaque: Bryce Dallas Howard (uma atriz que merecia melhores chances no cinema) está divertida em seus exageros, Viola Davis transmite todo seu habitual talento em mostrar extrema humanidade sem nunca apelar e Jessica Castain faz maravilhas com seu texto previsível. A ovacionada Octavia Spencer, por outro lado, é a menos inspirada: nada além de um alívio cômico. Ainda no elenco, Sissy Spacek e Allison Janney.
Histórias Cruzadas, como já dito, não chega a ser tão apelativo (é apenas água com açúcar), mas também não consegue ser diferente em função de suas escolhas batidas. Nós já vimos diversas vezes essas histórias de pessoas negras injustiçadas que sofrem com suas patroas brancas, racistas, fúteis e maquiavélicas. Também já sabemos que, em algum momento, elas recebem a compaixão de uma rebelde jovem de família branca que vai tentar mudar essa situação (e aí está o tão comentado racismo enrustido do filme: as empregadas negras não conseguiram se libertar sozinhas; precisaram, justamente, de uma mulher branca cheia de coragem que, simbolicamente, redimiu todos os brancos das injustiças cometidas com os negros) . É certo que o filme agrada várias plateias e funciona com sua boa mensagem esperançosa. Mas, convenhamos, hoje em dia só quem tem boa vontade e interesse por esse tipo de filme consegue embarcar de corpo e alma na história. Porque simpatia não é significado de grande filme. Histórias Cruzadas fica no satisfatório. E só.
FILME: 7.5


eu particularmente adorei, achei uma história muito bem contada, o racismo de forma “interessante” – o elenco é soberbo (digno daquele prêmio do SAG) – e um dos melhores do ano, alias, só fica atrás de “Millennium”, por enquanto.
Sua crítica foi bem pé no chão. Eu confesso que estou bastante ansiosa para assistir a este filme. Não por causa de todo auê que tem causado na atual temporada de premiações, mas porque ele tem uma temática muito interessante e fico curiosa para saber como foi que o diretor lidou com isso.
Assisti recentemente a esse filme e devo dizer que acredito que o elenco é bastante eficiente, ainda que, a meu ver, não haja nenhuma grande interpretação ali – o mais atrativo, para mim, são os personagens, que sabem nos cativar, como Skeeter, Aibeleen e Celia, e nos fazer odiá-los também, como é o caso de HIlly. Aliás, acredito que Bryce Dallas Howard estava verdadeiramente boa, provavelmente numa interpretação mais interessante do que a das outras atrizes. E, mais uma vez, acho que Viola Davis conquista destaque por uma personagem, não pela sua interpretação. Provavelmente, ganhará o Oscar!
Concordo sobre Bryce Dallas Howard, merecia coisas melhores, adorei ela aqui. Sabe quem eu não gostei, Emma Stone. Bem clichê. O resto, bom trabalho.
Cleber, o elenco mesmo é ótimo. Gosto mais do conjunto do que interpretações específicas.
Kamila, um auê meio exagerado, diga-se de passagem…
Luís, já eu acho que a Viola está sempre mais incrível que seus personagens. Como disse o Rubens Ewald Filho, ela parece gente mesmo, não uma atriz em cena.
Luis Galvão, caricatura por caricatura, prefiro bem mais a Bryce Dallas Howard do que a Octavia Spencer.