Cinema e Argumento

Divinas Divas

Elas nunca foram estranhas pra mim.

Direção: Leandra Leal

Roteiro: Carol Benjamin, Leandra Leal, Lucas Paraizo e Natara Ney

Elenco: Rogéria, Jane Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Eloína dos Leopardos, Fujika de Halliday, Marquesa, Brigitte de Búzios 

Brasil, 2017, Documentário, 110 minutos

Sinopse: Rogéria, Valéria, Jane Di Castro, Camille K, Fujika de Holliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de Búzios formaram, na década de 1970, o grupo que testemunhou o auge de uma Cinelândia repleta de cinemas e teatros. O documentário acompanha o reencontro das artistas para a a montagem de um espetáculo, trazendo para a cena as histórias e memórias de uma geração que revolucionou o comportamento sexual e desafiou a moral de uma época. (Adoro Cinema)

Os debates envolvendo forma versus conteúdo normalmente são mais calorosos quando os documentários entram em pauta. Um grande personagem compensa uma direção tradicional? Uma narrativa mirabolante eleva às alturas uma fonte sem muito a dizer? Contudo, o que deveria realmente definir um documentário – e ser fator decisivo na hora de considerá-lo primoroso – é a coerência do olhar de um realizador para aquilo que está sendo colocando na tela. Com isso, você pode até dizer que Divinas Divas, trabalho de estreia da atriz Leandra Leal atrás das câmeras, remete tecnicamente às dimensões televisivas, mas jamais poderá questionar a plena compreensão emocional e histórica que ela tem das personagens que documenta. E por lançar um olhar respeitoso e humano para temas ainda tão espinhosos e figuras relegadas ao caricatural, ela faz com que Divinas Divas se torne uma obra profundamente comovente e necessária.

Partindo de um ponto de vista muito pessoal da diretora, que, por influências familiares, frequentava as coxias de teatro (e até subia aos palcos!) quando ainda era bebê, Divinas Divas, no entanto, está longe de ser uma obra que gira em torno do umbigo de sua realizadora. A generosidade de Leandra está em justamente abandonar vaidades para compreender que, apesar de sua conexão íntima com a história, esse não é um filme sobre ela e sim sobre oito artistas que aprendeu a admirar desde cedo, sem jamais ver estranheza na ideia de todos eles serem homens vestidos de mulheres. Essa sacada é importante porque já dá firmeza na própria concepção do projeto, que, aliás, quando coloca Leandra em cena através de narrações em off, o faz apenas para trazer contextualizações históricas ou para ampliar a percepção dramática do espectador em relação ao valor artístico e o legado emocional que as artistas retratadas deixaram para toda uma geração. 

Há também grandes desafios estruturais vencidos por Divinas Divas, como o de contemplar todas as figuras em cena sem confundir o espectador ou torná-las superficiais. Pelo talento de Leandra como contadora de histórias e pela forte personalidade do grupo reunido, isso jamais acontece: o filme, além de extremamente disciplinado em sua estrutura (mérito também da eficiente montagem de Natara Ney), distingue muito bem as personagens em cena – e ainda deixa o espectador sempre curioso para ouvir muito mais delas. Como filme coral, funciona que é uma beleza, inclusive porque a multiplicidade de olhares é a bola da vez: entre as protagonistas, tem a que foi internada pela família quando começou a se vestir de mulher, outra que está casada há mais de 40 anos, uma que tem o maior orgulho de não querer se casar com homem nenhum e até a que já está cansada de se vestir mulher e se caracteriza apenas para os palcos. Tem história para dar e vender.

A humanidade não escapa em nenhum dos prazerosos 110 minutos de Divinas Divas, o que está diretamente associado ao olhar certeiro da diretora citado no início desse texto. Normalmente tratadas como alívios cômicos ou meras caricaturas, as travestis aqui são vistas sob a luz do plano artístico. Elas cantam, dançam, interpretam, pensam figurinos, ensaiam coreografias, fazem sua própria maquiagem… Por que isso não há de ser reconhecido como arte? E por que hoje, com tanta liberdade artística e de expressão, ser quem elas realmente são se revela tão mais difícil do que antigamente? É tocante a cena em que uma das personagens defende, sem qualquer prurido, a prostituição como forma de sobrevivência porque basicamente não há alternativa de sustentação financeira para essa parcela da população que misteriosamente recebe cada menos prestígio como classe artística – e tampouco são é com normalidade para empregos perfeitamente corriqueiros. 

O que talvez seja mais bonito em Divinas Divas é o fato do documentário registrar a história, as conquistas, os sonhos e as frustrações de pessoas que assumiram sua identidade feminina e agora chegam à terceira idade com os dilemas de qualquer ser humano. Muitas delas estão mais jovens do que nunca, enquanto outras já estão com a idade estampada no corpo e no espírito. Se quando jovens a vida já era difícil para elas, o que acontece, então, quando chegam a esse ponto da existência? A sociedade é mais justa ou mais dura com elas? É apenas uma entre várias reflexões propostas pelo filme, que, com a dignidade que retrata figuras tão incríveis, faz com que instantaneamente o espectador enxergue e respeite cada uma delas com a maior naturalidade do mundo. Assim como deveria ser na própria vida.

45º Festival de Cinema de Gramado #3: os muitos “Brasis” de Dira Paes

Foto: Nana Moraes

Praticamente não há estado brasileiro que Dira Paes desconheça. Com mais de 40 filmes no currículo, a atriz paraense, que recebe este ano o troféu Oscarito do Festival de Cinema de Gramado por sua contribuição à produção audiovisual brasileira, talvez conheça o Rio Grande do Sul até melhor do que muitos gaúchos. “Somente em Anahy de las Misiones, estive em uma caravana cinematográfica que foi de Uruguaiana a Caçapava do Sul. O cinema me levou para o mundo e fez com que eu conhecesse e compreendesse um Brasil gigante e plural”, conta a homenageada. Aliás, essa é uma das tônicas de sua carreira: nas dezenas de papeis que já interpretou, Dira procurou conhecer as brasileiras dos diversos ‘Brasis’ que existem dentro do próprio Brasil, o que ajudou a moldar muito mais do que a sua trajetória profissional como uma das mais queridas intérpretes do Brasil. “Comecei a atuar aos 15 anos de idade, seguindo a mera intuição de uma jovem que queria abandonar a ideia da engenharia para ser atriz. Ao longo desse tempo – e por ser muito jovem também – o cinema ajudou a me criar: além de me dar uma carreira, teve papel fundamental na formação da minha personalidade”, afirma Dira.

Fôlego eclético

Hoje com 33 anos de carreira, ela ostenta um currículo de dar inveja: da comédia ao drama, passando por filmes populares e autorais, além de obras infantis (a sua mais recente descoberta), Dira trabalhou com importantes nomes da cinematografia nacional como Walter Lima Jr., Helvécio Ratton, Cláudio Assis, Breno Silveira e uma outra infinidade de nomes que a homenageada cita com entusiasmo. A carreira eclética, no entanto, não surgiu por acaso. “Eu sempre busquei essa multiplicidade. Atuar é um voo cego, você não sabe o que vai encontrar pela frente, mas acho que tenho essa disponibilidade de entender qual a vertente de um trabalho e segui-la, sem impor nada. Sou uma atriz que gosta de ser dirigida e tem prazer em ser colocada diante de desafios. Esse fluxo criativo que os personagens me oferecem é algo que sempre me apaixona”, revela.

Foi justamente a ânsia por papeis interessantes e desafiadores que fez Dira, em 2004, migrar também para a TV, onde estreou no papel da inesquecível Solineuza no seriado A Diarista. “Fui para a TV porque começaram a me oferecer bons papeis. E não tenho do que reclamar até agora: nesse curto espaço fazendo carreira na TV, sempre encontro nas ruas pessoas que citam meus personagens, e isso é um verdadeiro presente”, comemora. A ida para a TV, por outro lado, jamais distanciou Dira da tela grande. Pelo contrário. Inclusive, foi no ano da estreia de “A Diarista” que ela viveu um dos momentos mais marcantes de sua carreira: entre 2004 e 2005, voltou novamente ao Rio Grande do Sul para gravar Meu Tio Matou Um Cara, de Jorge Furtado, e ainda lançou Mulheres do Brasil e 2 Filhos de Francisco, que, na época, chegou a ultrapassar Carandiru como o filme de maior bilheteria da chamada retomada do cinema nacional. “Foi quando percebi que eu realmente tinha fôlego para aquilo tudo”, recorda a homenageada.

E que fôlego: dessa temporada em diante, vinte novos personagens ganharam vida nas mãos de Dira, uma estatística que, entre tantas outras, jamais se converte em qualquer tipo de fardo para a paraense. “Não sinto todo esse currículo nas minhas costas porque os personagens que interpretei não me pertencem. Eles são do cinema e do público brasileiro. É até clichê falar isso, mas a sensação é de um eterno recomeçar, de que sempre tem um novo filme ou um novo desafio pela frente”, avalia. Sobre o que está por vir, Dira aponta que seu coração busca projetos mais desarmados e autorais, onde possa ser surpreendida pelos talentos de um cinema brasileiro que, conforme observou ao longo dos últimos 33 anos, hoje estabeleceu um padrão de qualidade muito consolidado.

Uma observadora de si mesma

Já de viagem agendada para o Festival de Cinema de Gramado, Dira preserva um carinho muito especial pela cidade serrana. “Gramado me lembra cinema e também o público saudando os atores nas ruas. Todo mundo que faz cinema tem o maior orgulho de ganhar o Kikito, um prêmio que ecoa por todo o Brasil”, conta a atriz, que já teve seu trabalho consagrado duas vezes na Serra Gaúcha: em 2003, como melhor atriz coadjuvante, pelo longa Noite de São João, e em 2011, como melhor atriz, pelo curta Ribeirinhos do Asfalto.

Sobre a homenagem, ela diz que qualquer reconhecimento de Gramado vem sempre carregado de uma emoção muito grande, mas que o momento oferece a oportunidade de virar uma observadora de si mesma. “Além da honra e do orgulho, uma homenagem como essa traz um olhar de fora para dentro, onde você se revisita, se reavalia. É a oportunidade de observar tudo o que vivi e também de reforçar meus laços com o futuro, já que ainda pretendo viver muitas transformações através dos meus personagens”, projeta.

Dira Paes recebe o troféu Oscarito dia 25 de agosto no Palácio dos Festivais.

* matéria produzida originalmente para a assessoria de imprensa do 45º Festival de Cinema de Gramado

Comentando os indicados ao Emmy 2017

Westworld lidera a lista de indicados ao Emmy 2017, divulgada hoje em Los Angeles. Cerimônia de premiação acontecerá no dia 17 de setembro.

Breves pitacos sobre os indicados ao Emmy 2017:

– A quantidade de indicados precisa ser revista urgentemente. Tudo bem que a produção de séries vive um grande momento, mas praticamente todas as categorias principais chegarem a quase sete indicados parece diluir a relevância de uma indicação. Nesse sentido, sou bastante tradicional: voto pelos cinco nomes por categoria!

– Westworld realmente veio para compensar a ausência de Game of Thrones, que não pôde concorrer por ainda não ter exibido os episódios da nova temporada. Tem indicação por todos os cantos, especialmente nas interpretações: Anthony Hopkins, Evan Rachel Wood, Thandie Newton, Jeffrey Wright… Manteve a tradição da HBO de conseguir sempre colocar pelo menos uma série por ano na categoria principal desde A Família Soprano.

– Modern Family é uma série simpática que se repete infinitamente, mas não vou ficar reforçando o quanto seu tempo já passou, e sim lamentar o fato de ela ainda concorrer após sete temporada quando Transparent, um primor de direção, roteiro e elenco, não figura mais na categoria de melhor série de comédia mesmo com sete indicadas. Também não recebeu uma indicação sequer a roteiro e direção. Pelo menos tiveram o bom senso de continuar lembrando de Jeffrey Tambor e Judith Light (ela em seu momento mais iluminado), além de terem acordado para vida ao conceder uma indicação para a grande Kathryn Hahn, uma das atrizes mais interessantes e subestimadas do elenco.

– O gigante sucesso de crítica não foi o suficiente para o Emmy finalmente reconhecer todo o brilhantismo de The Leftovers. A série, que exibiu sua temporada final este ano, conseguiu uma merecida indicação de atriz convidada para a sempre ótima Ann Dowd, mas merecia muito mais: uma seleção digna indicaria, no mínimo, boa parte do elenco. Claramente é uma série que vai ganhar o reconhecimento mais importante de todos: o do tempo.

– Ainda entre as ausências, é um absurdo o total esquecimento da belíssima The Young Pope, outro grande evento da televisão em 2017. A única explicação plausível é realmente não terem visto a minissérie, que tem elenco formidável (é crime ver Jude Law de fora por esse que é o melhor desempenho de sua carreira!) e técnica irrepreensível. Sem falar que o texto é potente do ponto de vista emocional e temático.

– Já pontuei muitas vezes que não me entusiasmo nadinha com Big Little Lies. Sei que sou um estranho no ninho, e por isso não reclamo muito das indicações da minissérie (pelo contrário, até vibro com a lembrança de Laura Dern como coadjuvante). Agora, o que não dá para engolir é Alexander Skarsgard concorrendo como coadjuvante. E a culpa nem é do ator: seu personagem é tão unidimensional, rasteiro e desinteressante que ele nem tinha muito o que fazer ali. No mais, há de se questionar a indicação para Shailene Woodley, que entrou na turma dos golpes e submeteu sua interpretação como coadjuvante quando, na verdade, é indiscutivelmente protagonista.

– Nenhuma categoria é mais emblemática que a de atriz em minissérie. Com exceção das meninas de Big Little Lies (Reese Witherspoon começa muito bem, mas murcha ao longo da temporada, enquanto Nicole Kidman começa a ter seus bons momentos lá pela metade), sou fã de carteirinha das outras quatro: tanto Jessica Lange quanto Susan Sarandon são inesquecíveis ao longo de todos os episódios de Feud, Felicity Huffman novamente mostra em American Crime como é boa atriz (e o quanto deveriam dar mais atenção para ela!) e Carrie Coon é um talento notável em ascensão (concorre por Fargo, que não vi, mas, caso siga o nível de The Leftovers, já é o suficiente para merecer uma vitória).

– Se existe produção que tem todas indicações no seu devido lugar, essa é Feud: Bette and Joan. Do elenco, seis atores concorrem (o recorde na categoria de minissérie este ano). Também tem indicações a direção e roteiro para o excelente episódio que remonta o Oscar de 1963. Com The Young Pope de fora, Feud tem todo meu coração na disputa desse ano, em todas as categorias.

Confira os indicados nas categorias principais de drama, comédia e minissérie/telefilme:

MELHOR SÉRIE DRAMA
Better Call Saul
The Crown

The Handmaid’s Tale
House of Cards
Stranger Things
This is Us
Westworld

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA
Viola Davis (How to Get Away with Murder)
Claire Foy (The Crown)
Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
Keri Russel (The Americans)
Evan Rachel Wood (Westworld)
Robin Wright (House of Cards)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA
Sterling K. Brown (This is Us)
Anthony Hopkins (Westworld)
Bob Odenkirk (Better Call Saul)
Matthew Rhys (The Americans)
Liev Schreiber (Ray Donovan)
Kevin Spacey (House of Cards)
Milo Ventimiglia (This is Us)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMA
Uzo Aduba (Orange is the New Black)
Millie Bobby Brown (Stranger Things)
Ann Dowd (The Handmaid’s Tale)
Samira Wiley (The Handmaid’s Tale)
Chrissy Metz (This is Us)
Thandie Newton (Westworld)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMA
Jonathan Banks (Better Call Saul)
Michael Kelly (House of Cards)
John Lithgow (The Crown)
Mandy Patinkin (Homeland)
David Harbour (Stranger Things)
Ron Cephas Jones (This is Us)

MELHOR SÉRIE COMÉDIA
Atlanta
Black-ish
Master of None
Modern Family
Silicon Valley
Unbreakable Kimmy Schmidt
Veep

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE COMÉDIA
Pamela Adlon (Better Things)
Jane Fonda (Grace & Frankie)
Allison Janney (Mom)
Ellie Kemper (Unbreakable Kimmy Schmidt)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)
Tracee Ellis Ross (Black-ish)
Lily Tomlin (Grace & Frankie)

MELHOR ATOR EM SÉRIE COMÉDIA
Anthony Anderson (Black-ish)
Aziz Ansari (Master of None)
Zach Galifianakis (Baskets)
Donald Glover (Atlanta)
William H. Macy (Shameless)
Jeffrey Tambor (Transparent)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE COMÉDIA
Leslie Jones (Saturday Night Live)
Kate McKinner (Saturday Night Live)
Vanessa Bayer (Saturday Night Live)
Kathryn Hahn (Transparent)
Judith Light (Transparent)
Anna Chlumsky (Veep)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE COMÉDIA
Louie Anderson (Baskets)
Ty Burrell (Modern Family)
Alec Baldwin (Saturday Night Live)
Tituss Burgess (Unbreakable Kimmy Schmidt)
Tony Hale (Veep)
Matt Walsh (Veep)

MELHOR MINISSÉRIE
Big Little Lies
Fargo
Feud: Bette and Joan
Genius
The Night Of

MELHOR TELEFILME
Black Mirror: “San Junipero”
Dolly Parton’s Christmas of Many Colors: Circle of Love
Sherlock: “The Lying Detective”
The Immortal Life of Henrietta Lacks
The Wizard of Lies

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Carrie Coon (Fargo)
Felicity Huffman (American Crime)
Jessica Lange (Feud: Bette and Joan)
Nicole Kidman (Big Little Lies)
Reese Whitherspoon (Big Little Lies)
Susan Sarandon (Feud: Bette and Joan)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Riz Ahmed (The Night Of)
Benedict Cumberbatch (Sherlock: “The Lying Detective”)
Robert DeNiro (The Wizard of Lies)
Ewan McGregor (Fargo)
Geoffrey Rush (Genius)
John Turturro (The Night Of)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Regina King (American Crime)
Shailene Woodley (Big Little Lies)
Laura Dern (Big Little Lies)
Judy Davis (Feud: Bette and Joan)
Jackie Hoffman (Feud: Bette and Joan)
Michelle Pfeiffer (The Wizard of Lies)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE TELEFILME
Alexander Sarsgard (Big Little Lies)
David Thewlis (Fargo)
Alfred Molina (Feud: Bette and Joan)
Stanley Tucci (Feud: Bette and Joan)
Bill Camp (The Night Of)
Michael Kenneth Williams (The Night Of)

45º Festival de Cinema de Gramado #2: filmes concorrentes e homenagens

Seleção de longas-metragens brasileiros do 45º Festival de Cinema de Gramado traz O Matador, primeiro filme Original Netflix produzido no Brasil.

Julgando pelos títulos selecionados para a mostra competitiva de longas-metragens brasileiros, o Festival de Cinema de Gramado tem tudo para fazer uma festa à altura de seus 45 anos. Formada inteiramente por títulos inéditos, a seleção traz estreias mundiais (A Fera na SelvaBioO Matador) e outras obras brasileiras que, até então, viajaram apenas por festivais internacionais (Pela JanelaNão Devore Meu Coração!As Duas IrenesComo Nossos Pais). É uma lista de respeito para um evento que, em 2017, mostrou ser a tela preferida tanto de veteranos diretores quanto de novos realizadores.

Mais do que isso, o evento reflete tendências mundiais: a discussão instalada em Cannes sobre a exibição de Okja, um filme produzido originalmente para Netflix, agora desembarca na Serra Gaúcha, pois é em Gramado que será realizada a primeira exibição de O Matador, o primeiro filme Original Netflix produzido no Brasil. Já entre os longas latinos, um recorde: dez países têm sua cinematografia representada na mostra. Para quem gosta das homenagens, o quarteto de 2017 é formado por Dira Paes (troféu Oscarito), Otto Guerra (troféu Eduardo Abelin), Soledad Villamil (Kikito de Cristal) e Antônio Pitanga (troféu Cidade de Gramado).

Agora só esperando o evento para saber se, na prática, ele será tão grandioso quanto promete. Confira abaixo, a lista de filmes selecionados em todas as categorias do 45º Festival de Cinema de Gramado:

LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS
A Fera na Selva (RJ), de Paulo Betti, Eliane Giardini e Lauro Escorel

As Duas Irenes (SP), de Fábio Meira
Bio (RS), de Carlos Gerbase
Como Nossos Pais (SP), de Laís Bodanzky
O Matador (PE), de Marcelo Galvão
Não Devore Meu Coração! (RJ), de Felipe Bragança
Pela Janela (Brasil/Argentina), de Caroline Leone

LONGAS-METRAGENS ESTRANGEIROS
Los Niños (Chile/Colômbia/Holanda/França), de Maite Alberdi

Pinamar (Argentina), de Federico Godfrid
El Sereno (Uruguai), de Oscar Estévez & Joaquín Mauad
Sinfonía para Ana (Argentina), de Virna Molina e Ernesto Ardito
El Sonido de las Cosas (Costa Rica), de Ariel Escalante
La Ultima Tarde (Peru), de Joel Calero
X500 (Colômbia/Canadá/México), de Juan Andrés Arango

CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS
#feique (RJ), de Alexandre Mandarino

A Gis (SP), de Thiago Carvalhaes
Cabelo Bom (RJ), de Swahili Vidal
Caminho dos Gigantes (SP), de Alois Di Leo
Mãe dos Monstros (RS), de Julia Zanin de Paula
Médico de Monstro (SP), de Gustavo Teixeira
O Espírito do Bosque (SP), de Carla Saavedra Brychcy
O Quebra-cabeça de Sara (RJ), de Allan Ribeiro
O Violeiro Fantasma (GO), de Wesley Rodrigues
Objeto/Sujeito (SP), de Bruno Autran
Postergados (SP), de Carolina Markowicz
Sal (SP), de Diego Freitas
Tailor (RJ), de Calí dos Anjos
Telentrega (RS), de Roberto Burd

CURTAS-METRAGENS GAÚCHOS (Prêmio Assembleia Legislativa)
10 Segundos (Canoas), de Thiago Massimino

1947 (Porto Alegre), de Giordano Gio
Através de Ti (Santa Cruz do Sul), de Diego Tafarel
Bicha Camelô (Pelotas), de Wagner Previtali
Cores de Bissau (Porto Alegre), de Maurício Canterle
Gestos (Porto Alegre), de Alberto Goldim e Júlia Cazarré
Kátharsis (Caxias do Sul), de Mirela Kruel
Luna 13 (Porto Alegre), de Filipe Barros
Mãe dos Monstros (Porto Alegre), de Julia Zanin de Paula
Secundas (Porto Alegre), de Cacá Nazario
Sena, Os Fios em Prosa (Porto Alegre), de Marcelo da Rosa Costa e Cacá Sena
Sob Águas Claras e Inocentes (Porto Alegre), de Emiliano Cunha
Solito (Porto Alegre), de Eduardo Reis
Telentrega (Porto Alegre), de Roberto Burd

Rapidamente: “Laerte-se”, “Loving”, “Other People” e “A Vida Imortal de Henrietta Lacks”

Disponível no catálogo da Netflix, Other People fez sua estreia no Festival de Sundance e chegou a vencer o Independent Spirit Awards de melhor atriz coadjuvante para Molly Shannon.

LAERTE-SE (idem, 2017, de Eliane Brum e Lygia Barbosa da Silva): É realizado quase de forma caseira esse documentário extremamente singelo que se engrandece, na verdade, em função de sua personagem, a cartunista Laerte. Colaboradora de importantes publicações brasileiras como Istoé, Folha de São Paulo e Estadão, Laerte, homem até então, colocou a transexualidade em pauta quando, no ano de 2004, assumiu a sua identidade feminina publicamente, tornando-se uma figura fundamental no ativismo desse tema que, até hoje, é tão renegado pela sociedade. O filme lança um olhar para o mundo particular de Laerte ao discutir desde os efeitos que a morte precoce do filho em um acidente de carro trouxe para sua vida a tudo o que observa e pensa em relação ao conturbado momento político do Brasil. Claro que o desabrochar público da identidade feminina e a própria homossexualidade de Laerte ocupam boa parte do documentário dirigido de forma muito jornalística por Eliane Brum e Lygia Barbosa da Silva, mas Laerte-se tem o mérito tornar a personagem uma figura próxima do espectador justamente por contemplá-la como um todo, e não pela mera curiosidade de sua identidade sexual. Afinal, Laerte tem muito mais a dizer: sensível, inteligente e de grande retidão de caráter, ela realmente é maior do que o próprio documentário (o primeiro produzido originalmente pela Netflix no Brasil), especialmente ao abrir mão de qualquer vaidade para (literalmente) se desnudar frente às câmeras.  

LOVING: UMA HISTÓRIA DE AMOR (Loving, 2016, de Jeff Nichols): O que o casal Richard (Joel Edgerton) e Mildred Loving (Ruth Negga) viveu nos anos 1960 foi realmente barra pesada: ele, branco, e ela, negra, travaram uma batalha legal contra o estado de Virginia, nos Estados Unidos, quando decidiram se casar. Naquela época, o casamento interracial era proibido por lei e, até conseguirem provar nos tribunais que tal lei era inconstitucional, sofreram perseguições diárias por todos os lados imagináveis. O material era riquíssimo para um filme impactante e grandioso, mas Loving: Uma História de Amor não está à altura do pioneirismo de seus personagens. É compreensível a decisão do diretor Jeff Nichols de comandar o relato com uma pegada mais branda, o que imediatamente o livra de qualquer estereótipo ou do risco de cair na tentação da panfletagem. No entanto, a baixa fervura não traz impacto ou emoção: toda e qualquer reflexão trazida por Loving vem da história em si e não necessariamente do filme que, arrastado e beirando o monótono, não consegue nem engrandecer o desempenho quase monocórdico de Ruth Negga, que, de última hora, chegou até a disputar o Oscar 2017 de melhor atriz. O relato é importante, o filme tem boas intenções e todo o projeto as trabalha com os conceitos certos, mas Nichols, ao contrário do que realizou em O Abrigo, jamais faz com que Loving, de alguma forma, maximize toda sua discrição e sobriedade. 

OTHER PEOPLE (idem, 2016, de Chris Kelly): A quantidade de conflitos dramáticos poderia facilmente fazer com que um diretor de mão pesada transformasse Other People em um verdadeiro dramalhão. Felizmente, com a experiência do diretor Chris Kelly como roteirista (até agora, já são seis indicações ao Emmy de roteiro pelo programa Saturday Night Live), esse filme que estreou no Festival de Sundance em 2016 jamais descamba para o melodrama. Ao invés disso, Other People trilha o caminho da sobriedade e da ideia de que, muitas vezes, a vida por si só já é o suficiente para ficção. Reproduzindo aquela que é melhor característica do cinema norte-americano independente (a capacidade de dosar, com muita refinação, o drama e a comédia), o filme não fala sobre câncer, homossexualidade, relacionamentos falidos e carreiras profissionais com qualquer desespero ou afetação, o que é uma sábia decisão. Parte fundamental desse acerto se amplia na personalidade do protagonista David (Jesse Plemons), um roteirista gay que, ao ter que voltar para casa com o objetivo de ajudar no tratamento da mãe enferma, se vê impossibilitado de falar sobre as próprias angústias com a família porque o pai não aceita a sua homossexualidade mesmo depois de nove anos e a mãe enfrenta um tipo raro de câncer. A emoção de Other People, seja ela relacionada ao drama ou à comédia, é muito bem regulada, especialmente em função do impecável elenco, cujo maior destaque é a ótima Molly Shannon, que brilha não somente por ser a personagem que faz quimioterapia ou raspa cabeça, mas por, assim como o filme em si, encontrar total força na delicadeza dos pequenos momentos. 

A VIDA IMORTAL DE HENRIETTA LACKS (The Immortal Life of Henrietta Lacks, 2017, de George C. Wolfe): Depois de uma superestimada aparição no péssimo O Mordomo da Casa Branca e de um pequeno papel em Selma: Uma Luta Pela Igualdade, Oprah Winfrey finalmente tem uma chance à altura de sua presença em A Vida Imortal de Henrietta Lacks, filme produzido pela HBO que, desde já, coloca Oprah entre as favoritas para conseguir uma vaga na disputada categoria do Emmy 2017 de melhor atriz em telefilme/minissérie. Ao contrário do que o título pode indicar, ela não interpreta Henrietta Lacks, mulher negra que, entre a década de 1940 e 1950 descobriu ter um tumor cervical cujas células produziam metástases anormalmente rápidas e se reproduziam infinitamente. Oprah, na verdade, dá vida à Deborah, filhe de Henrietta, que, buscando justiça pela mãe, cujas células foram usadas pela medicina no estudo pioneiro de doenças como a AIDS e a tuberculose sem consentimento algum, seja moral ou financeiro da família, é procurada por uma jornalista (Rose Byrne) que deseja fazer justiça à história de sua mãe através de um livro que está escrevendo. A história é verídica e, apesar de eventuais caricaturas e leituras muitos simplistas, retrata a vida de Henrietta pelo eficiente ponto de vista que adota: o da busca traçada por Deborah ao lado da jornalista. É a partir da palavra dos outros que descobrimos quem foi a personagem-título, o que se revela um relato muito mais carinhoso e respeitoso. É também o melhor momento de Oprah em anos, principalmente porque ela vence um desafio dificílimo: o de fugir de sua persona forte e marcante para criar uma personagem crível, que, apesar da total instabilidade emocional, conquista nossa torcida e até nos comove.

Okja

And most importantly… They need to taste fucking good!

Direção: Bong Joon-ho

Roteiro: Bong Joon-ho e Jon Ronson, baseado em história de Bong Joon-ho

Elenco: Seo-Hyun Ahn, Tilda Swinton, Paul Dano, Jake Gyllenhaal, Giancarlo Esposito, Lily Collins, Byun Hee-Bong, Jungeun Lee, Steven Yeun, Shirley Henderson, Devon Bostick, Jose Carias

EUA/Coréia do Sul, 2017, Drama/Aventura, 118 minutos

Sinopse: Nova York, 2007. Lucy Mirando (Tilda Swinton), a CEO de uma poderosa empresa, apresenta ao mundo uma nova espécie animal que foi descoberta no Chile. Apelidada de “super porco”, ela é cuidada em laboratório e tem 26 animais enviados para países distintos, de forma que cada fazenda que o receba possa apresentá-lo à sua própria cultura local. A ideia é que os animais permaneçam espalhados ao redor do planeta por 10 anos, sendo que após este período participarão de um concurso que escolherá o melhor super porco. Uma década depois, a jovem Mija (Seo-Hyun Ahn) convive desde a infância com Okja, o super porco fêmea criado pelo avô. Prestes a perdê-la devido à proximidade do concurso, Mija decide lutar para ficar ao lado dela, custe o que custar. (Adoro Cinema)

Quando meio mundo resolveu alimentar a mal interpretada polêmica de que Okja, um filme produzido originalmente pela Netflix e sem lançamento previsto para as telas de cinema, talvez não devesse integrar a mostra competitiva no Festival de Cannes por não ser uma obra pensada para a tela grande, a atriz Tilda Swinton deu o argumento definitivo para encerrar qualquer discussão: nem todo filme que ganha as telas da Riviera Francesa durante o célebre evento chegam aos cinemas mundiais, o que, na realidade, deveria fazer com que o público fosse grato à Netflix por disponibilizar Okja menos de dois meses após a premiação de Cannes e ao alcance de um clique. Tilda está certíssima, mas prefiro levar a discussão também para o plano criativo: como espectador, é mais gratificante ver, nem que seja em casa, um filme onde o resultado final é fiel ao que foi idealizado no papel do que conferir, na sala de cinema, uma obra que, para ganhar distribuição de grandes dimensões, precisou ser transformada e reconfigurada por uma série de produtores mais preocupados em garantir a bilheteria do que dar vida a um projeto autoral. Por isso – e pelo argumento de Tilda, claro – é tão bom ver Okja levando o selo da Netflix, uma vez que, para viajar o mundo nas telonas, o filme do sul-coreano Bong Joon-ho certamente passaria por uma série de modificações que, sem dúvida, não foram solicitadas pela plataforma on demand.  

Com uma clara denúncia em pauta (às vezes até explícita e didática demais, diga-se de passagem), Okja reafirma o talento de Bong Joon-ho de criar alegorias para falar sobre temas muito próximos da realidade. É bem provável que o pouco visto Expresso do Amanhã tenha naufragado comercialmente justamente por essa proposta de negar o óbvio e de não fazer apenas o entretenimento pelo entretenimento. A situação se repete com Okja, que, entre as tantas coisas que traz à tona, a última é ser uma mera história de monstro. A reflexão que a história faz em cima do abate animal na indústria alimentícia norteia o roteiro escrito por Joon-ho em parceria com Jon Ronson, cujo maior mérito reside na escolha do ponto de partida para a comovente denúncia. Inteligentemente, Okja opta por dispensar uma leitura macro da indústria para propôr um olhar muito mais íntimo. Ao acompanhar tudo pelo percepção da pequena Mija (Seo-Hyun Ahn), é muito mais fácil e natural se afeiçoar aos personagens, em especial ao super porco que, no terço final da projeção, terá protagonismo fundamental. É isso o que compensa o claro problema estrutural do texto que, no irregular segundo ato, se dilui em discursos fáceis, caricaturas um tanto descontroladas (o que também se estende ao elenco) e cenas perfeitamente dispensáveis. 

Ao retomar a abordagem particular de sua protagonista e o quão fundamental é para ela salvar a vida do animal que lhe acompanha há tantos anos, Okja recupera a força emocional perdida em seu miolo. Aliás, ela só é ampliada na medida em que o filme se encaminha para os momentos derradeiros, já que a crítica em relação ao modo ostensivo como o mundo industrializado é impiedoso com os animais se torna muito mais comovente visto todo o laço emocional que criamos com os personagens. Do ponto de vista técnico, o longa é de uma eficiência envolvente e funcional: dos dias desbravando as montanhas da Coreia às eletrizantes perseguições em movimentadas rodovias dos Estados Unidos, Okja impressiona pela qualidade com que torna cada situação crível, sem que o super porco pareça artificial esteticamente ou incoerente com o mundo real. A fotografia de Darius Khondji, que já trabalhou com diretores do calibre de Woody Allen, David Fincher, Michael Haneke e Wong Kar-Wai, ainda cria com precisão o tom bucólico das montanhas coreanas ao passo em que rebusca a sujeira e a palidez de uma Nova York sem alma. Em seu melhor, Okja é uma contundente reflexão que poderá comover até o mais carnívoro dos espectadores. E, no final das contas, o fato do filme ter sido concebido ou não para a tela grande é o que menos interessa.

Agora tem canal do Cinema e Argumento no Youtube!

Não só como usuário da internet, mas também como jornalista, percebo que é um caminho sem volta: ter um canal no Youtube se revela hoje uma alternativa fundamental para produtores de conteúdo. Com a crise dos meios de comunicação tradicionais, essa é uma lógica que faz cada vez mais sentido. Entretanto, a razão do Cinema e Argumento migrar agora também para o Youtube vai muito além dessa perspectiva: já não é de hoje que invejo, por exemplo, a forma como a jornalista Isabela Boscov (a pioneira na ideia de fazer crítica de cinema em vídeo no Brasil, vale lembrar) faz toda a função parecer fácil, natural e extremamente prazerosa. Pois agora resolvi me aventurar na profissão Youtuber e queria compartilhar com vocês tal experiência.

Deixo abaixo, então, os dois vídeos produzidos até agora para o canal do Cinema e Argumento que, a priori, busca dar destaque para filmes que normalmente não recebem o mesmo destaque que Mulher-Maravilha, por exemplo, em uma infinidade de canais. Vale tudo: filme novo e antigo, produção para o cinema ou para TV e o que mais vier na telha. Enfim, tudo o que achar interessante para compartilhar com vocês vai estar lá. Nessa primeira leva, os comentários são para os filmes Duas Estranhas – História de Mãe e Filha, longa de 1979 estrelado por Bette Davis e Gena Rowlads, e o recente telefilme A Vida Imortal de Henrietta Lacks, produzido pela HBO com Oprah Winfrey encabeçando o elenco junto a Rose Byrne. Espero que gostem!

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