Cinema e Argumento

The Post: A Guerra Secreta

He says we can’t, I say we can.

Direção: Steven Spielberg

Roteiro: Josh Singer e Liz Hannah

Elenco: Meryl Streep, Tom Hanks, Bob Odenkirk, Carrie Coon, Tracy Letts, Bradley Whitford, Jesse Plemons, Matthew Rhys, Alison Brie, Bruce Greenwood, Sarah Paulson, Michael Stuhlbarg

The Post, EUA, 2017, Drama, 116 minutos

Sinopse: Ben Bradlee (Tom Hanks) e Kay Graham (Meryl Streep), editores do The Washington Post, recebem um enorme estudo detalhado sobre o controverso papel dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã e enfrentam de tudo para publicar os bombásticos documentos. (Adoro Cinema)

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Dá para entender a pressa do diretor Steven Spielberg em realizar o drama The Post: A Guerra Secreta, que chega aos cinemas brasileiros no próximo dia 25. Remontando todas as razões que levaram o jornal The Washington Post a publicar estudos que revelavam o papel controverso dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã e colocavam em xeque a reputação do governo Richard Nixon em meados dos anos 1970, o longa tem tudo a ver com o nosso momento, onde, novamente, um presidente dos Estados Unidos tenta calar a imprensa em prol de seus interesses políticos e pessoais. The Post ganha uma dimensão ainda maior porque centra boa parte de sua recriação em Kay Graham, a editora-chefe do jornal que tomou a corajosa decisão de enfrentar interesses e grandes poderes para enfim publicar os famosos The Pentagon Papers, que viriam a causar uma revolução em termos políticos e jornalísticos.

Após ler o roteiro da dupla Josh Singer e Liz Hannah em outubro de 2016, Spielberg logo tratou de acelerar a produção do filme, anunciando em março do ano seguinte que ele estaria à frente do projeto trazendo Meryl Streep e Tom Hanks como protagonistas. Oportunismo para surfar nas polêmicas do momento? Longe disso. Como se vê em The Post, o cineasta é pura inteligência ao se apropriar do assunto para discutir temas urgentes e pertinentes e aos dias de hoje. Sim, estamos falando de um filme de época que mais uma vez apresenta Spielberg com a sua narrativa clássica e edificante, mas com um pique muito acima da média para reforçar a tese de que o bom cinema pode e deve deixar de acontecer no vácuo para ser o estudo de um momento, contribuindo para importantes reflexões.

Na teoria e na prática, não é lá muito saudável comparar The Post ao célebre Spotlight só porque ambos são filmes que retratam o universo do Jornalismo. Isso porque há uma diferença fundamental que joga cada filme para um lado. Ao passo que Spotlight centrava a sua trama nos processos diários da profissão, The Post trata de algo anterior: as tomadas de decisões que vêm de cima e definem tanto a existência quanto a reputação de um veículo de comunicação. Com isso, o filme causa certa euforia ao trazer para a mesa a homenagem a um Jornalismo que não se acovarda, que decide ir em frente mesmo contra os poderosos, que é fiel aos seus princípios e que, principalmente, sabe que precisa servir aos propósitos dos governados e não dos governantes. É uma boa lembrança para a imagem de uma profissão que, como atuante do ramo, sinto dizer que parece cada vez mais utópica.

O total engajamento de Spielberg na tomada de lado de The Post se reflete em seu trabalho de direção, que, facilmente, é o mais fluído e empático em anos. Seu estilo tradicional de narrativa dramática segue sendo utilizado aqui, mas esse timing com a realidade atual dá um frescor extra à direção de Spielberg, cujo trabalho cênico confere agilidade e dinâmica a um filme de quase duas horas falado do início ao fim. Exigindo a atenção do espectador ao mesmo tempo em que os recompensa com um elenco de primeiro escalão e até com bom humor, The Post é um filme sobre política e Jornalismo que não inventa a roda. Por outro lado, ele administra muito bem um estilo que, dependendo do espectador, pode ser tachado de cafona e antiquado, especialmente depois de tantos trabalhos sem inspiração e no piloto-automático do diretor, como Cavalo de Guerra e Ponte dos Espiões.

Acompanhado de amigos e colegas de longa data — entre outros, o fotógrafo Janusz Kaminski, o designer de produção Rick Carter, o montador Michael Kahn e, claro, o amigo Tom Hanks no elenco —, Spielberg, contudo, pela primeira vez trabalha com Meryl Streep, fato que não chega a surpreender se você recuperar a carreira do cineasta e perceber que basicamente todos os seus filmes são protagonizados por homens. E ela encontra a fervura certa nas sutilezas de Kay Graham, uma mulher que tenta firmar sua voz em uma época machista, onde ela própria, que sempre esteve à sombra do pai e do marido, começa a desconstruir a sua própria crença na tola “superioridade” masculina ao herdar um jornal até então comandado por homens. Ela centraliza todas as importantes decisões que precisam ser tomadas na trama, trazendo uma perspectiva que, em boa parte, torna The Post irregular do ponto de vista estrutural (são dois filmes dentro de um: o dos jornalistas na redação e o de Kay trilhando seu caminho), mas que aprimora o tino temático e analítico de um projeto sobre valores que precisam ser lembrados ano após ano e que, ainda hoje, não são seguidos à risca como deveriam. Não à toa e isso não é mero pessimismo o mundo está do jeito que está.

Me Chame Pelo Seu Nome

Nature has cunning ways of finding our weakest spot.

Direção: Luca Guadagnino

Roteiro: James Ivory, baseado no livro homônimo de André Aciman

Elenco: Timothée Chalamet, Armie Hammer, Michael Stuhlbarg,  Amira Casar, Esther Garrel, Victoire Du Bois, Vanda Capriolo, Antonio Rimoldi, André Aciman, Peter Spears

Call Me By Your Name, Itália/França/Brasil/Estados Unidos, 2017, Drama, 132 minutos

Sinopse: O sensível e único filho da família americana com ascendência italiana e francesa Perlman, Elio (Timothée Chalamet), está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda quando Oliver (Armie Hammer), um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai, chega. (Adoro Cinema)

Entre os diretores de língua não-inglesa que começam a fazer carreira internacionalmente, o italiano Luca Guadagnino desponta como um dos mais bem sucedidos e instigantes de se acompanhar. Se olharmos para trás, hoje percebemos que sua trajetória ascendente se desenhou de forma muito sutil, o que faz com que sua atual celebração com o drama Me Chame Pelo Seu Nome não pareça sorte repentina: com uma carreira que acumula vários curtas e documentários, Guadagnino já viajava o mundo em 2009, quando colocou Tilda Swinton para falar italiano em Um Sonho de Amor, ou até mesmo três anos atrás, ao unir forças novamente com Tilda no subestimado Um Mergulho no Passado, refilmagem de A Piscina que contava ainda com outros nomes de repercussão internacional (Ralph Fiennes, Matthias Schoenaerts e até Dakota Johnson em um momento bacana).

Mesmo munido de uma filmografia encorpada, o cineasta só foi abraçado com igual entusiasmo por prêmios, público e crítica com esse Me Chame Pelo Seu Nome, que chega aos cinemas brasileiros no próximo dia 18. E o que mais me toca entre os méritos que justificam esse reconhecimento mais amplo é a forma como o filme trata o universo da sexualidade sem fazer dela uma questão de angústia ou sofrimento. Aqui, são ensolaradas as vivências de cada descoberta do corpo, do amor, do sexo, da juventude e inclusive do doloroso processo de se tornar adulto. Tal perspectiva não deixa de ser uma herança — ou ao menos uma feliz coincidência — do drama Carol, que, dirigido por Todd Haynes em 2015, celebrava o nascimento do amor entre duas mulheres colocando o romance muito antes do drama, escolha que trazia uma perspectiva otimista e esperançosa para uma parcela da sociedade retratada sempre de forma cômica ou trágica no cinema.

A lógica se repete em Me Chame Pelo Seu Nome, que, a partir do roteiro escrito por James Ivory com base no romance homônimo de André Aciman, em momento algum torna administra o desabrochar homossexual como o principal componente da tristeza de um personagem — aliás, se Elio (Timothée Chalamet, uma revelação) sofre, são por questões inerentes a qualquer ser humano em determinado momento da vida. Prova de que o longa é sabiamente desprovido de firulas acerca das problemáticas da homossexualidade é a doçura com que emerge uma conversa entre pai e filho, onde, em uma daquelas cenas de poucos minutos que atravessam milhares de universos, o próprio progenitor se confronta sobre o que é necessário na vida para cada um ser feliz, autêntico ou menos em paz com os próprios rumos tomadas ao longo da vida.

É sutil ainda o desenho que Me Chame Pelo Seu Nome faz das primeiras experimentações sexuais de Elio, que, sim, se apaixona por Oliver (Armie Hammer), um homem mais velho, mas também se aventura em um relacionamento com uma menina que, não, não é a clássica situação em que um menino gay faz uma garota de boba enquanto tenta se descobrir. Elio tem afeto, desejo e interesse pelos dois, reforçando a tese de que esse é um relato que dispensa estereótipos. Tratando rupturas como processos naturais da vida, Me Chame Pelo Seu Nome captura a fase juvenil de nossa existência com o espírito que ela merece, uma vez que o filme é vivo e veranil, utilizando a geografia como elemento primordial para a construção de seu romance.

Todas essas qualidades me levam a não culpar tanto a construção de certa forma imperfeita do roteiro de James Ivory, que, durante basicamente toda a primeira metade, na ânsia de trazer discrição e sutileza para o flerte entre os dois rapazes, pouco envolve o espectador, fazendo com que ele só sinta a paixão de seus personagens quando eles de fato passam a consumir uma história de amor. Falta ali a mesma alquimia que existe depois, quando Elio e Oliver vivem um um romance com pele e coração e quando o filme nos mostra, em sua reta final, que certas coisas têm, de fato, a habilidade de encontrar os nossos pontos mais fracos — e que o que nos resta é, de alguma forma, tentar transformar isso em sabedoria.

Rapidamente: “O Agente da U.N.C.L.E.”, “Armas na Mesa”, “Os Golfinhos Vão Para o Leste” e “Planeta dos Macacos: A Guerra”

Jessica Chastain interpreta uma mulher autêntica, bem sucedida e de personalidade em Armas na Mesa, filme cheio de pique que não complica o tema lobby político nos Estados Unidos.

O AGENTE DA U.N.C.L.E. (The Man from U.N.C.L.E., 2015, de Guy Ritchie): O Agente da U.N.C.L.E. reúne três lindos rostos de Hollywood — Henry Cavill, Armie Hammer e Alicia Vikander —, mas tal encontro deixa de soar qualquer chamarisco de bilheteria quando percebemos que o novo filme de Guy Ritchie tem mesmo o DNA desse diretor de estilo muito próprio. Nesse filme de 2015, ele volta aos anos 1960 para conduzir uma história onde Napoleon Solo (Cavill), um agente da CIA, é escalado para deter uma organização criminosa responsável pela proliferação de armas nucleares. O que sempre diferencia os filmes de Ritchie de outras aventuras comerciais é a sua vontade de, sim, fazer graça, orquestrar ação e proporcionar entretenimento, mas a partir de uma trama assumidamente mais consistente. Para isso, ele toma como base o seriado homônimo dos anos 60 criado por Ian Fleming, que tentava reproduzir na telinha a pegada do clássico James Bond, outra criação de Fleming. Ao fazer essa transposição, Ritchie estava em uma de suas épocas felizes, pois O Agente da U.N.C.L.E. tem charme, graça, um elenco que dá conta do recado e, principalmente, esse senso de diversão que é tão rato em filmes de época, que costumam ser predominantemente mais históricos e de cunho dramático tradicional. 

ARMAS NA MESA (Miss Sloane, 2016, de John Madden): O assunto é um tanto complicado — o poderoso lobby político, prática tão famosa e escancarada nos Estados Unidos —, mas Armas na Mesa, mesmo com um diretor que não inspira tanta curiosidade (John Madden, de Shakespeare ApaixonadoA ProvaO Exótico Hotel Marigold), é, de repente, uma das obras mais surpreendentes lançadas no circuito comercial brasileiro em 2017. Aliás, muito se falou sobre uma possível indicação ao Oscar de melhor atriz para Jessica Chastain, que acabou não aconteceu, marcando mais uma injustiça do prêmio com um desempenho forte e que vem a calhar bem em tempos de discussão sobre a representação da mulher no cinema. Aqui, Chastain interpreta uma lobista bem sucedida profissionalmente e que não tem receio algum em impôr seu talento e renome seja no trabalho ou em frente às câmeras. Complexa, a personagem ganha uma energia embasbacante nas mãos da atriz, que, mais elegante do que nunca, entende que as imperfeições e as dubiedades da protagonista são traços importantes para sua construção dramática. Lá pelas tantas, quando chega ao terço final, Armas na Mesa se atrapalha ao forçar reviravoltas para manter vivo o fator surpresa e ao ceder aqui ou ali para lições de moral. Tropeços que, ainda assim, não chegam perto de comprometer um filme bem atuado, contemporâneo e cheio de pique.

OS GOLFINHOS VÃO PARA O LESTE (Las Toninas Van al Este, 2016, de Gonzalo Delgado e Verónica Perrota): Vencedor do Kikito de melhor atriz em 2016 para a carismática Perónica Perrota, Os Golfinhos Vão Para o Leste trata com simplicidade e carinho temas corriqueiros e frequentemente explorados pelo cinema em suas mais diferentes origens, como o retorno à terra natal, a relação conturbada entre pais e filhos e o confronto com o passado — dessa vez, com charme de uma Punta Del Este em sua versão menos glamourizada e turística, mas por isso mesmo mais próxima e humana. Perrota, que dirige o filme com Gonzalo Delgado, faz um bom trabalho tanto como diretora quanto como atriz: atrás das câmeras, dosa muito bem o drama e a comédia de um filme deveras gracioso, enquanto, como intérprete, esbanja sintonia com Jorge Denevi, que interpreta o pai agora homossexual cuja afetação em momento algum descamba para a histeria. Frente a tudo isso, Os Golfinhos Vão Para o Leste pode até abordar temas que não são exatamente inovadores, mas o faz sem pretensão e de maneira espirituosa, o que, com o passar do tempo, tem se revelado uma qualidade cada vez mais preciosa em comparação a essa infinidade de produções mundiais realizadas a toque de caixa.

PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA (War for the Planet of the Apes, 2017, de Matt Reeves): Conclusão menos reveladora do que se poderia esperar para essa que é uma das mais bem sucedidas trilogias do cinemão recente, Planeta dos Macacos: A Guerra preserva a impecável parte técnica de uma franquia que, ao longo dos anos, questionou, entre outras coisas, as fronteiras da atuação, tornando célebre o caso de Andy Serkis, que deu um show como o macaco Caesar através da chamada captura de movimento, termo usado para descrever o processo de gravação e transposição de movimentos de um ator para o modelo digital. Neste último capítulo, vemos a jornada final dos macacos para fazer justiça a sua espécie, cada vez mais ameaçada por exércitos humanos. Acompanhamos especificamente a batalha pessoal de Caesar para vingar uma recente baixa no seu clã, o que confere ao filme um tom menos grandioso e mais intimista. Todos os elogios para a parte técnica já foram feitos mundo afora (dessa vez, destaco a trilha de Michael Giacchino, que vem fazendo uma linda carreira com blockbusters, animações e projetos mais comerciais), situação que deixa uma carga de responsabilidade muito maior para a história em si, uma vez que a franquia já estabeleceu um notável padrão de qualidade técnica. Como filme isolado, Planeta dos Macacos: A Guerra talvez surpreendesse mais em termos dramáticos. Já como a peça final de uma história muito maior, não conversou tanto comigo quanto eu gostaria.

Os indicados ao BAFTA 2018

A Forma da Água lidera a lista do BAFTA 2018 com 12 indicações. Prêmio britânico recupera parte de sua autenticidade perdida nos últimos anos.

Com sua lista de indicados revelada hoje, o BAFTA prova ter retomado parte da autenticidade que havia perdido nos últimos anos, quando basicamente seguia a lista de outros grandes prêmios sem tirar da manga aquelas indicações surpreendentes e muitas vezes bairristas (isso não é um problema) que sempre marcaram a sua trajetória. A seleção pode até ser liderada por A Forma da Água com 12 indicações, seguido por Três Anúncios Para Um CrimeO Destino de Uma Nação, ambos disputando nove categorias, mas há surpresas características do prêmio, o que é instigante para uma temporada que costuma, em sua totalidade, ser bastante parecida.

Fora a inclusão de antigos queridinhos do BAFTA (Lesley Manville, Jamie Bell, Hugh Grant e Kristin Scott Thomas), é bacana ver os britânicos se atentando a filmes solenemente ignorados até então, como Blade Runner 2049, lembrado inclusive com uma indicação para Denis Villeneuve como melhor diretor. Por sinal, nessa categoria, há outra inclusão bacana: a de Luca Guadagnino, por Me Chame Pelo Seu Nome, demonstrando a sensibilidade do BAFTA em reconhecer um trabalho mais humano e sem hipérboles, o que basicamente não vemos em outras listas. Com a surpreendente exclusão de Judi Dench da categoria de melhor atriz por Victoria & Abdul, outra descoberta da Academia Britânica foi Annette Bening, uma eterna azarona, lembrada por seu desempenho em Film Stars Don’t Die in Liverpool.

Falando em ausências, novamente não temos uma mulher sequer concorrendo a direção (Greta Gerwig, a cineasta com maiores chances, ficou de fora por seu trabalho em Lady Bird: É Hora de Voar). Outro esquecido foi Armie Hammer, que agora tenta uma indicação ao Oscar apenas com o Globo de Ouro na bagagem (Hammer também não foi indicado pelo SAG). É importante reforçar que os votantes do BAFTA têm pouca influência prática no Oscar, mas que essa, por ser mais uma premiação televisionada, prestigiada por toda a indústria (que voa até a Inglaterra para participar da cerimônia) e de longa história no ramo garante um belo empurrão, ao menos, em publicidade para seus indicados e futuros vencedores, o que é fundamental para as chamadas “campanhas” que tanto ditam os resultados do Oscar.

A cerimônia de premiação do BAFTA acontece no dia 18 de fevereiro. Confira os indicados:

MELHOR FILME
Me Chame Pelo Seu Nome
O Destino de Uma Nação
Dunkirk
A Forma da Água
Três Anúncios Para Um Crime

MELHOR DIREÇÃO
Denis Villeneuve (Blade Runner 2049)
Luca Guadagnino (Me Chame Pelo Seu Nome)
Christopher Nolan (Dunkirk)
Guillermo Del Toro (A Forma da Água)
Martin McDonagh (Três Anúncios Para Um Crime)

MELHOR ATRIZ
Annette Bening (Film Stars Don’t Die in Liverpool)
Frances McDormand (Três Anúncios Para Um Crime)
Margot Robbie (Eu, Tonya)
Sally Hawkins (A Forma da Água)
Saoirse Ronan (Lady Bird: É Hora de Voar)

MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis (Trama Fantasma)
Daniel Kaluuya (Corra!)
Gary Oldman (O Destino de Uma Nação)
Jamie Bell (Film Stars Don’t Die in Liverpool)
Timothée Chalamet (Me Chame Pelo Seu Nome)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Allison Janney (Eu, Tonya)
Kristin Scott Thomas (O Destino de Uma Nação)
Laurie Metcalf (Lady Bird: É Hora de Voar)
Lesley Manville (Trama Fantasma)
Octavia Spencer (A Forma da Água)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christopher Plummer (Todo o Dinheiro do Mundo)
Hugh Grant (Paddington 2)
Sam Rockwell (Três Anúncios Para Um Crime)
Willem Dafoe (Projeto Flórida)
Woody Harrelson (Três Anúncios Para Um Crime)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Corra!
Eu, Tonya
Lady Bird: É Hora de Voar
A Forma da Água
Três Anúncios para um Crime

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Me Chame Pelo Seu Nome
The Death of Stalin
Film Stars Don’t Die in Liverpool
A Grande Jogada
Paddington 2

MELHOR FILME BRITÂNICO
O Destino de Uma Nação
The Death of Stalin
God’s Own Country
Lady Macbeth
Paddington 2
Três Anúncios Para Um Crime

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Elle (França/Alemanha/Bélgica)
First They Killed My Father (Camboja)
A Criada (Coréia do Sul)
Desamor (Rússia)
O Apartamento (Irã)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
City of Ghosts
Eu Não Sou Seu Negro
Ícaro
Uma Verdade Mais Inconveniente
Jane

MELHOR ANIMAÇÃO
Com Amor, Van Gogh
Minha Vida de Abobrinha
Viva – A Vida é Uma Festa

MELHOR TRILHA SONORA
Blade Runner 2049
O Destino de Uma Nação
Dunkirk
Trama Fantasma
A Forma da Água

MELHOR FOTOGRAFIA
Blade Runner 2049
O Destino de Uma Nação
Dunkirk
A Forma da Água
Três Anúncios para um Crime

MELHOR MONTAGEM
Blade Runner 2049
Dunkirk
Em Ritmo de Fuga

A Forma da Água
Três Anúncios para Um Crime

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
A Bela e a Fera
Blade Runner 2049
O Destino de Uma Nação
Dunkirk
A Forma da Água

MELHOR FIGURINO
A Bela e a Fera
O Destino de Uma Nação
Eu, Tonya
Trama Fantasma
A Forma da Água

MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS
Blade Runner 2049
O Destino de Uma Nação
Eu, Tonya
Victoria & Abdul: O Confidente da Rainha
Extraordinário

MELHOR SOM
Blade Runner 2049
Dunkirk
Em Ritmo de Fuga
A Forma da Água

Star Wars: Os Últimos Jedi

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Blade Runner 2049
Dunkirk
A Forma da Água
Star Wars: Os Últimos Jedi
Planeta dos Macacos: A Guerra

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO BRITÂNICO
Have Heart
Mamoon
Poles Apart

MELHOR CURTA BRITÂNICO
Aamir
Cowboy Dave
A Drowning Man
Work
Wren Boys

EE RISING STAR AWARD – Estrela em ascensão
Daniel Kaluuya
Florence Pugh
Josh O’Connor
Tessa Thompson
Timothée Chalamet

Os vencedores do Globo de Ouro 2018

Ator camaleônico com uma carreira marcada por projetos independentes, Sam Rockwell foi o melhor ator coadjuvante, marcando a primeira das quatro vitórias de Três Anúncios Para Um Crime.

Uma grande reviravolta marcou a corrida rumo ao Oscar com o anúncio dos vencedores do Globo de Ouro 2018. Antes pouco cotado frente a filmes como A Forma da ÁguaThe Post – A Guerra SecretaTrês Anúncios Para Um Crime agora ganha considerável atenção ao sair da cerimônia com os prêmios de melhor filme e atriz drama (Frances McDormand), ator coadjuvante (Sam Rockwell, em uma vitória surpreendente) e roteiro. Allison Janney, que nunca havia levado um Globo de Ouro para casa, também passa a pavimentar seu caminho ao superar, com seu desempenho em Eu, Tonya, a grande favorita Laurie Metcalf, que vinha colecionando distinções por seu desempenho coadjuvante em Lady Bird: É Hora de Voar.

Como sempre gosto de lembrar, premiações televisionadas são muito diferentes daquelas outorgadas por associações de críticos, e o resultado está aí no resultado do Globo de Ouro, onde pelo menos três nomes não repetiram o favoritismo de antes: Laurie Metcalf por Lady Bird, Willem Dafoe (coadjuvante por Projeto Flórida) e Timothée Chalamet (ator por Me Chame Pelo Seu Nome, filme queridinho da crítica que também saiu sem um prêmio sequer). No segmento de narrativas seriadas e televisivas, pouquíssimas surpresas com mais uma enxurrada de prêmios para Big Little Lies. De inesperada mesmo, só a vitória de Ewan McGregor como melhor ator em minissérie por Fargo.

A próxima parada dessa temporada de premiações é o BAFTA, que revela seus indicados na próxima terça-feira (09) e o Critics’ Choice Awards, que anuncia seus vencedores na quinta-feira (11). Confira abaixo a lista completa de vencedores:

MELHOR FILME DRAMATrês Anúncios Para Um Crime
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICALLady Bird: É Hora de Voar

MELHOR DIREÇÃO: Guillermo Del Toro (A Forma da Água)
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Frances McDormand (Três Anúncios Para Um Crime)
MELHOR ATOR – DRAMA: Gary Oldman (O Destino de Uma Nação)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL: Saoirse Ronan (Lady Bird: É Hora de Voar)
MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL: James Franco (O Artista do Desastre)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Allison Janney (Eu, Tonya)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Sam Rockwell (Três Anúncios Para Um Crime)
MELHOR ROTEIROTrês Anúncios Para Um Crime
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “This is Me” (O Rei do Show)
MELHOR TRILHA SONORAA Forma da Água
MELHOR ANIMAÇÃOViva – A Vida é Uma Festa
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Em Pedaços (Alemanha/França)
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SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR SÉRIE DRAMAThe Handmaid’s Tale
MELHOR SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL: The Marvelous Mrs. Maisel
MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILMEBig Little Lies
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL: Rachel Brosnahan
MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME: Nicole Kidman (Big Little Lies)
MELHOR ATOR – DRAMA: Sterling K. Brown (This is Us)
MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL: Aziz Ansari (Master of None)
MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME: Ewan McGregor (Fargo)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: Alexander Skarsgård (Big Little Lies)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SERIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: Laura Dern (Big Little Lies)

Apostas para o Globo de Ouro 2018

Hoje, a partir das 23h (horário de Brasília), o Globo de Ouro, prêmio outorgado pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, revelará os vencedores da sua edição comemorativa de 75 anos. Trazendo uma disputa super pulverizada, o prêmio é o primeiro indicativo para a corrida rumo ao Oscar que começa de verdade a corrida rumo ao Oscar (algumas associações de críticos já celebraram seus favoritos, mas vale lembrar que crítico não vota no Oscar). A cerimônia será transmitida no Brasil pela TNT. Pelo Twitter, comentarei em tempo real os resultados da premiação. E, para quem gosta de apostas, abaixo compartilho os meus palpites:

CINEMA

MELHOR FILME DRAMAThe Post – A Guerra Secreta / alt: A Forma da Água
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICALLady Bird: É Hora de Voar / alt: Corra

MELHOR DIREÇÃO: Guillermo Del Toro (A Forma da Água) / alt: Steven Spielberg (The Post – A Guerra Secreta)
MELHOR ANIMAÇÃOViva – A Vida é Uma Festa / alt: O Touro Ferdinando
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Desamor (Rússia) / alt: First They Killed My Father (Camboja)
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Meryl Streep (The Post – A Guerra Secreta) / alt: Frances McDormand (Três Anúncios Para Um Crime)
MELHOR ATOR – DRAMA: Gary Oldman (O Destino de Uma Nação) / alt: Timothée Chalamet (Me Chame Pelo Seu Nome)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL: Saoirse Ronan (Lady Bird: É Hora de Voar) / alt: Margot Robbie (Eu, Tonya)
MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL: Daniel Kaluuya (Corra) / alt: James Franco (O Artista do Desastre)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Laurie Metcalf (Lady Bird: É Hora de Voar) / alt: Allison Janney (Eu, Tonya)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Willem Dafoe (Projeto Flórida) / alt: Armie Hammer (Me Chame Pelo Seu Nome)
MELHOR ROTEIROTrês Anúncios Para Um Crime / alt: A Grande Jogada
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “This is Me” (O Rei do Show) / alt: “Mighty River” (Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi)
MELHOR TRILHA SONORADunkirk / alt: A Forma da Água

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SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR SÉRIE DRAMAThe Handmaid’s Tale / alt: Stranger Things
MELHOR SÉRIE COMÉDIA/MUSICALWill & Grace / alt: SMILF
MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Big Little Lies / alt: Feud: Bette and Joan
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale) / alt: Maggie Gyllenhaal (The Deuce)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL: Alison Brie (Glow) / alt: Frankie Shaw (SMILF)
MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME: Nicole Kidman (Big Little Lies) / alt: Susan Sarandon (Feud: Bette and Joan)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SERIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: Laura Dern (Big Little Lies) / alt: Ann Dowd (The Handmaid’s Tale)
MELHOR ATOR – DRAMA: Jason Bateman (Ozark) / alt: Sterling K. Brown (This is Us)
MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL: Kevin Bacon (I Love Dick) / alt: Eric McCormack (Will & Grace
MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME: Jude Law (The Young Pope) / alt: Robert De Niro (O Mago das Mentiras)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: David Harbour (Stranger Things) / alt: Alexander Skarsgård (Big Little Lies)

 

O Rei do Show

You clearly have a flair for show business.

Direção: Michael Gracey

Roteiro: Bill Condon e Jenny Bicks

Elenco: Hugh Jackman, Zac Efron, Michelle Williams, Zendaya, Rebecca Ferguson, Austyn Johnson, Cameron Seely, Keala Settle, Sam Humphrey, Yahya Abdul-Mateen II, Eric Anderson, Ellis Rubin

The Greatest Showman, EUA, 2017, Musical, 105 minutos

Sinopse: De origem humilde e desde a infância sonhando com um mundo mágico, P.T. Barnum (Hugh Jackman) desafia as barreiras sociais se casando com a filha do patrão do pai e dá o pontapé inicial na realização de seu maior desejo abrindo uma espécie de museu de curiosidades. O empreendimento fracassa, mas ele logo vislumbra uma ousada saída: produzir um grande show estrelado por freaks, fraudes, bizarrices e rejeitados de todos os tipos. (Adoro Cinema)

Uma das coisas mais fascinantes de ser um cinéfilo nas primeiras décadas do século XXI é ver como o cinema deu um salto sem precedentes em termos de possibilidades estéticas e narrativas. Das evoluções técnicas resultantes de descobertas tecnológicas às narrativas cada vez mais livres que descortinam histórias e personagens antes renegados ou preteridos pelas artes, a chamada sétima arte nunca produziu tanto, de forma tão plural e, dadas as proporções, com tamanha destreza. O curioso é que, na contramão, filmes como O Rei do Show nos lembra que, em certos casos, a evolução não é um processo geral e que, em tratando-se da solidez e dos conceitos de um filme, a sala de cinema ainda pode proporcionar espetáculos vazios e a artificiais.

Indicado sem surpresa alguma a três categorias do Globo de Ouro no segmento comédia/musical (melhor filme, melhor ator para Hugh Jackman e melhor canção para “This is Me”), O Rei do Show idealiza e distorce a história verídica de P.T. Barnum, empresário norte-americano que, logo no início do século XIX, tornou-se o primeiro milionário do ramo do entretenimento com um trabalho pioneiro no circo. Só que fazer ajustes em uma adaptação é uma coisa, trapacear é outra: O Rei do Show idealiza Barnum como um pai de família caridoso e filantrópico, quando, na verdade, uma rápida pesquisa virtual ou bibliográfica já dá conta de revelar que ele nada mais era do que um verdadeiro “príncipe das falcatruas”, capaz de inventar todo tipo de mentira sobre suas atrações apenas para atrair público e encher o bolso.

A intenção do desonesto reajuste para endeusar Barnum tem um propósito muito claro no roteiro assinado por Bill Condon e Jenny Bricks: criar uma história emocionante e edificante para guiar um musical colorido, alegre, movimentado e, no final das contas, muito mais comercial do que artístico, considerando o sentido pejorativo que essa expressão acarreta. Ainda assim, nem no reajuste a história é firme, pois O Rei do Show é o tipo de filme que prioriza fatos e surpresas acima de qualquer construção dramática, o que faz com que mudanças repentinas (e mal explicadas) de personalidade dos personagens sirvam de base para conflitos rasteiros, como quando o protagonista impede que seus amigos “estranhos” do circo participem de uma importante festa na cidade.

Criando e resolvendo problemas com a maior facilidade e agilidade do mundo, O Rei do Show não expande qualquer dimensão de outro personagem além de Barnum, que, ainda assim, sequer chega perto da dubiedade e das oscilações entre bondade e mau caratismo de Elsa Mars, protagonista da quarta temporada de American Horror Story: Freak Show que, vivida brilhantemente por Jessica Lange, também era uma entertainer cujo ganha-pão era explorar “aberrações” em um circo. Nada mais do que um homem bondoso que vence na vida, Barnum ganha energia nas mãos de Hugh Jackman, ator que não precisa mais provar sua desenvoltura como cantor e dançarino, mas, que, no geral, tem pouquíssimo material dramático para trabalhar, restringindo-se a olhar tudo somente com cara de maravilhamento ou tristeza.

Quando o próprio protagonista não tem estofo, o que resta para os coadjuvantes e para a infinidade de figurantes? A talentosa Michelle Williams, por exemplo, até causa certa vergonha alheia por ser apenas a esposa sorridente que acompanha o marido para todos os lados com as duas filhas embaixo dos braços. Aliás, o universo feminino é pobremente retratado: além de Williams, não deixem escapar o problema que é ver Zendaya apenas como a moça bonita que precisa ser conquistada pelo galã Zac Efron ou como o musical perpetua, por meio de outra figura feminina, a tese de que mulheres não aceitam ser renegadas romanticamente pelos homens sem logo em seguida arquitetar uma pequena vingança contra eles.

Sem entrar em detalhes do que de fato é feito o tal show criado pelo protagonista (as apresentações são apenas o clímax hiperbólico de números musicais iniciados em outro cenário mas concluídos no circo), o longa ganha certa graça e empolgação graças às ótimas canções, todas muito bem ritmadas, pontuadas e corretas no sentido ser componente de uma construção narrativa. E qual não é a surpresa em vê-las desperdiçadas por números tão artificiais, muitos deles carregados em efeitos visuais e quase todos sem qualquer sincronia entre a expressão facial do ator e a versão infinitamente mais potente gravada por ele próprio em estúdio para dublagem?

Musicais plastificados, repletos de otimismo e carregados em dublagem já foram feitos aos montes, assim como outros indiscutivelmente mal dirigidos que se tornaram hits hoje lembrados com carinho (nesse caso, cito Mamma Mia! como um favorito particular), mas, em todos os casos, se existe um punhadinho de alma, a situação já ganha algum tipo de frescor. O Rei do Show, que marca o trabalho de estreia do diretor Michael Gracey, não se encaixa nessa perspectiva. Por isso, para quem, por razões já citadas, não entra na batida e sequer compra a obra como um guilty pleasure, a experiência deve somente gerar um grande aborrecimento, ficando positivamente para a posteridade apenas com sua divertida trilha que, essa sim, vale ser revisitada.

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