Onde Os Fracos Não Têm Vez

Direção: Joel e Ethan Coen

Elenco: Josh Brolin, Javier Bardem, Tommy Lee Jones, Woody Harrelson, Kelly Macdonald

No Country For Old Men, EUA, 2007, Ação, 123 minutos, 14 anos.

Sinopse:Inspirado no romance do americano Cormac McCarthy, “Onde os Velhos Não têm Vez”, o longa se passa no Texas, década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones).

Lá se vão doze anos desde o que os irmãos Coen tiveram sua última aparição no Oscar, com Fargo – Uma Comédia de Erros. O cultuado e superestimado filme (acho apenas uma competente e original produção) se saiu vencedor em duas categorias – atriz (para Frances McDormand) e roteiro. Mas não melhor filme e direção. Desde então, o público deseja que o Oscar corrija esse erro de não os ter consagrado. Ao que tudo indica, a coroação máxima deles vai acontecer nesse domingo, com Onde Os Fracos Não Têm Vez. A produção merece todas as suas indicações, especialmente a de direção, montagem e ator coadjuvante.

A violência é o centro de Onde Os Fracos Não Têm Vez. Nem bem o filme completa a sua meia hora duração e mais de dez pessoas já morreram, nas mais variadas formas. E assim a violência segue, tornando-se a principal engrenagem do filme, principalmente por ser incrivelmente realista e estimulante. Todo tipo de morte e agressividade está envolvida com a figura de Anton Chigurh, interpretado com maestria por Javier Bardem. O vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante (merecidamente, diga-se de passagem) dá vida a um dos mais interessantes vilões dessa década, traduzindo com perfeição toda a frieza e o caráter dissimulado dessa máquina de matar. Bardem é, de longe, o mais interessante de todo elenco, apesar dos bons desempenhos de Josh Brolin, Tommy Lee Jones e Kelly MacDonald.

O silêncio reina em praticamente todo o filme, com a ausência de trilha sonora, o que acaba por maximizar toda tensão e suspense da história que, por mais que não chegue a cativar ou empolgar no seu texto, é suficientemente interessante mara manter a curiosidade pelo bom e velho jogo de “gato e rato” que se forma entre os personagens. Onde Os Fracos Não Têm Vez é tenso e conduzido de forma excepcional pela direção competente dos irmãos Coen, que mostraram grande amadurecimento nesse quesito. A montagem é outro aspecto que merece destaque por ser um dos maiores atrativos do longa. O roteiro fica um pouco aquém do brilhantismo, uma vez que não é surpreendente e contundente em seus fatos, apenas realizando uma simples história de suspense.

Além de toda ação e suspense, o filme também causa momentos de reflexão, especialmente em dois momentos – na narração inicial, onde Tommy Lee Jones fala sobre os “velhos” de hoje (o que me leva a odiar o fato de “fracos” ter sido colocado no título, uma vez que “velhos” tem muito mais sentido e coerência com a trama) e no final, onde ele narra um sonho que teve e faz um convite ao espectador para entender as entrelinhas presentes naquelas palavras. Confesso que eu esperava um filme mais empolgante em suas mensagens e não tão seco, mas saí completamente satisfeito da sessão, onde conclui que o filme merece sim todos os elogios que recebe.

FILME: 8.5

4

NA PREMIAÇÃO DO CINEMA E ARGUMENTO:

8 comentários em “Onde Os Fracos Não Têm Vez

  1. antonino grilo um filme para não esquecer e rever barden inesquesivel-um serviço prestado ao espequetador e a sociedade que não acredita que aconteça nos e.u.a e estão dorminindo em berço esplendido,pois so acontece no 3-mundo.

  2. Otimo esse filme, merece todas as premiações que recebeu, inclusive o Oscar.

  3. Acho um filmão. Como eu te disse, foi conduzido com extrema maestria e habilidade incontestável. E ao contrário de muitos, achei seu diálogo final verdadeiramente brilhante.

    Nota 9,5 [*****]

  4. Mais um que não considerou o filme uma obra-prima, mesmo caso que eu. Concordo muito com o final de seu texto, pois ainda que seja o que menos prefiro na disputa pelo Oscar de melhor filme, merece o reconhecimento como forma de premiar a carreira dos Coen – que já deveriam ter vencido o prêmio por “Fargo”.

    Abraço!

  5. rapaz… esse filme é brilhante sim. Não me decepcionei com nada da pelicula, foi de fato o que eu pouco li sobre criticas positivas. esse não é um mero filme de bandido e vitima, mas sim, uma verdadeira analise da violencia, contendo um roteiro otimo, com excelentes dialogos que nos contam muitas coisas nas entrelinhas, ao qual devemos prestar atenção. reconheco as demais criticas quanto ao bardem que foi excelente, assim quanto a fotografia e tal, e aos felizes coen. otimo filme que realmente pode levar a fatura para casa…

    ve la o cineoba, tem coisa sobre faroeste la, pegando a esteira desse novo faroeste que é onde os fracos não tem vez

    Por André Ourix

  6. Seguramente é um filme a ser lembrado para sempre, trabalha bem com o tema central, provoca tensão, chega a angustiar em certas passagens. É claro que sem os Coen atrás das câmeras (e de vários outros quesitos) e sem a atuação magistral de Javier Bardem, não seria tão inesquecível. Mas, dos indicados ao Oscar (vou ver Juno hoje e acho que vou preferir) é o que menos merece o prêmio. “Desejo e Reparação” e “Sangue Negro”, por exemplo, são obras mais consistentes e merecem destaque maior, especialmente o de Joe Wright.
    Nota: 9,0

  7. ahhhhhh, quero assitir a esse filme!!! hehe… Parece ser de fato muito bom… admiro os trabalhos dos irmaõs Coen além do excelente ator Javier Bardem… espero que brilhe no Oscar… e espero tbm que uma alma generosa o traga aqui para os cinemas da minha terrinha, hehee
    abraços Matheus, belo texto.. mais um,né?!?! hehehe

  8. Vou ver Sangue Negro daqui a pouco, mas, por enquanto, esse é o meu canditado ao prêmio máximo de domingo. Porém, estou começando a pensar que me iludi com o filme. Claro, o filme é muito, muito bom, mas, acho que sem Bardem não seria tanto. Me arrisco a dizer que não seria tão favorito assim. E que Bardem – adoro esse nome – é um dos melhores coadjuvantes da década.
    As expressões faciais dele em cada cena são fora de série.
    Na cena dessa foto que você escolheu – muito bem – ele já diz: “Pronto, o Oscar é meu esse ano.
    Dei nota 8.3 para o filme, se não tivesse Bardem, daria 7.5.

    Abraço!!!

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