Melhores de 2008 – Direção

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Impressiona a facilidade como o diretor Paul Thomas Anderson consegue criar obras marcantes. Antes de Sangue Negro ele já tinha uma obra-prima do cinema dramático chamada Magnólia (ainda seu melhor filme) e com Sangue Negro ele alcançou o auge de sua maturidade atrás das câmeras. É até compreensível que o longa estrelado por Daniel Day-Lewis não tenha levado o Oscar na categoria principal – afinal, na minha opinião, não é uma produção de efeito imediato, que só fica melhor e mais admirável com o passar do tempo – mas foi uma heresia Paul Thomas Anderson não ter levado o prêmio por seu trabalho. Ele imprime um teor de épico surpreendente ao filme, com tomadas marcantes e uma segurança de arrepiar. Como já dito aqui no blog, não faço parte do grupo que vê o filme como um dos melhores da década e um trabalho impecável, mas foi impossível eu ficar indiferente a alguns aspectos maravilhosos de Sangue Negro. Vencedor do ano passado: Alejandro González Iñárritu (Babel).

Joe Wright (Desejo e Reparação)

joewrightEu até hoje fico me perguntando como o Jason Reitman foi indicado pela direção de Juno e Joe Wright não foi por Desejo e Reparação. Não querendo menosprezar o trabalho de Reitman, mas a direção de Wright era infinitamente mais impressionante e madura. Desejo e Reparação é um pacote de acertos e a direção é um dos principais pontos positivos. Não é nem por causa do maravilhoso plano-sequência que todo mundo fala, mas por causa do filme em si, muito bem arquitetado, filmado de maneira esplendorosa e com grande classe. Wright realiza cenas memoráveis e conduz o filme com muita paixão, sendo essa sua principal virtude ao filmar uma produção. Pena que não teve o merecido destaque.

Joel e Ethan Coen (Onde Os Fracos Não Têm Vez)

directjoetJoel e Ethan Coen realizaram um filme estranho. É meio difícil definir Onde Os Fracos Não Têm Vez. O que importa, na realidade, é que a produção funciona muito bem em todos os sentidos. Os irmãos Coen conseguem uma direção muito precisa, direta nas suas intenções – pouca coisa soa desnecessária. O mérito deles é que não é apenas na ação que eles apresentam maturidade mas também nas suas analogias de violência e na representação de seus personagens. Eles mudaram bastante desde Fargo – Uma Comédia de Erros e isso pode ser comprovado aqui. Joel e Ethan Coen podem até não ter realizado uma obra-prima (eu, ao menos, não vejo o filme como tal), mas entregaram um produto no mínimo interessante e com grandes qualidades positivas.

Andrew Stanton (WALL-E)

directandrewEu até que apreciava o trabalho de Brad Bird em Ratatouille, mas não o achei suficientemente merecedor para ficar entre os meus diretores finalistas do ano passado. Não pensava que outro diretor conseguisse chegar aqui, mas Andrew Stanton conseguiu realizar esse feito. Também não é pra menos, WALL-E é um desenho que impressiona com sua maturidade e com sua esplêndida técnica. Grande parte dos méritos vão para Stanton, que já realizou vários outros desenhos marcantes mas que encontrou no robozinho solitário o seu auge. Não é apenas por fazer um filme tecnicamente perfeito que ele acerta, Stanton conduz toda a história como se fosse um filme de verdade e mostra que já se passou o tempo que as animações podiam ser subestimadas.

Julian Schnabel (O Escafandro e a Borboleta)

schnabelO Escafandro e a Borboleta foi um filme que não me conquistou emocionalmente. Entretanto, me deixou impressionado com sua técnica. A fotografia e a montagem são excepcionais, pontos altos do filme. Mas também apreciei bastante o trabalho de Julian Schnabel atrás das câmeras, até porque acho que o problema do filme está apenas no roteiro. Schnabel percebeu a beleza do material que tinha em mãos e moldou um filme no mínimo interessante. Completamente magnético no visual e na técnica, O Escafanfro e a Borboleta teve sorte ao ser conduzido por um diretor tão bom como Schnabel. Pena que o filme não tenha me conquistado em um fator fundamental – o roteiro.

Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram Sangue Negro como o melhor na categoria. Abaixo, a preferência dos votantes na pesquisa realizada:

1. Paul Thomas Anderson – Sangue Negro (15 votos, 63%)

2. Joe Wright – Desejo e Reparação (4 votos, 17%)

3. Joel e Ethan Coen – Onde Os Fracos Não Têm Vez (2 votos, 8%)

4. Julian Schnabel – O Escafandro e a Borboleta (2 votos, 8%)

5. Andrew Stanton – WALL-E (0 votos, 0%)

12 comentários em “Melhores de 2008 – Direção

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  2. Pingback: Melhores de 2009 – Direção « Cinema e Argumento

  3. Acho digno estarem na lista Paul Thomas Anderson (Sangue Negro), Joel e Ethan Coen (Onde Os Fracos Não Têm Vez) e Andrew Stanton (WALL-E). Acho que Christopher Nolan (Batman – O Cavaleiro das Trevas) também merecia ser citado.

  4. Yuri, já eu acho a direção do Joe Wright umas das mais subestimadas do ano passado!

    Leonardo, acho “WALL-E” melhor que “Procurando Nemo”.

    Fernando
    , eu não sou muito fã de “Senhores do Crime”. Gosto mais do Cronenberg em “Marcas da Violência”.

    Kamila, eu achei a direção do Julian Schnabel muito original, pena que eu não tenha gostado muito do roteiro do filme!

    Weiner
    , pra mim, o melhor trabalho do Paul Thomas Anderson continua sendo “Magnólia”.

    Rafael
    , eu também gosto mais de “Onde Os Fracos Não Têm Vez” do que “Sangue Negro”.

    Wally, finalmente concordamos em tudo \o/

    Lucas, eu também!

  5. Acho que é a primeira categoria que se repetirá COMPLETAMENTE na minha premiação. Indicados e vencedor.

    Ciao! :)

  6. Realmente, o PTA constroi uma obra grandiosa com perfeccionismo. Embora meu filme preferido do ano passado seja dos Coen, Sangue Negro é dirigido com precisão. E gostei também da lista de finalistas, só acho que faltava o Walter Salles e a Daniela Thomas.
    Valeu!

  7. Apesar de não ter indicado Joel e Ethan Coen para o meu prêmio de direção, acho que eles merecem im um reconhecimento. No lugar dos dois coloquei Frank Darabont, do ótimo “O Nevoeiro”.
    Eu sou fã de carteirinha de Paul Thomas Anderson, mas ano passado o melhor trabalho, a meu ver, foi de Joe Wright. PTA esteve imbatível no ano 2000, com seu “Magnolia”.
    Um abraço, Matheus!

  8. Adorei sua lista de indicados, a qual é formada por cinco diretores que merecem mesmo. Mas, meu favorito é diferente do seu: Julian Schnabel, de “O Escafandro e a Borboleta”. Acho o trabalho dele o mais belo de 2008, no que diz respeito à direção.

  9. Dos seus indicados também fico com o Paul, aliás pra mim “Sangue Negro” foi o grande filme do Oscar passado.
    Em particular, meu diretor favorito daquela leva é definitivamente David Cronenberg, por “Senhores do Crime”.
    (um barato essas votações cara!!!)

  10. Dentre todos, fico entre ‘Sangue Negro’ e ‘Desejo e Reparação’, mas voto em ‘Sangue Negro’. De todos os filmes lançados em 2008 no Brasil, ‘Sangue Negro’ é o único nota 10.
    Diferente de você, ‘Sangue Negro’ teve efeito imediato sobre mim, como também aconteceu com ‘Desejo e Reparação’, outra inesquecível obra.
    ‘Wall-E’ também me pegou de primeira, mas prefiro outro filme de Andrew Stanton, ‘Procurando Nemo’.

  11. Concordo com PTA em primeiro lugar, fácil, porém não sou grande fã do trabalho de Joe Wright, o filme não me conquistou tanto como alguns outros, é uma direção muito boa, sim, mas prefiro a de Julian Schnabel, até os irmãos Cohen ou Stanton.

    Mas ótima lista, como sempre.

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