Opinião – A felicidade de Poppy

Atenção! Se você ainda não assistiu o filme “Simplesmente Feliz”, não continue a ler o texto, pois ele possui spoilers.

Não é novidade para ninguém que eu detesto o filme Simplesmente Feliz. Mas, por mais que eu não goste do longa de Mike Leigh, existem alguns tópicos interessantes sobre ele a serem observados. O principal, claro, é a personalidade da protagonista Poppy (Sally Hawkins, vencedora do Globo de Ouro de melhor atriz comédia/musical). Adorada e detestada por muitos, a personagem é uma das mais intrigantes dessa temporada. Afinal, qual é o sentido da felicidade excessiva dela?

Em certa cena do longa de Mike Leigh, uma personagem diz para Poppy: “Você não pode fazer com que todos sejam felizes” e a protagonista retruca afirmando que não custa nada tentar. Agora, a maneira como Poppy traça a sua jornada é bem duvidosa. Tudo bem que ela sempre está sorrindo, achando graça em tudo e animada. Mas, tudo isso aparece em excesso nela. Acha tudo engraçado, parece meio hiperativa (às vezes os personagens estão falando e ela não parece nem ouvir) e quer que todo mundo aceite esse seu espírito.

Scott (Eddie Marsan) foi um que não conseguiu aguentá-la por muito tempo. Até concordo que a figura dele é excessivamente mal-humorada – o oposto de Poppy – mas, sinceramente, ela infernizou bastante a vida dele para merecer aquele puxão de cabelo no final do filme. Mas, por um outro lado, existem alguns personagens na história que aceitam Poppy numa boa, ainda que estejam conscientes de que esse seu espírito bondoso (e que dá uma aparência de ingenuidade perante ao mundo à ela) não é a melhor escolha em determinados casos.

Tal “felicidade” leva Poppy a alguns “perigos”. Além de fazer com que seu instrutor de auto-escola partisse para a agressão, ela inventa de conversar com um mendigo na calada de noite. E, tal cena, eu gostaria que alguém me explicasse o significado, pois não vi nenhum ali. Porque não é um caso de felicidade, ela parece estar sob o efeito de drogas na cena, onde fica falando coisas sem sentido e totalmente viajando na maionese com o mendigo. Aquilo era felicidade?

Está bem, eu confesso que não sou uma pessoa muito acessível a essas histórias super felizes e com pessoas que estão sempre de bem com a vida – uma vez que não possuo muito esse espírito. O que acontece é que a felicidade demonstrada em Simplesmente Feliz é elevada a uma potência meio que inacreditável. Não acho palpável a possibilidade de existir alguém como Poppy, que parece ignorar o fato de que, em alguns casos, a tristeza pode tomar conta. Ou que acha que tudo tem um lado positivo. Nem tudo é felicidade, Poppy!

E você? O que acha da felicidade da Poppy?

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Anteriormente:

A culpa do Padre Flynn, em Dúvida

A escolha de Francesca, em As Pontes de Madison

O segredo da vila, em A Vila

A verdade sobre Hanna Schmitz, em O Leitor

12 comentários em “Opinião – A felicidade de Poppy

  1. Eu também detesto o filme. A única coisa boa que ele possui, de fato, são as cenas com o instrutor da auto-escola. O resto, tudo é bastante excessivo e sem propósito.

    Não sei de onde vem tanta felicidade, ou o porquê dela querer tentar esbanjar isso tudo para fazer as outras pessoas felizes. Só sei que é muita audácia da parte dela pensar que esta sua maneira de ser fará com que as pessoas ao seu redor também sejam felizes…

  2. Matt!! Te falei que voltei com o Bit?! http://bitlloflleverything.blogspot.com/

    Então… vc sabe o quanto detesto o filme tb. Mas tb sabe que eu detesto ainda mais a chatola Poppy. Por vários momentos ela parece estar sobre forte efeito de drogas. Isso, pra mim, não é felicidade. É uma máscara…

    Abs!

  3. Eu vi “Simplesmente Feliz” e para ser sincero não entendi muito do que a personagem Poppy queria passar. Conversando com um amigo meu, que estava comigo quando vi o filme, chegamos a conclusão de que essa felicidade aparentemente inabalável da personagem só pode ser algum tipo de estado hiperativo. Na cena que você comentou, acho impossível alguém sair no meio da noite para ter uma conversa surrealista com um mendigo. Fora a pretensão. Ela soa pretensiosa demais, sempre querendo que todos se rendam ao seu estilo de vida. Não gostei, e isso me deixou frustrado, pois fizeram tanta propaganda sobre esse filme… Um grande abraço.

  4. Vinicius, Kau e Luiz Henrique, então não sou o único que tem pavor da personagem e do filme \o/

  5. Como não assisti ainda ao filme, não li o texto, mas confesso que tenho um pouco de medo de conferir “Simplesmente Feliz”. Acho que a Poppy deve ser uma daquelas personagens ame ou odeie. Tenho receio de achar a felicidade excessiva dela irritante.

  6. No final do filme ela mesma responde essa pergunta. O propósito dela? Por que ela é assim? Porque sim e nada mais. Ela ESCOLHEU ser assim. E acho válido isso. Pra mim, o grande mérito do filme é esse: não justificar, não dar nenhuma lição. Pessoalmente eu nem a acho tão feliz assim. Quer dizer, fiquei quase deprimido quando o filme acabou. É TÃO TRISTE a história toda. Acho que é tristeza disfarçada de felicidade e só.

  7. Eu também não li o texto e ainda não assisti o filme, mas é uma personagem que ganhou opiniões bem divididas. rsrsrs. Uma pergunta: nem como comédia a película funciona? rsrs.

  8. Kamila, a Poppy é bem ame ou odeie mesmo… E eu faço parte do segundo grupo =P

    Robson, quero saber a tua opinião depois!

    Thiago, já eu não consigo interpretar o filme dessa maneira…

    Mayara, eu achei o filme um completo vazio.

  9. Aqui vai minha opinião a respeito, Matt:

    Eu também não gostei muito de Poppy. Ela é beeem irritante. E entenda que eu sou uma pessoa bem alto-astral e que evito ficar pra baixo, mas inevitável que isso aconteça. É intrínseco do ser humano. Na verdade, enxerguei que Poppy é, nesse caso, muito infantil e vale salientar que não se deve confundir infatilidade com alegria. São coisas completamente diferentes. Como você mesmo falou, ela nem sequer chega a escutar direito o que os outros falam, a felicidade dela sempre fala mais alto. Isso irrita qualquer pessoa e não precisa ser super mal-humorado como Scott. Mas a questão é que existem pessoas desse jeito no mundo e não é difícil apontar, sendo que, como já disse, a meu ver essas pessoas são infantis e não alegres. É completamente possível um adulto ser alegre, mas responsávele ciente dos seus atos, fato que é completamente ausente na personagem.

    Pronto, falei!

    =)

  10. Robson, MUITO boa a sua opinião! E você citou um ponto que eu não havia notado, a infantilidade da personagem, que fica muito evidente quando ela parece ignorar o que os outros falam.

  11. O fascinante nesse filme é a cisão que ele provoca entre as pessoas. Ninguém fica indiferente, os posicionamentos são sempre tudo ou nada. O mais interessante é que os argumentos utilizados para criticá-lo são os mesmos usados para elogiá-lo, tudo, sempre, com um tom muito pessoal, como ocorre em toda crítica, aliás! Parece que a nossa visão recorta o filme, extrai o que confirma as nossas crenças pessoais e ignora o resto, aí só conseguimos ver o que nos interessa. Uma das colocações mais interessantes que vi sobre o filme foi essa http://angelitascardua.wordpress.com/2009/07/27/simplesmente-feliz-ou-porque-a-felicidade-incomoda/

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