Coco Antes de Chanel

Direção: Anne Fontaine

Elenco: Audrey Tautou, Alessandro Nivola, Benoît Poelvoorde, Marie Gillain, Emmanuelle Devos, Etienne Bartholomeus

Coco Avant Chanel, França, 2009, Drama, 105 minutos, 12 anos

Sinopse: Anos após ser deixada em um orfanato, Gabrielle Chanel (Audrey Tautou) consegue trabalho em um bar. A moça possui habilidade com costura e usa o nome de Coco à noite quando faz performances com a sua irmã onde trabalham. A relação de Chanel com o Barão Balsan (Benoît Poelvoorde) lhe dá uma entrada na sociedade francesa e a oportunidade para desenvolver o seu dom e ela começa a desenhar chapéus que se tornam cada vez mais populares. Ao mesmo tempo em que a sua carreira está em ascensão, ela se torna complicada devido a paixão que Coco sente pelo executivo Arthur Capel (Alessandro Nivola).

Coco Antes de Chanel tem uma intenção muito interessante: narrar a vida da famosa celebridade francesa do título antes do estrelato. Ou seja, contar detalhadamente como cada momento da vida de Coco (Audrey Tautou) foi essencial para a formação do sucesso dela. É exatamente por causa dessa abordagem que essa caprichada produção francesa se diferencia das demais, mesmo que não sempre positivamente. Se por um lado o roteiro acerta ao se distanciar dos tão conhecidos padrões de biografias, erra por narrar a história de uma celebridade não tão interessante.

Coco Chanel pode até ter sido influente e super reconhecida, mas a sua vida não teve tanta graça antes do estrelato. Não o suficiente para render um filme. Porque, ao menos pra mim, biografias precisam ser movimentadas e fazer o retrato de figuras extraordinárias, que tiveram momentos de importância. Antes de ser uma poderosa influente da moda, a francesa era uma mulher muito simples. Ela era banal e tinha problemas corriqueiros, como as faltas de oportunidade na vida ou a solidão. É por essa e outras razões que Coco Antes de Chanel nunca cativa: o filme relata uma vida como qualquer outra.

De maneira alguma questiono o brilhantismo de Coco. A minha ressalva é que, talvez, o filme tivesse sido muito mais interesante caso narrasse a fase dela sob os holofotes. Uma prova disso é que, quando acompanhamos o primeiro desfile de Coco, o filme ganha novo gás, ficando com um ar renovado – e até com um visual muito mais atraente. Pena que, justamente, essa seja a última cena do longa-metragem. Entretanto, em nenhum momento, desmereço as qualidades estilísticas da narração ou muito menos as boas inteções da diretora Anne Fontaine.

A adorável Audrey Tautou é quem dá vida a Coco Chanel. Audrey, eternamente lembrada por sua Amélie Poulain, emprega toda a sua simpatia e talento para a protagonista, segurando com muita competência a personagem. Apontada como uma possível candidata ao Oscar 2010, Audrey não deve chegar lá, pois apresenta aquele típico papel que a Academia não costuma valorizar como deveria: o papel de sutilezas, de expressionismos contidos. Mas, o longa merece ser conferido por causa dela, que transforma as banalidades de Coco em uma atraente simpatia.

FILME: 7.0

3

12 comentários em “Coco Antes de Chanel

  1. Matheus, vou assistir esse filme daqui a pouco sem grandes expectativas, que diminuíram agora :p Depois falo o que achei.

    Abraços

  2. Eu não sou muito ligada à moda, mas quero conferir este filme porque acho interessante as cinebiografias. É um dos meus gêneros favoritos.

  3. Assim como Kamila, acho cinebiografias ótimas. E tendo ainda mais a ótima Audrey Tautou, com certeza irei conferir.

  4. Um tanto aquém das expecativas, não? Mas devo admitir que ouvi boas críticas de uma turma de amigos que já conferiu o filme. Em breve assisto e tiro minha prórpia conclusão.

  5. Não assisti ainda, mas já anoto aqui uma discordância de suas palavras…
    “biografias precisam ser movimentadas e fazer o retrato de figuras extraordinárias”, puxa vida Matheus, cuidado pra não limitar sua visão com essa opinião. Pra mim, ao contrário, um grande defeito dessas biografias ficcionalizadas que avassalam os cinemas é a preocupação em pintar as vidas dos biografados com tintas de falsa extraordinariedade. O excesso de movimento prejudica a própria condição da imagem de cinema, em si, plena de movimento.
    Enfim, quando der confiro esse.

  6. Oi Matheus,

    olha, eu não concordo contigo no tocante a “biografias precisam ser movimentadas e fazer o retrato de figuras extraordinárias, que tiveram momentos de importância.”

    Vou comentar colocando, aqui, a conclusão do meu post sobre o filme:

    Não há um momento de revelação instântanea da genialidade de Coco Chanel no longa, pelo contrário, nós somos convidados a junto com a protagonista, passo a passo, ir descobrindo suas influências e características, que estão diretamente ligadas ao dia-a-dia das pessoas comuns. E acredito que ai está a maior qualidade do longa, ou seja, é um filme biográfico que não cai no lugar comum de mostrar o personagem como alguém extraordinário, que só falta ter poderes mágicos. Parece que a Anne Fontaine segue uma das premissas de Coco, o menos é o mais. Coco avant Chanel (2009) está longe de ser um filme arrebatador e empolgante, mas é belo e tem um quê de artesanal, onde cada momento é precisamente construído e essecialmente delicado, suave e belo.

    Abraço.

  7. Yuri, depois me conta o que achou do filme!

    Kamila, o filme fala muito pouco sobre moda…

    Pedro, eu também só tinha curiosidade, o filme não chegava a me causar expectativas.

    Luis, a Audrey está ótima!

    Cleber, então, se tiver, assista xD

    Weiner, achei bem aquém do que podia ser, mas até que o filme tem um estilo bem legal.

    Nando, eu acho que as cinebiografias tem que contar sim histórias de pessoas com vida extraordinárias. Eu não vejo muita graça em assistir uma história morna e sem acontecimentos. E a vida de Coco foi bem assim, principalmente antes de Chanel.

    Mayara, Audrey e a trilha de Desplat são as melhores coisas do filme.

    Wally, eu também esperava um pouco mais do filme.

    Santiago, eu achei muito válida a inteção da Anne Fontaine em fazer uma cinebiografia diferente. Mas, como eu disse na minha resenha, o problema é que a vida de Chanel foi muito sem graça antes de ela ser uma artista.

    Gustavo, o filme vale ser conferido pela boa proposta…

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