Opinião – O valor de uma crítica

Com o lançamento de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1, conversei com algumas pessoas que me disseram que Isabela Boscov é uma crítica  de  cinema medíocre. Independente da opinião dela, uma pergunta pairou na minha mente: o que define a mediocridade de uma profissional que escreve sobre cinema? Ou melhor, o que define a mediocridade de uma opinião? Sério, aguém é desprezível só porque não achou Harry Potter um grande filme ou se não considerou A Origem uma obra-prima? Não acho que seja bem assim.

Isabela Boscov é apenas uma de tantas profissionais que são alvos de ódio só porque aparecem na mídia.  Assim como boa parte desse universo despreza Rubens Ewald Filho, Boscov também é vítima desse ódio. Até mesmo Pablo Villaça tem seus detratores. Não estou aqui para defender essas pessoas ou tentar convencer alguém a gostar deles. O meu objetivo é fazer uma defesa da opinião deles. Não sei quanto a vocês, mas noto um certo ar de superioridade de alguns cinéfilos na hora de comentar sobre eles. É muito cômodo para nós, que estamos nos anonimato, apedrejar esses profissionais que estão na vitrine. Queria ver se nós estivessemos no lugar deles… Afinal, a opinião deles não são tão válidas quanto as nossas? O leva algumas pessoas a considerarem suas opiniões mais dignas de apreciação do que a de Boscov, Villaça ou Ewald filho, por exemplo?

Por que nós, blogueiros cinéfilos, temos o direito de desprezar esse profissionais se podemos igualmente ser tão desprezíveis quanto eles? Para falar a verdade, fico até um pouco triste quando vejo comentários difamadores pela internet sobre os críticos de cinema que aparecem na mídia. Todas as opiniões, pelo menos em relação ao cinema, são igualmente válidas. Se não fossem, Crepúsculo ou Se Eu Fosse Você não seriam o estouro de bilheteria que são. Esses filmes são sucesso porque a maioria do público gosta. Agora, se temos opiniões diferentes e achamos que os fãs desses filmes não podem ser levados em consideração, aí é uma outra história… Ou seja, questão de gosto, não de mediocridade de opinião.

O que muda é o conhecimento técnico sobre cinema, já que, em relação ao conteúdo, todos possuem o direito de ter qualquer tipo de opinião – e não devem ser menosprezados simplesmente por gostarem de um filme X. Que culpa o coleguinha da faculdade tem se achou A Origem o filme mais confuso e chato dos últimos tempos? Talvez esse filme não seja o estilo dele. Que culpa tenho eu, por exemplo, se achei Bastardos Inglórios um filme monótono e decepcionante? Talvez eu simplesmente não tenha gostado. Nos tornamos menores, medíocres ou desprezíveis por causa disso? Acho que não.

Por isso, venho através desse post fazer um apelo. Gostaria de pedir um pouco mais de piedade com os críticos de cinema que estão na mídia ou com qualquer opinião – desde que ela seja explicitada com respeito e educação. Tudo bem, você pode até não gostar deles. Mas não acho legal sair por aí xingando a integridade de alguém por causa disso ou afirmando que eles não sabem nada de cinema só porque possuem uma opinião diferente da nossa. Opinião é opinião e todas são válidas. Pode ser uma crítica bem elaborada em um jornal ou um simples comentário de uma pessoa qualquer no Orkut. Não vamos nos achar superiores. Viva a liberdade de expressão e o respeito!

17 comentários em “Opinião – O valor de uma crítica

  1. Perfeita manifestação democrática e civil de sua parte aqui Matheus. Acho importante clamar aos princípios básicos de civilidade que a internet (como ferramenta) e as redes sociais (como foco) afrouxam diariamente.
    Eu, particularmente, acho Rubens Ewald filho, apesar de sua importância histórica para atividade da crítica de cinema no país, um crítico um tanto limitado. Já Pablo Villaça e Isabela Boscov eu gosto mais. Apesar de detectar algumas divergências tb. Mas, enfim… leio todos. É importante para qualquer atividade, principalmente na comunicação, a pluralidade. Justamente por isso, reitero seu manifesto com esse meu comentário.
    Grande abraço e parabéns pela iniciativa.

  2. Eu gosto da Boscov até, e acho bacana esse texto que você fez, porem sobre Harry Potter eu só acho que ela exagerou muito na crítica delaa, mas é o que você disse é a opinião dela e de muitos outros, porem ela é que sofre mais com críticas e difamações por estar sempre na mídia e não no anonimato.

  3. Bom texto. J´s sobre opinião, é complicado conversar, ja que um quer ter mais razão que outro, no quesito filme. É a velha história de alguem querer impor os gostos sobre o outro que não curte.

    Ah sim, a crítica está na medida, provavelmente porque ela não leu um livro sequer. Os fãs devem ter achado a melhor das adaptações (li o original e, apesar de longo, é bom), mas os demais devem ter achado insuportavelmente chato. Abraço :)

  4. Perfeito! Gosto de vir aqui no seu blog, não só porque gosto do que vc escreve, mas também porque vc me parece uma pessoa muito sensata, e provou isso mais uma vez com esse seu texto.
    Ninguém tem o direito de xingar e depreciar a imagem do outro porque não gostou da sua crítica de determinado filme.
    Nos apaixonamos ou não pelos filmes e isso não serve de verdade absoluta para os outros: cada um tem um gosto e uma impressão sobre os filmes, atores e diretores.
    Se você não gosta das críticas de determinada pessoa, não as leia, simples assim.
    Enfim, obrigada pelo texto Matheus.
    Abraços!

  5. Ótimo texto. É realmente triste que aconteça esse tipo de coisa. Opiniões divergentes deveriam servir à boa discussão e à argumentação, e não ao desprezo (para dizer o mínimo) de quem pensa diferente. Embora tenho fortes argumentos que vão de encontro ao que Isabela Boscov diz sobre A ORIGEM, por exemplo, respeito muito sua opinião, e fico triste por ela não ter apreciado o filme como eu. Por outro lado, endosso tudo o que ela menciona sobre o sétimo HARRY POTTER. Considero-a uma ótima profissional, assim como Pablo Villaça. Até do Rubens Ewald Filho comecei a gostar esse ano. Abraço!

  6. Ótimo texto, em total concordância com o seu pensamento. Uma pena que há tanta mediocridade dentro da ‘blogsfera cinéfila’, já li alguns comentários descabidos em respeito disso, de pessoa X querer impor certa opinião á uma pessoa Y, seria engraçado se não fosse algo tão desprezível. Afinal, todos tem o mesmo de direito de opinar e criticar, afinal, ninguém é igual á ninguém.

    Enfim, vamos esperar para que um dia há uma mudança em torno disto!

    []’s
    sebosaukerl.blogspot.com

  7. O problema é que, quando gostamos demais (ou de menos) de um filme – e pior, quando ele se torna uma unanimidade, para bem ou mal, entre um grupo, que pra nós tem opinião valorosa – ficamos cegos, animalescos na defesa de um ponto de vista. Usei uma boa expressão; animalescos. Animais, que não conseguem enxergar, racionalmente, que sensações são variadas, e as pessoas são tocadas de maneiras diferentes.
    Quem acha que um crítico deve concordar sempre com seu parecer particular, é um tremendo imbecil. E destratar tais profissionais (essenciais para consulta, apenas, e não para assumir papel de messias) é infantil, desnecessário, irracionalmente animal.
    Abraço e bela opinião!

  8. Assino embaixo do seu texto e digo mais: existe muita falta de respeito à opinião discordante da maioria. As pessoas deveriam era respeitar pontos de vistas discordantes, ainda mais se forem bem fundamentados.

  9. Texto oportuno, Matheus. Era um daqueles que não gostava do trabalho da Boscov, mas desde o momento que passei a acompanhá-lo mudei totalmente de opinião. Talvez por causa dos videocasts da moça, que trazem uma crítica diferente daquela que visualizava nas páginas da Revista Veja.

    Acho que uma questão neste problema que também deve ser apontada é a imparcialidade. Um crítico, amador ou não, precisa se afastar de algumas barreiras (preconceito com gêneros, realizadores, origens ou mesmo trabalhos com forte apelo para determinado tipo de público) para ser bom naquilo que faz. Caso o contrário, o desgosto pode ser grande, daí eu não tolerar a opinião de um profissional como Pablo Villaça (que para mim é presunçoso e desrespeitoso com suas opiniões) e de amadores como Maurício Saldanha (extravagante, uma opinião jamais deve ser exposta como a que ele faz, é preciso tempo para digerir corretamente o que acaba de ser apreciado numa tela de cinema).

  10. Eu acho válido o respeito mesmo – mas, pra mim, a grande questão de Isabela, e tantos outros “críticos”, é que, muita vezes, eles expressam uma opinião sobre tal filme que considera ruim…até aí tudo bem, mas na hora de ARGUMENTAR a razão do filme pecar, quase sempre, erram feio.

    Isabela, várias vezes, e nao só eu percebo isso (muita gente sabe e observa) fala mal de determinado filme e quando vai justificar o porquê – erra por citar situações que não ocorrem, de fato, no filme; tem interpretações estranhas sobre certas passagens; fala nomes errados de personagens, acreditando que está argumentando corretamente sobre ele; diz que leu determinado livro que o filme foi adaptado, mas mostra que desconhece muitas passagens importantes do livro a ponto de questionarmos se ela REALMENTE leu a obra.

    Enfim, eu penso assim.

    abraço

  11. Também defendo o direito à opiniao de qualquer profissional da crítica que acaba sendo alvo de detratores pelo simples fato de terem gostado ou nao de determinado filme. Isso chega a ser normal. Mas meu desagrado com a Boscov é que o texto dela às vezes tem aquela carga de querer ser demais complexo, profundo, o que acaba distanciando o leitor do texto. Aquele tipo de produto que você, depois de ler, nao sabe se é a favor ou contra o filme. E sinceramete, desprezo o trabalho do Rubens Ewald Filho porque acho os argumentos dele sempre muito idiotas, banais e rasos.

  12. Reinaldo, exatamente! Defendo demais a pluralidade e acho que, independente de gostarmos ou não de determinados críticos, temos que respeitar a opinião deles.

    Tiago, não foi só ela que falou tudo aquilo sobre Harry Potter. Já vi gente dizendo coisas muito piores sobre o filme.

    Jennis, o pior é que é sempre assim mesmo, todo mundo quer impor ao outro a sua opinião. Mas, como eu disse pro Reinaldo, isso tem que acontecer com respeito!

    Nathy, primeiro, obrigado pelos elogios! E, segundo, concordo demais com o que você disse: não gosta, não leia. Simples assim. Às vezes, fico com a sensação de que tem gente que lê determinados críticos que não gosta só para falar mal… Se não gosta, por que lê, então?

    Mateus, eu já gostei muito mais do Rubens Ewald Filho. Mas, de qualquer forma, a opinião dele é para ser levada em conta, assim como a minha, a tua ou de qualquer cinéfilo. Minha única ressalva quando ao Rubens é que ele está cada vez mais desleixado com os textos. Já cheguei a ler frases deles que são incompreensíveis!

    Sebo, fico muito triste quando blogueiros fazem comentários descabidos em relação às críticas dos outros. Sinceramente, acredito que, às vezes, falta humildade por parte de certas pessoas.

    Weiner, concordo em gênero, número e grau com tudo o que tu disse!

    Kamila, falta respeito mesmo!

    Alex, pelo menos para mim, é quase impossível ser imparcial em um texto de cinema. Mais difícil ainda é quebrar os pré-conceitos que temos. E se lemos a crítica de alguém, é porque estamos procurando a opinião do escritor, que é totalmente pessoal.

    Vinicius, o teu comentário reflete muito bem o que eu estou falando no texto. Por mais que você não goste do Wilker, a opinião dele é válida tanto quanto a nossa…

    Cristiano, muitas pessoas do grande público também não sabem argumentar, mas a diferença desse pessoal da mídia é que eles precisam embasar seus pontos de vista pois estão sendo analisados. E, nesse ponto, entendo o que tu quis dizer. Alguns críticos não conseguem fazer isso da forma mais clara…

    Rafael, eu noto isso em diversos textos da Boscov, também. Mas sorte que ela faz os videocasts. Lá, acho que fica bem clara qual o posicionamento dela sobre determinado filme.

  13. Discordar da opinião de um crítico não o faz um mau crítico. Mas também não gostar da forma como determinado crítico analisa um filme, isso é questionável. Acho que, como em qualquer trabalho, a bons e maus profissionais. Cada crítico escolhe uma maneira de abordar as obras com as quais se vê em posição de enfrentamento, e isso vai agradar uns e outros não. O tipo de análise que me agrada não é ela que faz, e sim oa praticada pelo pessoal da Cinética, da Contracampo, da Filmes Polvo etc. A Boscov (como muitos outros por aí), por exemplo, sempre foi muito rasa em suas colocações – opinião por opinião, fico a minha.

    Abs!

  14. A opinião de um crítico de cinema é útil para escolher qual filme assistir, seja na telona ou da prateleira da locadora. Crítica não é arte, é apenas opinião e por isso deve ser respeitada. Fazer cinema, música, pintura etc requer talento… é diferente!

  15. Ótimo e pertinente texto. Acredito que todos os profissionais da área mereçam respeito e devem ser lidos. O melhor crítico não é aquele com quem nossas opiniões batem mais! Este é um erro comum. Discordar é aprender.
    Dentre todos, recomendo um que me surpreendi não ser citado aqui, o Octavio Caruso do Cinema.com.br. Ele é educado, não é pedante e ainda escreve sobre uma variedade incrível de assuntos. Fica a dica!

  16. Não me irrito quando algum critico que atinge muita gente fala mal de um filme que eu sou fã.
    Me irrito quando eles falam bobagens sobre os filmes ou não são honestos com o público.

    Vá lá a Isabela Boscov, suas criticas costumam ser realmente válidas e inteligentes, mas ela frequentemente está falando bobagem sobre algum filme. Cara, o papel dela como critica e jornalista é pesquisar sobre o filme para poder ter uma opinião que sai do senso comum. Em Tree of Life ela teve a capacidade de dizer que o filme é algo “meio new age”. Pourrãn, o filme trata claramente de uma religiosidade judaico-cristão. Se ela não teve a minima capacidade de perceber isso como pode taxar o filme de “picaretagem”??

    Além disso ela esta frequentemente mudando sua opnião sobre filmes. Ela chegou a dizer que a primeira hora de projeção de Fim dos Tempos do Shyamalan era a definição de terror. Na critica do próximo filme do diretor ela soltou que todos os filmes dele eram muito ruins. Ou quando ela fez uma critica elogiosa sobre Código da Vinci e no lançamento em Anjos e Demonios detonou os dois filmes. O mesmo aconteceu com o segundo Matrix e sua continuação.

    Sendo assim como ela espera que alguém leve seu trabalho a sério? Talvez as motivações dela sejam outra$.

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