Na coleção… Closer – Perto Demais

Closer – Perto Demais é um verdadeiro tapa na cara. Os diálogos dilacerantes e as situações que explicitam o ser humano sendo guiado por dúvidas, desejos e incertezas conferem ao filme de Mike Nichols uma contundência notável. Baseado em uma peça de teatro (nos palcos, Clive Owen fazia o papel que, no filme, ficou com Jude Law), é perceptível que a força do longa-metragem está inteiramente no texto e nas atuações. No entanto, Nichols foi competentente o suficiente – como se isso fosse novidade – para não conferir a Closer um tom teatral. É uma história que tem cara de filme mesmo.

O enredo nada mais é do que uma ciranda de amores e traições entre quatro pessoas (Clive Owen, Julia Roberts, Natalie Portman e Jude Law). Quando assisti pela primeira vez, logo no ano de seu lançamento, não apreciei tanto. Com o passar dos anos, comecei a perceber que Closer é aquele tipo de filme que cresce com o espectador e que, com o passar dos anos, a cada revisão, passamos a compreender melhor o dilema dos personagens. É uma história que exige um espectador que reconheça os conflitos da tela ou que, ao menos, se identifique com alguma situação que está sendo representada.

O quarteto de atores está impecável, onde todos interpretam com exatidão seus respectivos personagens. Se Jude Law sofre com seu personagem vitimizado (talvez por ser o único da história que acredite que tudo deve ser feito em nome do amor, não importando o quanto machuque os outros), as outras figuras rivalizam com suas personalidades geniosas e que, inclusive, podem afastar o espectador. O comportamento repentinamente inconstante de Alice (Portman) incomoda, Larry (Owen) chega a intimidar com seu jeito de “homem das cavernas” (como ele mesmo se define) e Anna (Roberts) nos afasta com suas atitudes sentimentais disfarçadas por expressões e gestos  gélidos.

Contudo, tudo isso não é problema para o elenco, que está em plena  sintonia e com momentos maravilhosos. Todos elogiam Portman e Owen, mas gostaria de deixar meus elogios para Julia Roberts, muito subestimada por esse filme – que tem uma das melhores atuações da atriz nos últimos anos. No mais, Closer assusta um pouco por ser tão seco, mas faz o casamento perfeito entre diálogos sensacionais e ótimas atuações. Existem algumas escolhas na história e na forma como ela é contada que não me agradam, como os repentinos pulos no tempo, mas, por mais que eu não considere esse filme uma obra-prima, reconheço suas indiscutíveis qualidades. E ele está repleto delas.

FILME: 8.5


12 comentários em “Na coleção… Closer – Perto Demais

  1. Matheus como eu não vi esse post antes, sei que sempre anda fazendo sobre Closer, mas esse ficou impecável, assim como é o filme pra mim. Você sabe que é meu favorito, exatamente por ser tão seco como você disse no post.

  2. Leandro, acho que essa deve ser a melhor interpretação da Julia Roberts desde “Erin Brokovich – Uma Mulher de Talento”.

    Mateus, “Closer” se assemelha demais com “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”. Acho que é por isso que eu adoro esse filme!

    Sebo, e acho que esses são os melhores filmes, não? Aqueles que, com o tempo, se tornam melhores e mais compreensíveis…

    Mayara, o estranho é que eu acho que “Closer” não é um filme de “sentimentos”. Pelo menos para mim os sentimentos ficam mais escondidos e a racionalidade mais evidente…

    Hugo, exatamente!

    Cristiano, como eu mencionei no texto, demorei a apreciar esse longa.

    Reinaldo, não chegou a considerar obra-prima, mas adoro o resultado!

    Kelly, esse é aquele tipo de filme doloroso que só assisto quando estou meio pra baixo. Não tenho coragem de revê-lo em um dia feliz =P

    Ruthlea, concordo!

  3. Maravilhoso! Um dos meus filmes preferidos. Toda vez que assisto, surge uma teoria diferente na minha cabeça.

  4. Seu texto mostra bem o que o filme representa, a maneira humana dele – e ousada também – de desnudar alguns dos segredos do sexo, do amor e das inconstâncias dos seres.

    Eu também acho que Julia Roberts merece atenção neste, já que faz um bom trabalho!

    Sempre gostei do filme, desde a primeira vez que conferi.

    Abraço

  5. Diálogos cortantes, direção primoroso e um elenco afiado são os grandes trunfos do filme.

    Até mais

  6. Gosto bastante de como o filme lida com os conflitos e sentimentos de cada um e também pela primeira vez que assisti, não apreciei muito, mas acabou me ganhando mesmo depois de uma revisão. ;)

  7. Realmente é um ótimo filme, lembro que na primeira vez que o vi, achei confuso e estranho … mas como você mesmo disse, é um filme que tem que ser assistido várias vezes, até porque cada ‘exibição’ o filme revela algo novo e uma forma diferente de se interpretar. Filme belíssimo!

    []’s

  8. Há um certo reflexo do primeiro e poderosíssimo filme de Nichols — QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF? — nesse aqui. Atuações excelentes e um roteiro vigoroso, num filme que desnuda seus personagens através de diálogos afiadíssimos, tudo conduzido com destreza sem igual pelo veterano diretor. Um primor. 9/10

  9. a primeira frase de seu texto define o filme,uma grande tapa na cara muitíssimo bem dado,um dos melhores filmes que já assisti.Diálogos maravilhosos,Natalie Portman e Clive Owen brilhantes e Mike Nichols é genial na direção de atores (porque fazer Julia Roberts,atuar da forma incrível que atuou no filme não é pra poucos),final brilhante,tudo no filme é espetacular.
    Ótimo texto e abraços

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