O Discurso do Rei

If I am King, where is my power? Can I declare war? Form a government? Levy a tax? No! And yet I am the seat of all authority because they think that when I speak, I speak for them.

Direção: Tom Hooper

Elenco: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Michael Gambon,  Derek Jacobi, Jennifer Ehle, Andrew Havill, Tim Downie

The King’s Speech, Inglaterra, Drama, 118 minutos

Sinopse: Desde os 4 anos, George (Colin Firth) é gago. Este é um sério problema para um integrante da realiza britânica, que frequentemente precisa fazer discursos. George procurou diversos médicos, mas nenhum deles trouxe resultados eficazes. Quando sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter), o leva até Lionel Logue (Geoffrey Rush), um terapeuta de fala de método pouco convencional, George está desesperançoso. Lionel se coloca de igual para igual com George e atua também como seu psicólogo, de forma a tornar-se seu amigo. Seus exercícios e métodos fazem com que George adquira autoconfiança para cumprir o maior de seus desafios: assumir a coroa, após a abdicação de seu irmão David (Guy Pearce).

Nunca me acostumei a falar em público. Até hoje tenho sérios problemas em falar para muitas pessoas, especialmente porque sou tomado pelo nervosismo. Deve ser assim para a maioria das pessoas. Mas, para Albert (Colin Firth), a situação é ainda pior: além de ser obrigado a dar discursos, ele é gago. O Discurso do Rei, portanto, não planeja ser um estudo sobre a monarquia britânica e muito menos quer desenvolver questões políticas para construir a sua linha dramática. O filme tem como principal foco a superação de Albert para que ele possa exercer o cargo de rei sem ser motivos de deboche em função de sua gagueira. Ou seja, um filme de época focado no ser humano e não nos acontecimentos da realeza.

Desprezado em toda parte por ter conseguido um número surpreendente de indicações ao Oscar (foram doze, ao total), é fácil entender o porquê de O Discurso do Rei ter sido tão celebrado. Estamos diante de um longa-metragem que parece estar embalado em papel-presente para os prêmios e que atende a todos os requisitos que o público mais tradicional aprecia. É um filme de época que explora muito bem a parte técnica (com destaque para a fotografia e direção de arte) e que entrega para os atores a missão de engrandecer um roteiro correto e, de certa forma, esquemático. Então, quem não consegue entender o sucesso de O Discurso do Rei precisa prestar melhor atenção em alguns detalhes.

Trazendo um desempenho espetacular de Colin Firth (que, ano passado, já estava perfeito no subestimado Direito de Amar), o longa de Tom Hooper encontra nos atores a sua principal força. Se Firth apresenta um brilhantismo singular tanto no trabalho mais técnico quanto no emotivo (ele transmite humanidade com muita facilidade apenas no olhar), o ator também recebe a carismática ajuda do excelente Geoffrey Rush. Juntos, eles trazem os melhores momentos do filme – até porque não são apenas situações dramáticas, mas também bem humoradas e descontraídas. A dupla é o ponto alto de O Discurso do Rei, longa-metragem que aproveita para trazer uma Helena Bonham Carter mais contida e humana do que seus papéis habituais (e isso está longe de ser depreciativo).

Se Tom Hooper aposta em tipos de enquadramentos desnecessários apenas para chamar a atenção, pelo menos ele consegue comandar com segurança O Discurso do Rei. Elegante (ainda que sem aquele irresistível charme de A Rainha), o filme explora com qualidade todos os aspectos aproveitáveis de um tradicional filme de época. É um prato cheio para os fãs desse gênero (afinal, não lembro a última vez em que um filme desse estilo foi tão bem produzido), o que justifica completamente a adoração de muitos. Entretanto, ainda que não seja careta, O Discurso do Rei é quadrado e não consegue se livrar de certos maneirismos ultrapassados. Então, a adoração é compreensível, mas a dificuldade em aceitá-lo também é. Afinal de contas, o público de hoje, acostumado com propostas mais inovadoras como as dos recentes Cisne Negro e A Origem, ainda está disposto a abraçar um filme convencional como o de Tom Hooper? Eu ainda estou.

FILME: 8.0

NA PREMIAÇÃO 2011 DO CINEMA E ARGUMENTO:

12 comentários em “O Discurso do Rei

  1. Eu achei um ótimo filme, mas ainda assim não consigo celebrá-lo como tão brilhante como muitos andam pintando. Acho que filmes como Cisne Negro, A Rede Social e A Origem conseguem ser mais completo que ele em vários aspectos!

  2. Bela crítica, e concordo perfeitamente no que diz respeito à atuação contida da HBC. Em comparação a suas colegas de categoria nas diversas premiações, é um papel mais sutil, o que infelizmente, não costuma ser reconhecido.

    Além disso, ela tem excelentes discursos nas raras ocasiões onde ganha alguma coisa. Vide o BAFTA de ontem…

  3. Assisto no sábado! Mas ando esperando um filme leve de se assistir. Talvez possa abraçá-lo também, mas possivelmente não colocarei em um pedestal, como o filme do ano.

    Veremos!

  4. Faltou tanto a esse filme. Apesar da parte tecnica ser excepcional, e Rush e Firt estrem estonteantes, o roteiro é fragil, o assunto é raso, faltou ousadia ao roteiro para ser um filme ao menos bom.

  5. Ah, eu também estou disposto, hahaha! Acho que o filme é atraente justamente por isso: focar nos relacionamentos humanos e não na realeza. É um belo filme do gênero que realmente é bem “oscarizado”. A cena inicial já me tocou, mais pela atuação de Firth (novamente fantástico). Mas quando ele está dividindo a cen com Rush que a produção têm seus ápices. E HBC está ótima também.

  6. Ótima crítica e excelente questionamento que exteriorizado no final da crítica. A minha, que será publicada hj à noite, em certo nível dialoga com a sua. De qualquer maneira tenho uma ressalva. Não acho que Firth esteja espetacular. Na verdade, dos cinco indicados, penso ser ele o mais fraco. Estamos diante, invariavelmente, de um prêmio de consolação. É a justiça tardia, ainda que necessária, por seu fenomenal desempenho em Direito de amar.
    Aquele abraço!

  7. Achei um filme simpático e ele me conquistou por focar essa superação do George no seu problema de comunicação, não por ser da monarquia, apesar de gostar muito de filmes do gênero. O trio principal está ótimo, com destaque para Colin Firth. ;)

  8. Achei algumas cenas belíssimas (o desfecho é um exemplo), mas em sua maioria, O Discurso do Rei não passa de um filme maniqueísta, que, infelizmente não lida muito bem com as duas horas da projeção, ao abordar incessantemente a gagueira do Rei Albert.

  9. Uma história simpática, num filme tecnicamente feito sob medida para o Oscar. Curiosa a forma humanizada como a Família Real inglesa foi tratada, bem diferente do que vimos em “A Rainha”.

  10. Gostei bastante deste filme mesmo sendo tradicional.. isso sem levar em conta que eu pretendia ver “O abismo de Rei” hauahuahauahauahau
    Adoro Colin Firth! Fantástico o crescimento profissional dele nos últimos tempos!

  11. Robson, é um filme injustiçado justamente por não ser original como “A Origem” ou “Cisne Negro”…

    Julia, acho que a Helena Bonham Carter tem chances de vencer o Oscar…

    Victor, também não coloco o filme num pedestal, mas entendo completamente quem faz isso.

    Cleber, o problema do filme, pra mim, é o formato quadrado. Se fosse mais ousado, seria bem melhor.

    Fael, “O Discurso do Rei” me agradou bastante. Acho bobagem essa implicância da maioria com o filme…

    Reinaldo, que absurdo =O Colin Firth, para mim, é o melhor!

    Mayara, concordo =)

    Weiner, que pena que você não gostou… Eu achei bem legal.

    Kamila, não entendo quem diz não entender o favoritismo do filme ao Oscar. Ele foi feito sob medida para ganhar prêmios!

    Aline, estou cada vez mais surpreso com o crescimento do Colin Firth. Agora estou sempre curioso pelos próximos trabalhos dele.

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