O som das trilhas

127 Hours, por A.R. Rahman

As parcerias do compositor indiano A.R. Rahman com o diretor Danny Boyle sempre funcionam. Em 127 Horas não é diferente. Só que, dessa vez, ao contrário de Quem Quer Ser Um Milionário?, o resultado está muito longe de empolgar. As composições de Rahman funcionam no filme, mas, num geral, soam recicladas e repetitivas. Quem conhece o trabalho do indiano não vai se surpreender em momento algum na trilha de 127 Horas. Se existem alguns acertos (destaco a canção interpretada por Rahman e Dido, If I Rise), no geral, a trilha fica apenas no meio termo. Satisfatória, mas para se avaliar sem grandes expectativas.

Black Swan, por Clint Mansell

Realizar uma obra-prima a cada trabalho é questão de talento. E isso Clint Mansell tem de sobra. Se já não bastasse o inesquecível resultado de Réquiem Para Um Sonho, Fonte da Vida e, até mesmo, Lunar, eis que ele nos presenteia com Black Swan. Ora, que a Academia vá para o inferno por desclassificar trilhas só porque são “adaptadas”. Pouco me interessa se Clint Mansell construiu todo o álbum baseado em Tchaikovsky. O que eu ouvi foi um verdadeiro marco nas trilhas dos últimos tempos. Com algumas composições que são literalmente impecáveis, como Perfection, e transitando entre o suspense e as melodias de ballet, o que Clint Mansell fez em Black Swan é para ficar na memória.

The Special Relationship, por Alexandre Desplat

Não existem muitas novidades na trilha de The Special Relationship. Quem já teve a oportunidade de conferir o que Alexandre Desplat fez em A Rainha vai notar que o resultado é quase uma reprodução do que o francês apresentou no filme estrelado por Helen Mirren. É basicamente o mesmo estilo. No entanto, Desplat sempre sabe se reciclar com muita qualidade. E, apesar da trilha parecer repetitiva, tem saldo positivo como qualquer trabalho do compositor. Faixas como Tony Meets Bill comprovam isso.

Nosso Lar, por Philip Glass

Ainda não entendi o porquê do mestre Philip Glass ter se envolvido nesse péssimo filme. Sei lá se ele é espírita ou não, mas não vejo outra razão para ele ter tido interesse nesse projeto. De qualquer forma, a trilha de Glass é um dos pontos altos do filme. As referências a outros trabalhos do compositor estão evidentes (algumas composições são muito parecidas com as de Sob a Névoa da Guerra e Notas Sobre Um Escândalo). Mas Glass é sempre Glass. Satisfatório mesmo quando não está inspirado. Nosso Lar está longe de ser um grande momento dele. Contudo, traz a habitual competência do compositor que considero o mais singular do cinema.

The Social Network, por Trent Reznor & Atticus Ross

Merecidamente vencedora do Oscar 2011 em sua respectiva categoria, a trilha da dupla Trent Reznor e Atticus Ross para A Rede Social deu o tom certo para o filme de David Fincher. Utilizando muitas sonoridades eletrônicas e um estilo bem contemporâneo, foi até surpreendente uma trilha tão atual ter sido premiada pelo conservadorismo da Academia. Possuindo, no mínimo, uma composição brilhante (Hand Covers Bruise é de arrepiar), a trilha de A Rede Social é, desde já, uma das melhores do ano.

L’Illusioniste, por Sylvain Chomet & The Britoons

A trilha de O Mágico reproduz muito bem todo o estilo visual e narrativo do longa de Sylvain Chomet. O diretor, por sinal, é o compositor da trilha, que também traz músicas do grupo The Britoons. Chomet, apostando no puro e simples piano, cria composições que variam entre o melancólico e a alegria. Simplicidade, tanto no filme quanto na trilha, é o que mais chama atenção. E, no final do álbum, com Ilussioniste Finale, ficamos exatamente com essa impressão.

4 comentários em “O som das trilhas

  1. Mateus, não vejo dessa forma. Pelo menos para mim, a trilha de “127 Horas” não traz novidades! Quanto a “Cisne Negro”, não daria tantos créditos assim para Tchaikovsky. Ok, Mansell teve seu trabalho todo baseado nele, mas o que ouvimos em “Cisne Negro” é uma maravilhosa alterância sonora dos sons de Tchaikovsky. Mansell teve sim sua grande parcela de méritos ali.

    Kamila, sempre espero ansioso pela próxima parceria entre Mansell e Aronofsky!

    Mayara, concordamos em tudo, então =)

  2. A trilha de “127 Horas” funciona super bem no filme, mas acho que somente nela e gostei do modo como usaram “If I Rise” também. Já “Cisne Negro” é uma obra-prima sonora, bela e sombria, do jeito que é o filme e “A Rede Social” funciona dentro e fora do filme, pelo tom de agilidade e moderna.

    ;)

  3. Conheço poucas trilhas do post, mas a minha favorita, sem dúvida, é a de “Cisne Negro”, que exerce, aliás, papel importante no desenrolar da trama. A parceria Clint Mansell e Darren Aronofsky funciona bem demais!!!

  4. Como não vi nem ouvi as trilhas de THE SPECIAL RELATIONSHIP e O MÁGICO, comento sobre as outras:

    Discordo quando você comenta que quem conhece o trabalho de A. R. Rahman não irá se impressionar com a trilha de 127 HORAS. Reitero que elas funcionam muito bem no filme, mas não tanto fora dele. Ainda assim, acho excelentes composições. O uso dos instrumentos de corda deixou-as totalmente diferentes de tudo que ele já havia feito. Aliás, em entrevistas, Rahman disse que aprendeu a tocar violão para compor a partitura.

    Quanto a de CISNE NEGRO, admiro o trabalho de Mansell, mas não podemos nos esquecer da maravilha que é o balé original de Tchaikovsky, de onde praticamente derivam todas as composições do álbum. Há pouquíssimas peças originais, e elas não justificariam uma indicação ao Oscar de Partitura Original. No entanto, o trabalho de adaptação de Mansell juntamente com mais dois músicos, esse sim mereceria sem dúvidas algum reconhecimento, nem que fosse um prêmio especial de adaptação, já que a categoria não existe mais.

    Sobre o trabalho de Glass em NOSSO LAR, repito seus comentários. Foi a única coisa no filme que não chamei de desastre.

    Sobre a de A REDE SOCIAL, também fico feliz e até surpreso com a vitória no Oscar, e exatamente pelos mesmos motivos que você aponta. Aliás, Fincher merece igualmente aplausos por sempre saber escolher os compositores ideais para seus projetos. Que eu lembre, ele nunca repetiu parcerias, mas os resultados sempre foram excelentes nos filmes em questão.

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