Rio

I’m chained to the only bird in the world who can’t fly!

Direção: Carlos Saldanha

Com as vozes de Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Rodrigo Santoro, Jamie Foxx, Leslie Mann, Tracy Morgan, Jane Lynch, will.i.am, Jemaine Clement

EUA, 2011, Animação, 96 minutos

Sinopse: Blu (Jesse Eisenberg) é uma arara azul que nasceu no Rio de Janeiro mas, capturada na floresta, foi parar na fria Minnesota, nos Estados Unidos. Lá é criada por Linda (Leslie Mann), com quem tem um forte laço afetivo. Um dia, Túlio (Rodrigo Santoro) entra na vida de ambos. Ornitólogo, ele diz que Blu é o último macho da espécie e deseja que ele acasale com a única fêmea viva, que está no Rio de Janeiro. Linda e Blu partem para a cidade maravilhosa, onde conhecem Jade (Anne Hathaway). Só que ela é um espírito livre e detesta ficar engaiolada, batendo de frente com Blu logo que o conhece. Quando o casal é capturado por uma quadrilha de venda de aves raras, eles ficam presos por uma corrente na pata. É quando precisam unir forças para escapar do cativeiro.

Para nós, brasileiros, deve ser quase impossível assistir a Rio sem tentar analisar o nível de veracidade do retrato que o diretor Saldanha fez da cidade-título. Afinal, não é todo dia que uma capital brasileira ganha tanto destaque mundo afora. Rio teve uma estreia astronômica no Brasil (o filme que teve a maior distribuição na história de nosso país), mas foi inteiramente produzido no exterior, contando, inclusive, com a dublagem de vários astros norte-americanos. Mas, então, Saldanha foi fiel aos seus conterrâneos ou foi influenciado pela visão de quem está de fora? Digamos que um pouco dos dois.

Ao passo que utiliza com a maior perfeição técnica os cenários do Rio de Janeiro (o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e o sambódromo parecem quase reais), também fica a impressão que Saldanha confundiu a “cidade maravilhosa” com a Amazônia. Os mais diversos tipos de araras voam pelo céu do Rio de Janeiro, macacos convivem com as pessoas pelas ruas e a natureza é retratada como uma floresta cheia de cobras, sapos e passarinhos… Agora, vamos ser sinceros: apenas os brasileiros se importam com isso. Quem é de fora nem vai dar importância. E nós também nem deveríamos. O que importa é a diversão.

Sejamos sinceros: Rio tem um grupo de personagens simplesmente sensacional. É raro achar figuras tão carismáticas e divertidas como as que foram mostradas aqui. E o melhor de tudo é que os personagens não são adoráveis simplesmente porque nos proporcionam momentos de diversão ou porque conquistam com suas magnéticas personalidades. Além de tudo isso, eles são técnicamente impecáveis. Tão verdadeiros que são daquele tipo que dá vontade de ter como animal de estimação, sabe? Ponto positivo para as crianças, que serão facilmente atraídas por eles e também para os adultos, que, assim como os pequenos, poderão desfrutar do visual colorido e vibrante.

Só é de se lamentar que, em termos de roteiro, Rio esteja bem aquém da qualidade que seus ótimos personagens proporcionam. O enredo não poderia ser mais básico (o animal que é capturado por um vilão e que tenta, desesperadamente, voltar para a sua dona que está em prantos) e o roteiro não faz muita questão de aprimorar esse formato. As resoluções são óbvias, ao mesmo tempo em que certas problemáticas se estendem mais do que deveriam – sejam em números musicais ou em cenas dramaticamente previsíveis. Nesse sentido, Rio sofre por não conseguir ir além das típicas animações que envolvem animais.

Se não fosse por esse detalhe, a animação de Carlos Saldanha conseguiria estar, por exemplo, no nível de um filme da Pixar. Potencial tinha. A maior prova disso é a sequência no sambódromo (que tem um excelente ritmo e um design muito interessante), a dublagem bem pontuada (a versão legendada é altamente recomendável), o visual, os personagens… Falhou no básico: a construção de uma história sólida e que explorasse melhor todos os outros setores. Criticado por ser uma versão antiquada ou “Zé Carioca” do Rio de Janeiro, a animação tem sim seus pontos positivos e é uma diversão garantida. Sabe como dá para perceber isso? Ora, as crianças não sairão nem um pouco decepcionadas… E acredito que os adultos sem grandes expectativas também não.

FILME: 7.5


7 comentários em “Rio

  1. Rafael, é bom ver uma campanha forte para um filme que homenageia nosso país, mas “Rio” está longe de ser uma grande animação!

    Reinaldo, thanks! =)

    Weiner, concordo com o que você disse… O que eu critiquei foi o diretor ter colocado todo o zoológico para transitar entre as ruas do Rio de Janeiro haha

    Kamila, eu acho que “Rio” vencerá o Oscar de melhor animação… Duvido que “Carros 2” ou “Kung Fu Panda 2” saiam vitoriosos…

    Otavio, concordo! “Rio” é feito para crianças, mas também para aqueles adultos que gostam de acompanhá-las ao cinema só para assistir também. Nesse sentido, é um filme bem recomendado!

  2. Aaaaaaah, aí é que tá, meu caro, existem sim saguís no Pão de Açúcar. Tenho até foto.

    Mas acredito que Saldanha tenha feito o Rio de seus sonhos, como Fellini sonhou sua Itália e Woody Allen delirou com sua Nova York, em filmes como “Manhattan”.

    E o roteiro é bem água com açúcar, não traz nada de novo. Mas… vi “Rio” como um filme para crianças. Acho que Saldanha trouxe o gênero de volta para o público que mais se importa com animações: as crianças.

    Abs!

  3. Caro Matheus Pannebecker,

    faço a assessoria de imprensa do documentário “Do jazz ao samba”, que inovou na forma de captação de recursos para o cinema nacional. Abaixo segue a notinha sobre o assunto. Fique à vontade para utilizá-la no blog ou entre em contato através deste e-mail para combinarmos uma entrevista exclusiva com o diretor.

    A dificuldade de captar recursos que assola o cinema brasileiro fez o estreante diretor Bruno Veiga Neto buscar apoio popular para lançar o documentário “Do Jazz ao samba”, que conta com entrevistas com Norah Jones, Will.I.Am, Elza Soares e vários críticos ilustres como Miele e Tárik de Souza. O filme fala sobre a interação de ritmos em vários países e o trailer está no site http://tinyurl.com/dojazz, onde internautas e empresas podem doar entre R$ 50 e R$ 75 mil em troca de benefícios como ter o próprio nome como patrocinador oficial. Se até o dia 5/6 as doações não atingirem o total de R$ 40 mil, o valor sequer é debitado da conta dos voluntários.

  4. Hum, mesmo com seu texto totalmente realista, eu confesso que quero muito assistir a este filme. Até porque é a primeira grande animação do ano a estrear. Um forte concorrente, até, ao Oscar da categoria.

  5. Estou curioso, verei esta semana. Sobre os esterótipos, acho mais é que tem de mostrar carnaval, futebol, e escola de samba mesmo… É um filme animado, de comédia e tal; não há espaço para existencialismos ou belezas que transcendam o óbvio. Tem uns críticos que pareciam esperar por uma animação ao nível de Persépolis, por exemplo. Poupem-me…
    Abraço!

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