Uma história roubada?

Quem não assistiu pelo menos deve conhecer o enredo da novela Mulheres de Areia, exibida pela rede Globo nos anos 90. Se o título não está nem perto de trazer qualquer lembrança, podemos definir a novela de Wolf Maya da seguinte maneira: duas irmãs gêmeas (uma boa e outra má) se apaixonam pelo mesmo homem. A má leva a melhor e fica com o mocinho só que, anos depois, as duas irmãs se envolvem em um acidente, onde a má “morre” e a boa, ao tentar socorrer a irmã, fica apenas com o anel de noivado em mãos. A partir daí a boa, para conseguir viver o romance que lhe foi roubado, assume a identidade da irmã.

Alguns também podem dizer que esse enredo é uma variação da clássica novela exibida pelo SBT, A Usurpadora, que ficou conhecida pelas impagáveis maldades da vilã Paola Bracho. Eis que levo uma surpresa quando pesquiso alguns filmes de Bette Davis e descubro que até ela já foi protagonista desses enredos de irmãs gêmeas boas e más! Em Uma Vida Roubada, Bette interpreta Patricia e Kate Bosworth, que vivem a mesma história que foi apresentada décadas depois em Mulheres de Areia. Uma Vida Roubada também foi baseado em outro material com essa história, o livro Uloupeny Zivot, de Karel J. Benes. Ou seja, impossível saber quando se originou a ideia dessa trama de gêmeas ladras de identidades…

Assim que fui assistir Uma Vida Roubada, já estava me preparando para assistir mais uma novela mexicana (talvez no bom sentido, como A Usurpadora). Foi bom estar enganado! O filme de Curtis Bernhardt está longe de apresentar caricaturas ou traços mais novelescos envolvendo esse assunto. Sim, a irmã boa e a irmã má estão ali, mas nunca vemos extremos em suas personalidades. A boa não é uma panaca ingênua e a má também não apresenta aquela personalidade dissimulada e cruel. Uma é boa (leia-se virtuosa e alegre) e a outra é má (leia-se competitiva e invejosa). Nada além disso. Nada de exageros. Ponto positivo!

Ao invés de direcionar o foco principal para a inversão de identidades (que só acontece depois de transcorrida mais da metade do filme), o roteiro tem maior preocupação em construir o perfil psicológico das personagens, em especial a de Kate (a boa), que é a protagonista. É no cotidiano dela e na forma como a outra irmã influencia a sua vida que Uma Vida Roubada ganha ritmo e vários destaques. A produção encontra o tom correto para as situações e, claro, acerta na forma como encena a inversão de vida das personagens. O pecado está apenas no final, onde Uma Vida Roubada termina de forma repentina e pouco convincente, apostando num desfecho que destoa um pouco do que estava sendo trabalhado.

Agora, tudo isso não seria possível sem a extraordinária Bette Davis. Esnobada pelas premiações (o longa recebeu apenas indicação para o Oscar de efeitos especiais), a atriz apresenta um trabalho cheio de detalhes. Incrível como Bette consegue transitar entre as duas personagens sem nunca se perder. Sutileza é a palavra-chave. É o tom de voz, um gesto diferente ou alguma expressão mais contida… Nada de Bette Davis geniosa ou difícil como em tantos outros filmes. É um trabalho muito digno e que, sem dúvida, está entre os momentos mais interessantes da carreira dela. Mais uma vez, Bette uniu uma ótima interpretação com um filme excelente. Presente de uma atriz eternamente insubstituível!

5 comentários em “Uma história roubada?

  1. E assisti as 2 novelas,mas sem comparacao A Usurpadora é mil vezes melhor que Mulheres de Areia,A Usurpadora tem humor,drama,acao,a historia rende,tem movimento ja Mulheres de Areia e muito agua com acucar,so tem movimento no final da novela e um desfecho muito sem-graca para o ultimo capitulo.

  2. Mas tem um erro aí. “Mulheres de Areia” não é do Wolf Maya, mas sim da Ivani Ribeiro, que também já tinha escrito essa novela em 73 na TV Tupi e, antes, tinha escrito a radionovela “As noivas morrem no mar”. Creio que Ivani não roubou a história, até porque ela já não era original na época do filme, mas gêmeas são sempre boas fontes pra teledramaturgia!

    Vale lembrar que a Inés Rodena, que escreveu A Usurpadora, também já tinha feito uma radionovela nos anos 50….

  3. Alan, só acompanhei algumas partes de “A Usurpadora”, mas adorava Paola Bracho! hahaha

    Victor Nassar, essa da Alessandra Negrini era péssima!

  4. Olha, eu ri aqui com Mulheres de Areia e A Usurpadora! haha confesso que assisti as duas e gostava. Impressionante como histórias de irmãs gêmeas, boa e má, sempre atrai o público. Recentemente teve aquela Paraíso Tropical, em que a Alessandra Negrini também interpretava esses papéis. Enfim.

    Interessante acompanhar o choque de realidade com um filme como “Uma Vida Roubada”. Nunca tinha me atentado a esse filme pra dizer a verdade. Depois da crítica aqui, me interessei. Tks!

  5. Não conhecia o filme, mas como um bom admirador de Davis, vou procurar assisti-lo o quanto antes :D

    ps: “A Usurpadora” era uma boa novela, uma das únicas que acompanhei do início ao fim (senão a única mesmo) rsrs

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