Reencontrando a Felicidade

 I’m sorry. Things aren’t nice anymore.

Direção: John Cameron Mitchell

Elenco: Nicole Kidman, Aaron Eckhart, Dianne Wiest, Sandra Oh, Tammy Blanchard, Giancarlo Esposito, Miles Teller, Jon Tenney

Rabbit Hole, EUA, 2010, Drama, 91 minutos

Sinopse: Becca (Nicole Kidman) e Howie Corbett (Aaron Eckhart) são um casal feliz, cujo mundo perfeito é mudado para sempre quando seu pequeno filho, Danny, é morto por um carro. Becca, uma executiva que virou dona-de-casa, tenta redefinir sua existência com a família bem-intencionada e amigos. Dolorosas, pungentes, e muitas vezes engraçadas, as experiências de Becca vão levá-la a encontrar consolo em um relacionamento misterioso com Jason, um jovem e perturbado artista de quadrinhos que conduzia o carro que matou Danny. Howie mergulha no passado, buscando refúgio em estranhos que lhe oferecem algo que Becca é incapaz de dar. Os Corbetts, à deriva, fazem surpreendentes e perigosas escolhas enquanto decidem por um caminho que vai determinar seus destinos.

John Cameron Mitchell só realizou, até o momento, três filmes como diretor. O primeiro, Hedwig – Rock, Amor e Traição era cheio de originalidade e um excelente longa-metragem. O segundo, Shortbus, foi mal recebido em função de suas estranhezas. Ou seja, dois filmes extramemente diferentes e que, de certa forma, não definiam o verdadeiro perfil de Mitchell. Por isso, tinha muita curiosidade em assistir Reencontrando a Felicidade. Queria saber o que o diretor aprontaria em sua nova empreitada. E, para a minha surpresa, encontrei um resultado convencional e sem qualquer ousadia, diferindo-se dos trabalhos anteriores do diretor.

Baseado em uma peça vencedora do Tony e do Pullitzer, o filme está longe de ter o impacto de outras histórias sobre perdas de filhos como O Quarto do Filho e Entre Quatro Paredes. Na verdade, Reencontrando a Felicidade tem resultado morno para essa temática. É uma história que parece ter seus dramas “amenizados” para alcançar o grande público. Alguns podem dizer que essa decisão é um sinônimo para sutileza. Não ao meu ver. O roteiro é demasiado previsível em seus dilemas. É aquela velha história do “Eu não estou sofrendo como deveria?” ou “Eu não estou demonstrando a minha dor o suficiente?”. Diálogos e situações que já vimos muitas vezes em outras ocasiões com muito mais eficiência.

Devido a esse roteiro sem novidades, o elenco não recebe chances promissoras. Nicole Kidman – pela primeira vez em muito tempo num filme que foi bem recebido pela crítica e em que ela está bem – alcança resultado satisfatório, mas longe de ser tudo isso que seus fãs e as indicações para premiações apontaram. Kidman esteve melhor em outros longas como A Pele e Margot e o Casamento, por exemplo. Já Aaron Eckhart tem um ou outro momento mais expressivo, uma vez que seu papel exige isso. Ou seja, Reencontrando a Felicidade é um filme que tem saldo positivo e que consegue lidar com a temática de perder um filho sem cair no melodrama, o que é sempre interessante. No entanto, não precisava ser tão morno e contido… Do jeito que ficou, parece um filme feito para TV – no sentido negativo dessa comparação.

FILME: 7.0


12 comentários em “Reencontrando a Felicidade

  1. Adorei o filme, mas assim como o Matheus eu achei a proximidade dela com o garoto um tanto estranha.

  2. Alan, a Kidman está bem em “Reencontrando a Felicidade”, mas, como eu disse, nada de tão excepcional que não possa ser comparado com “A Pele”, por exemplo…

    Luís, talvez eu tenha esperado demais do John Cameron Mitchell, já que ele é um diretor que sempre faz filmes bem diferentes e não tão óbvios como esse.

    Cristiano, eu gostei da Nicole em “Margot e o Casamento”, não do filme – até porque acho o Noah Baumbach um sujeito bem superestimado.

    Rafael, ela está bem no filme sim…

    Luis, não sei se a palavra certa é “clichê”… Prefiro usar o “óbvio” =)

    Kamila, filmes desse assunto sempre me atingem, mas fiquei meio indiferente com o resultado de “Reencontrando a Felicidade”.

    Brenno, não consegui sofrer pelos personagens, me senti apenas um observador. Nesse sentido de sofrer junto, “O Quarto do Filho” ainda permanece imbatível nesse tipo de filme!

    Amanda, longe de estar no ápice… Esse filme, na realidade, representa o primeiro grande passo para a Nicole voltar a ter ápices =)

    Victor, pena que não me senti movido com o filme =/

    Rafael, já essa proximidade entre a Kidman e o rapaz me pareceu muito estranha…

  3. Não acho que exista uma amenidade no filme. Realmente, não há nada de muito novo dentro desse tipo de narrativa, mas acredito que o filme consegue equilibrar muito bem as várias questões que se apresentam a seus protagonistas de forma madura e nunca histérica. A proximidade da personagem de Kidman com o rapaz que cometeu o atropelamento é, para mim, a mais tocanto do filme. E o elenco está todo muito bem, inclusive a Kidman que há um bom tempo nos devia uma participação assim.

  4. Bom, como alguns acima, também discordo um pouco de você. A história é batida, é verdade, mas isso não significa que seja conduzida de maneira óbvia. Acho que há uma grande sutileza nisso tudo que torna o filme justamente agradável, sem ser é necessário ir ao fundo do sentimento e do sofrimento dos personagens. A Fotografia e a Edição dão certa agilidade que poderia ser perdida em virtude da temática da perda, poderia tender a uma melancolia tediosa. E a Trilha belissimamente escolhida funciona pra deixar-nos [ou pelo menos a mim] refletindo sobre tudo, nos dá um tempo pra assimilarmos a situação junto com os personagens, o que poderia não ocorrer se fosse um filme mais intenso, que iria atirando os fatos no espectador.

    Comigo o filme funcionou bastante e realmente me emocionou.

  5. Olha, Matheus respeito sua opinião, mas discordo bastante. Um roteiro não precisa ser original para ser bom, ele precisa ser bem construído, fazer sentido. E o roteiro de Rabbit Hole, na minha opinião é muito bem feito, não nos trata como tolos. Acho que sua observação acaba sendo o contrário do que acredito, já que o grande público é atraído pelo melodrama, pela emoção exacerbada fácil, pelos clichês e truques que ajudam a platéia a chorar junto com o personagem. O filme não tem nada disso. É próximo do real, como ressaltou Luis aí em cima.

    Mas, concordo que não é a melhor atuação de Nicole Kidman, o que não quer dizer que ela não esteja bem no filme. Está ótima, apenas não no ápice.

    abraços

  6. Sorry, mas eu discordo. Acho Nicole Kidman excelente. Não sai da minha cabeça ela na reunião de pais que perderam os filhos, no boliche com a família e quando vê o atropelador saindo com amigos. Vou reproduzir a conclusão do texto que fiz sobre o filme: “Com uma história de uma alma em luta após algo que parece ser insuperável, Reencontrando a Felicidade acerta ao mostrar todas as variações na vida de um pai e uma mãe após a morte de um filho. Sim, podemos buscar a normalidade ao estarmos próximos de um casal assim, já que tudo, direta ou indiretamente, faz com que recordemos algo triste. Logo, sofremos por eles, mesmo que sejamos um simples espectador vendo a um filme. O desfecho traz de forma brilhante o que o ser humano mais odeia fazer em um momento como esse: Deixar a vida continuar.”

  7. Poxa, Matheus, teu texto foi um banho de água fria no que eu esperava ser esse filme tendo em vista as outras críticas e elogios que andava lendo. Mas, mesmo assim, quero ver MUITO!!!!

  8. Também acho o roteiro extremamente clichê, mas acho que foi conduzido bem. Fica com um saldo positivo, mas sem super pretensões desnecessárias.

  9. Parabéns ao comentário do Luis a cima, faz juz a este belo filme. Concordo, integralmente, com ele. Sem tirar nem por.

    E jura que voce gostou de ”Margot e o Casamento”? Nem Kidman salva este filme. rs!

    Abraço

  10. Acho que as nossas opiniões divergem um pouco. Para mim, o filme alcança um bom resultado exatamente por não querer ser mais do que pode ser – e acho, honestamente, que ele consegue ser muito, principalmente porque a temática não requer originalidade e criá-la muito provavelmente seria transformar o tema em um show de estranhezas. Que poderia fazer esse casal senão se portar como eles se portam? Se o diretor optasse por um veia mais cômica, decerto viraria um Amelie Poulain estranho; se o diretor carregasse com mais drama, a obra seria chata de se acompanhar, tamanha a comidade de fazer o público se emocionar com um casal que chora o tempo todo a perda do filho.

    Não vi grandes problemas no filme. Ainda que eu reconheça que o roteiro não é originalíssimo – e, para mim, honestamente não precisaria sê-lo -, eu acho que a estrutura fílmica de Rabbit Hole é realmente interessante e inclusive penso que seja um dos melhores filmes a que assisti em 2011. A respeito de Nicole Kidman: para mim, está linda e sua atuação não é mínima, mas dramática no tom certo; por isso concordo totalmente com as indicações e os elogios que tem recebido.

  11. Concordo contigo, acho a atuação de Kidman em “A Pele” formidável.”Margot e o Casamento”, idem. Mas, eu só gostei da Nicole em cena, já que o filme deixa bastante a desejar (pra mim, pelo menos). Bem, quero ver este justamente pela atuação de Kidman. Nada mais.

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