Deixe-me Entrar

I told you we couldn’t be friends.

Direção: Matt Reeves

Elenco: Kodi Smit-McPhee, Chloe Moretz, Richard Jenkins, Cara Buono, Elias Koteas, Sasha Barrese, Dylan Kenin, Chris Browning, Ritchie Coster

Let Me In, EUA, 2010, Suspense, 115 minutos

Sinopse: Owen (Kodi Smit-McPhee) é um garoto solitário, que vive com a mãe e é sempre provocado pelos valentões da escola. Um dia ele conhece, perto de sua casa, Abby (Chloe Moretz). Sempre nas sombras, ela aos poucos de aproxima de Owen e logo se tornam amigos. Só que Abby possui um segredo: ela é muito mais velha que sua aparência indica e necessita de sangue para sobreviver. Para consegui-lo, seu acompanhante (Richard Jenkins) realiza assassinatos na surdina, de forma a retirar o sangue das vítimas e levá-lo para Abby.

Raramente refilmagens norte-americanas de filmes estrangeiros funcionam, principalmente quando elas são feitas às pressas e pouco tempo depois do original ter recebido destaque. Se Quarentena, remake do maravilhoso terror espanhol [REC] foi um exemplo de como isso pode dar errado, Deixe-me Entrar vem para trazer algumas surpresas. Derivado do sueco Deixe Ela Entrar, de 2008, esse remake de Matt Reeves prova que copiar a ideia de outros países, às vezes, pode funcionar.

Talvez fosse justamente essa veia mais comercial que impedia Deixe Ela Entrar de ser um grande filme. O original tinha suas boas ideias, mas não apresentava o ritmo necessário para atingir um grande público. Ele se alternava entre o suspense e o drama humano, o que afastava aqueles que procuravam uma história mais dinâmica no mistério. Deixe-me Entrar corrigiu isso e apresentou um resultado mais abrangente. Claro que muito se perde – as estéticas norte-americanas para o suspense não são lá tão originais e aqui isso fica presente na irregular trilha de Michael Giacchino, que varia entre a diversidade e o previsível – mas, no geral, mostra-se mais eficiente que o original.

Sorte que a história, na transição de países, não perdeu aquilo que era o seu principal foco: a relação entre os dois personagens principais. E esse é outro aspecto muito interessante dessa refilmagem. Trazendo dois ótimos atores para os jovens papeis (Kodi Smit-McPhee, de A Estrada, e Chloe Moretz, de Kick-Ass), o enredo ficou ainda mais verossímil por causa deles. Eles seguram o filme com segurança, especialmente porque os coadjuvantes não possuem tanta importância – e Richard Jenkins, por exemplo, tem pouco a fazer com seu papel limitado.

Mesmo que levemente superior ao filme sueco, Deixe-me Entrar não consegue se desvencilhar da incômoda sensação que deixa de trabalho requentado. Não existe nada de muito novo (a não ser, como já mencionado, um tratamento maior de suspense) e fica mais do que claro que não existem razões artistícas para esse filme ter sido feito. Como sempre, é uma jogada comercial. Existem cenas idênticas, assim como as resoluções. Com isso, Deixe-me Entrar não consegue contar nada além de uma história repetida. Se fosse o original e não a cópia, certamente seria ainda mais interessante…

FILME: 8.0

10 comentários em “Deixe-me Entrar

  1. Para mim a obra original é uma das melhores de seu ano. E em suma, o remake é o que a obra sueca seria sem as citações a homossexualidade e a pedofilia. Mas, concordo com você em relação ao suspense mais presente e que , no final das contas, é um bom filme. Porém, na minha opinião, não supera o conjunto que Alfredson conseguiu.

    Abraço!

  2. Infelizmente ainda não tive a chance de conferir, nem o original. Mas, o farei assim que possivel.

  3. Eu vi esse primeiro, por isso gostei MUITO!
    Como te disse, o filme ainda consegue ser mais interessante por conta de Chloe e Kodi, dois atores talentosos!

    Abraço

  4. Estou curiosíssimo pra conferí-lo,mas antes gostaria de assistir ao original que também não assisti,de fato esse me parece mais interessante pelo elenco,mas não garante nada,me animei pra assistir após o texto.
    Abraços

  5. Eu queria assistir, primeiro, ao longa original, antes de conferir a refilmagem. Mas, acho que isso será difícil…. De qualquer maneira, muito me interessa ambas as obras! :)

  6. Assisti primeiro ao original e isso pesou bastante quando fui assistir a essa nova versão. A sensação de deja vu não saiu do lado, o que me incomodou um pouco. O primeiro é bom. estranhamente bom, já o segundo é coincidentemente bom.

  7. Fico aqui pensando o que justifica a feitura de um filme como esse (além é claro do dinheiro), já que se trata do mesmo filme original, plano a plano, fala a fala. Mas qualquer relação afetiva que eu pudesse ter com esse filme ficou lá com o filme anterior.

  8. Eu assisti a este filme hoje. Como comentei anteriormente, não conheço a obra original, mas achei este remake muito bom do ponto de vista do thriller psicológico. Achei uma obra perturbadora e agoniante. O que me deixou mais curiosa ainda para conferir o original.

  9. Pois é, também tive essa impressão de que se fosse o original, seria melhor. O Reeves respeitou muito a obra original, mantendo bastante coisa, o que é bom por um lado e ruim por outro, já que não traz nada de muito diferente. Concordo também que a dupla protagonista só melhora o filme, moretz cada vez melhor nessa sua carreirinha, mas discordo sobre a trilha do giacchino, que, apesar de não ser das suas melhores, possui ótimas composições que se encaixam perfeitamente nas cenas. Gostei muito de Let Me In. Pra mim, uma surpresa. Não achei que daria certo uma coisa feita tão às pressas.

  10. Alyson, prefiro ligeiramente esse remake…

    Cleber, os dois são filmes bem interessantes, ainda que quase que idênticos.

    Cristiano, certamente o elenco juvenil desse remake é bem melhor!

    Leandro, o elenco do remake supera o do original…

    Kamila, e eu sei que você já aprovou esse remake! =)

    Victor, não adianta, essas refilmagens de filmes recentes sempre deixam sensação de deja vu – e, na maioria das vezes, isso incomoda muito!

    Pedro, acho que não existe outra razão a não ser a comercial!

    Alexsandro, também foi uma surpresa para mim.

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