Na coleção… Desejo e Reparação

Desejo e Reparação pode ser considerado um clássico contemporâneo. Dificilmente, nos dias de hoje, um filme de época foi tão bem produzido e, ao mesmo tempo, conseguiu ser extremamente emotivo e até mesmo reflexivo. Narrando a secreta e conturbada história de amor de Robbie (James McAvoy) e Cecilia (Keira Knightley), que é subitamente interrompida pelas atitudes inconsequentes da jovem Briony (Saoirse Ronan), o diretor Joe Wright realizou um grande trabalho que foi injustamente desdenhado pelas premiações – era, por exemplo, superior ao grande vencedor do Oscar, Onde os Fracos Não Têm Vez.

A estrutura da história é claramente divida em três atos bem distintos em todos os sentidos. O primeiro, passado em um verão na Inglaterra, é o melhor de todos porque, além de contar com uma extraordinária performance da jovem Saoirse Ronan, pontua muito bem o psicológico de cada personagem, explora a motivação de cada um deles e apresenta os fatos da forma mais bela possível – e, nisso, incluímos a fotografia de Seamus McGarvey e a inesquecível trilha do italiano Dario Marianelli. Já o segundo, passado em um período de guerra, mantem a excelência técnica, mas não consegue preservar o excelente ritmo apresentado até então. Em termos de ritmo, é justamente o oposto do primeiro ato.

E, na terceira e última parte, Desejo e Reparação nos resevera inúmeras surpresas. É no desfecho que descobrimos a verdade sobre tudo que foi apresentado anteriormente. Assim, além de ter o poder de surpreender diversas vezes, o roteiro também encerra com maestria a jornada de cada um dos personagens. Essa emoção está claramente explícita na cena final, onde Vanessa Redgrave surge para narrar um dos finais mais emblemáticos dos últimos anos. Por todos esses motivos, Desejo e Reparação revela-se um filme indispensável do cinema contemporâneo e falar mais do que isso é correr o risco de estragar o que existe de maravilhoso nesse longa…

FILME: 9.0

12 comentários em “Na coleção… Desejo e Reparação

  1. O DVD que eu comprei tem Desejo e Reparação e Orgulho e Preconceito. Matei dois coelhos ! HAHA
    Vale muito a pena ter né.

  2. Revi o filme. Já gostava muito dele, mas desse vez (a terceira que vejo), apreciei ainda mais. Virou meu segundo preferido entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme daquele ano (atrás apenas do vencedor). Nem percebi os problemas que eu lembrava ter com o segundo ato. Muito próximo de uma obra-prima mesmo.

  3. Reinaldo, gosto muito de “Onde os Fracos Não Têm Vez”, mas “Desejo e Reparação” me emocionou, o que fez toda a diferença…

    Nelson, exatamente! O segundo ato pode até ser lento e meio monótono, mas não tira a beleza desse filme.

    Mateus, quero muito ler o romance de Ian McEwan!

    Leandro, concordo totalmente =)

    Mayara, também destaco a Vanessa Redgrave, dona da cena mais devastadora do filme…

    Alan, é muito belo mesmo!

    Cleber, não é o que mais me encantou visualmente, mas, nos últimos anos, certamente está nessa lista…

    Aline, a Briony é o capeta! Assiste a minissérie “Mildred Pierce”, com a Kate Winslet, que tu vais achar a irmã gêmea dela haha

  4. Excelente!! Adoro e morro de medo da Briony até hj! hhahahauhua

  5. Tudo no filme caminha perfeitamente. O filme funciona como um bom conjunto de obra, já que em todos os fatores conseguem ser autossuficiente. Okay, a palavra certa não é esta… Mas, o filme é belo em tudo aquilo o que se propõe!

    Abs.

  6. Além de ser belíssimo, consegue adaptar bem o também belo livro do McEwan. È a questão da mentira e de como ela consegue mudar drasticamente não só a vida das pessoas ao seu redor, mas também da própria Briony, que acabou virando uma pessoa, digamos, amargurada. O elenco todo está ótimo, com destaque para McAvoy, Saoirse e Romola Garai. ;)

  7. Desejo e Reparação é um dos meus filmes favoritos,concordo com exatamente tudo o que você disse,as atuações são maravilhosas (principalmente do trio que interpreta Briony) e a trilha sonora de Dario Marianelli maravilhosa,enfim,um filme essencial.

  8. E que felicidade não foi eu descobrir uma obra-prima dessas depois de ter lido o maravilhoso e incomparável romance de Ian McEwan (meu livro favorito)? O trabalho de Joe Wright em conduzir tantos elementos com tamanha segurança e propriedade é, sem dúvida, impressionante. [10/10]

  9. É quase uma obra-prima mesmo (a única resalva fica por conta do segundo ato, que, entretanto, fica longe de prejudicar o resultado final), mas é somente o meu terceiro favorito entre os indicados ao Oscar naquele ano, vindo depois de “Onde os Fracos Não Têm Vez” e “Sangue Negro”.

  10. De fato é um filme indispensável para quem objetiva produzir uma formação cultural e cinematográfica minimamente eficiente. Um grande filme. De impacto devastador e que sobeja em sua técnica. Contudo, para não concordar em gênero, número e grau (ainda que não seja bem uma discordância), não acho este filme superior a Onde os fracos não têm vez.

    Abs

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