Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas

You are guilty of being innocent of being Jack Sparrow.

Direção: Rob Marshall

Elenco: Johnny Depp, Penélope Cruz, Geoffrey Rush, Ian McShane, Kevin McNally, Richard Griffiths, Keith Richards, Sam Claflin, Stephen Graham, Greg Ellis

Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides, EUA, 2011, Aventura, 136 minutos

Sinopse: O capitão Jack Sparrow (Johnny Depp) vai até Londres para resgatar Gibbs (Kevin McNally), integrante de sua tripulação no Pérola Negra. Lá ele descobre que alguém está usando seu nome para conseguir marujos em uma viagem rumo à Fonte da Juventude. Sparrow investiga e logo percebe que Angelica (Penélope Cruz), um antigo caso que balançou seu coração, é a responsável pela farsa. Ela é filha do lendário pirata Barba Negra (Ian McShane), que está com os dias contados. Desta forma, Angelica quer encontrar a Fonte da Juventude para que seu pai tenha mais alguns anos de vida. No encalço deles está o capitão Barbossa (Geoffrey Rush), que agora trabalha para o império britânico.

O sucesso de Piratas do Caribe foi meio descontrolado: apoiado incondicionalmente por público e crítica, sua repercussão foi bem mais extensa do que se poderia esperar. O primeiro volume era entretenimento de qualidade (e isso não podemos negar), que trazia, também, um dos papeis mais marcantes de toda a carreira de Johnny Depp. No entanto, não apresentava nada de genial. Era um entretenimento de qualidade, apenas isso. Contudo, a repercussão foi tão grande que a história virou uma franquia e, infelizmente, hoje, já é meio difícil lembrar quando Piratas do Caribe foi uma diversão realmente recomendável. Personagens e tramas foram vítimas da tão corriqueira ganância hollywoodiana.

Se o primeiro Piratas não era um estouro como apontaram, pelo menos preservava um frescor único que divertia a todos. O segundo volume veio e a falta de uma história consistente já começou a aparecer. No terceiro capítulo, então, um roteiro interminável e exaustivo transformou a até então agradável aventura de Jack Sparrow num completo tédio. Com a intenção de revigorar a franquia, sai Gore Verbinski do posto de diretor e entra… Rob Marshall (?!). A boa notícia é que Marshall mal influencia a quarta parte de Piratas do Caribe. Tudo sempre foi derivado do senso de entretenimento de Jerry Bruckheimer e Navegando em Águas Misteriosas não foge à regra.

Longe do tédio apresentado pelo terceiro capítulo, Navegando em Águas Misteriosas retoma o velho jeito da franquia de fazer aventura sem derramar uma gota de sangue e, acima de tudo, a vontade de ser apenas entretenimento. Nada muito ambicioso ou sequer megalomaníaco. Agora, o mais valorizado volta a ser aquilo que nunca deveria ter sido ofuscado: Johnny Depp. Sem os pombinhos insuportáveis vividos por Orlando Bloom e Keira Knightley, Depp retoma as rédeas de Piratas do Caribe e volta a justificar o porquê da série ter virado sucesso. Ele domina Jack Sparrow com uma segurança singular – e, mesmo que seu papel tenha piadas óbvias e repetidas, consegue transformar toda e qualquer situação em pura irreverência.

Ao lado de Depp, encontra-se, agora, a espanhola Penélope Cruz. Numa atitude mal pensada, ela largou Melancolia para participar de Navegando em Águas Misteriosas. Deveria ter ficado no filme de Lars Von Trier porque: a) Melancolia é, incontenstavelmente, superior e b) seu papel no filme de Rob Marshall nada mais é que uma participação avulsa e sem muita importância, que nunca mais será retomada pela franquia. De resto, ainda encontramos Geoffrey Rush e mais uma (pequena) participação de Keith Richards no elenco. Mas, não adianta, é Depp quem segura as pontas mesmo e lidera o elenco sem alguém que possa sequer ameaçar seu brilho.

A direção no piloto-automático não consegue disfarçar erros básicos de Navegando em Águas Misteriosas, como a fraquíssima fotografia (tudo é muito escuro, às vezes quase imperceptível) e o roteiro que prolonga demais uma história que poderia ser contada em 90 minutos. Não entendo essa necessidade de Piratas do Caribe ter sempre mais de duas horas de duração. Isso é dar chance pro azar e permitir que subtramas desinteressantes tomem conta, a exemplo do insosso romance de um religioso com uma sereia. Ainda assim, é bem mais resumido que os outros volumes, o que é sempre um ponto positivo.

Repetindo estruturas e deixando a inovação de lado, Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas não nos remete ao primeiro capítulo da franquia e muito menos dá fôlego para que a história continue posteriormente. Entretanto, conseguiu levantar um pouco a reputação depois do terceiro filme. Pelo menos aqui temos entretenimento e não ficamos nos contercendo na cadeira. Ok, é certo que esse volume da franquia tem uma história esquecível e que, realmente, não deixa qualquer lembrança após o final. No entanto, como Hollywood já desgastou mesmo tudo o que existia de bom, o jeito é tentar ser feliz com os resquícios positivos. E, se você realmente estiver com vontade, dá para encontrá-los.

FILME: 6.5

6 comentários em “Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas

  1. Sou uma grande fã da franquia e dos filmes de Johnny Depp. Adorei o três primeiros filmes, principalmente o terceiro (por mais que muitos discordem). Mas o quarto … não gostei! Não achei a história boa e nem os novos personagens. Eu sinceramente senti que não teve o ”clima” dos filmes anteriores. E concordo com algumas coisas que você publicou no texto =) meus parabéns

  2. Alan, é um filme bem esquecível…

    Kamila, não chego a dizer que a série se reinventou, mas acho que ela deu uma boa revigorada.

    Thiago, “Piratas do Caribe” foi muito pior no filme anterior!

  3. Depois de um filme extremamente irregular, acho que a série conseguiu se reinventar de uma forma bem legal para este “Navegando em Águas Misteriosas”. Primeiro, porque o foco voltou para o personagem do Johnny Depp. Segundo, porque as novas caras do filme, com certeza, acrescentam muito mais que os insossos Keira Knightley e Orlando Bloom.

  4. Nem assisti ainda este filme. Não sou muito fã da saga, portanto vou deixar o filme para outra oportunidade qualquer.

    Abs.

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