Riscado

Direção: Gustavo Pizzi

Elenco: Karine Teles, Camilo Pellegrini, Dany Rolland, Otávio Muller, Lucas Gouvêa, Cecilia Hoeltz, Otto Jr., Cris Larin, Patrícia Pinho

Brasil, 2011, Drama, 85 minutos

Sinopse: Bianca (Karine Teles) é uma atriz cuja carreira ainda não deslanchou. Para se manter ela imita grandes divas do cinema e trabalha divulgando eventos. Sua sorte parece mudar quando consegue o papel principal de uma grande produção internacional. Inspirado por sua personalidade e seu trabalho, o diretor do longa-metragem resolve transformar a protagonista em uma versão da própria Bianca.

Não é tarefa muito fácil contar uma história que tem como principal abordagem o sonho de alguém que deseja ser bem sucedido em uma profissão. Ao passo que muitas obras norte-americanas e, inclusive, brasileiras já mostraram que o caráter didático aparece com facilidade em enredos assim, Riscado vem provar que é uma exceção. Dirigido por Gustavo Pizzi, o filme explora de forma interessante a perseverança de uma jovem que tem vontade de se realizar como atriz. Riscado, porém, não quer obviedades e muito menos romantizar essa perseverança da protagonista.

O que pode ser destacado logo de início é como o roteiro aproveita o máximo que pode da intérprete Karine Teles. Ela traz para sua personagem a sempre bem-vinda abordagem de pessoa comum. Portanto, o espectador não encontrará qualquer dificuldade em simpatizar com a personagem ou, pelo menos, compartilhar de seus sentimentos por aproximadamente 90 minutos. Palmas para Karine Teles, que é a estrela principal e que conseguiu sustentar com muita segurança e competência um filme focado inteiramente nela.

Ao não adotar um estilo mais inovador para a narrativa – o que importa aqui é a calma e as pequenas situações para formar a personalidade da protagonita – Riscado pode ser visto como repetitivo por não ter grandes momentos ou reviravoltas de grande impacto. Se esse é um filme que se diferencia por fugir de obviedade, isso não quer dizer que ele seja necessariamente diferenciado na forma como o faz. Além disso, termina de forma abrupta, apresentando obstáculos e resoluções para a personagem que quebram toda a expectativa que o filme criou. Assim, o diretor Gustavo Pizzi não correspondeu ao que era tão esperado para o desfecho.

De qualquer forma, isso não abala aquilo que é a principal engrenagem de Riscado: a força de vontade da personagem. Ela, que é solitária, faz trabalhos sem qualquer glamour como atriz e ganha muito pouco para isso, nunca desiste. Acompanhar a jornada de Bianca, desde quando ela não via um grande futuro na profissão até quando encontrou a possibilidade de atuar em um filme, é gratificante por causa disso. Estamos diante de uma figura que ama o que faz e que não se preocupa com o quanto isso pode lhe custar. Mensagem decisiva para a construção da qualidade do filme.

FILME: 8.0

* Exibido no 39º Festival de Cinema de Gramado

3 comentários em “Riscado

  1. Até agora não conhecia o filme … que tem uma premissa interessante.

  2. Parece ser uma trama com a qual muitos podem se identificar. E eu gostei do seu texto. Quero conferir! :)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: