O Palhaço

O gato bebe leite, o rato come queijo e eu faço o que sei.

Direção: Selton Mello

Elenco: Selton Mello, Paulo José, Renato Macedo, Teuda Bara, Fabiana Karla, Larissa Manoela, Tonico Pereira, Ferrugem, Robson Félix

Brasil, 2011, Comédia, 88 minutos

Sinopse: Benjamim (Selton Mello) ganha a vida como palhaço de circo, mas, de uma hora para outra, começa a viver uma crise existencial e passa a questionar seu trabalho ensinado pelo pai Valdemar (Paulo José), o também palhaço Puro Sangue. Cansado da vida na estrada junto com a trupe do Circo Esperança, ele começa a achar que a rotina perdeu a graça e sonha em endereço fixo e, porque não, um CPF, simbolizando sua própria identidade.

O Palhaço é um filme que tem intenções artísticas, mas que, acima de tudo, parece ter sido produzido exatamente para agradar o grande público. Cheio de personagens cômicos e situações divertidas, consegue ter notável carisma para alcançar a maioria dos espectadores. Dirigido, protagonizado, produzido e roteirizado por Selton Mello, o filme é um reflexo do que esse profissional sempre tentou passar em seus trabalhos: simpatia e comunicação com o público. Só que os maiores elogios param por aí, uma vez que O Palhaço não vai muito além dessas intenções.

Na verdade, o longa de Selton Mello deixa a sensação de que a vontade de agradar o público é justamente uma bênção e uma maldição. Ao mesmo tempo em que O Palhaço será aprovado por muitos, também pode não ter uma recepção tão positiva das plateias mais exigentes. O imenso fluxo de personagens que entram e saem de cena apenas para causar graça é um dos problemas. Figuras como Tonico Pereira e Ferrugem surgem gratuitamente em cenas que nada acrescentam e só existem para arrancar risadas. Tal problemática também se estende ao roteiro, que resolve algumas cenas com a mesma rápida velocidade que as criou.

Todo esse tempo poderia ter sido melhor utilizado. Uma possibilidade seria, por exemplo, explorar um aspecto que fica pouco desenvolvido pelo roteiro: a relação do protagonista, Pangaré (Selton Mello), com o seu pai, Puro-Sangue (Paulo José). A falta de um belo momento entre os dois fica ainda mais evidente toda vez que O Palhaço quer mostrar como Pangaré está infeliz no mundo que vive. Podemos perceber que o circo já não faz mais parte de suas vontades e, a cada olhar entristecido, chegamos a conclusão que ele precisa mudar de vida. Uma pena que, no entanto, isso seja secundário e não apresente sequer uma cena mais especial entre Selton Mello e Paulo José – dois atores que poderiam facilmente arrasar se tivessem essa oportunidade.

Por vezes teatral demais (as cenas de apresentação do circo são desnecessariamente longas), O Palhaço diverte em função de algumas caricaturas e dos personagens. Selton Mello sabe exatamente o que o grande público quer e isso está evidente em cada situação cômica criada pelo filme, que deve arrancar risada de muita gente. O porém é a rasa abordagem dos conflitos que a própria história se propõe a mostrar. Mostra mas não aprofunda. É exatamente isso o que falta para que todos possam “rir e se emocionar com esse espetáculo” como o cartaz do filme indica. Ao final, o que fica é apenas a risada. A emoção não veio…

FILME: 6.5


* Exibido no 39º Festival de Cinema de Gramado

5 comentários em “O Palhaço

  1. …sem querer brigar com ninguém, concordo e discordo de vários comentários, mas acho essa crítica/matéria/resenha, equivocada.
    Com tudo que vc disse, esse filme seria o seu, não o dele.
    Dá parte do filme que não gosto, nem vou comentar, quero mais é botar o cinema nacional pra cima, e dá que eu gosto, destaco a cena GENIAL do ator Moacyr Franco. Cena IMPAGÁVEL.

    Abraços.

    Ps – Ah! Trilha sonora nota dez do Plínio Profeta.
    Ps2 -E Matheus, Robson Félix não é ator do filme como vc põe aí em cima, é uma personagem…

  2. Bruno, eu não esperava muita coisa também… E, de fato, o filme é bem mais ou menos!

    Kamila, ainda não conferi “Feliz Natal”…

    Victor, certamente esse filme é uma alternativa aos longas saturados do cinema nacional. Pena que não seja muita coisa além do “interessante”.

  3. Ahh, que pena. Estava esperando bastante até do filme, pela temática mais mágica que o circo pode proporcionar. Mas devo assistir no cinema ainda. De toda forma, é importante ao menos oferecer alternativas ao cinema nacional, fugindo daquela saturação de comédia romântica x favela x globo.

  4. Adorei seu texto, mas uma pena que o Selton Mello não tenha alcançado aqui a mesma excelência que teve como diretor de “Feliz Natal”, que é um belo filme.

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