Planeta dos Macacos: A Origem

He thinks he’s special or something.

Direção: Rupert Wyatt

Elenco: James Franco, Andy Serkins, John Lithgow, Freida Pinto, Tom Felton, Brian Cox, David Oyelowo, Tyler Labine, Jamie Harris

Rise of the Planet of the Apes, EUA, 2011, Ficção, 105 minutos

Sinopse: Will Rodman (James Franco) é um cientista que trabalha em um laboratório onde são realizadas experiências com macacos. Ele está interessado em descobrir novos medicamentos para a cura do mal de Alzheimer, já que seu pai, Charles (John Lithgow), sofre da doença. Após um dos macacos escapar e provocar vários estragos, sua pesquisa é cancelada. Will não desiste e leva para casa algumas amostras do medicamento, aplicando-as no próprio pai, e também um filhote de macaco de uma das cobaias do laboratório. Logo Charles não apenas se recupera como tem a memória melhorada, graças ao medicamento. Já o filhote, que recebe o nome de César, demonstra ter inteligência fora do comum, já que recebeu geneticamente os medicamentos aplicados na mãe. O trio leva uma vida tranquila, até que, anos mais tarde, o remédio para de funcionar em Charles e, em uma tentativa de defendê-lo, César ataca um vizinho. O macaco é então engaiolado, onde passa a ter contato com outros símios e, cada vez mais, se revolta com a situação.

O maior benefício das franquias que são ressuscitadas atualmente é o de despertar o interesse das novas gerações por histórias que, um dia, marcaram o cinema e também espectadores. É o caso, por exemplo, de Star Trek, um excelente trabalho de J.J. Abrams que, além de dialogar de forma certeira com os fãs de blockbuster, também consegue despertar a curiosidade do público em relação aos trabalhos anteriores da franquia. Planeta dos Macacos: A Origem também consegue esse feito. Só que, ao contrário da turma do capitão Spock, o longa de Rupert Wyatt não consegue ir além de uma boa mensagem e de despertar a curiosidade. Como filme solo, ficou com um gosto de quero mais – e não necessariamente no bom sentido.

Planeta dos Macacos: A Origem se desprende dos filmes anteriores para lançar uma história quase independente. É muito fácil, por exemplo, que o público leigo pense que, a partir de agora, veremos outros vários filmes que discutam as questões abordadas aqui. Não é bem assim: esse longa, que é um prequel, dialoga com os exemplares antigos, só que de forma bem sutil para quem desconhece maiores detalhes. Com maiores abordagens hollywoodianas, Planeta dos Macacos: A Origem pode ser definido como uma diversão que carrega uma mensagem sempre atual. A discussão sobre como o humano é, em vários aspectos, inferior aos animais é o que permeia essa produção que consegue prender a atenção do espectador.

Apresentando um ótimo trabalho de efeitos especiais (e nisso podemos incluir o sempre brilhante resultado do ator Andy Serkins ao dar vida ao macaco Cesar através da performance capture), o filme de Rupert Wyatt cria certa tensão não apenas ao mostrar um conflituoso cotidiano entre animais e humanos, mas também ao achar o tom certo em algumas situações que parecem estar sempre prestes a explodir. É esse sentimento de que algo muito sério vai acontecer a qualquer momento que envolve o espectador. E os efeitos possuem papel fundamental nessa missão de tornar tudo ainda mais palpável para o espectador. Nós acreditamos em tudo que estamos vendo e, a cada cena, permanecemos inquietos com o sutil crescimento dos problemas entre os personagens.

No entanto, se Planeta dos Macacos: A Origem é certeiro ao segurar o público na cadeira e tornar o enredo inquietante, sofre por não conseguir apresentar consistência em seus argumentos. O roteiro anda em círculos e mais da metade do filme é inteiramente baseado em fatos repetidos. Outro problema é a forma errada como o filme generaliza a espécie humana: todos, com exceção do protagonista e seus agregados, são incrivelmente maquiavélicos para os macacos e a forma caricatural com que isso é mostrado quase enfraquece a mensagem no filme – e, nesse sentido, o exagerado  Tom Felton é o grande representante dos forçados personagens que maltratam animais.

Resumo da história: se por um lado Planeta dos Macacos: A Origem é extremamente eficiente em sua técnica, não consegue ter a mesma consistência em conteúdo. O clímax do filme, que parece ser constantemente protelado por histórias que pouco acrescentam (o pai do protagonista com Alzheimer, por exemplo), termina sendo o mais esperado – e por pouco não se torna uma ação descontrolada devido a essa necessidade de compensar conteúdo raso com valiosa tecnologia. Sorte que os efeitos impressionam e  que toda aquela rebelião que se instala no mundo dos personagens se torna ainda mais interessante graças a esse compentente trabalho visual. No final das contas, Planeta dos Macacos: A Origem é um satisfatório filme-pipoca para grandes bilheterias, não necessariamente uma homenagem aos fãs dos filmes anteriores.

FILME: 7.5

4 comentários em “Planeta dos Macacos: A Origem

  1. Kamila, é verdade, o Andy Serkins acaba sobressaindo no filme.

    Rafael, não achei o filme tão especial assim…

    Rafael, e o filme é bem previsível mesmo, mas, como mencionei no meu texto, acredito que a técnica consegue, em vários momentos, compensar estes defeitos.

  2. Eu acho esse Planeta dos Macacos bastante previsível pela história anterior que a gente já conhece. E como você mesmo apontou, tem uma irregularida enorme na forma como desenvolve seus personagens, isso porque os humanos são muito bobos, mals aprofundados e recebem um texto às vezes pífio, enquanto que os primatas e sua rebelião construída são muito bem costuradas pelo roteiro. Por isso, acho, por exemplo, Star Trek muitíssimo melhor porque me parece um projeto autônomo, além de tecnicamente bem realizado, e possui uma narrativa bem cuidada e inteligente.

  3. Eu concordo demais com uma afirmação desse seu texto. A técnica da obra é sensacional, mas o conteúdo é falho em alguns momentos. E olha que eu achei a premissa desse filme excelente. Acho que ele faz discussões bem interessantes, especialmente no que diz respeito ao fator humanização x hominização. Acho que a performance do Andy Serkis acaba sobressaindo no filme, pelo trabalho de composição e pela excelência da performance dele.

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