Sem Saída

Direção: John Singleton

Elenco: Taylor Lautner, Lily Collins, Alfred Molina, Maria Bello, Jason Isaacs, Sigourney Weaver, Richard Cetrone, Ken Arnold, Steve Blass

Abduction, EUA, 2011, Aventura, 106 minutos

Sinopse: Nathan (Taylor Lautner) é um jovem que leva uma vida normal, ao lado dos pais Kevin (Jason Isaacs) e Mara (Maria Bello), e tem uma queda pela vizinha Karen (Lily Collins). Um dia, ao realizar um trabalho de sociologia com Karen, eles acessam um site de crianças desaparecidas. Nele Nathan encontra uma foto que lembra muito ele próprio, quando era criança. Nathan passa a investigar a situação e descobre que Kevin e Mara não são seus pais biológicos. Só que, antes mesmo que eles possam dar qualquer explicação, a casa onde moram é invadida e ambos são mortos. Nathan consegue fugir ao lado de Karen, só que eles são perseguidos pela CIA e também por Kozlow (Michael Nyqvist), um agente sérvio que deseja algo roubado pelo verdadeiro pai de Nathan.

Até pouco tempo atrás, não tinha qualquer receio em apostar numa possível carreira bem sucedida para o jovem Taylor Lautner. Ele, que é um sopro de vitalidade no mundo submerso em formol dos personagens da saga Crepúsculo, parecia ser um ator que, com o tempo, talvez se encontrasse em filmes de ação comerciais. Minha aposta para a carreira dele neste gênero não se baseava apenas em seus atributos físicos (Taylor pratica vários esportes e lutas, o que torna seu trabalho neste estilo de filme muito mais fácil), mas também num certo carisma que ele conseguia transparecer no seu limitado papel entre os pombinhos Edward Cullen e Bella Swan. Sem Saída, portanto, seria a prova de que Lautner conseguiria achar um caminho seguro para sua carreira. Lamentável, então, constatar que todas as minhas previsões para o jovem estavam erradas.

Talvez por estar contracenando com tantos atores horríveis na saga Crepúsculo, Taylor Lautner tenha dado a falsa impressão de que era, digamos, superior. Mas também não podemos culpar o rapaz, já que qualquer um que trouxer algo diferente da maquiagem branca dos vampiros consegue se sobressair. A verdade é que, com Sem Saída, Lautner prova que é um ator inexpressivo. O rapaz é esforçado, isso não podemos negar – ele próprio costuma sempre ressaltar sua vontade em ser mais do que realmente é, sonhando, inclusive, em ganhar um Oscar no futuro. Só que todos nós sabemos que de boas intenções o inferno está cheio. Em Sem Saída, ele prova que não pode lidar com papeis que exijam qualquer esforço dramático. Suas cenas mais “complexas” (se assim podemos chamá-las) são quase lastimáveis, tamanha a falta de talento do rapaz para até mesmo derramar uma lágrima. E não fica só nisso: nem em tomadas mais naturais consegue sustentar a situação sozinho. Lautner, portanto, não foi feito pra comandar um filme.

A ação, obviamente, está ali para o ator abusar de todas as artes marciais que pratica. E, nisso, ele parece se divertir, saindo-se competente – na medida do possível – nas tomadas fantasiosas de lutas onde todos parecem ter saído de algum campo de treinamento. O problema é que o espectador não se diverte com Sem Saída, que é um ultrapassado tipo de longa-metragem que não faz nada além do óbvio. Tanto as tomadas de ação quanto as fraquíssimas resoluções da história são completamente previsíveis e, inclusive, desinteressantes. É meio inconvicente acompanhar tanta correria quando o roteiro sequer deixa o espectador a par do porquê de tudo aquilo. É um corre-corre que não cria expectativa e que, no final, termina com explicações simplórias e preguiçosas. No meio disso tudo, Alfred Molina e Sigourney Weaver (essa com apenas três cenas numa participação desnecessária) tentam trazer algum tipo de interesse, mas nem suas presenças conseguem mudar muita coisa.

A verdade é que já não dava para se esperar muito de um filme como Sem Saída. A surpresa, na realidade, é ver como o filme não funciona nem como passatempo competente, tornando-se extremamente esquecível e, por que não, cafona em diversos momentos (o uso abusivo de zoom e da trilha sonora não ajudam). Talvez seja bobagem minha exigir algo de um filme que nunca prometeu ser relevante. O que me incomoda mesmo é ver o diretor John Singleton colocando fora a oportunidade de realizar uma aventura despretensiosa. O cinema está sofrendo crise de originalidade e histórias requentadas como essa podem até funcionar para as grandes plateias – não mais para mim. Por isso, apesar de tantos erros, nem consigo ser tão cruel a ponto de dizer que Sem Saída é um lixo. Só decepciona demais porque Hollywood parece ter desaprendido a realizar obras acéfalas mas divertidas. E me decepciona mais ainda ver um jovem ator que tinha a minha aprovação se tornar mais um desses péssimos astros que, definitivamente, não têm qualquer futuro a não ser estampar capas de revistas adolescentes.

FILME: 5.0

8 comentários em “Sem Saída

  1. Acho que o que aquela garota quis dizer, é sobre o papel de “Eric Parker” que Robert Pattinson fará no filme “Cosmopolis” baseado na obra de Don Dellilo com direção de David Cronenberg. Tem lançamento previsto para Julho no Brasil. Vai assistir Matheus, ou já desistiu de Pattinson? Eu acho que vale a pena conferir, nem que seja pra acabar com ele em uma crítica ruim aqui no blog…

    • Caroline, por ser do Cronenberg, vou assistir sim. Desisti de Pattinson no sentido de não acreditar que ele possa, um dia, entregar uma atuação realmente decente…

  2. Mateus, é verdade, o filme poderia sim ter sido muito melhor!

    Ligya, não lembro de nenhum filme com o Robert Pattinson que seja cultuado por todos…

    Alan, mesmo que ela seja ruim, acho que, na saga “Crepúsculo”, ele consegue ser muito melhor que o insosso casal protagonista.

    Kamila, infelizmente, pra mim, esse filme serviu pra provrar que o Lautner não tem vida pós-Crepúsculo. Não vi carisma algum nele aqui…

    Victor, acho que ele não tem talento pra cenas mais, digamos, “exigentes”… Isso é comprovado em “Sem Saída”!

  3. Olha, esse filme eu passo completamente. Taylor Lautner não me convenceu em Crepúsculo, acho que está no mesmo patamar “dã-o-que-tá-acontecendo?” dos outros dois protagonistas. Embora ache que a Kristen está apática ali mais pelo papel mesmo e já vinha com uma carreira indo relativamente bem sem o filme. O Pattinson já está tendo suas chances em outros filmes e ainda não mostrou que pode render também [vida “Água Para Elefantes” e “Lembranças”. Agora esse pode ser um caminho para o Taylor mesmo. O complicado é que se não sair de filmes assim, corre o risco de ficar marcado como um ator de cara engessada. Mas ele tem talento pra se aventurar em papéis que exigem mais dele? Sei não…

  4. Acho que este filme funciona para mostrar que Taylor Lautner tem vida pós “Crepúsculo”. Acredito que ele pode apostar nesse filão de ação. Ele combina com o gênero. Tirando alguns elementos estapafúrdios da trama, até que a obra não me incomodou tanto assim. Achei “satisfatória”, especialmente porque o John Singleton é um diretor bem experiente e soube conduzir a trama da forma que ela tinha que ser apresentada mesmo.

  5. não acahava que ele fosse o “sopro” dentro da saga crepúsculo, muito pelo contrário. sempre o achei ruim, ruim mesmo!

    não tenho a mínima vontade de conferir este filme. só consigo olhar e pensar em uma grande bomba.

  6. Se o Taylor que era o melhor da saga deu nessa merda, nem sei mais o que espera.Acho que o sortudo é mesmo o Robert que teve a oportunidade de faze um filme com um diretor cultuado por todos, David…sei lá o que.. , ele vai faze ele atuar bem nem que seja na marra.Provavelmente é o que vai ter uma carreia mais longa.

  7. Muito bom, seu texto. Também senti a mesma coisa, a não ser pelo fato de nunca ter acreditado em algum talento por parte de Lautner. Eu havia achado o trailer até promissor, mas que desastre de filme (você foi até simpático com uma produção que não merece)! Daqueles que, para onde você olha, só há o que se lamentar: das participações de atores excelentes como coadjuvantes imbecis (além dos que você mencionou, tem também Maria Bello e Michael Nyqvist, como um vilão tolíssimo); da montagem (que usa cortes sem sentido e não cria um bom ritmo de ação); da direção (com os zooms ridículos, que você mencionou); do roteiro (com diálogos constrangedores); e de um protagonista que, se vale a menção por fazer algumas cenas arriscadas sem dublês, não consegue manter o interesse do espectador. Dei, lamentando, um 2/10, porque poderia, sim, ser algo melhor.

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