Tarde Demais

You and your red pen!

Direção: Shawn Ku

Elenco: Michael Sheen, Maria Bello, Kyle Gallner, Bruce French, Austin Nichols, Deidrie Henry, Alan Tudyk, Moon Bloodgood, Michael Call

Beautiful Boy, EUA, 2010, Drama, 100 minutos

Sinopse: Bill (Michael Sheen) e Kate (Maria Bello) são surpreendidos com a notícia de que a universidade onde o filho Sammy (Kyle Gallner) estuda foi alvo de um massacre. A chegada dos policiais confirma que Sammy está morto, mas traz ainda outra notícia estarrecedora: ele foi o causador do massacre. Entre a tristeza pela perda do filho e o choque diante da verdade, Bill e Kate tentam encontrar um motivo para que Sammy tenha cometido este ato. Ao mesmo tempo, eles precisam encontrar forças para seguir adiante, tendo que enfrentar as acusações dos familiares das vítimas e ainda a própria culpa que sentem.

Antes de aceitar o papel de Grace no filme Em Busca de Uma Nova Chance, Susan Sarandon não escondeu a sua relutância em interpretar mais uma mãe que acabara de perder o filho. A atriz, que nos últimos tempos, participou de três filmes onde fazia o papel de uma mãe que estava de luto pela morte de um filho, deveria estar mais do que certa em ser relutante: se o sofrimento do personagem já é visível na tela, imagine, então, o do ator, que precisa passar meses vivendo tais dramas. Tarde Demais, com Michael Sheen e Maria Bello, é mais um filme sobre esse assunto que nos faz refletir sobre como deve ser difícil para um ator mergulhar em tanto sofrimento. Principalmente quando o filme, como é o caso desse, consegue transmitir todas as angústias das figuras que estão na tela.

Aliás, esse é o primeiro passo para um filme sobre a perda de um filho dar certo: conseguir fazer com que o espectador sinta os dramas. Milhares de histórias já foram contadas no gênero, portanto, é no mínimo louvável a vitória de um diretor que ainda consegue envolver o público nessa tristeza. Tarde Demais, ainda que com ressalvas, entra no seleto grupo de filmes que transmite todo e qualquer sentimento dos personagens. E as circunstâncias tornam a história desse filme ainda mais incômoda: os pais não apenas perderam o filho, mas como também o perderam numa chacina onde ele era o assassino! Ou seja, se já não bastasse a missão de se desvencilhar dos clichês de perdas, Tarde Demais também teria que ser cauteloso ao lidar com uma história extremamente delicada e que poderia cair em discussões morais bobas.

Por sorte, o diretor Shawn Ku consegue tratar tudo com a devida dosagem. Aqui, encontramos questões importantes sendo desenvolvidas com precisão, como o respeito ao sofrimento, a responsabilidade na criação dos filhos e até que ponto os pais devem perdoar certas atitudes. O tema, que é muito atual, é colocado à mostra, mas nunca aprofundado em excesso: Tarde Demais deixa para que o espectador faça as suas interpretações. O que interessa aqui é a jornada dos pais, partindo da mistura de choque e dor ao receber a notícia de que o filho, além de ser suicida, é criminoso, até questões mais banais, como arrependimentos que não podem mais ser consertados. No meio disso tudo, ainda encontramos um casal que, antes de tal fato, enfrentava um período de silêncio, à beira de uma separação. A falta de comunicação entre os dois se mostra contundente no momento dessa nova dor, já que ambos têm uma imensa dificuldade em até mesmo dar um abraço para trazer conforto perante a perda do filho.

Tarde Demais deve ser valorizado pelas boas escolhas e pela forma contida que narra os fatos (notem a economia na trilha sonora e como as “explosões” dos personagens nunca soam apelativas), mas também deve ser criticado por optar pela obviedade em alguns momentos. E eles são vários, como a esposa sentimental enfrentando o marido que sofre em silêncio, a dor como forma de aproximar um casal afastado e como ambos tentam culpar um ao outro pela atitude do filho. São abordagens quase inevitáveis nesse temática, mas que o filme nunca deixa que se tonem aborrecidas. No entanto, isso não quer dizer que o longa tenha tantos méritos a ponto de se diferenciar com sobras de outros exemplares. Se fosse para recomendar o filme, seria mais pelos ótimos desempenhos de Michael Sheen e Maria Bello, ambos visivelmente submersos nas dores de seus personagens. E, como é sempre de se esperar em filmes desse estilo, são especialmente eles que fazem tudo valer a pena.

FILME: 7.5

4 comentários em “Tarde Demais

  1. Luís, vi poucos filmes com a Maria Bello, mas foi nesse que ela mais me chamou a atenção.

    Kamila, exatamente: essa perspectiva é muito interessante!

    Ana, o resultado do filme é positivo =)

  2. Deve ser interessante mesmo esse filme. Há algum tempo estava procurando um drama bom para assitir mas que fosse relacionado com problemas muito mais próximos da nossa realidade atual.

  3. O que eu mais acho interessante em filmes como esse é que eles mostram uma perspectiva que não é muito abordada em se tratando de histórias como essa: a dos pais dos assassinos solitários. Ver a dor de quem fica me atrai muito neste filme e ver a forma como eles lidam com isso. Fico feliz de ver a obra atraindo críticas positivas como a sua.

  4. Você realmente me convenceu a assistir a esse filme. E, a somar, existe algo em Maria Bello que me atrai, mesmo que muitos dos films que eu já tenha visto com ela não sejam assim tão interessantes.

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