As indicações ao Oscar de… Amy Adams

Atendendo a pedidos, o Cinema e Argumento retoma essa série de posts que tem como objetivo analisar as indicações ao Oscar de profissionais do cinema… Recomeçamos, então, com uma atriz que tem cara de novinha, como se fosse uma revelação adolescente. Só que Amy Adams está longe de ser uma novata: aos 37 anos de idade: já atuou em mais de 40 trabalhos, além de já ter marcado presença em séries como Smallville, The West Wing e The Office. A popularidade de Adams começou mais especificamente com Retratos de Família, que rendeu sua primeira indicação ao Oscar. Hoje, a atriz já trabalhou com importantes nomes do cinema como Mike Nichols, Susan Sarandon e Meryl Streep. Conhecida por sempre fazer papel de pessoa doce e quase ingênua (o que também lhe rende muitas críticas), Adams já acumula três indicações ao Oscar. Abaixo, comentários sobre as passagens dela como concorrente na Academia:

2006 – Melhor Atriz Coadjuvante

Michelle Williams (O Segredo de Brokeback Mountain)

Rachel Weisz (O Jardineiro Fiel)

Amy Adams (Retratos de Família)

Frances McDormand (Terra Fria)

Catherine Keener (Capote)

Não era um grande ano para as coadjuvantes. Só isso para explicar as absurdas inclusões de Frances McDormand e Catherine Keener nessa lista – ambas completamente neutras e sem presença nos seus respectivos filmes. Amy Adams, então, poderia ser considerada uma dessas garotas que surgem do nada entre as finalistas só para completar a lista. Mas a verdade é que a primeira indicação da atriz foi extremamente merecida. Não só por ser uma interpretação realmente digna de estar entre as finalistas, mas também por conseguir ser o principal destaque de um filme irregular. Retratos de Família, com seu caráter independente, é todo dela, que conquista justamente com o seu tão conhecido jeito de simpática e querida – que, posteriormente, viraria sua marca. Ela não tinha como vencer esse ano – tanto por razões políticas (uma recém chegada precisa estar um estouro pra vencer logo de cara) e porque não era melhor que Michelle Williams e Rachel Weisz. A primeira deveria ter vencido (é o grande destaque de um filme que não tem dois protagonistas tão brilhantes como apontam), mas a vitória da segunda por O Jardineiro Fiel foi merecida. A esquecida deste ano foi Thandie Newton (que chegou a vencer o BAFTA), responsável por um dos grandes momentos de Crash – No Limite.

2009 – Melhor Atriz Coadjuvante

Viola Davis (Dúvida)

Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)

Amy Adams (Dúvida)

Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button)

Marisa Tomei (O Lutador)

Em sua segunda indicação ao Oscar, Adams já mostrou o quanto cresceu como atriz. Contracenando com Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman em Dúvida, ela parece não ter se intimidado com o gigante talento de seus companheiros de cena: chega a estar, inclusive, tão eficiente e interessante quanto eles. Uma pena, portanto, constatar que Adams tenha vindo com esse papel logo num ano tão disputado na categoria. Além de rivalizar com uma outra atriz de seu filme (Viola Davis, a melhor das concorrentes, cuja interpretação permanece poderosa até hoje), também não tinha condições de vencer o furacão de Penélope Cruz, a vencedora da categoria. A espanhola, que recém havia conquistado a confiança de todos após Volver, era a sensação do momento – tanto que, no ano seguinte, recebeu uma indicação muito injusta por sua atuação em Nine. No dia da cerimônia, uma falsa lista vazou horas antes da premiação e, no documento, Adams era supostamente a atriz que seria coroada. Não foi difícil acreditar que existia essa possibilidade. Porém, apesar da excelente atuação em Dúvida, não tinha um papel marcante como o de Viola e Penélope. Enquanto isso, as outras duas concorrentes, Taraji P. Henson e Marisa Tomei, estavam ali sem chances reais de ganhar.

2011 – Melhor Atriz Coadjuvante

Amy Adams (O Lutador)

Melissa Leo (O Lutador)

Helena Bonham Carter (O Discurso do Rei)

Jacki Weaver (Reino Animal)

Hailee Steinfeld (Bravura Indômita)

Quebrando sua imagem de moça frágil que cultivou durante bom tempo (e que, recentemente também esteve presente em Os Muppets), Amy Adams apresenta, em O Vencedor, a composição mais diferente de sua carreira – e, consequentemente, de suas indicações ao Oscar. Mais uma vez sofrendo por rivalizar com uma companheira de cena que tinha personagem mais chamativo (Melissa Leo era mais alegórica do que, de fato, interessante), a atriz foi injustamente deixada de lado. O que é interessante no trabalho dela é como consegue quebrar seu estereótipo e interpretar uma mulher forte e decidida sem nunca partir para apelações. Adams está ali: com o mesmo rosto de sempre e o mesmo tom de voz, mas, trabalhando mínimos detalhes, apresenta algo diferente e que se afasta do estilo de Christian Bale e Melissa Leo. Talvez esse tivesse sido o momento ideal para celebrar Adams – já que, caso vencesse, nenhuma injustiça estaria sendo feita, pois a categoria estava fraquíssima. Num ano que indicam Hailee Steinfeld como coadjuvante (claramente a protagonista de Bravura Indômita) só por ela ser criança e Helena Bonham Carter só para puxar o saco de O Discurso do Rei, nada mais justo, então, do que homenagear uma atriz que já chega em sua terceira e merecida indicação ao Oscar. Melissa Leo, que arrebentou em Rio Congelado e não em O Vencedor, poderia ter esperado mais um pouco.

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No próximo post: Alexandre Desplat.

6 comentários em “As indicações ao Oscar de… Amy Adams

  1. Amo os debates sobre o OSCAR, quem merecia ou nao ganhar!!!

  2. Kamila, difícil dizer o ano em que ela esteve mais perto de vencer… Mas, como escrevi no post, o ano ideal para ela vencer era 2011!

    Luís, e é bom ter você me lembrando sempre desses posts! Quanto a Amy Adams, ela teria, na minha lista, apenas um Oscar. Acredito que três seja demais pra ela haha

    Brenno, bom achar alguém que concorde comigo quanto ao desempenho da Thandie Newton em “Crash”. Ela foi muito injustiçada por esse filme.

  3. 2006 – Amy Adams pode ficar despreocupado em meio a um ano muito duvidoso na categoria. Concordo com você: O quê Frances McDormand e Catherine Keener faziam ali? Preferia mil vezes ver sendo indicadas Thandie Newton por ” Crash” (que, por mim, levava a estatueta), Gong Li por “Memórias de uma Gueixa”, Scarlett Johanson por “Match Point” e até mesmo Rachel McAdams por “Tudo em Família” e Jennifer Lopez por “Um Lugar para Recomeçar”. Dentre as indicadas, gostei da vitória de Rachel Weizs.

    2009 – Mesmo contracenando com monstros sagrados (Ô loco meu rsrsrsrsrs) como Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman não deixou a peteca cair e duelou perfeitamente de igual para igual com os mesmos conquistando uma merecida indicação. Mas o ano era de Penélope e sua endiabrada Maria Helena que mereceu o prêmio dentre as indicadas, pois a melhor foi Kate Winslet.

    2011 – Aí já exageraram, não só com Amy, mas com todo o resto. Ter cara de santa e falar Fuck You é sinônimo de boa atuação? Não concordo. Por mim, disputariam esse Oscar (em ordem de preferência) Mila Kunis por “Cisne Negro”, Barbara Hershey por “Cisne Negro”, Dale Dickey por “Inverno da Alma”, Ellen Page por “A Origem” e Marion Cotillard por “A Origem”.

    Sugestão: Sean Penn

  4. Pelos mesmos motivos que você aponta sobre a atuação de Adams sobre os outros do mesmo filme, também queria vê-la com o prêmio naquele ano. Na verdade, torcia pela Steinfeld, injustiçada, mas queria que o filme saísse com algum Oscar. Recentemente vi REINO ANIMAL, e mais uma forte concorrente poderia ter levado com méritos o prêmio. Quem não devia mesmo estar ali, como você aponta, era Bonham Carter, tão qualquer coisa quanto o filme que representava.

  5. Matheus, quero primeira deixar isso muito claro: parabéns mais uma vez pelo excelente post! Você sabe que eu amo essa série sua e eu a acho essencial ao seu blog: a sua dedicação em ver os filmes e compará-los é magnífica e sua visão crítica a respeito das políticase gafes do Oscar é muito interessante. E Amy Adams é uma das minhas atrizes preferidas, uma atriz que, assim como Marci Gay Harden, eu chamo de “atriz para papéis coadjuvantes” – se são lead, trabalham bem, mas é como coadjuvantes que elas chamam verdadeiramente a atenção.

    A respeito das indicações de Amy Adams, minhas opiniões:

    2006 – Acho que as indicações deveriam comportar as seguintes atrizes: Amy Adams, Michelle Williams, Tandie Newton e Rachel Weisz. A quinta indicada poderia ser, sem grandes problemas, Frances McDormand. Embora Williams seja realmente um dos grandes destaques de “O Segredo de Brokeback Mountain” e Rachel Weisz estivsse realmente na melhor interpretação de sua carreira em “O Jardineiro Fiel”, penso que Amy Adams era a única a estar num papel verdadeiramente difícil, seja pela sua situação – a única figura de atuação em destaque na obra – , seja pelo gênero do filme – uma tragicomédia na qual a presença de Adams representa justamente o lado cômico do filme, mas sem perder em nenhum momento a veia dramática. Para mim, sua tarefa era bem mais árdua do que a das outras indicadas e o seu resultado é, também, muito mais positivo. Para mim, sua primeira indicação deveria ter lhe valido o prêmio.

    2009 – Acredito que você escreveu bem sobre o que eu penso a respeito dela nessse filme: uma atriz que não se ofusca por estrelas maiores que estão em cena com ela. Não acho que ela tenha sido ofuscada por Viola Davis, até porque não acho que Davis tenha uma atuação magistral – pra mim, ela sofre do efeito “Preciosa”: personagem forte e bem desenvolvida que é confundida com boa interpretação do ator. Acho que se selecionassem 10 bons atores e substituíssem Viola Davis por eles, todos fariam um trabalho semelhante. Ainda que Taraji e Marisa estivessem ali para perder, adoro o trabalho da última, que oferece muita singeleza na atuação e mesmo assim é extremamente potente. Quanto às concorrentes efetivas, penso serem Penélope, magnífica, e Amy, magnífica! Ambas estão fantásticas nos seus respectivos filmes, mas o trabalho de Adams ainda mais puro e refinado, composto verdadeiramente de pequenos detalhes, pequena mudança na voz, olhares diferentes desta e daquela cena – assim, eu acho que caberia a ela a aestatueta, até porque penso que Sister James seja uma das grandes personagens coadjuvantes do cinema!

    2011 – Eu honestamente concordo bastante com você e destaco especialmente a frase na qual diz que a personagem de Melissa é alegórica. A disputa, para mim, estava entre as atrizes de “O Vencedor” e, infelizmente, o prêmio foi para Melissa, que poderia mesmo ter esperado. Adams traz inovação, dedicação e a mesma capacidade, num outro grande momento de sua carreira. Não há muito o que diz, poderia – e deveria – ser dela o prêmio.

    Enfim, essa é a minha opinião. Amy Adams seria facilmente um Walter Brenan moderno, uma vez que, embora tenha filmes ruins ou de interpretação simplesmente mediana (Uma Noite no Museu 2 e Julie e Julia), todas as suas indicações ao Oscar foram por trabalhos indubitavelmente de qualidade e,até hoje, deveria ter levado todos os prêmios pra casa.

  6. Acho três indicações mais do que justas para a Amy Adams e em papeis que mostram a sua versatilidade como atriz, ao contrário do que você falava (que ela só interpreta as moças meigas – rsrsrsrsrsrs). Das três indicações dela, acho que ela chegou mais perto de vencer em 2009, uma vez que a categoria era equilibrada e a Penelope Cruz só venceu porque a AMPAS fez aquele vergonhoso movimento de indicar a Kate Winslet em Leading Role, quando o papel dela, em “O Leitor”, era claramente de coadjuvante… Enfim! rsrsrsrs

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