Brasil ficou devendo em 2011: Another Year, de Mike Leigh

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Mike Leigh é um diretor único por saber trabalhar com maestria a humanidade de seus personagens. A verossimilhança emocional é o ponto alto de seus longas, característica facilmente perceptível no intenso Segredos e Mentiras ou no doloroso O Segredo de Vera Drake – ambos longas que, vale lembrar, trazem performances extraordinárias de seus atores. Se em Simplesmente Feliz o diretor pisou na bola ao entregar o filme inteiro a uma personagem insuportável, agora ele retorna ao seu clássico jeito de fazer cinema com esse ótimo Another Year, filme que nunca embarcou em terras brasileras e que ainda permanece sem destino por aqui.

Leigh, como sempre, entrega um filme de sutilezas sobre as pequenas coisas da vida. Um jeito meio Amélie Poulain de valorizar os fatos mais “corriqueiros” de nossa existência, como a visita de um amigo ou, então, um almoço em família. Tudo isso com aquela habitual habilidade do diretor em extrair o melhor do lado humano de cada personagem. Os atores deixam a sensação de que estamos acompanhando, de fato, a vida de pessoas que poderiam muito bem estar morando na casa ao lado da nossa. São personagens verdadeiros, acima de tudo.

Se a química entre Jim Broadbent e Ruth Sheen é fundamental para o desenvolvimento de todas as histórias, nenhuma presença consegue ser tão marcante quanto a de Lesley Manville. Maravilhosa em cada aparição, a atriz conquista a todo momento, mostrando uma segurança notável ao transitar entre o drama e a comédia de uma personagem extremamente interessante e bem construída. Manville é o que existe de melhor em Another Year, entregando uma interpretação que foi injustamente ignorada na temporada de premiações (foi lembrada apenas por uma merecida indicação ao BAFTA).

No entanto, já fica o aviso: Another Year é para aqueles que apreciam a carreira de Mike Leigh. Quem não gosta do estilo do diretor pode achar o filme perfeitamente exaustivo e longo. Afinal, são duas horas de duração onde os conflitos estão instalados de forma subjetiva, já que não existem grandes acontecimentos. De qualquer forma, esse é um ótimo filme. Ainda não alcança os melhores momentos do diretor e, claro, possui falhas (a ótima ponta de Imelda Staunton no início é desperdiçada e o enredo, no ato final, perde muito a força), mas, sem dúvida, vale a conferida.

FILME: 8.0


8 comentários em “Brasil ficou devendo em 2011: Another Year, de Mike Leigh

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  2. Francisco, uma pena que “Another Year” caiu no esquecimento…

    Weiner, eu gostei bastante de “Segredos e Mentiras”, mas o Leigh me conquistou mesmo com o arrebatator “O Segredo de Vera Drake”!

    Stella, Amazon sempre resolvendo os nossos problemas!

    Leandro, já eu não gosto tanto de “Cópia Fiel”, só do desempenho do casal mesmo!

    Rafael, procure ver assism que puder.

  3. Gosto muitíssimo do cinema do Mike Leigh, Segredos e Mentiras é uma preciosidade, a maior dele, assim como Agora ou Nunca e O Segredo de Vera Drake. Por isso é uma decepção que esse filme não tenha sido lançado aqui no país. Vou ter que apelar para um torrent mesmo.

  4. Junto com Cópia Fiel,Another Year foi o melhor que assisti nesse ano,Mike Leigh não me decepciona (sou daqueles que acha Simplesmente Feliz um dos melhores de seu ano e acho a atuação da Sally Hawkins a real merecedora do Oscar daquele ano,desculpa,pode me expulsar daqui),as performances dos atores são incríveis,Broadbent e Sheen numa química de impressionar,Lesley Manville é sensacional,e sua cena final é de deixar o queixo caído e a participação de Imelda Staunton,arrepia demais,um dos melhores fácil,fácil.

  5. Se demorar muito a chegar por aqui, a Amazon resolve! Adoro os trabalhos de Mike Leigh e não quero perder “Another Year”. Muito bem lembrado, Matheus!

  6. Mike Leigh me comprou a partir de “Segredos e Mentiras”, aquele filme ótimo com a Brenda Blethyn e sua voz de taquara rachada! Sobre “Another Year”, ainda não vi – nem sequer procurei por outros meios, já que as distribuidoras brasileiras esqueceram. Pra falar a verdade, eu tbm tinha me esquecido deste filme, fui lembrar só agora, lendo seu post!
    Abs!

  7. Uma pena. Mike Leigh, apesar de ser da mesma geração de Scorsese, Coppola, só alcançou os cinéfilos do mundo na década de 90 e desde então só produziu ou excelentes filmes (Topsy Turvy, Vera Drake, Happy-go Lucky) ou obras primas inestimáveis (Naked, Secrets and Lies).

    “Another Year” é mais um trabalho excelente desse grande diretor, talvez o melhor desde Topsy Turvy, uma pena que não veio para o Brasil.

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