Não Tenha Medo do Escuro

Direção: Troy Nixey

Elenco: Bailee Madison, Guy Pearce, Katie Holmes, Jack Thompson, Garry McDonald, Julia Blake, Nicholas Bell, Eddie Ritchard, James Mackay

Don’t Be Afraid of the Dark, EUA/Austrália/México, 2010, Suspense, 99 minutos

Sinopse: Sally (Bailee Madison), por ordens da mãe, vai morar com o pai, Alex (Guy Pearce). Ele está namorando Kim (Katie Holmes) e vivendo num enorme casarão. Lá, a garota, além de ter que lidar com sua antipatia pela nova madrasta, passa a ser atormentada por estranhos fatos que só ela parece presenciar. A cada dia, Sally vive situações ainda mais perigosas, ao mesmo tempo em que tenta convencer a todos de que o lugar não é o que aparenta ser.

A garotinha está morando em uma enorme casa. Ela está entediada porque não quer morar lá e sai para conhecer todos os lugares possíveis do imóvel. Um dia, seguindo seu instinto curioso, descobre algo que desperta sua curiosidade. Só que, na verdade, é algo perigoso. Pouco a pouco, a garotinha começa a ficar assustada com o que acabara de descobrir. A situação piora e, a cada dia, passa a viver situações mais perigosas em função dessa descoberta. Ela corre para os braços do pai, com a intenção de achar uma salvação. Ele não acredita nas palavras da filha, pois acha que é imaginação dela. Sempre quando corre perigo, a menina grita e corre. Quando alguém chega no lugar onde a confusão acontece, a ameaça some num piscar de olhos. Quem descobre, morre tragicamente. E a garotinha continua passando por louca. Quando alguém percebe que a menina não é louca, é hora de correr: ela está sendo atacada nesse exato momento! E, no final, bom… Alguém realmente quer saber?

Não Tenha Medo do Escuro, apesar da trama batida, tinha um nome de confiança envolvido no projeto: Guillermo Del Toro. Ele, que roteirizou e produziu esse suspense, parecia compreender muito bem a notável relação que poderia se estabelecer entre a infância e o horror. Seu trabalho em O Labirinto do Fauno é a maior prova disso. Infelizmente, não vemos qualquer resquício desse talento do mexicando em Não Tenha Medo do Escuro. Se já não bastasse a história repetitiva (quantos outros filmes dessa temática podemos citar?), tudo é sem tensão, numa experiência que revela cedo demais o que amedronta a protagonista – revelação essa que, inclusive, não causa medo. Aliado a isso, tenta trabalhar algumas questões familiares que nunca são bem exploradas (por que ninguém parece se importar com a garota?) ou, então, que beiram o nível da revolta, em especial a negligente figura do pai, que, ao presenciar os preocupantes problemas da filha, prefere se preocupar mais com seu trabalho, sem dar qualquer apoio emocional.

Com o texto fraquíssimo, quem também acaba prejudicado é o próprio elenco. A jovem Bailee Madison (que foi destaque em Esposa de Mentirinha) bem que tenta, mas sua personagem de variações rasas não chega a conquistar. Não devemos, claro, culpá-la. Bailee faz o que pode, só não consegue rivalizar com o material que lhe é dado. Só que o prêmio insossa da história vai mesmo para Katie Holmes, uma atriz que nunca foi acima da média e que aqui prova a sua incapacidade de sair da mesmice, perdendo a chance de tentar salvar a personagem também mal desenvolvida. No final, fica aquele gosto amargo de pura decepção. Não só no que se refere ao fraco trabalho de Del Toro como roteirista e produtor, mas também ao conjunto geral construído pelo diretor Troy Nixey. Não Tenha Medo do Escuro é bobo, repetitivo e sem qualquer fio de tensão. Um filme esquecível e que poderia ser muito mais do que realmente é.

FILME: 4.5

5 comentários em “Não Tenha Medo do Escuro

  1. Kamila, é o caso de “Não Tenha Medo do Escuro”: o conflito não se sustenta.

    Tommy, em breve também escolho os meus melhores do ano! =)

    Júlio, o Del Toro vem decepcionando mesmo…

    Rafael, achei que o filme não tem tensão alguma =/

  2. Olha, eu gosto do filme, acho que tem uma atmosfera legal, mas é bem esquecível. O problema maior para mim é a aparição da ameaça na metade do filme e o descaso comtoda a mitologia que envolve as criaturas. Mas gosto muito do trabalho da atriz mirim, ela se esforça bastante numa personagem que tem muito de destemor e fragilidades ao mesmo tempo.

  3. Adorei seu primeiro parágrafo, uma introdução sensacional. Tinha vontade de assistir o filme, mas muita gente concorda com você e diz que é fraco. Aliás, o que você citou dos monstros serem revelados cedo é uma reclamação pertinente entre os críticos e, portanto, imagino que deva incomodar muito. Uma pena que Del Toro venha decepcionando, logo vindo do realizador do brilhante O Labirinto do Fauno.

  4. Para um filme de suspense, para mim, é fundamental que o roteiro seja bom, porque, senão, o conflito principal não se sustenta. Se esse não é o caso de “Não Tenha Medo do Escuro”, as minhas expectativas em relação a esse filme caem bastante.

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