Inquietos

Direção: Gus Van Sant

Elenco: Henry Hopper, Mia Wasikowska, Ryo Kase, Schuyler Fisk, Lusia Strus, Jane Adams, Paul Parson, Chin Han, Thomas Lauderdale

Restless, EUA, 2011, Drama, 91 minutos

Sinopse: Enoch (Henry Hopper) acaba de perder os pais em um acidente de carro. Ele, que sobreviveu após três meses em coma, agora participa de funerais de pessoas desconhecidas. Um dia, conhece Annabel (Mia Wasikowska), que também tem esse mesmo hábito. O problema é que Annabel só tem três meses de vida. No entanto, a ligação dela com Enoch é maior do que isso. Juntos, os dois se completam, e passam a se relacionar, mesmo sabendo da brevidade desse relacionamento. (Adoro Cinema)

A cada novo filme, o diretor Gus Van Sant confirma a tendência de que perdeu toda aquela ousadia e originalidade que já apresentou  em títulos como Elefante Um Sonho Sem Limites. É certo que ele sempre dividiu a sua carreira entre produções mais autorais e outras completamente quadradas (o exemplo mais recente é o superestimado Milk – A Voz da Igualdade). No entanto, nos últimos anos, parece ter pedido a capacidade de ser diferente e… interessante. Assim como o tedioso Últimos Dias, esse Inquietos tem caráter independente e, com certeza, conseguirá ter a simpatia de muitas pessoas. Mas a verdade é que esse drama romântico enjoado estrelado por Henry Hopper e Mia Wasikowska é mais um deslize desse diretor que anda desperdiçando muito o seu talento.

O principal problema de Inquietos não é nem a bobeira envolvendo a insana decisão dos protagonistas iniciarem um relacionamento amoroso mesmo sabendo que a mocinha só tem três meses de vida, mas sim a personalidade de cada um deles. É o esquema personagens chatos = filme chato. O Enoch de Henry Hopper e a Annabel de Mia Wasikowska são assim: não gostam de ninguém, fazem questão de se isolar, possuem hábitos estranhos, discutem Darwin e Einstein, lêem livros sobre ornitologia, acham que são intelectuais para filosofar sobre a relação vida/morte e ainda alimentam a loucura um do outro (a exemplo do fantasma que o garoto vê e que é tratado com normalidade pela moça). Una a isso o fato de Annabel ter câncer e não se abalar com isso. É o famoso discurso “a morte não é difícil, o amor é”.

Se já não bastasse toda essa abordagem “quero ser cult” de Inquietos, ainda precisamos juntar muita paciência para aturar não só a eterna expressão de moça chata de Mia Wasikowska (que, por alguma razão, nunca repetiu o show que deu no seriado In Treatment), mas o próprio desleixo de Gus Van Sant em deixar essa história cair no enjoativo do início ao fim. Não existe nada de novo em Inquietos e, sinceramente, ao que tudo indica, é um filme de férias do diretor, onde ele achou que poderia criar um mini-cult sobre adolescência, amor e morte. O resultado, como se pode constatar, ficou bem longe disso. Resta saber, agora, o que Gus Van Sant nos reserva – especialmente depois que anunciou seus planos para trabalhar com… Taylor Lautner. Medo do que vem por aí.

FILME: 3.0

8 comentários em “Inquietos

  1. Gustavo, já ando perdendo as esperanças com o Gus Van Sant.

    Mayara, faz muito tempo que o Gus não realiza algo no nível de “Elefante”…

    Alan, não consegui achar fofo. Para mim, foi completamente enjoado!

    Kamila, mas, para mim, nem nas adultas ele tem alcançado grandes resultados…

    Thiago, exatamente!

    Cleber, um filme muito chato, isso sim haha

    Rafael, os personagens podem até ser chatos. Mas aí o filme ser tão chato quanto eles… Haja paciência!

  2. Também acho enjoadíssimo o filme. Nada tenho contra personagens ingênuos e infantis, mesmo que não sejam mais crianças. O problema é quando o próprio filme assume essa ingenuidade, soando frágil na estranheza de composição de seus personagens outsiders. Acaba sendo irritante na sua falta de maturidade. Mas confesso que gosto das apariçãoes de Hiroshi, o único personagem realmente sensato do filme, apesar de ser uma aparição.

  3. achei bem van sant mesmo e adorei, sou fã do cinema do diretor, e esse filme se encaixa em sua filmografia. é um filme simplista, tocante.

  4. Boa crítica. Concordo muito. E Gustavo, pra mim, o filme não é ruim “porque Gus faz melhor”. O filme é ruim porque é ruim. Haha.

  5. O Gus Van Sant, talvez, precisa sair desse universo jovem, encarar uma história mais adulta…

  6. Eu gostei bastante do filme. Sei que tem os seus furos (e são bastante mesmo), além daquele fantasma completamente avulso, eu acabei gostando. Achei fofo e tudo mais, rs

  7. Esperava que fosse do nível de um “Elefante” ou “Paranoid Park”, filmes do Van Sant que gosto muito por serem alternativos, mas bem dirigidos. Uma pena que o filme decepciona. Vejo, mas sem pressa.

  8. É bem bobinho mesmo, mas acho que tão pegando pesado demais com o filme.
    Mas entendo, é muito pouco pra um diretor tão bom….
    Mas é um romance razoável frente as porcarias que estão em cartaz…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: