Oscar 2012: Atriz

A categoria de melhor atriz é a que, possivelmente, teve mais reviravoltas desde que as especulações sobre a vencedora começaram. A princípio, era para ser uma batalha entre Meryl Streep (essa, desde o início, claro, uma favorita) e Glenn Close. Bastou Albert Nobbs ser exibido para que todos percebessem que o retorno de Close, infelizmente, não era grandioso ou muito merecedor de consagrações.

Logo, Close cedeu buzz para Michelle Williams, que chegou a vencer o Globo de Ouro de melhor atriz comédia/musical por seu retrato de Marilyn Monroe. A atriz também não ostentou seu favoritismo por muito tempo… Por fim, Viola Davis chega ao domingo do Oscar como a grande favorita ao lado de Meryl Streep – muito em função do sucesso de Histórias Cruzadas.

A disputa entre Meryl e Viola é tema de muitas discussões (afinal, ambas as atrizes possuem inúmeros prós e contras para ganhar o prêmio) e, claro, deve ser o maior suspense da cerimônia. No geral, a seleção foi boa, onde atrizes competentes e talentosas entregam desempenhos muito distintos. Só é uma pena que Rooney Mara tenha entrado de última hora para tirar da disputa uma grande interpretação (citada no final desse post).

GLENN CLOSE (Albert Nobbs): Aquela que, antes mesmo da award season começar, era uma das grandes favoritas… Só que Albert Nobbs é uma decepção – em especial para a personagem de Glenn Close, que não é devidamente aprofundada (e merecia, já que é uma figura muito complexa). Por isso mesmo, apesar da ótima caracterização e da dedicação da atriz, fica difícil se envolver com uma personagem que é constantemente colocada de escanteio pela boba storyline de Mia Wasikowska e Aaron Johnson. E Glenn ainda precisa lidar com a maravilhosa Janet McTeer roubando a cena. Longe de ser o retorno triunfal esperado. Mais sorte da próxima vez…

VIOLA DAVIS (Histórias Cruzadas): Que Viola Davis é uma grande atriz, todo mundo sabe (os poucos minutos de Dúvida permanecem intensos até hoje) e seu desempenho em Histórias Cruzadas, claro, é ótimo. Uma pena que esteja classificado de forma errada. A atriz está longe de ser leading role e, com certeza, teria um reconhecimento mais justo se fosse enquadrada como coadjuvante. Independente disso, ela consegue vencer as barreiras do papel previsível para, mais uma vez, emocionar e ser o coração de um longa-metragem. Não dá para questionar qualquer prêmio para Viola. Ela sempre merece!

ROONEY MARA (Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres): Dizem que Rooney Mara roubou a vaga de Tilda Swinton por Precisamos Falar Sobre o Kevin. E é verdade. Se vestibular tem cotas, Oscar também tem. Rooney cumpriu a de revelação do ano. No entanto, das últimas que surgiram (Jennifer Lawrence, Gabourey Sidibe), é a que menos impressiona. Até que ponto sua Lisbeth Salander, em Millenium, tem mais méritos em função de Rooney do que do texto? Apesar da boa composição, a atriz não faz nada impossível para qualquer outra pessoa de talento. Indicação meio duvidosa.

MERYL STREEP (A Dama de Ferro): Os mais insensatos dizem que Meryl Streep virou uma mobília no Oscar e que ninguém tem coragem de tirar. Que ofensa! A veterana ostenta sim, com muito merecimento, todas as suas 17 indicações ao prêmio. Não é diferente em A Dama de Ferro, um trabalho que, certamente, só poderia ser feito com tal precisão por uma atriz como ela. O filme, todos sabem, é ruim e mal dirigido, mas Streep se sobressai, realizando um dos seus trabalhos mais interessantes da atualidade. Se vencer o Oscar, será merecido – até porque o papel tem a fórmula infalível.

MICHELLE WILLIAMS (Sete Dias Com Marilyn): Em termos de mergulhar de corpo e alma em uma figura real, Meryl Streep foi infinitamente melhor esse ano. Mas não devemos retirar os méritos de Williams, que acertou em cheio ao mostrar as fragilidades e angústias de uma estrela que, apesar de popular e desejada por todos, era, em seu íntimo, normal como qualquer pessoa. Williams não tem muitas semelhanças com Monroe (e, em vários momentos, vemos a intérprete e não a personagem-título), só que se sai vitoriosa, com sua habitual habilidade, ao executar as dramaticidades da personagem. Indicação merecida.

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A ESQUECIDA

Certeza absoluta que os votantes não viram o mesmo filme… A exclusão de Tilda Swinton por Precisamos Falar Sobre o Kevin é um dos maiores absurdos da categoria nos últimos anos. A atriz foi indicada a todos os grandes prêmios e ficou de fora da seleção da Academia. Uma imperdoável injustiça com um trabalho tão contundente e humano.

6 comentários em “Oscar 2012: Atriz

  1. Kamila, esse ano, aposto na Viola. Se é para errar, prefiro que seja por não ter acreditado em Meryl haha

    Alan, a Rooney não merecia essa indicação!

    José Henrique, certeza absoluta que a Meryl teria vencido por “Dúvida” caso Kate tivesse concorrido como coadjuvante…

    Acauã, no planeta dela, Tilda já tem milhares de prêmios! haha

    Leandro, seria muito mais justo se a Viola Davis trocasse de categoria com a Bérénice Bejo!

  2. Interessante o que disse de Viola Davis ser coadjuvante,e concordo,teria mais espaço na categoria de Coadjuvante,trocava por Octavia Spencer e no lugar de Davis entraria Berénice Bejo que eu considero tão protagonista quanto Jean Dujardin,ou a própria Tilda Swinton (que eu não assisti),mas enfim

  3. Apesar de Tilda nem se importar com indicação, acho uma absurdo ela não ser indicada.

  4. Streep acaba sendo prejudicada pela falta de noção da Academia, que coloca atrizes muito boas em papéis coadjuvantes concorrendo como principais (vide Kate Winslet, que estava excelente em O Leitor, mas era coadjuvante, e tirou o Oscar de Meryl Streep por Dúvida).

  5. Eu ando vendo pouco, mas muito pouco lançamento mesmo. Portanto, mesmo que às cegas, eu continuo torcendo pela Streep. E concordo contigo em relação a Rooney Mara (a única que eu já pude conferir).

  6. Sim, verdade. Foi a categoria que mais reviravoltas teve até agora. Começamos com Glenn Close como favorita, passamos a Meryl, depois Michelle, Viola, Meryl, Viola… E continuamos sem uma definição certa… Eu acho que o momento está com a Viola, mas torço pela Meryl! O papel de Streep é tudo que a AMPAS mais gosta.

    E, especialmente depois de ter assistido “Precisamos Falar Sobre o Kevin”, não entendo como uma atuação como a da Tilda Swinton ficou de fora. Verdadeiro absurdo!

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