Oscar 2012: Ator

Um ano particularmente diversificado para a categoria, tanto em estilos de interpretações quanto em atores. Entre veteranos e recém descobertos, todos fizeram um bom trabalho, mesmo que um ou outro seja superestimado. Quem começou como favorito foi George Clooney, por Os Descendentes, que venceu o Critics’ Choice e o Globo de Ouro. No entanto, o fato de já ter um Oscar em casa começou a pesar contra o ator, o que abriu espaço para o francês Jean Dujardin – que, inesperadamente, venceu o Screen Actors Guild (prêmio que, até hoje, George Clooney não faturou).

Ambos merecem e o prêmio estará em boas mãos se for para qualquer um dos dois. Porém, Dujardin é o que tem mais chances de vencer. Não é costume da Academia premiar estrangeiros, mas O Artista fez tanto sucesso no circuito de premiações que isso não deve ser um problema. Sem falar que os talentos emergentes, na maioria das vezes, sempre se dão bem na disputa com outros já conhecidos e experientes. O prêmio, portanto, está entre Clooney e Dujardin. Qualquer outro que vencer estará surpreendendo – e, de certa forma, ganhando injustamente, pois só os dois favoritos foram superlativos.

DEMIÁN BICHIR (Uma Vida Melhor): Já tinha conseguido indicação para o Screen Actors Guild, mas sua inclusão entre os cinco finalistas do Oscar foi uma pequena surpresa, já que o esperado era que Leonardo DiCaprio, por J. Edgar, estivesse na disputa. Bichir, no entanto, não pode ser desprezado por ter entrado de última hora. Uma Vida Melhor é uma novelinha sobre a vida de um imigrante tentando melhorar de vida nos Estados Unidos, mas Bichir se destaca por entregar um personagem bastante realista. Poucos conseguem fazer isso com naturalidade. Ele conseguiu.

GEORGE CLOONEY (Os Descendentes): O filme de Alexander Payne não seria o mesmo sem a presença de George Clooney. Aqui, o ator alcança uma notável maturidade, preservando todas as características de outros bons desempenhos mais recentes (Conduta de RiscoAmor Sem Escalas) e amenizando aquele velho problema de ser George Clooney e não um personagem. Em Os Descendentes, ele se entrega de corpo e alma para o personagem, saindo um pouco da certa constante que até então preservava. Clooney tem pelo menos um momento marcante aqui – e não é exagero dizer, também, que nunca esteve tão humano.

JEAN DUJARDIN (O Artista): Ao lado de sua colega Bérénice Bejo, o francês Jean Dujardin apresentou uma atuação digna de aplausos por, justamente, ser uma fiel reprodução de como eram os atores dos filmes mudos. E não estamos falando apenas de visual ou charme, mas também de gestos, olhares, humor. Dujardin consegue, em O Artista, voltar no tempo e construir um personagem marcante. Seu George Valentin, certamente, conquistará aqueles que estiverem dispostos a dar uma chance ao filme. Pura desenvoltura em uma atuação que será merecedora se alcançar a consagração.

GARY OLDMAN (O Espião Que Sabia Demais): O filme é restrito demais (leia-se longo e confuso), mas Gary Oldman consegue ultrapassar todos os obstáculos. Sucinto e econômico em cada cena, o veterano ator recém chega a sua primeira indicação ao prêmio. Muitos dizem que ele já deveria ter recebido esse reconhecimento antes, mas antes tarde do que nunca, não? Por mais que não tenha chances de vencer o prêmio, sua indicação é bastante justa. O Espião Que Sabia Demais pode até ser superestimado, mas, pelo menos, Oldman é um dos destaques do filme. Salto significativo depois de… uh… A Garota da Capa Vermelha.

BRAD PITT (O Homem Que Mudou o Jogo): Se a Academia parece ter problemas com Leonardo DiCaprio, também tem uma admiração meio inexplicável por Brad Pitt. Ele, que está apenas ok em O Homem Que Mudou o Jogo, mais uma vez teve repercussão um pouco questionável. A exemplo de O Curioso Caso de Benjamin Button, seu trabalho no novo filme de Bennett Miller é apenas correto. No início da temporada de premiações, era a aposta de muitos. Se vencer, estaremos diante de uma injustiça – especialmente quando outros concorrentes, em especial Clooney e Dujardin, estão em momentos inspirados.

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O ESQUECIDO

Quando um ator apresenta vários desempenhos bons em um mesmo ano, suas chances para o Oscar diminuem. Não foi diferente com Ryan Gosling. Muitos queriam que fosse indicado por Drive, mas bem que Gosling poderia ter sido pelo subestimado Tudo Pelo Poder, onde se destaca diante de um elenco afiadíssimo.

4 comentários em “Oscar 2012: Ator

  1. A academia é estranha com Pitt, porque suas melhores atuações (A Árvore da Vida e Queime Depois de Ler) não foram indicadas… E faltou falar de Fassbender, sensacional em Shame e, para mim, melhor que todos os indicados. Dos que sobram, realmente Clooney e Dujardin são os melhores.

  2. Tenho uma ou outra ressalva a suas avaliações. Algumas vc já sabe bem quais, mas concordo com o espírito dos seus comentários e, principalmente, com suas projeções.
    Abs

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