Na coleção… Holocausto

Antes mesmo de alguns retratos considerados definitivos sobre o nazismo, a exemplo de A Lista de Schindler, uma minissérie já havia contado, com muita qualidade, o sofrimento dos judeus na Segunda Guerra Mundial. Holocausto, de 1978, acompanha a trajetória da família Weiss, em um período que se estende de 1935 a 1945, onde foram vítimas da política de extermínio nazista na Alemanha. Também acompanhamos o outro lado da moeda, focado na storyline de Erik Dorf (Michael Moriarty), auxiliar do nazista Reinhard Heydrich. Lançada no final do ano passado pela primeira vez no Brasil (em uma edição com três dvds), Holocausto venceu em oito categorias no Emmy, incluindo melhor minissérie. Também foi o primeiro grande trabalho de Meryl Streep que, muito antes de ser celebrada por Kramer vs. KramerA Escolha de Sofia, já havia sido consagrada por seu desempenho como a devotada Inga Helms Weiss.

Se fosse exibida nos dias de hoje, Holocausto não teria o menor impacto, uma vez que já estamos cansados de ver histórias sobre o nazismo. Claro que, uma vez ou outra, temos um trabalho diferenciado (o excelente enfoque do diretor Stephen Daldry, em O Leitor, por exemplo), mas, no geral, tramas dessa temática costumam ser todas muito parecidas. Só que, por se tratar de um trabalho dos anos 1970, Holocausto impressiona por duas razões. Primeiro por ser uma representação particularmente impactante sobre esse período histórico. Para a época, a trama deve ter sido bem forte, tanto do ponto de vista dramático quanto da forma realista com que apresenta os fatos, sem mascarar nada. Segundo por se tratar de uma minissérie de alto nível para os padrões televisivos daquela época. A reconstituição foi, de fato, marcante para essa fase em que a TV ainda estava muito longe de apresentar a perfeição técnica dos dias de hoje.

Dessa forma, um leigo no assunto pode se interessar muito mais por Holocausto do que aquele espectador que já viu milhares de produções do gênero. Contada com formalidade, a trama ganha pontos por ser linear e clara, por vezes até mesmo lenta demais em seu ritmo para deixar o espectador se situar. Quem também tem papel essencial para tornar a história envolvente é o próprio elenco. A família Weiss não poderia ser mais verossímil e, por mais que a produção acompanhe os rumos individuais deles, conseguimos acreditar em cada um dos personagens, principalmente na relação dos progenitores (os ótimos Fritz Weaver e Rosemary Harris). A própria Meryl também tem sua parcela de méritos, pois consegue iluminar cada cena com sua beleza de jovem iniciante e com o talento que já aparecia desde aquela época. A única ressalva é Michael Moriarty, que falha ao não humanizar com muita eficiência o intrigante Erik Dorf, um personagem que poderia render muito mais.

A minissérie é estruturada em cinco episódios de aproximadamente 80 minutos. Por alguma razão, não é sequer muito conhecida – aqui no Brasil, por exemplo, só foi lançada em DVD na era do blu-ray! Só que os mais interessados em tramas sobre o nazismo e, principalmente, em trabalhos de caráter histórico devem dar uma chance ao resultado alcançado aqui. Tudo bem que, em termos de dramaturgia, Holocausto está longe de ser a mais envolvente das histórias. Mas o nazismo é contado tão minuciosamente que pode a minissérie muito bem ser considerado um dos melhores retratos sobre o tema. Se o tempo não tivesse saturado tanto o assunto, certamente Holocausto poderia trazer mais entusiasmo. Como os anos não foram generosos, fica apenas como um satisfatório registro histórico que pode muito bem servir de fonte para estudos e pesquisas sobre esse terrível período da história da Alemanha.

MINISSÉRIE: 8.0

4 comentários em “Na coleção… Holocausto

  1. Confesso que só assistiria a esta minissérie por causa da Meryl Streep, em um dos primeiros trabalhos de sua carreira.

  2. Acho que a Segunda Guerra Mundial um assunto interessantíssimo, mas já extremamente gasto no cinema, quase tanto quanto o clichê nas comédias românticas. Mas o que me motiva a assistir esse minissérie é a presença de Meryl Streep, evidente. Espero conferi-la em breve, parece valer a pena.

  3. Tive a grata oportunidade de assistir esta maravilhosa série há alguns anos atrás, e as interpretações realmente são o forte desta minissérie, Meryl streep como sempre linda e arrasando na interpretação.

  4. Kamila, e ela está ótima!

    Luís, é exatamente isso: se o assunto não estivesse tão desgastado, “Holocausto” seria mais interessante.

    Gioberlândia, também gosto de “Holocausto” principalmente por causa das atuações.

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