Melhores de 2011 – Trilha Sonora

A Última Estação chegou ao Brasil com mais de um ano de atraso. O tempo, no entanto, não conseguiu diminuir o brilho do russo Sergey Yevtushenko na trilha sonora. Esse é o primeiro filme mais relevante em que ele está envolvido, mas é bom ficar de olho no nome, uma vez que o resultado alcançado é de impressionar. A trilha de A Última Estação, em vários momentos, parece inspirada no que Claude Debussy fez em Clair de Lune – e isso, na realidade, é um grande elogio. Melancólica, a trilha claramente presta tal homenagem, em especial na composição Morning Song. Só que existem outras passagens muito interessantes, como a própria The Last Station, que faz um belíssimo uso de violino e piano em um nível simplesmente arrebatador. Yevtushenko, infelizmente, não teve o reconhecimento que merecia, recebendo apenas uma indicação ao World Soundtrack Award como revelação do ano. Um trabalho eficiente dentro do filme e ainda mais interessante fora dele. Como disse o pianista Jean-Yves Thibauted, as trilhas sonoras são as óperas dos dias de hoje. Então, a de A Última Estação, em quesito de beleza e despertar sentimentos, pode muito bem se encaixar nessa definição.

CISNE NEGRO (Clint Mansell)

Existe essa polêmica de que a trilha de Clint Mansell não deve ser considerada por ser baseada no trabalho de Tchaikovsky. Mas, ora, se Mansell trabalhou com esse material e desenvolveu uma nova abordagem dele para Cisne Negro, não seria o suficiente para merecer reconhecimento? Difícil ignorar um trabalho tão contundente e tão essencial para a narrativa proposta pelo diretor Darren Aronosfky. Outro grande momento de Clint Mansell, que, em momentos como Perfection, alcança, sem trocadilhos, a perfeição.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 2 (Alexandre Desplat)

Depois do decepcionante resultado na primeira parte de As Relíquias da Morte, Alexandre Desplat se reergueu e apresentou outro excelente momento no último filme da saga Harry Potter. O que mais conta aqui é a sutileza, uma vez que o francês não precisou criar composições exageradas para detalhar a grandiosidade do filme de David Yates. Faixas como StatuesSeverus and Lily são (de novo) provas da versatilidade do compositor. Trabalho digno para os padrões da saga e do próprio Desplat.

A PELE QUE HABITO (Alberto Iglesias)

Colaborador fiel de Pedro Almodóvar, Alberto Iglesias nunca foi tão bem sucedido em uma parceria com o diretor espanhol como em A Pele Que Habito. Os violinos nervosos de Iglesias situam com precisão o espectador na angústia emocional e no suspense do filme. Sem dúvida, A Pele Que Habito não seria o mesmo filme sem o trabalho do compositor – que deveria ter sido lembrado no Oscar por essa trilha, e não por aquela que realizou para O Espião Que Sabia Demais.

A ÁRVORE DA VIDA (Alexandre Desplat)

Desplat, de novo. Alguns dizem que ele está ficando sem personalidade ou que os milhares de trabalhos por ano diluem o seu talento. Bobagem. A Árvore da Vida é uma prova disso. Realizada no mesmo ano de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, consegue demonstrar o trabalho camaleônico de Desplat. A trilha que ele fez para o filme de Terrence Malick é cheia de minúcias que coincidem completamente com a proposta do diretor. Belo resultado.

EM ANOS ANTERIORES: 2010 – Abel Korzeniowski (Direito de Amar) | 2009 – Alexandre Desplat (O Curioso Caso de Benjamin Button) | 2008 – Dario Marianelli (Desejo e Reparação) | 2007 – Alexandre Desplat (A Rainha)

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Escolha do público:

1. Cisne Negro (40,91%, 18 votos)

2. A Pele Que Habito (22,73%, 10 votos)

3. A Árvore da Vida (20,45%, 9 votos)

4. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (13,64%, 6 votos)

5. A Última Estação (2,27%, 1 voto)

6 comentários em “Melhores de 2011 – Trilha Sonora

  1. Lembro de ter gostado da trilha de A Última Estação, mas realmente não foi uma música que me marcou (se bem que às vezes uma trilha funciona tão bem no filme, que nos passa desapercebida). Entre os indicados, meu preferido é A Pele Que Habito, de longe. Pra mim, a segunda melhor trilha do ano. Minha preferida foi a de X-Men: Primeira Classe.

  2. Clóvis, também não entendo a polêmica com “Cisne Negro”! Das outras trilhas que você citou, gosto de todas, com exceção de “127 Horas”, já que acho A.R. Rahman um compositor extremamente superestimado.

    Stella, “Jane Eyre” fica para a próxima edição da premiação aqui do blog, pois o filme só foi lançado agora em março aqui no Brasil.

    Mayara, a trilha de Sergey Yevtushenko para “A Última Estação” é lindíssima. Vale a pena procurar =)

    Reinaldo, como eu comentei com o Clóvis, não entendo o porquê da polêmica com a trilha de “Cisne Negro”. Ela merece sim reconhecimento!

  3. Fico aqui acossado por uma seleção extraordinária. “A pele que habito” e “Cisne negro” me provocam mais maravilhamento. Fico, por critérios pouco objetivos, com “Cisne negro”.
    Abs

  4. Minha categoria favorita. Só maravilhosos… Desplat, Iglesias, Mansell… *-* Não vi “A Última Estação”, mas fiquei curiosa pela trilha depois de seus comentários.

  5. Queria poder votar nessa categoria, Matheus, mas poucas vezes reparo na trilha. Uma exceção foi “Jane Eyre”, onde o som do violino me chamou a atenção.

  6. Seleção genial, Matheus! Três dos meus favoritos se encontram aí. Não entendo tanta polêmica em torno do trabalho do Clint Mansell. Os maiores méritos da trilha de “Cisne Negro” é de saber se encaixar de maneira sublime na trama e no modo singular em que as faixas transitam entre o suspense e o balé (a faixa que vc mencionou, “Perfection”, é um claro exemplo disso). As minhas outras favoritas são: Alexandre Desplat por “A Árvore da Vida”; A.R. Rhaman por “127 Horas”; Alexandre Desplat, de novo, por “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2”; e Alexandre Desplat, mais uma vez, por “O Discurso do Rei”.

    Apesar de admirar as composições de Desplat ao longo do ano, meu voto foi para “Cisne Negro”.

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