A Invenção de Hugo Cabret

Maybe that’s why a broken machine always makes me a little sad: because it isn’t able to do what it was meant to do… Maybe it’s the same with people. If you lose your purpose… It’s like you’re broken. 

Direção: Martin Scorsese

Elenco: Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Emily Mortimer, Christopher Lee, Jude Law, Ray Winstone, Richard Griffiths

Hugo, EUA, 2011, Drama, 126 minutos

Sinopse: Paris, anos 30. Hugo Cabret (Asa Butterfield) é um órfão que vive escondido nas paredes da estação de trem. Ele guarda consigo um robô quebrado, deixado por seu pai (Jude Law). Um dia, ao fugir do inspetor (Sacha Baron Cohen), ele conhece Isabelle (Chloe Moretz), uma jovem com quem faz amizade. Logo Hugo descobre que ela tem uma chave com o fecho em forma de coração, exatamente do mesmo tamanho da fechadura existente no robô. O robô volta então a funcionar, levando a dupla a tentar resolver um mistério mágico. (Adoro Cinema)

Quem levou crianças ao cinema para assistir ao mais novo trabalho de Martin Scorsese, A Invenção de Hugo Cabret, deve ter se arrependido amargamente. Mas ninguém tem culpa se, aqui no Brasil, o filme foi vendido como uma aventura para o público infantil. E ainda em trailers dublados! A verdade é que as crianças não devem aguentar nem até a metade do longa. Se, como adulto, já é difícil não se incomodar com os problemas de ritmo de A Invenção de Hugo Cabret, imagina, então, as crianças, que não conseguem entender nada das tantas homenagens e referências que lhe são desconhecidas. Também não é necessariamente um filme para o espectador comum, pois não apresenta uma trama em específico ou algo que desperte a curiosidade do grande público. O novo filme de Scorsese é, de forma mais radical, exclusivo para cinéfilos inveterados.

Independente do público, A Invenção de Hugo Cabret tem um aspecto deve impressionar a todos: o técnico. Concebido para ser visto em 3D (o que fica evidente em praticamente todas as cenas), o filme tem um apuro estético de cair o queixo. O mais impressionante, sem dúvida, é a direção de arte de Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo. Ela não só consegue reproduzir com fidelidade a nostalgia e vanguarda da Paris dos anos 1930, como também construiu com perfeição um mundo encantador – tudo, claro, sem qualquer excesso ou exagero. Também não dá para falar sobre A Inveção de Hugo Cabret sem mencionar a belíssima fotografia que faz um grande trabalho junto com a direção de arte, tornando-se fundamental para levar o espectador para dentro daquele mundo. Todos esses aspectos, bem como a trilha de Howard Shore (e tantos outros segmentos que poderíamos elogiar durante horas), constroem essa impressionante estética do filme de Scorsese. Visual digno de aplausos.

Esse tom de fábula, que também se estende ao roteiro, é executado com perfeição mais ou menos até a metade de A Invenção de Hugo Cabret – e, de fato, até ali podemos dizer que estamos diante de um filme realmente acessível ao público adulto e infantil. Scorsese, no entanto, começa a se perder quando, justamente, decide homenagear o cinema. Isso não se refere ao modo como o diretor deixa evidente sua paixão pela sétima arte (dizem que conversar com Scorsese é isso: estar com alguém que transpira admiração pelo cinema), até porque tal homenagem pode emocionar muita gente, mas sim como ele esquece que está contando uma história. Ao entrar no mundo de Georges Méliés, o diretor adota um tom praticamente documental ao utilizar imagens de filmes antigos e diálogos sobre como era fazer cinema nos primórdios dessa arte, deixando de lado o enredo que trabalhava até então. Quando presta homenagem ao cinema, A Invenção de Hugo Cabret deixa a sensação de que estagnou em sua história. Assim, Scorsese parece mais preocupado em colocar o maior número de referências e homenagens na trama do que, de fato, desenvolver um enredo.

Nós conseguimos sentir a paixão de Scorsese, mas, por outro lado, também sentimos que o filme ficou sem ritmo ou sem história. Tal falha também se apresenta na montagem de Thelma Schoonmaker (antiga colaboradora do diretor), que não consegue lidar muito bem com essa falta de harmonia imposta por Scorsese. Portanto, A Invenção de Hugo Cabret, que se mostrava envolvente e encantador até certo ponto, termina de uma hora para outra na metade e, depois, só tem a preocupação de falar sobre cinema. Não era de se esperar isso do diretor, especialmente agora que ele adotou um estilo completamente diferente. Desse jeito, A Inveção de Hugo Cabret acaba interessando apenas aos cinéfilos, que conseguirão absorver todas as mensagens e referências. É muito difícil que os outros públicos, que esperam uma aventura dinâmica, consigam se envolver com esse trabalho que fica no meio do caminho. As intenções de A Invenção de Hugo Cabret são muito válidas. Elas só não conseguiram ter um suporte sólido. No final, só a incrível parte técnica sai completamente inabalada.

FILME: 7.5

NA PREMIAÇÃO 2012 DO CINEMA E ARGUMENTO:

4 comentários em “A Invenção de Hugo Cabret

  1. Assim que vi o filme achei sensacional, estava encantado, mas a impressão foi caindo um pouco posteriormente. E realmente o ritmo compromete o filme, tanto por sua longa duração, quanto pela demora em concluir a história. Mas vou discordar contigo em relação à homenagem ao cinema porque fiquei mesmo emocionado com o foco dado ao Méliès e sua história de ostracismo. Os quesitos técnicos, por sua vez, são mesmo impressionantes.

  2. Cleber, não achei um porre, mas fica bem claro que “A Invenção de Hugo Cabret” é extremamente problemático no ritmo…

    Kamila, exatamente! São dois filmes rivalizando ali. E eles não combinam!

  3. Assim como você, gostei muito da parte técnica desse filme. Além, é claro, da bonita homenagem que a obra faz ao cinema. Entretanto, tenho sérios problemas com o roteiro de “Hugo”, especialmente por causa da mudança de foco da trama no meio do filme. Parece dois filmes dentro de um só.

  4. um porre sem igual, acho que scorsese deveria voltar “ao seu cinema” – a primeira parte é extremamente infantil e não funciona – quando o filme “resolve homenagear o cinema” fica até interessante, também não achei que o uso do 3D funcionou como todos disseram.

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