O que passou…

Abaixo, breves comentários sobre filmes que vi recentemente ou que, por alguma razão, não foram comentados anteriormente aqui no blog. A lista está organizada em ordem alfabética:

CANÇÕES DE AMOR (Les Chansons d’Amour, 2007, de Christophe Honoré): Apesar de ser um dos diretores franceses mais ativos da atualidade, Christophe Honoré está longe de merecer os infinitos elogios que recebe – ele, inclusive, consegue ser extremamente pretensioso em certas ocasiões, a exemplo do péssimo Ma Mère. No entanto, Canções de Amor é uma ótima surpresa. O longa estrelado por Louis Garrel (que também nunca esteve tão livre e com tanta desenvoltura) é o mais espontâneo do diretor, que consegue despertar o interesse do espectador com esse dinâmico e bem realizado musical que, no fundo, conta uma história que não teria muito a dizer de diferente se não fosse o lado musical. 8.0/10

ENTRE SEGREDOS E MENTIRAS (All Good Things, 2010, de Andrew Jarecki): Filme realizado antes do grande boom de Ryan Gosling e que, na realidade, mostra que o ator não é 100% certeiro em suas escolhas. Entre Segredos e Mentiras começa bem, especialmente ao criar curiosidade por essa história sobre um relacionamento extremamente complicado. Porém, o último ato é particularmente perdido e desinteressante. Saindo dos trilhos em uma abordagem mal construída de um homem problemático, o longa dirigido por Andrew Jarecki termina bem aquém do que era esperado no início. E, nos momentos finais, o próprio Gosling não é capaz de diminuir essa sensação. 6.0/10

UM GATO EM PARIS (Une Vie de Chat, 2010, de Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol): Chegou a concorrer ao Oscar de melhor animação esse trabalho francês que, na realidade, é destinado mais aos adultos. Dificilmente as crianças conseguirão compreender a história da mulher que perdeu o marido e que agora procura justiça. Ou muito menos os problemas que ela enfrenta com a solitária filha. Um Gato em Paris, focado no animal do título que convive com a tal garotinha, tem muito de assalto, suspense e até mesmo aventura. Tudo bem simples, sem exageros. Pena que esteja longe de ser marcante ou mais consistente. 7.0/10

NORMAL (idem, 2007, de Carl Bessai): Catherine (Carrie-Anne Moss) perde o filho em um acidente de carro. Perto dali, Jordie (Kevin Zegers) vive com a culpa de ter atropelado o garoto. Com outras histórias paralelas, Normal, com o perdão do trocadilho, está sempre no caminho da normalidade. Não existe nada na história comandada pelo diretor Carl Bessai que seja diferente do que já vimos nesse tipo de enredo. A sensação é de que Normal se enquadra naquele tipo de drama para ser assistido de madrugada na televisão sem muitos critérios. Experiência passageira do cinema canadense. 6.5/10

PROFESSORA SEM CLASSE (Bad Teacher, 2011, de Jake Kasdan): Se não fosse a presença de algumas piadas grosseiras ou de situações mais apelativas, Professora Sem Classe poderia ser mais interessante do que realmente é. Contando com uma Cameron Diaz totalmente ciente do tom exigido para sua personagem, essa comédia ganha pontos por trazer uma anti-heroína que consegue vencer as barreiras da antipatia. Pena que o roteiro seja tão genérico no humor, reduzindo Professora Sem Classe ao que estamos acostumados a ver no cinema comercial estado-unidense. Bastava ser mais inteligente em sua acidez e sutil nas ironia para conseguir se diferenciar. Do jeito que ficou, é apenas uma história com alguns momentos divertidos que são obrigados a dividir a tela com escolhas desnecessárias. 6.0/10

REINO ANIMAL (Animal Kingdom, 2010, de David Michôd): Reverenciado no Oscar com uma merecida indicação ao Oscar de atriz coadjuvante para Jacki Weaver, Reino Animal é um filme estranho. Excetuando a história que não é tão envolvente para o gênero, o que existe de mais incômodo aqui é o jovem protagonista James Frecheville. É um daqueles casos em que não dá para entender como conseguiram escalar um ator tão ineficiente e problemático para um papel tão importante. Tramas sobre famílias criminosas já foram mais instigantes (tanto em suspense quanto em drama) do que essa. Quem sabe na próxima, quando não cometerem esse erro tão amador de escalar o ator errado para um personagem fundamental? 6.0/10

UM SONHO DE AMOR (Io Sono L’Amore, 2009, de Luca Guadagnino): As locações na Itália são fundamentais para toda a beleza estética de Um Sonho de Amor, que acerta especialmente na ótima fotografia e no trabalho certeiro de figurinos. Também é necessário destacar o empenho de Tilda Swinton (ela aprendeu a falar italiano e russo para o papel), que nunca esteve tão radiante e bem fotografada. O que falta, no trabalho do diretor Luca Guadagnino, é justamente aquilo que está presente na sequência final: emoção intensa e vibração. Ou melhor, a sensação de que algo está, de fato, acontecendo – porque, de resto, apesar do ótimo visual, Um Sonho de Amor aposta demais na subjetividade – o que, nesse caso, tira bastante o ritmo da história. 6.5/10

SUPER 8 (idem, 2011, de J.J. Abrams): J.J. Abrams continua com a sua reputação intacta. Só que, dessa vez, em Super 8, ele não acertou no roteiro. O problema desse filme que tem um clima muito interessante na forma como desenvolve a relação entre os personagens principais é a total virada da história a partir de certo ponto. Super 8 funciona melhor quando não explicita o suspense e a ação. A partir do momento em que coloca exércitos e os protagonistas para combater uma certa ameaça, torna-se longo, repetitivo e até mesmo histriônico. O diretor ficou na metade do caminho. 6.0/10

X-MEN: PRIMEIRA CLASSE (X-Men: First Class, 2011, de Matthew Vaughn): Reboots não são muito animadores. Até porque essa ideia de reviver franquias relativamente novas sempre parece meio oportunista. A diferença é que, mesmo que esteja longe de ser o arraso que alguns apontaram, X-Men: Primeira Classe tem algo a acrescentar. Quer dizer, a história do preconceito por mutantes já foi trabalhada nos filmes anteriores – o que deixa a trama relativamente sem novidades – mas o conjunto de personagens funciona tão bem que podemos até relevar esse detalhe. Um bom blockbuster. 7.0/10

4 comentários em “O que passou…

  1. Alan, exatamente, “Reino Animal” é, no máximo, só ok… Não entendo tanta adoração por ele.

    Wilson, “As Canções de Amor” é o meu favorito da seleção.

    Luís, como eu escrevi, as piadas grosseiras foram, justamente, o motivo de eu não ter apreciado tanto o longa…

  2. Eu simplesmente adoro Les Chansons d’Amour e o filme com Cameron Diaz, Bad Teacher, me entreteve bastante, até ri das piadas grosseiras que eu achei adequadas ao tom do filme.

  3. Curti bastante alguns desses filmes. Em esepcial “X-Men”, “As Canções do Amor” e “Super8”. Bela lembrança. adorei ;-))))

  4. Me surpreendi bastante com “X-Men”. Não sou fã da saga e nem esperava nada com este reboot, mas, eu realmente gostei. Já estou esperando pelas demais continuações.

    “Professora sem Classe” foi, pra mim, um dos piores filmes de 2011. Só vale pela ótima personagem da Diaz.

    Ainda não entendo o sucesso de “Reino Animal”, acho esse filme tão ok, tão chato…

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