Albert Nobbs

You don’t have to be anything but who you are.

Direção: Rodrigo García

Elenco: Glenn Close, Mia Wasikowska, Aaron Johnson, Janet McTeer, Brendan Gleeson, Jonathan Rhys Meyers, Mark Williams, Brenda Fricker, Pauline Collins

Inglaterra/Irlanda, 2011, Drama, 113 minutos

Sinopse: Irlanda, século XIX. Albert Nobbs (Glenn Close) trabalha como garçom em um hotel. Reservado e econômico com palavras, é o funcionário exemplar. No entanto, à noite, quando está sozinho em seu quarto, tira o seu uniforme e deixa de lado a identidade que assume durante o dia. Albert, na realidade, é uma mulher que se passa por homem para sobreviver numa época marcada pela inferioridade feminina. Com a chegada de Hubert (Janet McTeer), que também esconde um segredo, Albert passa a vislumbrar novos caminhos para sua vida.

É impossível falar de atores da década de 1980 sem mencionar Glenn Close. Marcante figura de longas de destaque daquela época, Glenn é considerada uma das grandes atrizes de seu tempo – e também uma das mais injustiçadas: são várias indicações ao Oscar sem vitória. De O Mundo Segundo Garp até Ligações Perigosas (seu melhor trabalho), a atriz permaneceu sem a cobiçada estatueta dourada. No entanto, já foi celebrada na TV (recentemente, premiada durante dois anos seguidos no Emmy pelo seriado Damages) e no teatro. Aliás, foi nos palcos que Glenn Close interpretou um dos papeis mais importantes de sua carreira: o de Albert Nobbs, um garçom que, na realidade, é uma mulher que tenta sobreviver na machista Irlanda do século XIX sob esse disfarce. Reprisando seu papel de The Singular Life of Albert Nobbs a atriz tentou recuperar seus dias de glória no cinema com a adaptação da peça. O filme, no entanto, não foi bem sucedido.

Glenn Close está ali, sensacional em sua caracterização e contundente na composição do personagem. Porém, é uma composição solitária: o filme é completamente convencional e até mesmo antiquado. Não seria justo culpar apenas García, já que ele, nos seus trabalhos anteriores como diretor, em marcantes séries como Six Feet Under e In Treatment, já havia demonstrado seu potencial Na realidade, essa inexpressividade de Albert Nobbs pode ser atribuída ao trabalho de Glenn Close – não como atriz, mas como roteirista e produtora do longa. A sensação que essa história passa é de que a equipe não queria se aventurar em discussões mais complexas. Tudo em Albert Nobbs é mastigado (notem como o protagonista fala sozinho diversas vezes para deixar o espectador a par de seus sentimentos), linear e… óbvio. Temáticas como a identidade interior e exterior da protagonista são tratadas de forma rasa – e isso é uma pena, uma vez que, recentemente, fomos brindados com um excelente estudo sobre esse assunto em A Pele Que Habito.

É por se desviar de questões tão importantes e que trariam complexidade para a trama que Albert Nobbs resulta passageiro e esquecível. O assunto só consegue trazer certo encantamento em função de Glenn Close, que, em m ótimo trabalho de mudança de voz, postura e expressões, consegue fazer o espectador torcer por aquele personagem que não chega a ser explicado de forma aprofundada – as razões de Nobbs se vestir de homem, por exemplo, deveriam ter mais presença (até porque a proposta é, justamente, mostrar como ser homem, naquela época, era infinitamente mais vantajoso). É por Nobbs que ficamos curiosos não pela história, que, como o próprio título já aponta, é de um personagem só. As figuras de suporte são completamente irregulares, variando da repetitiva Mia Wasikowska até Aaron Johnson (que está menos eficiente do que habitual com um personagem detestável). Quem se salva nisso tudo, ajudando Glenn Close a dar propulsão ao filme, é Janet McTeer, figura fundamental na jornada de Nobbs – e que, mais uma vez, o roteiro não explora da devida maneira a personagem e, principalmente, a relação que ela estabelece com a protagonista.

Culminando em um desfecho que podemos chamar de repentino e até mesmo mal planejado por não ter a emoção necessária, Albert Nobbs, estranhamente, é o trabalho menos interessante do diretor Rodrigo García. Se não fosse pelo buzz em torno da atuação de Glenn Close, teria sido lançado diretamente em dvd ou, então, produzido para a TV. Não é um filme que chega a ser ruim, mas peca por ter várias necessidades que nunca são atendidas. Albert Nobbs não foi explorado o suficiente porque a história, narrada de uma forma excessivamente correta, merecia maiores detalhes e, acima de tudo, complexidade. Tudo aquilo que García apresentou em Six Feet Under e In Treatment, séries cheias de maestria ao construir personagens, poderia estar presente aqui. Não é o que acontece: Albert Nobbs é raso, mal explorado nos seus dramas em potencial. Fica, portanto, a decepção de ver que o diretor não fez um grande filme para marcar o retorno de uma grande atriz ao cinema. Glenn Close está praticamente sozinha em Albert Nobbs. Ainda bem que nas atuações da atriz sempre podemos confiar.

FILME: 6.5

4 comentários em “Albert Nobbs

  1. Curioso na estrutura de seu texto é que, no início, parece que você vai elogiar “Albert Nobbs” – o que não se confirma no decorrer da leitura de sua crítica, já que você estabelece muito bem quais os pontos mais complicados do filme. Curioso lembrar que, no início do ano passado, antes da obra estrear, muita gente apostava no potencial desse filme como possível papel que daria o primeiro Oscar a esse atriz sensacional que é a Glenn Close, mas, na medida em que as reações ao filme surgiram, dava para perceber que a obra tinha alguns problemas e foi isso que acabou prejudicando a Glenn nessa temporada de premiações. Uma pena! Mas, ainda quero assistir “Albert Nobbs”, especialmente porque o longa tem muita gente boa envolvida.

  2. Acho que é um filme apenas de Glenn Close – enquanto atriz, evidentemente. Concordo com todas as suas opiniões acerca do roteiro e do mal que foi não se aprofundar na narrativa. Janet McTeer, para mim, é ainda mais irregular que Mia.

  3. Kamila, muita gente boa mesmo… E só a Glenn e a Janet McTeer correspondem =/

    Luís, discordo completamente em relação ao desempenho de Janet McTeer. Ela estava ótima!

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