As dimensões de um clássico

Exatamente há 100 anos, acontecia um dos maiores naufrágios da história: o do Titanic nas águas do oceano Atlântico. O trágico evento que resultou em mais de 1.500 mortes deu origem também ao filme mais conhecido de nossa geração. Sim, apesar de Avatar ser a maior bilheteria da história (o que não quer dizer nada, já que, possivelmente, metade do lucro foi em função do alto preço dos ingressos 3D), a obra que todo mundo conhece é Titanic. Pergunte por aí: deve ser quase impossível conhecer alguém que não tenha assistido ao célebre longa-metragem dirigido por James Cameron em 1997. Agora, nessa época simbólica dos 100 anos do naufrágio, Titanic está novamente em cartaz. O que, a princípio, parece ser uma mera exploração financeira, revela-se um verdadeiro presente: a conversão para 3D é satisfatória e a sensação de rever esse clássico do cinema na tela grande é única.

O filme relançado agora é exatamente o mesmo: nem um minuto a mais, nem uma vírgula a menos. Ou seja, a mesma produção impressionante, e o mais importante: Titanic permanece majestoso mesmo com a constante evolução da tecnologia desde a sua primeira exibição. É um trabalho que não envelhece, já que, se dissessem que ele foi produzido nos dias de hoje, tal afirmação não seria nada absurda, até porque o longa vem de uma época onde a virtualidade excessiva na construção visual de um filme não era lei. Assim, lá vamos nós, de novo, entrar de corpo e alma no emblemático romance de Rose DeWitt Bukater (Kate Winslet), uma mimada garota que está noiva de um milionário para salvar a família da falência, e Jack Dawson (Leonardo DiCaprio), um jovem artista que vive de cidade em cidade, sem qualquer renda fixa.

Quase 15 anos depois de seu lançamento, o filme de James Cameron continua sendo uma verdadeira viagem cheia de emoções. Aqueles erros básicos continuam ali, a exemplo das abordagens extremas de personagens (basicamente todos os ricos são detestáveis, enquanto os pobres são pessoas injustiçadas de boa índole) e da péssima atuação de Billy Zane como o maquiavélico futuro marido da protagonista. Só que Titanic é tão impecável em todos os outros aspectos que fica difícil reclamar de tais detalhes. Assim, se por si só Titanic já é impressionante, o que falar, então, da oportunidade de revê-lo em tela grande (formato que ela merece), onde concluímos que o resultado sobreviveu de forma impecável durante mais de uma década? Titanic, afinal, também mexe com a nossa memória afetiva, o que é outro ponto muito positivo.

Mesmo que o público saiba exatamente o que acontece na trama, Titanic continua nos envolvendo naquela tragédia estranhamente fascinante e, principalmente, levando o espectador do choro ao riso e da tensão ao romance com uma facilidade assustadora. Merecidamente vencedor de 11 Oscars e sucesso estrondoso da década de 1990, Titanic foi exibido na TV à exaustão, bem como a música de Céline Dion foi reproduzida incansavelmente nas rádios. A repetição causa certa repulsa em muita gente, mas, sem ofensas, é extremamente limitado definir uma obra por aquilo que a mídia faz  com ela. Titanic é mais do que suas incansáveis exibições. TV nenhuma consegue estragar o verdadeiro prazer que é assistir a um filme como esse. E James Cameron tem todo o meu agradecimento por ter me dado a chance de ver Titanic no cinema pela primeira vez. Nunca vou esquecer. Obrigado.

FILME: 10.0

10 comentários em “As dimensões de um clássico

  1. Eu AMO Titanic e não vejo a hora de poder ir ao cinema conferir em 3D. Será, aliás, o primeiro filme que vejo assim!

  2. Meu Deus, Kate Winslet a melhor atriz de 1998? A atuação mais vergonhosa da carreira dela, sem nuances ou emoção. Titanic é um clássico, um filme grandioso de validade histórica inegável mas jamais um filme de atuações. Só Gloria Stuart se salva. Helena Bonham Carter é a verdadeira vencedora daquele Oscar.

  3. Depois de tantos anos sem ver TITANIC (e sem nunca o ter visto nos cinemas), estou muito ansioso com esse relançamento em 3D. O problema está na rede que exibe na minha cidade, que por escolha estúpida (o filme é longo e usar óculos por todo esse tempo e LER AS LEGENDAS não dariam certo numa combinação) está passando apenas a versão dublada. Um filme grandioso a tudo que possa servir, mas adiarei até a oportunidade de vê-lo em áudio original.

  4. As pessoas, cinéfilos para ser mais preciso, costumam limitar o termo ” qualidade ” a roteiro original. O cinema de James Cameron não é isso. A grandiosidade de sua obra reside na habilidade de transmitir sensações, emoções através do seu primoroso trabalho audiovisual. É esse o diferencial de Cameron: entende como ninguém a ” engenharia ” na feitura de filmes.

    Por outro lado, fiquei surpreso quanto a repercussão do relançamento do filme. Houve de tudo: gerações que não viram o filme na época do seu lançamento se manifestando, polêmicas declarações dos protagonistas de Titanic ( na maioria delas, houve a habitual distorção da ” imprensa ”. Quem leu as entrevistas dos astros na íntegra, sabe disso.), censura na China, etc. Nos mais, é um clássico inquestionável, um marco do cinema, que de sobra alçou ao estrelato dois grandes atores: Kate Winslet e Leonardo Dicaprio.

  5. Titanic é um filme pra toda vida. Você ressaltou bem no seu post quando diz que o filme leva a gente da tristeza ao riso, das emoções as tensas, é impressionante como o filme consegue nos transmitir diferentes sensações de forma tão impressionante, chega ser assustador certos momentos de tensão quando a tragédia começa, você se envolve por completo e torce e sofre junto com os personagens. E não tem nada melhor que sair do cinema, sentindo que saiu do CINEMA, porque isso sim é um filme.

  6. Reconheço as qualidades de “Titanic” como o grande filme que é, mas eu não sou fã deste longa, em particular, porque acho a história altamente manipulativa, além do roteiro ser tão clichê que doi. Não sei se terei paciência para rever a obra em seu relançamento em 3D, mas acho que “Titanic” conquistou seu lugar na história do cinema de forma merecida, por ter uma história com carisma. O James Cameron sabe como aproveitar os elementos de seu roteiro e potencializar isso ao máximo, isso ninguém pode negar e ele foi perfeito nesse seu trabalho aqui.

  7. Preciso reassistir a esse filme urgentemente! Vi “Titanic” duas vezes quando era criança, e ao julgar pela sua resenha, o filme não perdeu em nada o encanto. E o que é aquela cena do naufrágio!? Até hoje ela não me sai minha cabeça.

  8. Luís, ver “Titanic” no cinema é uma experiência única!

    Gustavo, assino embaixo!

    Henrique, acho que a Kate segura muito bem “Titanic”. Inclusive, me lembra muito as atrizes de antigamente, onde uma atuação feminina não era ofuscada por um grande clássico. E só Gloria Stuart se salva? Para mim, ela nem deveria ter sido indicada a nada!

    Mateus, e não sei como você conseguiu assistir ao filme dublado! Nunca que eu assistiria nesse formato!

    Bruno, é bem isso mesmo: “Titanic” é um grande clássico que consegue compensar qualquer problema de roteiro com outros aspectos grandiosos. Assim é o cinema de James Cameron!

    Mark, um dos grandes filmes da história do cinema!

    Kamila, concordo com o que você disse: “Titanic” alcançou sua importância no cinema de forma merecida, mesmo que muita gente não goste do filme!

    Clóvis, e o filme fica muito tempo com o espectador depois dessa revisão no cinema. “Titanic” não envelheceu em nada!

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