Melhores de 2011 – Montagem

Em 127 Horas, assim como em Quem Quer Ser Um Milionário?, Danny Boyle volta a afirmar que o forte de seus filmes não é a história em si, mas sim como ela é contada. No longa estrelado por James Franco, Boyle volta a fazer parceria com um dinâmico montador. Agora, é a vez de Jon Harris dar agilidade para a história contada pelo diretor. E o resultado é de tirar o chapéu. Não devemos, entretanto, reduzir o trabalho de Harris ao simples fato de conseguir superar o desafio de dar continuidade a uma história passada quase que inteiramente em um único cenário. Ele vai além: em certos momentos, até nos esquecemos que estamos presos em um lugar estreito junto com o protagonista. Harris, junto com a bem planejada trilha de A.R. Rahman, consegue dar excelente ritmo para essa história que, se montada de maneira errada, poderia cair na monotonia. Não é o que acontece aqui. Pelo contrário: o resultado apresentado por Harris dá uma nova perspectiva para 127 Horas. Montagem objetiva e com o estilo certeiro para manter o espectador sempre atento.

CONTÁGIO

Muito da sensação de surpresa deixada por esse novo filme de Steven Sodergbergh vem da ótima montagem de Stephen Mirrione. Se o diretor não consegue concluir muito bem a maioria das histórias que desenvolve, Mirrione consegue apresentá-las com uma notável habilidade. A montagem costura tudo bastante precisão, trazendo exatamente aquilo que Contágio precisa: harmonia. No final, não parece que vimos uma confusão de personagens e situações. A montagem, com muitos méritos, conseguiu organizar e, principalmente, dinamizar tudo.

MEDIANERAS – BUENOS AIRES NA ERA DO AMOR VIRTUAL

Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual conseguiu expressar sua contemporaneidade até mesmo na montagem. Pablo Mari e Rosario Suárez, responsáveis pelo setor, tratam tudo com um dom muito valioso: aquele de organizar duas histórias que acontecem em circunstâncias diferentes mas que são, essencialmente, sobre os mesmos dilemas. Martín (Javier Drolas) e Mariana (Pilar Lopez de Ayala) têm rotinas distintas – mas, no fundo, como a própria montagem aponta, vivem praticamente a mesma vida.

A PELE QUE HABITO

Uma boa trama cheia de segredos e revelações não vem apenas de um bom roteiro, mas também de um bom trabalho de montagem. Tal afirmação serve como uma luva para A Pele Que Habito, um dos longas mais surpreendentes de Pedro Almodóvar. Aqui, além do quebra-cabeça ser montado com a devida dose de curiosidade, as escolhas mais ousadas (como alguns segredos sendo revelados cedo demais) não estragam o filme: pelo contrário, o resultado fica ainda mais interessante.

CISNE NEGRO

As paranoias de Nina não teriam o mesmo efeito se não fosse o excelente trabalho de montagem. Ora, a dificuldade do espectador distinguir o que é realidade de sonho também é fruto desse trabalho. E Cisne Negro, ao conduzir com a devida dose de tensão dramática sua história, consegue saldo mais do que positivo com as escolhas da montagem. Outro pequeno grande detalhe desse que é um dos filmes mais marcantes de 2011.

EM ANOS ANTERIORES: 2010 – A Origem | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Onde os Fracos Não Têm Vez

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Escolha do público:

1. Cisne Negro (34,38%, 11 votos)

2. A Pele Que Habito (25%, 8 votos)

3. 127 Horas (21,88%, 7 votos)

4. Contágio (9,38%, 3 votos)

5. Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual (9,38%, 3 votos)

5 comentários em “Melhores de 2011 – Montagem

  1. E aqui o meu voto vai para Cisne negro. Acho que a seleção feita por ti é ótima. Mas a montagem de Cisne negro para mim, é um assombro de técnica e, mais do que em qualquer outro indicado, detém valorosa força narrativa
    Abs

  2. Não assisti “Medianeras”, da sua lista de indicados, mas meu voto iria para “Contágio”, que tem um trabalho de montagem muito competente e que é fundamental para o roteiro, para o relato da história do longa dirigido por Steven Soderbergh.

  3. Muito legal tu ter indicado Contágio, um filme que na minha opinião foi subestimado pela maioria dos cinéfilos e críticos. Dos teus indicados, não vi justamente o vencedor, 127 Horas. Entre os outros quatro, eu votaria em Contágio. Na minha premiação, dei a vitória para Scott Pilgrim.

  4. Reinaldo, gosto da montagem de “Cisne Negro”, mas prefiro muito mais a de “127 Horas” e até mesmo a de “Contágio”.

    Brenno, os filmes do Danny Boyle são sempre imbatíveis nesse segmento, né?

    Kamila, um trabalho muito competente mesmo!

    Ghuyer, subestimado mesmo! Para mim, é o melhor trabalho do Soderbergh em anos.

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