Poder Sem Limites

A lion does not feel guilty when it kills a gazelle, right? You do not feel guilty when you squash a fly… and I think that means something.

Direção: Josh Trank

Roteiro: Max Landis

Elenco: Dane DeHaan, Alex Russell, Michael B. Jordan, Michael Kelly, Ashley Hinshaw, Bo Petersen, Anna Wood, Rudi Malcolm, Luke Tyler, Adrian Collins

Chronicle, EUA, 2012, Aventura, 84 minutos

Sinopse: Após entrar em contato com uma substância misteriosa, três amigos são surpreendidos ao ganhar superpoderes. De início eles os usam para brincar com conhecidos, mas aos poucos ganham a sensação de impunidade e passam a realizar feitos maiores. Sentindo-se invulneráveis, eles ultrapassam qualquer limite quando uma pessoa é morta. (Adoro Cinema)

Já diria Ben Parker, tio do protagonista Peter, de Homem-Aranha, que grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Sorte que o jovem Peter soube usá-los com a devida cautela, ao contrário do inconsequente trio de personagens de Poder Sem Limites. A primeira investida do diretor Josh Trank no cinema (ele havia apenas dirigido alguns episódios para a série The Kill Point, de 2007) mostra justamente os limites em que esses adolescentes chegam quando não usam direito o poder que misteriosamente receberam. Do fascínio da descoberta até o choque de eventos trágicos, Poder Sem Limites usa tal premissa como principal engrenagem. E, quando o filme trata exatamente sobre os poderes, entrega puro entretenimento. Já quando se desvia para falar de dramas pessoais e para dar maior dimensão ao perfil psicológico dos personagens, expõe suas fragilidades.

É fácil constatar que o forte dessa boa surpresa de 2012 é o trabalho técnico, explorado de forma interessante pela direção de Trank. O filme, apresentado em um formato batido (câmera na mão), consegue, inclusive, alcançar bom resultado nessa escolha, já que os efeitos visuais se tornam mais impressionantes mostrados a partir dessa ótica “realista”. Talvez, se não fosse contado com esse formato, o impacto não seria o mesmo. É claro que, assim como em vários outros filmes do “gênero”, não convence o fato dos personagens continuarem segurando uma câmera em situações tão extremas e inusitadas. Mas isso pouco importa para Poder Sem Limites que, através do impacto dos efeitos, compensa qualquer inverossimilhança do formato. O apelo visual por si só já nos deixa facilmente imunes a isso.

O resultado final se enquadra exatamente no formato da maioria dos blockbusters – vale lembrar que, aqui, o orçamento é menor e as ambições técnicas não são tantas, mas as intenções em termos de entretenimento são praticamente as mesmas. Por outro lado, existe uma falha recorrente no segmento: a falta de consistência. Poder Sem Limites, como já mencionado, tropeça ao dar dimensão aos personagens. Se não bastasse a figura do protagonista isolado e sem amigos que, de repente, muda de vida com novos poderes, o roteiro ainda faz questão de trazer uma mãe em estado terminal e um pai completamente violento. Estereótipos que, se não existissem, só trariam benefícios para essa trama que parece até forçada quando mostra confitos familiares.

Por sorte, o roteirista Max Landis consegue lidar com a devida dose de curiosidade a tal proposta da inconsequência dos protagonistas. Ok, não temos qualquer explicação de onde vieram exatamente os poderes dos personagens, mas isso é mero detalhe uma vez que conseguimos compartilhar da curiosidade deles em relação a esses poderes que, a cada minuto, tornam-se ainda mais grandiosos. Poder Sem Limites sabe que o forte do enredo é o poder em si e as suas consequências. E, com um final que é mais trágico do que estamos acostumados a ver no cinema mais comercial, consegue utilizar essa premissa para criar uma aventura despretensiosa, bem realizada e com um bom ritmo para agradar seu público-alvo. E isso, em tempos de adaptações infinitas e continuações desnecessárias, é mais do que poderíamos esperar. Pena que, mais uma vez, Hollywood planeja estragar tudo: Poder Sem Limites já tem uma sequência anunciada. Não precisava.

FILME: 8.0

6 comentários em “Poder Sem Limites

  1. Vi recentemente e achei bem interessante!
    Gostei do roteiro, apesar dos pesares, e é lamentável a existência dessa continuação….

  2. Gioberlândia, eu gostei bastante do resultado.

    Kamila, em termos dramáticos, o filme é bem clichê mesmo. Mas, para a mim, a parte técnica compensa esse problema.

    Daniel, tenho esse eterno dilema das notas… Já quis abolir as avaliações porque, muitas vezes, meus textos não são tão coerentes com as notas, mas muitos leitores não aprovaram a ideia. Pelo jeito, a presença de notas é indispensável =)

    Rafael, entendo quem não gosta de “Poder Sem Limites”, mas eu o considero um excelente entretenimento!

  3. Pois é, justamente porque na parte dramática o filme se mostra frágil que eu não gostei muito, até porque como entretenimento é uma negação já que não vejo graça em adolescentes idiotas fazendo idiotices, mesmo que com super poderes. Existe uma dimensão dramática muito interessante no filme, mas acho que o filme nunca consegue dar dimensão a isso. O fato da câmera ser manipulada pelo protagonista funciona como uma “desculpa” para que essas questões sejam vistas sob sua ótica desequilibrada, justamente a de um adolescente perdido numa situação de desencontro.

  4. Li muitas críticas positivas sobre o filme… vou conferir o mais rápido possível e volto aqui pra comentar.
    P.S. é a segunda crítica (a primeira foi Jogos Vorazes) que pelo desenrolar do texto acho que você vai dar uma nota baixa mas acabo me surpreendendo rs

  5. Eu acho que a premissa de “Poder sem Limites” é bem interessante, mas acredito que o filme se perde dentro das suas próprias armadilhas. O personagem masculino principal é uma caricatura total cujos caminhos são tão clichês que acabam transformando esse filme numa obra muito previsível. Fora que eu achei o final muito apressado. Não precisava de tudo isso, especialmente porque, como eu mesma disse, a obra começa bem…

  6. Filme muito bom!!Tive o prazer de assisti -lo logo na sua estréia. Inicialmente o filme pareceu – me muito chato, mas depois o roteiro e as atuações ficaram legais.

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