Na coleção… Um Estranho no Ninho

Segundo filme a vencer as cinco categorias principais do Oscar (filme, direção, ator, atriz e roteiro), Um Estranho no Ninho é aquele tipo de clássico que não é grandioso ou cheio ambições. É, justamente, único por ser singelo e humano. Na obra mais célebre do diretor Milos Forman, Jack Nicholson interpreta R.P. McMurphy, um sujeito que já foi preso várias vezes por agressão e que, agora, é acusado de estuprar uma menina de 15 anos. Para escapar da prisão, ele finge ter problemas mentais e é enviado para um manicômio, onde será observado durante dias para um diagnóstico final. No ambiente, ele precisa se encaixar em uma nova vida, mergulhando na ingenuidade, loucura e amizade dos pacientes de lá. Ao mesmo tempo, ele rivaliza com a enfermeira Mildred Ratched (Louise Fletcher), uma mulher de ferro que parece ser a única a oferecer, de fato, algum risco para a farsa do protagonista.

Baseado no romance homônimo de Ken Kesey, o roteiro de Um Estranho no Ninho não planeja ser um estudo sobre a vida dentro de um manicômio ou uma análise sobre a sanidade de seus personagens. O objetivo, aqui, é mostrar que todas as pessoas, em sua essência, são iguais. Loucas, mas também esperançosas, sonhadoras e… em busca da felicidade. A entrada do personagem de Nicholson nesse ambiente muda não apenas o cotidiano dos pacientes, mas dele próprio, que não age com o mínimo de preconceito ou maldade lá dentro. Pelo contrário: parece que a missão do personagem é, justamente, unir os pacientes e construir um ambiente melhor para eles. Foi através de sutilezas como essas que Um Estranho no Ninho conquistou gerações e é considerado, até hoje, um dos clássicos mais queridos do cinema. Por isso, deve ser elogiado o excelente trabalho de Milos Forman não só ao orquestrar tantos elementos narrativos e técnicos, mas também ao dirigir notavelmente seus atores. E eles merecem citações à parte.

Importante notar, aqui, que, antes de seus protagonistas, o elenco de suporte também é certeiro: Danny DeVito e Christopher Lloyd, por exemplo, são alguns dos nomes que compõe esse excelente grupo de atores que tornam a experiência não só trágica, mas também cômica (o humor do filme é muito genuíno). Só que o destaque mesmo é Nicholson. Possivelmente, o ator nunca esteve tão à vontade em um papel. Por seu ótimo trabalho, ganhou merecidamente o seu primeiro Oscar. Louise Fletecher, que estranhamente nunca mais teve um grande papel depois do filme, também é um destaque: como a gélida enfermeira Ratched, merece aplausos por construir com eficiência uma figura simplesmente detestável que não dá um sorriso sequer. Ela mesma reconheceu o difícil trabalho: logo depois do final das gravações, tirou o uniforme e ficou apenas de roupa íntima frente ao elenco para mostrar que não era fria como sua personagem. Por fim, em sua simplicidade, Um Estranho no Ninho se torna uma grata surpresa. Revolucionário ou não, deve, pelo menos, levar o espectador do drama ao humor com uma naturalidade invejável.

FILME: 8.5

6 comentários em “Na coleção… Um Estranho no Ninho

  1. Realmente, Um Estranho no Ninho é belíssimo, um dos melhores do Forman – não meu favorito, no entanto. Jack Nicholson dá um show a parte o final é particularmente poético!

  2. Ghuyer, mas é um engraçado suspeito… Quando vi pela primeira vez, sempre fiquei com a sensação de que algo muito errado estava para acontecer naquele manicômio. E valeu pela correção, já arrumei o texto =)

    José, são filmes bem diferentes, mas “Um Estranho no Ninho” faz muito mais o meu estilo!

    Kamila, é uma obra que, pelo menos pra mim, envelheceu bem!

    Hugo, segundo erro no texto haha Já corrigi, valeu!

  3. Lembrança muito boa. Parabéns pelo post! Apenas uma correção: por “Um Estranho no Ninho” Jack Nicholson ganhou o seu primeiro Oscar. O segundo prêmio ele conquistou em 1984, como melhor ator coadjuvante por “Laços de Ternura”.

  4. Esse eu também tenho na minha coleção. “Um Estranho no Ninho” é um filme bem interessante, com personagens muito bem delineados e um final cortante e chocante. Acho uma obra consistente até hoje.

  5. Você considera Um Estranho no Ninho melhor que Amadeus, Matheus?

  6. Vi o filme quando era criança, porque o Jack Nicholson na capa indicava comédia. E de fato, foi tudo muito engraçado até o final, quando, enfim, acontece o que acontece. Um Estranho no Ninho ficou muito marcado na minha memória, e o considero um grande filme, 5 estrelas.

    Obs – só uma pequena correção: na real o primeiro filme a levar os 5 Oscas principais foi o Aconteceu Naquela Noite, do Frank Capra, de 1935.

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