O que passou…

AMOR À PRIMEIRA VISTA (Falling in Love, 1984, de Ulu Grosbard): De todos os filmes menores que Meryl Streep protagonizou nos anos 1980, esse é o que menos sobreviveu com qualidade. Hoje, Amor à Primeira Vista soa antiquado, sem graça e com pouquíssimo a dizer. Talvez até para os padrões da época já tenha sido mediano, mas, com o tempo, só teve suas fragilidades evidenciadas. Devemos ser sinceros e admitir que o longa de Ulu Grosbard está longe de ofender ou sequer ser ruim, mas com Meryl Streep, Robert De Niro e Dianne Wiest, o resultado poderia – e merecia – ser bem superior. Entretanto, é apenas um romance inexpressivo com leves toques de drama. E a mistura nunca empolga. 6.0/10

A DIFÍCIL ARTE DE AMAR (Heartburn, 1986, de Mike Nichols): Se Amor à Primeira Vista não envelheceu muito bem, A Difícil Arte de Amar pode dizer que conseguiu preservar parte de seus pontos positivos. Talvez seja mérito do roteiro da recém falecida Nora Ephron. Ela não é uma grande roteirista, mas levanta questões sempre pertinentes sobre relacionamentos com certa eficiência. Aqui não é diferente: Meryl Streep e Jack Nicholson dão vida à essa história de casamento e traição inspirada na vida da própria Ephron. É uma comédia dramática extremamente simples que traz Meryl Streep mais “gente como a gente” do que nunca e um Jack Nicholson igualmente à vontade. Só não ser muito crítico para aproveitar o resultado… 7.5/10

A FILHA DE GIDEON (Gideon’s Daughter, 2005, de Stephen Poliakoff): Antes de mais nada, A Filha de Gideon é uma grande chance para Bill Nighy, um ator pouco aproveitado e que, nesse filme, está sublime – inclusive, mereceu o Globo de Ouro que recebeu pelo seu trabalho. Ele é o protagonista desse telefilme da BBC sobre o cotidiano de um famoso publicitário que precisa lidar com seus clientes, a falta de comunicação com a filha e a nova amizade que começou com uma mulher que acabou de perder o filho. É uma história muito sutil, interpretada por um elenco de qualidade (além de Nighy, tem Emily Blunt, Miranda Richardson e Tom Hardy) e que sabe a medida certa para os dramas que apresenta – inclusive no uso da excelente trilha. 8.0/10

O GAROTO DA BICICLETA (Le Gamin au Vélo, 2011, de Jean-Pierre e Luc Dardenne): Não é nenhum exagero fazer comparações entre Tão Forte e Tão PertoO Garoto da Bicicleta. Ambos falam sobre crianças extremamente geniosas que lidam com a ausência de uma figura paterna e que, em jornadas solitárias, não parecem precisar da ajuda das mulheres presentes em suas vidas. Só que se o primeiro é (injustamente) acusado de ser muito melodramático, o segundo não me instigou por ser justamente o oposto: racional, clínico, quase frio. Principalmente porque é difícil ter compaixão pelo protagonista. É de se admirar sempre a abordagem naturalista dos irmãos Dardenne. No entanto, falta algo em O Garoto da Bicicleta, que também tem um ato final muito abrupto e sem grandes surpresas. 7.0/10

IDENTIDADE PARANORMAL (Shelter, 2009, de Måns Mårlind e Björn Stein): É só ver o pôster do filme ou ler a sinopse para pressentir a bobagem que é Identidade Paranormal, lançado diretamente em home video aqui no Brasil. E o que você pensou sobre o filme está certo – elevado ao cubo. Não entendo que tipo de diretor consegue fazer um filme tão horrível quando tem duas duas atrizes do calibre de Julianne Moore e Frances Conroy no elenco. Já é sabido que as duas constantemente estão envolvidas em bombas, mas ambas poderiam ter evitado essa desgraça… Identidade Paranormal tem uma história boba (sempre a psiquiatra que vira investigadora, né?), suspense nulo, resoluções que seguem um caminho completamente inverso do que a história estava seguindo e uma direção completamente amadora. Enfim, no início até parece um filme ruim para se ver de madrugada – mas, aos poucos, revela que nem isso consegue ser. 2.0/10

LAS MALAS INTENCIONES (idem, 2011, de Rosario Garcia-Montero): Assisti no Festival de Cinema de Gramado do ano passado, e foi um dos longas da mostra competitiva latina que mais me agradou. Las Malas Intenciones, já exibido também no Festival de Berlim, é um filme peruano que tem muito a ver com O Labirinto do Fauno no que se refere ao seu foco narrativo: aqui, os dramas são contados a partir do ponto de vista de uma menina mais esperta do que outras de sua idade, enquanto os adultos servem apenas de suporte para seus dilemas. Indispensável elogiar a jovem Fátima Búntix, que segurou muito bem o filme com um desempenho exemplar. Ela, como a inteligente Caetana, que acha necessário morrer no dia em que seu novo irmão nascer, incorpora com precisão todas as boas situações criadas por esse excelente drama. 8.0/10

4 comentários em “O que passou…

  1. Raphaela, exatamente! O que Julianne Moore viu naquele roteiro? Incompreensível!

    Luís, nem pela Julianne Moore consegui curtir “Identidade Paranormal”. Só fiquei com pena dela mesmo…

    Kamila, meu problema com “O Garoto da Bicicleta” foi exatamente esse: não consegui ter compaixão pelo Cyril!

  2. Comentando somente os filmes que eu assisti:

    A Difícil Arte de Amar: é uma comédia romântica irregular, mas que ganha um charme a mais por causa da presença da Meryl Streep e do Jack Nicholson. Acho curioso também o fato de ter sido inspirado na própria história da traição sofrida pela Nora Ephron. Ela sabia rir de si mesma, definitivamente. :)

    A Filha de Gideon: é um telefilme bem sólido, que recebeu, na sua época de lançamento, indicações ao Globo de Ouro e algumas vitórias bem merecidas. Particularmente, eu acho que as atuações são o forte desse telefilme.

    O Garoto de Bicicleta: o personagem principal, definitivamente, é bem complicado e chato. Acho que, se a gente acaba sentindo compaixão pelo Cyril, a gente entra por completo na trama do filme. E isso aconteceu comigo. Gostei bastante dessa obra.

  3. Acho que “Amor à Primeira Vista” é ainda agradável aos olhos. Me soa datado, mas perfeitamente assistível. E gosto muito de Meryl Streep nesse filme. Quanto a “A Difícil Arte de Amar”, esse eu quero ver ainda, está na minha lista de títulos para conferir.

    Agora “Identidade Paranormal” é mesmo uma derrota, mas ainda assim gosto por causa de Julianne Moore. É terrível mesmo vê-lo, chatíssimo e com um roteiro que não quer dizer absolutamente nada.

  4. Identidade Paranormal é uma bomba mesmo.. Nada condiz com nada.. No início achei até que botava um medinho, mas conforme vai se desenrolando o roteiro muda de figura e aí vira um sessão de tosquice sem limites.. E aí eu me pergunto.. O que Julianne Moore está fazendo ali? O que ela viu de tão interessante no roteiro? Tava com muitas dívidas e precisou aceitar pelo cachê??..

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