Inscrições abertas para o CLOSE 2012

Corealização do SOMOS – Comunicação, Saúde e Sexualidade* com a Avante Filmes*, o Festival CLOSE tem como objetivo a valorização e difusão de obras cinematográficas que promovem reflexões sobre a diversidade de expressões da sexualidade humana. Em 2012, o CLOSE, que acontece em Porto Alegre, comemora sua terceira edição – e as inscrições para participar do Festival já estão abertas (conferir o site oficial).

No ano passado, as mostras competitiva e informativa ocuparam diferentes salas da capital gaúcha, com programação inteiramente gratuita, bem como a programação paralela repleta de encontros e diálogos entre cineastas, estudantes, pesquisadores e cinéfilos. Na edição passada do CLOSE, conversei com os diretores Filipe Matzembacher e Márcio Reolon, da Avante Filmes, sobre a realização do Festival (originalmente para o portal Cultnews). Agora, dada a abertura das inscrições, acho válido replicar esse bate-papo aqui no blog. Confiram!

Qual a importância do cinema e de festivais para a discussão da diversidade de expressões da sexualidade humana?

A arte em geral serve, principalmente, para reflexão dos anseios, sentimentos, discussões e necessidades humanas. Assim, um festival que aborda a temática da sexualidade, em sua amplitude, gera debates e questionamentos importantes para a evolução de uma sociedade. No momento em que um evento desses é criado, mais pessoas assistem filmes ligados a essa temática, mais debates e novos questionamentos são gerados. Todos os filmes que buscamos, acima de tudo, têm de ser obras consistentes. Assim passam melhor suas mensagens… E, por isso, a qualidade dos filmes no Festival é bem alta. O conjunto é bem poderoso. O Festival também ofereces encontros e debates, pois achamos essencial esse contato. Com essa aproximação, o público entende todas as intenções da equipe e os realizadores recebem o feedback de suas obras perante o público.

Como é a parceria entreoa SOMOS e a Avante Filmes para a realização do CLOSE?

A parceria começou ano passado, quando organizamos a primeira edição do CLOSE juntos. O SOMOS havia ganho um edital de pontão de cultura, que incluia a produção de um festival de cinema, e a Avante Filmes foi convidada a participar da elaboração e produção do mesmo. O trabalho conjunto deu muito certo, e passou a ir além de uma parceria para edições futuras. Só nesse ano, fora o CLOSE, realizamos juntos quatro curtas-metragens, um vídeo institucional, e temos projetos bem bacanas e ambiciosos para um futuro próximo.

Quais foram os principais desafios para realizar um Festival como esse?

Apesar da boa receptividade, nem todo mundo está interessado ainda em apoiar projetos de gênero, o que de certa forma dificulta a realização (pensando-se ainda que é um projeto ligado à cultura). Trabalhar com cultura no Brasil não é fácil e com cultura de gênero menos ainda. Contudo, conseguimos agregar ao projeto diversos apoiadores que facilitaram a execução do CLOSE 2011. Esperamos que, a cada ano que passe, as entidades públicas e privadas invistam mais em cultura e em projetos que abordem a diversidade sexual. É necessário e é gratificante.

E o apoio? Quem são as pessoas que ajudaram a tornar o CLOSE uma realidade?

Além de todos os funcionários do Grupo SOMOS e da Avante Filmes, tivemos muitos parceiros nesse processo. Os críticos de cinema Marcus Mello e Christian Petermann abraçaram as curadorias do evento. A Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul, a Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal e a E O Vídeo Levou possibilitaram que fizéssemos um festival do porte que gostaríamos. O CineBancários, a Cinemateca Paulo Amorim, o Memorial do Rio Grande do Sul e o Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo nos deram a infraestrutura necessária. A identidade visual, que está belíssima, ficou a cargo do fotógrafo Eduardo Carneiro e do designer Carlos André Pires. A assessoria de imprensa foi feita pelo SOMOS e pela Camejo Comunicações. Além de todos esses, se envolveram restaurantes, bares, casas noturnas, albergue, escola de idiomas, entre muitos outros. Todos querendo ajudar e participar do processo, por acreditarem na idéia.

Essa já é a segunda edição do Festival. Como vocês avaliam a primeira edição dele?

Foi um sucesso. Nem mesmo nós tinhamos a certeza de que seria tão positivo. Sessões lotadas (fomos o evento com maior índice de audiência do CineBancários ano passado), público super participativo e interessado, realizadores do país inteiro presentes. Tivemos até a presença de dois atores argentinos super em acensão, Ines Efron e Martin Rodriguez. As reclamações se limitavam ao fato de que o evento tinha “apenas” quatro dias de duração, e as pessoas queriam mais. Foi uma prova de que o Rio Grande do Sul estava carente de um festival assim, que abordasse esse gênero específico. O feedback que tivemos do público foi muito bacana. Eram pessoas de diversos estilos, faixas etárias, classe social, orientação sexual. Mas todos estavam interessados em ver bons filmes e debater cinema e sexualidade. Ao longo do ano, tivemos pessoas ligando e perguntando se haveria CLOSE esse ano também, pois queriam muito participar novamente.

Como é o processo de escolha dos filmes concorrentes e vencedores do Festival?

Os filmes são através dos curadores. Esse ano, pela segunda vez consecutiva, as mostras Competitiva e Paralela ficaram a cargo do crítico de cinema Marcus Mello. Os filmes tinham que ser inscritos pelo site, com cópias que passavam pela seleção. Os vencedores da Competitiva serão julgados por três jurados, que comparecerão às sessões. Há, também, o júri popular, que é um voto do público presente. Já a Mostra Informativa, que abrange curtas, médias e longas-metragens, de qualquer época e lugar, é uma seleção pessoal do também crítico Christian Petermann. Ele é de São Paulo, e não o conheciamos pessoalmente ainda, apenas seu trabalho. Fizemos contato, ele gostou da idéia e topou embarcar.

Quais são os planos para as próximas edições?

Nosso objetivo é expandir o CLOSE cada vez mais. Ainda é cedo para falar em reformulações específicas. Mas criar uma versão menor, itinerante, que percorra o país, certamente está nos planos. Independente do rumo que o evento siga, queremos manter sempre seu caráter de fomentar e democratizar o acesso à cultura.

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* SOMOS é uma organização de sociedade civil criada em 10 de dezembro de 2001, formada por uma equipe multidisciplinar de profissionais das áreas da Educação, Saúde, Direito, Comunicação e Cultura. Sua missão é trabalhar por uma cultura de respeito às sexualidades através da educação da sociedade e afirmação de direitos.

* Avante Filmes é uma produtora portoalegrense que já realizou, em vôo solo, ou em coproduções, doze curtas-metragens com premiações e passagem em mais de 80 festivais de cinema e mostras nacionais e internacionais de destaque, incluindo o Festival de Cinema de Cannes, além de diversos institucionais, séries para televisão e internet, videoclipes e mostras.

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