TOP 10: Filmes estrangeiros contemporâneos

Selecionar os dez filmes estrangeiros para essa lista foi uma tarefa extremamente fácil. Considerando o “contemporâneo” como dos anos 2000 para agora, tenho muitos longas que me emocionaram e que possuem presença muito forte na minha memória afetiva. Assim, o desafio, na realidade,  foi definir uma ordem de preferência. E que desafio! Esse TOP 10, que quebra o padrão que havíamos apresentado até agora com postagens só sobre atrizes, inaugura as versões mais temáticas dessa seção do blog. Confira, abaixo, a lista que transita por uma grande variedade de países.

1. ADEUS, LENIN! (Goodbye, Lenin!, Alemanha, 2003): Se existe um filme estrangeiro recente que mexe com as minhas emoções, esse é Adeus, Lenin!. Sucesso de bilheteria na Alemanha, o longa do diretor Wolfang Becker é cercado de sutilezas para contar uma bonita história familiar. A comédia também está presente, mas de forma muito natural e controlada. Além do roteiro e da certeira direção, o filme ainda tem uma inesquecível trilha sonora composta pelo sempre brilhante Yann Tiersen. Adeus, Lenin! é singelo. E, como a maioria dos filmes marcantes, termina singular por ser, justamente, livre de apelações.

2. O LABIRINTO DO FAUNO (El Laberinto del Fauno, 2006, México): Obra-prima de Guillermo Del Toro, essa fábula mexicana ganhou repercussão internacional, ganhando, inclusive, alguns Oscars técnicos. Não é para menos: O Labirinto do Fauno consegue unir drama e fantasia em uma mistura sublime. Não bastasse a linda trilha de Javier Navarrete e a excelente fotografia de Guillermo Navarro, o filme é conduzido com muita segurança pelo diretor, que consegue fazer um interessantíssimo paralelo entre fantasia e realidade. Sem falar que a jovem Ivana Baquero cumpre muito bem a missão de protagonizar esse longa super original e muito bem realizado.

3. A PELE QUE HABITO (La Piel Que Habito, 2011, Espanha): Se Abraços Partidos mostrava um Almodóvar apoiado completamente na reciclagem, A Pele Que Habito veio para mostrar que ele ainda está cheio de fôlego com novas ideias e inventividades. Dá para entender quem não consegue se envolver tanto com o filme, mas, para mim, A Pele Que Habito foi uma experiência extremamente sensitiva. Do drama ao suspense, Almodóvar ousa, choca e intriga. O que poderia ser apelativo e nada verossímil nas mãos de outro diretor, aqui ganha contornos extremamente envolventes. Uma história que só poderia ser contada pelo espanhol.

4. O QUARTO DO FILHO (La Stanza del Figlio, 2001, Itália): Nunca tive coragem de rever O Quarto do Filho tamanha a comoção que ele me causou. Lembro de sentir na pele todas as dores dessa trágica história sobre um pai que precisa lidar com a morte de seu filho. É o ponto alto da carreira de Nanni Moretti, que, apesar de ficar muitas vezes no limite do dramalhão, nunca deixa a história ficar exagerada. Ele não desaponta em nenhuma de suas três funções (ator, diretor e roteirista), realizando um longa que foi extremamente merecedor de todas honrarias que recebeu – incluindo a Palma de Ouro em Cannes.

5. AS INVASÕES BÁRBARAS (Les Invasions Barbares, 2003, Canadá): Cercado de melancolia, As Invasões Bárbaras consegue ser superior ao seu superestimado exemplar anterior, O Declínio do Império Americano. Claro que as propostas são bem diferentes, mas essa continuação tem uma sutileza de impressionar. Narrando o reencontro de velhos amigos que, na juventude, se encontravam para discutiar sexo, política e outros assuntos, As Invasões Bárbaras ainda fala sobre o fim da vida e relacionamentos familiares que não deram certo. Certamente, conquistará o público mais sensível.

6. FALE COM ELA (Hable Con Ella, 2002, Espanha): Se eu tivesse que dizer qual o filme favorito da maioria dos fãs de Almodóvar, não tenho qualquer dúvida que meu palpite seria Fale Com Ela. Aqui, estão presentes todos os elementos que fizeram do cineasta a grande referência que ele é mundialmente. Entre tantos assuntos discutidos, a força do mundo feminino e relacionamentos desestruturados. Tudo isso em um filme que ainda traz a cena mais genial de sexo que o cinema já viu, homenagens à Pina Bausch e várias surpresas em suas resoluções dramáticas. É puro Almodóvar!

7. O FILHO DA NOIVA (El Hijo de la Novia, 2001, Argentina): Mais um filme dessa lista que preza pela sutileza de dramas familiares e  relacionamentos. Ainda que O Segredo dos Seus Olhos seja mais evoluído em diversos aspectos (principalmente na inventiva direção de Juan José Campanella), a história do workaholic que precisa lidar com sua mãe que sofre de Alzheimer consegue fisgar muito mais as minhas emoções. E, por se tratar ainda de um drama que, muitas vezes, lembra um pouco algumas fases do meu convívio familiar, Campanella me conquistou por completo. Acima de tudo, uma história universal.

8. A SEPARAÇÃO (Jodaeiye Nader az Simin, 2011, Irã): Já faz alguns meses que conferi A Separação e roteiro muito bem amarrado, detalhista e nervoso ainda permanece comigo. Não é qualquer um que cria um roteiro como aquele. O exemplar iraniano ganhou praticamente todos os prêmios da temporada que concorreu, algo que é facilmente compreensível. Longe de ser pretensioso, A Separação quebra preconceitos com o cinema iraniano e apresenta um resultado interessante para qualquer plateia. De tirar o chapéu.

9. AMORES BRUTOS (Amores Perros, 2000, México): Primeiro filme de uma trilogia criada pelo diretor Alejandro González Iñárritu para falar sobre incomunicabilidade através de histórias que se cruzam, Amores Brutos ainda é melhor que os seus sucessores. A longa duração não atrapalha essa intensa história que nunca se perde no meio de tantos personagens e situações. É Iñárritu em seu melhor, dirigindo muito bem os atores e mostrando ser um dos maiores nomes do cinema mexicano. Amores Brutos justifica o sucesso do diretor e fala por si só.

10. [REC] (idem, 2007, Espanha): Não tem como falar de filmes estrangeiros contemporâneos sem citar [REC], que é uma verdadeira aula de como se fazer suspense. Inventivo em praticamente todos os aspectos – não à toa foi copiado à exaustão ao redor do mundo – é um filme de dar agonia do início ao fim, sem qualquer pausa maior para o espectador recuperar o fôlego. Teve algumas continuações e uma refilmagem (Quarentena, péssimo) que não deram muito certo, o que comprova que a eficiência do filme original é impossível de ser copiada ou variada. É única.

10 comentários em “TOP 10: Filmes estrangeiros contemporâneos

  1. Stella, acredita que ainda não conferi “Incêndios”?

    Bruno, não colocaria “Biutiful” na lista. Sou grande fã da interpretação do Javier nele, mas não gosto tanto do filme…

    Hugo, coloquei “O Filho da Noiva” ao invés de “O Segredo dos Seus Olhos” pelo valor afetivo mesmo =)

    Raphaela, comigo é o oposto: todo mundo que conheço gosta de “[REC]”!

    Rafael, é outra discussão mesmo, mas, em linhas gerais, considerei estrangeiros filmes que não são brasileiros ou estadunidenses. Ou seja, aqueles que não recebem a devida atenção das salas de cinema!

    Kamila, coloquei “[REC]” na lista para representar um tipo de cinema que normalmente não é valorizado – nem quando feito com qualidade. Sem falar, claro, que adoro o filme!

    Fernanda, em breve teremos outros TOP 10! =)

    Daniel, não sou um dos grandes fãs de “Tudo Sobre Minha Mãe”… Prefiro “Fale Com Ela” e “A Pele Que Habito” mesmo!

  2. Almodóvar também teria dois filmes seus em minha lista mas seria Tudo Sobre Minha Mãe e Fale Com Ela

  3. Uma boa lista!!! so assisti o labirinto do fauno, e realmente é muito bom. Estou gostando demais dos posts!!! ;-)

  4. Excelente top 10, Matheus. Acho curiosa a presença de [REC], mas entendo. Nem eu que sou a maior fã de filmes de terror fiquei imune à sensação de agonia que esse filme traz. É uma ótima obra do gênero mesmo. Da sua lista, acho que o único longa que eu trocaria seria “O Quarto do Filho”, que acho levemente superestimado, apesar de eu gostar muito do tipo de cinema que o Nanni Moretti faz.

  5. Que lista bonita, viu! Apesar de discordar totalmente dessa classificação de “filmes estrangeiros” (tudo que não seja brasileiro não seria estrangeiro? – mas enfim, essa é outra discussão!) e de gostar da maioria, pra mim Fale com Ela e Amores Brutos estão bem acima dos demais. São de uma crueza incríveis.

  6. Vi quase toda a lista e ela é realmente muito boa. Mas Adeus, Lenin não seria minha primeira opção (acredito que ele nem entraria na minha lista), acho que fui com muita sede ao pote e acabei me decepcionando, apesar de não saber muito bem explicar o porquê.
    Fique surpresa com REC, gostei muito dele, mas quase ninguém que conheço gosta.
    E meus favoritos da lista, sem dúvida são os de Almodóvas (A pele que eu habito foi surpreendente em todos os aspectos) e o de Del Toro.

  7. Não assisti todos da lista, mas por exemplo, eu trocaria “O Filho da Noiva” por “O Segredo dos Seus Olhos” e incluiria também o ótimo “Incêndios”.

    Abraço

  8. Gostei muito da sua lista… uma ótima ideia de post!

    Se eu fizesse uma lista Fale com Ela estaria mais no topo, realmente, é o meu preferido do Almodovar, mas gosto muito de A Pele que Habito tb…

    Na minha lista não poderia faltar O Segredo dos Seus Olhos e talvez Biutiful.

    O único que não assisti dos que você escolheu é AMORES BRUTOS, faz tempo que tô com ele separado aqui.

    Ah… e [REC] não deixa de ser uma surpresa na lista, apesar de ser excelente… e tive a sorte de ver no cinema, o que aumentou ainda mais o suspense

    e devo dizer que gostei de Quarentena!

    Abraços

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: