Looper: Assassinos do Futuro

I’m from the future. Go to China!

Direção: Rian Johnson

Roteiro: Rian Johnson

Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis, Emily Blunt, Paul Dano, Piper Perabo, Jeff Daniels, Noah Segan, Pierce Gagnon, Qing Xu, Nick Gomez, Tracie Thoms

Looper, EUA, 2012, Ação, 118 minutos

Sinopse: Kansas City, 2044. Viagens no tempo são uma realidade, mas estão apenas disponíveis no mercado negro. Seu principal cliente é a máfia, que costuma enviar ao passado pessoas que deseja que sejam eliminadas, já que é bastante complicado se livrar dos corpos no futuro. Os responsáveis por estes assassinatos são os loopers, organização a qual Joe (Joseph Gordon-Levitt) faz parte. Um dia, ao realizar mais um serviço corriqueiro, ele descobre que seu alvo é a versão mais velha de si mesmo (Bruce Willis), trazida em viagem no tempo por ter se tornado uma séria ameaça à máfia no futuro. (Adoro Cinema)

2012 tem sido um ano sofrível para o cinema em qualquer aspecto: o verão estadunidense foi o mais fraco de bilheteria dos últimos 19 anos, os filmes do Oscar (que sempre chegam com atraso ao Brasil) foram facilmente esquecidos e pouquíssimos foram os exemplares que conseguiram surpreender. Por isso, qualquer longa um pouco mais inspirado e bem construído já chama a atenção ao entrar em cartaz. É o caso de Looper: Assassinos do Futuro, que talvez nem seja marcante, mas que, devido ao seu baixo nível de pretensões e ao modo como desenvolve sua trama com bastante segurança, já pode ser considerado uma das boas surpresas do ano.

Em seus primeiros minutos, Looper adota um ritmo bem rápido, deixando o espectador meio perdido ao fazer a apresentação de tramas e personagens. Só que é apenas questão de tempo para que esse novo trabalho do diretor Rian Johnson comece a adotar um tom mais calmo para mostrar ao que realmente veio.  O roteiro – também da autoria de Johnson – não se preocupa em inserir adrenalina a cada cena para prender a atenção. Pelo contrário: Looper mastiga bem essa história futurista mas que, assim como uma interessante parcela das ficções atuais, traz uma abordagem mais pé no chão dos próximos anos da humanidade.

Em Looper, é difícil dizer quem é mocinho ou vilão, principalmente porque – e isso é outro mérito do filme – todos têm suas intenções muito bem desenvolvidas. Toda a história é movimentada a partir de fatos críveis e não apenas por uma ou outra intriga que só existe para que o filme tome grandes proporções. Ajuda, claro, do roteiro que leva o devido tempo para trabalhar personagens e situações. Dessa forma, é fácil perceber que Looper tem momentos de ação muito pontuais e bem distribuídos. Nada ali é por acaso: cada cena de “ação” representa uma certa virada na trama.

Rian Johnson, portanto, criou um longa-metragem muito bem balanceado. Ao mesmo tempo em que Looper nunca se rende à tentação de fisgar o espectador por explosões ou tiroteios, também nunca cai em maiores pretensões na hora de dar dimensão a tudo com um enredo excessivamente complexo. Isso, por sinal, pode ser um tanto decepcionante para várias plateias, já que é fácil entender o porquê de Looper parecer tão correto em diversos momentos e até meio carente de ação. Mas é só olhar mais de perto para ver que tais aspectos não são necessariamente depreciativos. Depende, claro, de quem o vê.

Outro mérito de Rian Johnson é concluir sua obra com escolhas diferentes e, por que não, corajosas, escapando das obviedades que estamos acostumados a ver no gênero. Com um conjunto tão bem arquitetado, esquecemos que Bruce Willis dá pouquíssima personalidade ao seu personagem (e está inserido em uma jornada individual mal aprofundada), que a maquiagem deixa Joseph Gordon-Levitt parecendo um boneco de cera em diversos momentos e que uma ou outra decisão mais sentimental e comercial do filme quase faz com que flerte com o óbvio. Como falamos no início do texto, Looper pode não ser um grande filme e talvez se beneficie muito com o ano fraco, mas é impossível negar que, apesar de ser uma mera diversão, é uma experiência com quase tudo no seu devido lugar. Já é o suficiente.

FILME: 8.0

5 comentários em “Looper: Assassinos do Futuro

  1. Pingback: Ponto Crítico – Set/12 | Cine Resenhas

  2. Gal, obrigado! E o filme é bem interessante!

    Kamila, adorei essas decisões “corajosas” do Rian Johnson. É disso que estamos carentes!

    Luís, acho que você vai gostar =)

  3. Fiquei interessado em assistir a esse filme. Mesmo que tenha ouvido críticas bem negativas e outras tantas bem positivas, acho que o meu interesse não ficou muito abalado. Aliás, até acho que o gênero do filme me agradará bastante, senão pela qualidade, pelo entretenimento que acho que vai me proporcionar.

  4. Adorei “Looper – Assassinos do Futuro”. Achei um filme bem feito e que prende a nossa atenção. Fora que o Rian Johnson foi muito corajoso ao mudar por completo a trama do filme a partir do seu segundo ato. E, curiosamente, isso funciona muito a favor da obra. A mudança de foco narrativo soa natural por demais.

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