CLOSE 2012: “As Filhas da Chiquita”

O mundo gay e a religião se encontram em As Filhas da Chiquita. No documentário de Priscilla Brasil, conhecemos detalhes do Círio de Nazaré, a maior romaria católica do Brasil, que acontece desde 1793, na cidade de Belém do Pará. O Círio, no entanto, é apenas o pano de fundo desse filme que, na realidade, tem foco na Festa da Chiquita, tradicional encontro gay que ocorre no mesmo dia e na mesma rua do evento católico. A Festa já acontece há 34 anos, sempre respeitando o Círio, já que só começa depois que os fiéis passam com Nossa Senhora de Nazaré pelo local. Mas mesmo após tanto tempo acontecendo em concomitância com a romaria, a Festa da Chiquita ainda causa muita polêmica. E a questão se torna ainda mais complexa quando o documentário coloca vários gays como participantes e até mesmo devotos de toda a cerimônia. Afinal, a Chiquita faz parte ou não do Círio de Nazaré?

Apesar da resistência irredutível dos católicos (a escola de samba Viradouro quis colocar o Círio e a Festa da Chiquita em um carro alegórico mas desistiram da ideia após ameças de boicote de alguns religiosos), o público gay não se intimida e, ano após ano, coloca a Festa na agenda da cidade. Inclusive, a importância da festividade já foi reconhecida até mesmo por prefeitos de Belém. As Filhas da Chiquita, assim, consegue fazer um debate entre religião e homossexualidade sem nunca pesar demais seu posicionamento ou muito menos apostar em desrespeito. Pelo contrário: de um lado, apresenta a parcela da população que é contra, como uma senhora que apoia a ideia de que gays são piores que ladrões (de acordo com ela, gays “insistem” no erro e não são punidos) e um padre que não aceita a “imposição” dos público da Festa quanto a seus “estilos” de vida. De outro, os frequentadores da Chiquita e a população do local que não tem qualquer problema com o evento.

Entre conversas de bares, festas e salões de beleza, os depoimentos de As Filhas da Chiquita mostram a celebração da diversidade sexual e, acima de tudo, a necessidade de respeito. “O Brasil é feito de frescuras”, reclama um cidadão frente a um estabelecimento, “o cara nem é gay e já ficam chamando de viado”. Heterossexuais, homossexuais, religiosos, transsexuais e travestis compõem esse completo retrato que, por mais que fale sobre uma comunidade específica, também diz muito sobre todo o Brasil. As Filhas da Chiquita trabalha uma variedade de personagens com muita desenvoltura e, acima de tudo, bom humor. É um documentário espirituoso que acerta ao mostrar os dois lados da história para reforçar, junto com o espectador, que ser gay é a coisa mais normal do mundo. E, para isso, não precisou de firulas, vitimizações ou acusações. Simplesmente mostrou as pessoas como elas são. E precisamos mais do que isso?

* Filme conferido na cobertura do CLOSE 2012

4 comentários em “CLOSE 2012: “As Filhas da Chiquita”

  1. O teu texto esta razoavelmente informativo, mas demonstra desinformação sobre o que chamas de retrato brasileiro, pois Belém do Pará, fica na região Norte, neste caso a comunidade é Nortista, nodestina é a região Nordeste, meu caro!!! Sulista!!!

  2. Não conhecia esse documentário. Pelo seu texto, me parece ser uma obra bem diferente e interessante, com um senso de humor legal.

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