Frankenweenie

Direção: Tim Burton

Roteiro: John August, baseado em roteiro de Leonard Ripss e em ideia de Tim Burton

Elenco (vozes originais): Charlie Tahan, Catherine O’Hara, Martin Landau, Winona Ryder, Christopher Lee, Atticus Shaffer, Conchata Ferrell, Tom Kenny, James Hiroyuki Liao, Melissa Stribling, Dee Bradley Baker, Frank Welker

EUA, 2012, Animação, 87 minutos

Sinopse: Victor (Charlie Tahan) adora fazer filmes caseiros de terror, quase sempre estrelados por seu cachorro Sparky. Quando o cão morre atropelado, Victor fica triste e inconformado. Inspirado por uma aula de ciências que teve na escola, onde um professor mostra ser possível estimular os movimentos através da eletricidade, ele constrói uma máquina que permita reviver Sparky. O experimento dá certo, mas o que Victor não esperava era que seu melhor amigo voltasse com hábitos um pouco diferentes. (Adoro Cinema)

Dizem que existe uma mola no fundo do poço. Se existe mesmo, ela funcionou para Tim Burton. Depois do já decepcionante Alice no País das Maravilhas, o diretor parecia ter alcançado à decadência definitiva com o terrível Sombras da Noite, lançado em junho desse ano. Mas tudo o que foi dito de depreciativo sobre Tim Burton no que tange suas duas últimas obras, pode – e deve – ser repensado agora com Franenweenie, animação que traz o velho estilo de bonecos em massinha. Ao contrário do que vinha realizando nos últimos anos, o novo longa de Burton traz justamente o que parecia estar perdido em sua carreira: paixão e uma nítida vontade de fazer cinema. Sim, Frankenweenie é um filme feito com o coração.

A primeira cena já apresenta a animação de forma muito interessante. Acompanhando uma família frente à TV, o diretor brinca com a questão do 3D: “coloquem os óculos”, diz o protagonista, “é em 3D!” – fazendo referência ao uso da tecnologia no próprio filme. E, ao longo de todo Frankenweenie, somos brindados com as mais diversas referências, seja no sobrenome dos personagens (alguns deles são da família Frankenstein, outros da Van Helsing) ou nos conceitos de cenas que fazem homenagens a longas como GodzillaGremlinsOs Pássaros. O preto-e-branco, muito bem justificado, exalta tais homenagens, reforçando a ideia de que Frankenweenie não é um caça-níquel e sim uma animação muito pessoal de Burton.

Apesar de ser uma animação, o filme não é necessariamente destinado aos pequenos: a história é sobre minorias, experimentos científicos com a morte e chantagens – para dizer o que está mais na superfície. Além disso, o clímax é quase como o de um filme de terror, tamanha a tensão e a adrenalina das cenas para os padrões de uma animação. Com isso, reflete-se, aqui, a clara tendência de que o nome de Burton se posiciona mais do que o selo da Disney no processo. Quem entra na brincadeira certamente terá uma sessão prazerosa, pois Frankenweenie também é um filme que passa por todos os gêneros, apresenta personagens irresistíveis e – o mais importante – nos faz torcer pelo protagonista. O público se importa com Victor, sentindo tudo o que ele sente. E isso, para uma animação, é um mérito a ser valorizado.

É muito simples: desde que a Pixar se aposentou de ideias originais para fazer continuações e se adaptar aos moldes da Disney, não víamos uma animação tão bem resolvida em todos os aspectos. Frankenweenie tem história (e sobrevive a todas as mudanças de tom), visual, ritmo e empatia. Mesmo sendo da Disney (que, recentemente, castrou o perfil diferenciado da Pixar em Valente), a animação não desaponta mesmo nos momentos mais “acessíveis” e “açucarados”. É, antes de tudo, uma luz no fim do túnel de Tim Burton, que realiza o seu melhor trabalho desde sabe-se lá quando. Esse sim é o diretor que conhecemos. E não será surpresa alguma vê-lo como o vencedor do próximo Oscar de melhor animação. Caso isso aconteça, será mais do que merecido.

FILME: 8.5

NA PREMIAÇÃO 2012 DO CINEMA E ARGUMENTO:

2 comentários em “Frankenweenie

  1. Todas as críticas que tenho lido ressaltam justamente os mesmos aspectos: que se trata de uma volta do Tim Burton ao terreno dos bons filmes e que esta é, provavelmente, a primeira animação destaque do ano. Estou curiosa em relação à “Frankenweenie” e devo conferir o filme em breve.

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