As cores de Mylo Xyloto

Mylo Xyloto foi, segundo o próprio Coldplay, a melhor turnê da banda. Já são 16 anos de carreira, mas desde 2003 o quarteto britânico não lançava um registro de uma apresentação ao vivo. Depois de tanto tempo, eles reparam esse erro em grande estilo: Coldplay Live 2012 foi exibido nas salas de cinema de diversas cidades do mundo. Trazendo o grupo para a tela grande com uma compilação dos grandes momentos da turnê Mylo Xyloto, o registro é ilustrado por passagens em países como França, Espanha e Inglaterra. A variada paleta de cores em neon e o repertório recente mas já cheio de hits prometiam um grande espetáculo. E, em certos aspectos, Coldplay Live 2012 realmente impressiona. O problema é que a estrutura desse documentário-musical não ajuda o ritmo do “longa”.

Vamos usar dois exemplos recentes para falar sobre o formato de Coldplay Live 2012. O primeiro é Aphrodite: Les Folies, show de Kylie Minogue exibido em 2011 nos cinemas brasileiros. No registro, a cantora australiana trouxe às telas um show de sua turnê na íntegra, onde, durante mais de duas horas, fomos brindados com um repertório muito bem escolhido e um excepcional uso do 3D. O segundo exemplo é Katy Perry: Part of Me, que, apesar de trazer várias apresentações ao vivo da cantora pop, tinha o objetivo de falar sobre a vida de Katy, mostrando a mulher por trás da fama. E o “filme” do Coldplay tem um pouco de cada um dessas duas experiências. Se, por um lado, empolga com as músicas ao vivo, por outro, peca por inserir, mais ou menos a cada 20 minutos, depoimentos do grupo sobre sua história e mais especificamente sobre a turnê. Ou seja, quando o espectador entra no ritmo do show, logo tem sua empolgação interrompida por declarações que estão longe de revelar novidades sobre a banda.

Produzido por Jim Parsons (sim, o Sheldon do seriado The Big Bang Theory), Coldplay Live 2012 se beneficia, óbvio, por ser o registro de uma banda muito boa. Ao longo de 16 anos de carreira, o Coldplay nunca decepcionou: alguns álbuns podem ser bem inferiores a outros, mas é fato que eles sempre lançam canções de sucesso que conseguem agregar novos fãs. O foco do “filme” é, claro, sucessos do álbum Mylo Xyloto, mas também há espaço para clássicos indispensáveis, como Fix You (possivelmente, a melhor música deles), ClocksIn My Place – a ressalva fica com o esquecimento imperdoável de The Scientist, uma das mais marcantes. Por se tratar de Coldplay, é óbvio que a experiência é muito válida. Não só pelo excelente repertório (das mais recentes, destaque para Every Teardrop is a WaterfallParadise), mas também pelo visual da turnê, onde o grupo, além de usar luzes e tintas coloridas para iluminar o ambiente, distribui pulseiras brilhantes para o público, tornando tudo um espetáculo de encher os olhos.

Entretanto, voltemos à questão que quase estraga Coldplay Live 2012: o desnecessário uso de depoimentos da banda para mostrar os bastidores da turnê. Além de, como mencionado, interromper a empolgação com o show, o formato também dá um tom muito quadrado ao resultado. E o pior: constantemente, os integrantes da banda só falam obviedades que até caem no clichê, como no momento em que um deles lamenta como é difícil estar longe da família durante as turnês. A participação de Rihanna em Princess of China é outro ponto decepcionante: a cantora deixa a sensação de que só estava ali para cumprir uma formalidade. Como fã de Coldplay, fico feliz que o grupo tenha quebrado esse jejum de nove anos sem registrar suas apresentações ao vivo, principalmente porque muitos hits surgiram desde então. Em contrapartida, também não consigo esconder esse incômodo sentimento de decepção. Teria sido bem melhor se o Coldplay tivesse apresentado um show completo, sem cortes. O visual e as músicas falariam por eles.

2 comentários em “As cores de Mylo Xyloto

  1. Kamila, adoro o Coldplay! Mas esse registro deles ficou devendo um pouquinho… E até que entendo um pouco essa tua sensação de que a banda perdeu um pouco o encanto. Para mim, eles ainda não conseguiram superar o melhor álbum da carreira deles, “A Rush of Blood to the Head”!

  2. Já gostei muito mais de Coldplay do que gosto e escuto hoje. Acho a banda muito boa, em termos de qualidade musical, e admiro o fato de eles se manterem consistentes e relevantes dentro de um mercado com tantos altos e baixos como o musical, mas, de uma certa forma, a banda perdeu o encanto pra mim. Legal você dar espaço a crítica de um show por aqui!

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