O que passou…

APENAS O FIM (idem, 2009, de Matheus Souza): Apenas o Fim é de uma naturalidade que assusta. Os diálogos são cheios de boas sacadas, versam sobre relacionamentos com extrema verossimilhança e abordam os mais variados assuntos sem qualquer momento mais forçado. Todos os méritos, claro, não seriam possíveis sem os desempenhos dos ótimos Gregório Duvivier e Érika Mader, cuja desenvoltura é um dos pontos altos do filme. E se Matheus Souza leva tudo mais para o lado teatral (câmera parada em quase todos as conversas dos protagonistas, ação nos diálogos e não nos acontecimentos), tal escolha não afeta o filme. O problema é que o conflito que move a história não convence. As motivações da menina que decide ir embora e acabar um relacionamento de anos nunca ficam muito convincentes. Assim, fica meio complicado se empolgar com essa história que parece sempre estar perto de ser desmentida por ser um tanto mal explicada.

PELA VIDA DE MEU FILHO (…First Do No Harm, 1997, de Jim Abrahams): Imaginem Meryl Streep como uma sofrida mãe lidando com a epilepsia do filho. O plano de saúde não ajuda, ela resolve procurar outras alternativas e abraça o bem estar de seu filho como uma questão de vida. O que poderia ser uma chance de ouro para a atriz, acabou como algo passageiro e extremamente formulaico. O telefilme Pela Vida de Meu Filho até trouxe indicações de melhor atriz no Emmy e no Globo de Ouro para Meryl, mas ela não tem muito o que fazer nessa história médica batida onde os protagonistas lidam com uma doença desconhecida e começam, aos poucos, a investigar sobre o assunto com os mais variados médicos e livros especializados. Nada muito inspirado e que ainda desperdiça o ótimo elenco de suporte que traz nomes como Margo Martindale e Allison Janney.

RUBY SPARKS – A NAMORADA PERFEITA (Ruby Sparks, 2012, de Jonathan Dayton e Valerie Faris): É um filme decepcionante, especialmente por vir da dupla de diretores que comandou o impecável Pequena Miss Sunshine. Quem já conferiu Mais Estranho Que a Ficção sabe que essa história de um escritor comandando a vida de uma pessoa real não é novidade, mas parece que o novo longa da dupla não sabe muito bem o que quer. É para ser, no geral, uma comédia romântica, mas nunca chega necessariamente a funcionar de forma exemplar ou original nesse sentido. As participações de Antonio Banderas e Annette Bening também estão ali de forma bastante avulsa. Digamos que Ruby Sparks é aquele tipo de filme queridinho, bonitinho, mas “inho” demais para se sobressair. Sem falar que, assim como em (500) Dias Com Ela, o filme de Dayton e Faris se rende às formalidades do gênero só para agradar o grande público.

TEMPLE GRANDIN (idem, 2010, de Mick Jackson): Foi com esse telefilme da HBO que Claire Danes alcançou um outro patamar. Antes dele, a atriz não era lá muito inspirada, mesmo contracenando com grandes nomes (em As Horas, foi a filha de Meryl Streep, por exemplo). Mas como a autista Temple Grandin, Danes deu uma total virada em sua carreira, o que também foi confirmado no seriado Homeland. O longa de Mick Jackson é uma cinebiografia convencional, mas que consegue ser bem agradável por não ter maiores pretensões. Temple Grandin é o velho produto motivacional produzido e direcionado aos estadunidenses, mas a boa notícia é que o filme lida muito bem com a questão da deficiência (o foco é mais na superação da protagonista do que nas suas lamúrias) e que traz um excelente desempenho da atriz. Ela não tem qualquer problema em segurar o filme e orquestra toda a sua caracterização com uma notável precisão. Previsível? Sim. Só que bem feito e na medida.

OS VINGADORES (The Avengers, 2012, de Joss Whedon): O lançamento de Os Vingadores foi um dos grandes eventos cinematográficos de 2012. Cercado de expectativas, o público respondeu à altura e o filme conseguiu uma bilheteria astronômica e grande repercussão também fora das telas. Passado o calor do momento, fui conferir o longa de Joss Whedon muito tempo depois. E digamos que, se comparado aos filmes de heróis que vemos hoje em dia, Os Vingadores é sim diferenciado pelo perfil espirituoso e bem humorado com que aborda tantas figuras de quadrinhos. A ação também é boa e os efeitos, claro, dispensam comentários. Por outro lado, é menos instigante do que prometia, principalmente no que se refere ao tão esperado encontro de todos aqueles heróis. Culpa da história que, apesar de bem mastigada, nunca é tão curiosa quanto a reunião dos personagens.

Um comentário em “O que passou…

  1. Vou comentar os filmes que eu assisti:

    APENAS O FIM: adoro esse filme. Acho que a história demonstra bem o potencial de Matheus Souza como diretor e roteirista. Poderíamos definir o longa como um exemplar do que seria o cinema independente brasileiro. Seria uma obra digna de Sundance, caso fosse, originalmente, norte-americana.

    TEMPLE GRANDIN: esse telefilme vale mais pela ótima atuação da Claire Danes. Ela está excelente aqui e foi merecedora de todos os prêmios que conquistou.

    OS VINGADORES: um ótimo filme evento/diversão. Acho que Joss Whedon correspondeu às expectativas que existiam em torno desse projeto. O longa tem uma história que cativa e a reunião do grupo de super herois funciona por demais.

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