O que passou…

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AMOR IMPOSSÍVEL (Salmon Fishing in the Yemen, 2012, de Lasse Hallström): Ainda tento entender como conseguiram convencer toda uma equipe a fazer um filme tão desinteressante como esse. O sueco Lasse Hallström já teve seus dias de brilho (mais pelos nomes que reuniu em longas como ChocolateRegras da Vida do que por qualquer outro mérito), mas, em Amor Impossível, ele alcança a completa mediocridade. O problema já começa com a própria premissa: quem vai se interessar pela história de um xeique visionário que resolve trazer ao Iêmen a prática da pesca de salmão? Além disso, o longa é um completo desperdício de elenco, com Ewan McGregor forçando sotaque, Emily Blunt completamente deslocada em cena e Kristin Scott Thomas flertando com a caricatura. Amor Impossível também não tem ritmo e nunca deixa muito claro qual é o seu verdadeiro conflito. É, certamente, o pior filme da carreira de Hallström e também o mais insuportavelmente tedioso do ano.

FUTURO DO PRETÉRITO: TROPICALISMO NOW! (idem, 2012, de Ninho Moraes e Francisco Cesar Filho): Não é o tipo de documentário que chega a trazer grandes estímulos para o público que não se interessa pelo tema: no caso, a Tropicália, um dos movimentos culturais mais efervescentes da história do Brasil. E se Ninho Moraes e Francisco Cesar Filho optaram, em parte, por trazer os formais depoimentos frente às câmeras – Gilberto Gil, ministro da cultura na época das gravações, é uma das fontes de respeito reunidas aqui – eles também acertam ao apresentar uma forte abordagem musical ao documentário. O melhor de Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now! é exatamente a trilha sonora, executada de forma impecável por André Abujamra. As performances, registradas em um show gravado especialmente para o filme, são envolventes e empolgantes – o que, sem dúvida, compensa o conjunto final que, às vezes, devido à parte documental sem grandes inspirações, é um pouco repetitivo.

INSÔNIA (idem, 2011, de Beto Souza): O tempo só destruiu qualquer impressão positiva de Insônia. Filmado em 2007, esse longa gaúcho de Beto Souza só foi finalizado em 2011 devido à dificuldade de captação de recursos. E se, no em ano que foi filmado, Insônia já poderia ser considerado extremamente bobo e mal contado, agora sofre porque outros filmes adolescentes infinitamente melhores já foram produzidos. Da introspecção de Os Famosos e os Duendes da Morte ao formato acessível e descontraído de Antes Que o Mundo Acabe, o cinema já parece ter visto, nos últimos anos, todas as formas do mundo adolescente. Insônia, portanto, surge desatualizado (a protagonista ainda conversa por MSN!) e perdido no tempo. Mas mesmo se relevarmos esses pontos, ainda encontramos um filme muito amador em termos dramáticos, com interpretações bastante inconvincentes, surpresas sem efeitos e um roteiro que sequer entrega ao espectador uma linha dramática decente.

O LORAX – EM BUSCA DA TRÚFULA PERDIDA (The Lorax, 2012, de Chris Renaud e Kyle Balda): Já não é de hoje que as histórias do Dr. Seuss não são bem traduzidas para o cinema. Já não bastasse os histriônicos O Gato O Grinch, agora mais um de seus personagens ganha um filme insatisfatório: o Lorax. A animação dirigida por Chris Renaud e Kyle Balda tem um visual muito legal, cheio de cores, canções e bichinhos que certamente vão encantar os pequenos. Porém, é uma pena que a história seja fraca demais para sustentar um longa-metragem. Os adultos não vão se interessar pela temática de preservação da natureza e as crianças talvez nem entendam muito bem a moral do enredo com uma estrutura cheia de flashbacks. O Lorax – Em Busca da Trúfula Perdida também parece, em vários momentos, uma cópia de WALL-E, especialmente naqueles momentos em que todos correm desenfreadamente para salvar uma plantinha que é o símbolo da esperança ecológica. Boas intenções desperdiçadas em um filme que beira o irritante.

O MUNDO DOS PEQUENINOS (Kari-guarashi no Arietti, 2010, de Hiromasa Yonebayashi): No Japão, O Mundo dos Pequeninos chegou aos cinemas em 2010. Aqui no Brasil, a animação só viu a luz do dia no último outubro, quando chegou diretamente em DVD. Como a maioria das produções do gênero vindas do país, tem um toque muito especial: a clássica combinação de um visual singelo com uma história bem pensada e feita com o coração. Nenhuma surpresa nesse sentido, até porque o roteiro foi escrito por Keiko Niwa em parceria com o mestre Hayao Miyazaki. A trilha e o excelente trabalho de sonoplastia de O Mundo dos Pequeninos ainda dão o tom certo a essa história sobre uma família de pequenos humanos (do tamanho de bonequinhos mesmo) que tentam sobreviver na casa de uma família que acaba de receber um novo morador: o jovem Shô, que está repousando antes de uma cirurgia no coração. Nada de muito extraordinário, mas dentro dos padrões das animações japonesas, que frequentemente dão um banho em outros países só com a habitual simplicidade de uma história eficiente.

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