O Voo

I drank the night before the flight.

flightposter

Direção: Robert Zemeckis

Roteiro: John Gatins

Elenco: Denzel Washington, Don Cheadle, Kelly Reilly, John Goodman, Melissa Leo, Tamara Tunie, Conor O’Reilly, Brian Geraghty, Nadine Velazquez, Charlie E. Schmidt, Adam Tomei, Boni Yanagisawa, Dane Davenport

Flight, EUA, 2012, Drama, 138 minutos

Sinopse: Whip (Denzel Washington) é um piloto de aviação comercial que, com a queda iminente de um avião, assume o comando e consegue salvá-lo com danos mínimos. Logo ele se torna um herói nacional, mas uma investigação interna revela que ele estava voando sob o efeito de drogas e álcool. Tendo consciência disto, Whip não se sente bem com todas as homenagens que recebe, por não se considerar merecedor delas. (Adoro Cinema)

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No recente Guerreiro, lançado diretamente em home video no Brasil, Nick Nolte interpreta um solitário homem que, após anos de alcoolismo, retomou as rédeas da sua vida e, agora, apesar de sóbrio, já não tem mais ninguém ao seu lado. Ele tenta, a todo custo, recuperar a confiança dos filhos adultos. Nolte é um coadjuvante na história e a escolha é acertada, visto que Guerreiro tem mais de duas horas de duração e, certamente, poderia perder boa parte de seu impacto se a storyline do pai ex-alcoolista fosse mais esmiuçada. Por ter pouco espaço em cena, Nolte escapa das armadilhas e, em uma única cena (aquela com Tom Hardy no quarto do hotel) conseguiu impressionar muito mais que o próprio Denzel Washington nos quase 140 minutos desse O Voo, novo filme do diretor Robert Zemeckis que comete, justamente, os erros que Guerreiro não comete: dar atenção demais a uma proposta que já foi trabalhada à exaustão.

Não vamos, no entanto, desmerecer Denzel, que, apesar de apenas correto (e não muito merecedor da indicação ao Oscar 2013 de melhor ator), praticamente segura o filme inteiro sozinho. Ele é Whip, um piloto viciado em álcool e drogas que consegue fazer uma façanha incrível e salvar um avião com defeito de uma catástrofe ainda maior. Mas, antes de pilotar, Whip tinha tomado umas e outras e os investigadores querem responsabilizar alguém. Basta um teste de sangue para que ele seja considerado o principal culpado do acidente. A partir daí, o piloto jura que não vai mais beber e, enquanto enfrenta todas as investigações, resolve se isolar de todos para abandonar o álcool. E aí O Voo se torna um filme convencional sobre um sujeito que luta contro algo maior do que si: no caso, o alcoolismo. Além disso, não poderia faltar o clichê do protagonista problemático que se envolve com uma mulher também em recuperação. O longa de Zemeckis não chega a ser exagerado e muito menos força a barra com a história dos vícios. Porém, fica no lugar comum, o que é um problema para Denzel, que fica sem ter muito o que desenvolver ali.

Não fosse a circunstância extraordinária (o acidente de avião e a tal investigação), O Voo seria ainda mais convencional do que já é. Isso porque, tratando-se do conflito em si, mastigado durante mais de duas horas, o roteiro de John Gatins (também misteriosamente indicado ao Oscar 2013), não faz questão alguma de se esquivar das formalidades da temática: das constantes recaídas à relutância a frequentar uma reunião de AA, o texto ainda faz questão de colocar em cena personagens que só aparecem para maximizar a desgraça do personagem, como a ex-esposa e o filho, que não têm função alguma a não ser mostrar como o Whip de Denzel sofre por ter uma família que desistiu dele. Além desse roteiro linear, existem também outros furos, como a personagem da ruiva Kelly Reilly, que recebe bastante atenção durante certo tempo, indicando que será uma peça fundamental na conclusão da história e que, do nada, é esquecida sem uma explicação realmente consistente para o arco que estávamos acompanhando até então. Enfim, são dramalhões e problemas comuns que todos nós já conhecemos em histórias do tipo e que, aqui, mesmo que tratados de forma menos melodramática, não chegam a entusiasmar.

Com a tradicional trajetória de redenção que vai agradar várias plateias afeitas a esse tipo de história, O Voo não pode ser considerado um filme ruim, já que o problema da sua narrativa é querer repetir acertos de filmes bem sucedidos com a temática, mantendo-se bastante acomodada, sem vontade de ousar. Para o nível de filmes que Denzel Washington costuma fazer, esse é mais diferenciado, calcado na emoção e não na ação. Mas para o nível geral fica no mediano. Não dá, no entanto, par falar de O Voo sem mencionar a cena do acidente de avião. É realmente um grande momento, eletrizante na medida certa, além de durar o tempo necessário para colocar o espectador no lugar dos passageiros. Executada com grande segurança por Zemeckis, a cena engana bastante: por vir logo no início, esperamos que o resto também apresente outras surpresas do estilo. Porém, qualquer indício delas (a entrada de ótimos atores em pequenas participações, como John Goodman e Melissa Leo) logo se une às normalidades de um filme inofensivo e, por isso mesmo, repleto de desperdícios.

FILME: 6.5

3*

3 comentários em “O Voo

  1. Weiner, vi pouca coisa de Denzel Washington (gosto bastante dele em “Dia de Treinamento”), mas “O Voo” é o básico do básico. Ele não tem tantas chances no filme…

    Luiza, né? Aquela coisa de sempre tratada da forma mais simples possível. Vale pela cena do voo!

  2. concordo tanto que nao consegui chegar até o fim do filme. a cena do voo tá genial, mas depois dá um sono absurdo e uma sensacao de já vi isso antes milhoes de vezes…

  3. Tenho que ver O VOO ainda. O fato de os críticos terem se surpreendido com a qualidade do filme, medindo-o pelo padrão dos trabalhos de Zemeckis na última década, me deixa ligeiramente curioso. Não gosto de Washington, mas talvez ele me conquiste aqui. O filme, em si, parece mesmo ter sido produzido à base de uma velha receitinha infalível.
    Depois comento com mais propriedade.
    Abs!

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