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¡Chile, la alegría ya viene!

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Direção: Pablo Larraín

Roteiro: Pedro Peirrano, baseado na peça “El Pebliscito”, de Antonio Skármeta

Elenco: Gael García Bernal, Luis Gnecco, Néstor Cantillana, Antonia Zegers, Alfredo Castro, Jaime Vadell, Alejandro Goic, Sergio Hernández, Amparo Noguera, Diego Muñoz, Pascal Montero, Roberto Farías

Chile/França/EUA, 2012, Drama, 118 minutos

Sinopse: Chile, 1988. Pressionado pela comunidade internacional, o ditador Augusto Pinochet aceita realizar um plebiscito nacional para definir sua continuidade ou não no poder. Acreditando que esta seja uma oportunidade única de pôr fim à ditadura, os líderes do governo resolvem contratar René Saavedra (Gael García Bernal) para coordenar a campanha contra a manutenção de Pinochet. Com poucos recursos e sob a constante observação dos agentes do governo, Saavedra consegue criar uma campanha consistente que ajuda o país a se ver livre da opressão governamental. (Adoro Cinema)

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Sim e não. Duas palavras que colocaram em jogo o rumo do Chile em 1988, quando o ditador Augusto Pinochet cedeu às pressões nacionais e mundiais para realizar um plebiscito que tinha como objetivo decidir sua permanência no poder. O que vemos, então, é o que hoje também está em campanhas políticas: lados opostos tentando conquistar eleitores na televisão. No caso, o sim para a permanência de Pinochet ou o não para a sua remoção do poder. É com esse enfoque que No fala sobre a ditadura no Chile: nada de torturas ou abordagens tão corriqueiras em filmes desse tema. O filme de Pablo Larraín é sobre os bastidores da comunicação, das ideias e das decisões que fizeram Pinochet perder a eleição – escolha que tira completamente o resultado da normalidade encontrada em histórias sobre ditadura (formato que assombrou o cinema brasileiro durante anos).

Narrando todo o processo de criação publicitária da campanha do não para Pinochet, o roteiro de Pedro Leirrano,  baseado na peça El Pebliscito, de Antonio Skármeta, nunca se restringe a ser exclusivo para quem trabalha e estuda comunicação. Mesmo que seja essencialmente trabalhado em cima dessa abordagem, No consegue ser suficientemente interessante para qualquer público, especialmente porque mostra com consistência detalhes fundamentais: como convencer aqueles que não querem votar? De que forma desmascarar a ditadura sem correr riscos pessoais? Como lutar contra a total manipulação daquela época? Porém, nada mostrado de forma didática ou quadrada, pois No se desenvolve com muita naturalidade, fazendo com que o espectador  se importe e torça pela equipe do não.

Se o roteiro de Peirano nos ambienta com precisão nesse recorte da história chilena, a direção de Pablo Larraín também surpreende em vários sentidos, começando pela decisão de usar os recursos técnicos que existiam na época. O sistema de Video U-Matic dá uma sensação bastante realista e documental ao filme (mesmo que este nunca se pareça narrativamente com um) e o visual só contribui para todo o desenvolvimento de No, que não tem uma essência necessariamente nova (afinal, quem já não viu vários filmes sobre minorias tentando conquistar espaço politicamente?), mas que, no caso do longa de Larraín, está longe de parecer uma reciclagem.

A tal campanha pelo não também nunca perde o fôlego, até porque as propagandas televisivas e os jingles são o ponto alto do longa (quem não sai cantarolando ¡Chile, la alegría ya viene!?). Vale ressaltar ainda a forma como o roteiro trabalha com segurança a figura do protagonista René Saavedra (Gael García Bernal): sua vida pessoal é explorada na medida exata, o trabalho como publicitário convence o espectador e, por mais que o filme não seja necessariamente sobre ele, é fácil torcer pelo não para que René também se saia vitorioso.  Por isso, o estiloso No é, por exemplo, uma bela lição para o recente Lincoln, filme prejudicado por ser tão destinado ao povo estadunidense. Não é por mostrar a vida chilena na era Pinochet que No tem o seu charme voltado apenas ao país. Fronteiras não o elevam nem o minimizam.

FILME: 8.5

4

3 comentários em “No

  1. Essa coisa da estética do vídeo me parece uma proposta bastante corajosa do Larraín e super apropriada para o que ele queria demonstrar. Mas o que eu gosto mesmo nesse filme e nos outros que fazem parte da trilogia (Post Mortem e Tony Manero) é que nunca existe um discurso fortemente militante, agressivo, contra o regime. O protagonista aqui está fazendo um trabalho como qualquer outro no meio político, mas o filme aproveita isso para alfinetar o regime, é claro. Gosto muito dessa abordagem.

  2. Segunda ótima opinião que leio sobre esse filme. Algumas pessoas até aventuraram, na época do Oscar, que esse longa merecia mais o prêmio que “Amor”. Estou curiosa para conferir.

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